Amor à moda antiga
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Eu vira Naruto passar o dia inteiro se preparando dois dias depois. Exercitava-se na minha academia particular, fazendo barba, hidratando seus cabelos, cuidando dos seus pelos, parecendo uma mulher. Fiquei admirado com todo aquele preparo. Parece que ele vai se apresentar de novo e eu estarei lá! É claro! Vou perder algo do tipo? Claro que não.
–Seu pai é assim mesmo? – perguntei ao Boruto – Tipo, em dia de festa?
–Dia de festa?! – Boruto começou a rir, encarando o spray para barbear que o pai usava e lendo o que estava no rótulo – Papai vai trabalhar, seu idiota.
–Que é isso moleque?! – resmunguei rindo – Perdeu a noção do perigo?
–O único perigo que eu vejo por aqui é aquele ali hidratando as mãos. — ele apontou para Naruto massageando os pulsos – Falando em perigo... Existem três situações que você, como meu futuro padrasto, precisa evitar que significam alto perigo de risco de vida. – sim, Boruto estava animado com o casamento do pai dele comigo e já me considerava seu segundo pai.
–Quais? – perguntei descruzando meus braços. Naruto começara a preparar os pelos da sua longa cauda quase cobre – Vou anotar tudo isso.
–Evite meu pai quando ele estiver furioso. – assenti – Evite quando ele estiver excitado. – arqueei uma sobrancelha, Boruto riu alto – É sério! Isso porque ele é uma raposa, porque você sabe... Raposas são... Como papai diz, afrodisíacas! – vi sua cara de “Se é que entende” e ele riu. – E a última é quando ele estiver com fome! Meu pai fica demoníaco quando está com fome! Só não fica mais louco do que quando está excitado.
Fitei o pai de Boruto, com o olhar bem sagaz, depois daquela informação, imaginando que tipo de policial ele fora em sua carreira. Que curioso. Não sei se fico ansioso pelo casamento ou se piro de vez querendo me afastar de tudo isso.
Naruto sorriu para mim. Esse cara é muito lindo. Ainda mais esses olhos azuis.
–Que foi? – ele perguntou começando a escovar os dentes – Perdeu alguma coisa na minha cara? – neguei – Então o que diabo está olhando?
–Você se emperiquitando. Vai dançar hoje de novo e levar o Boruto? – perguntei quase sugerindo minha intenção de querer ir.
–Não. Bolt só participa nos horários diurnos. – comentou tranquilamente – Ele não pode entrar a noite por causa da idade dele. Por quê?
–Por nada... – dei de ombros – Eu só queria saber... Porque, tipo, eu posso pedir ao Yamato para levá-lo ao cinema, junto com a minha mãe. Posso?
–Pode. – Naruto deu de ombros – Você quer ir, Bolt?
–Posso? – o garoto sorriu e saltou alto, dando um soco no ar – Show! Ei pai, posso comprar alguma coisa para mim?
Naruto sorriu de lado e meteu a mão no bolso justo na hora que eu ia dizer que seria por minha conta naquela noite. Abriu a carteira, sacou algumas notas e deu ao filho. Boruto quase explodiu de felicidade ao ver o dinheiro. Moleques de doze anos são tão fáceis de manipular que eu chego a não acreditar.
–Ei. – ele me chamou e eu fitei. Naruto estava bem perto de mim, sorrindo e me mostrando um cartão entre os dedos – Vai precisar disso.
–O que é isso? – peguei e li o que estava no papel. Estava escrito “Senha” – Sério. O que é isso? – Naruto piscou um olho e se afastou de mim rindo. – Naruto.
–Vai precisar disso quando for hoje à noite. – ele comentou buscando suas roupas – Não é?
Pisquei e sorri. Então ele sabia que eu iria e provavelmente aprontaria alguma coisa. Desde o jantar que eu suspeitava que Naruto estivesse maquinando alguma coisa contra mim, eu pressentia que algo iria acontecer. O problema é que gato é bicho curioso e eu não posso fugir dos meus próprios extintos.
Eu mal via a hora de a noite chegar, eu queria ver aquela apresentação proibida para menores no local secreto, eu queria saber o que Naruto aprontaria. As horas correram como loucas e eu logo estava acelerando pelas ruas de Konoha para a tal casa de show onde seria a festa. Pedi a Itachi para vir comigo, apenas para ter uma testemunha caso alguém tentasse me matar.
Era um local escondido dentro de um prédio abandonado. Nunca vi tantos conhecidos do meu pai, envolvidos com a máfia, entrando naquele lugar que as músicas faziam as paredes tremerem e os nossos corações pararem. Itachi parecia acuado, mas eu estava extremamente à vontade com aquela quantidade de homens e mulheres se exibindo imoralmente para os presentes, independente do gênero e da raça.
Peitos, bundas, pernas, barrigas everewhere! Mas meus olhos não estavam nem aí para aqueles corpos se mexendo loucamente. Eles estavam buscando um único cara, uma raposa para ser mais específico. Cada convidado que portava uma senha recebera uma lista das apresentações. Eu supunha que uma daquelas era a de Naruto. Esperei duas horas pelo o que eles chamaram de “show principal”. Algo me dizia que seria nesse momento que eu o veria.
–Senhoras e senhores! – o homem porco foi ao palco, acenando para todos e suando miseravelmente – Todos aqui vieram para ver o raro, o exótico, o inigualável, uma iguaria única que vai lhes dar o direito de uma dança particular para aquele que pagar mais! Sabem do que eu estou falando! – todos gritaram.
Por sorte eu estava bem perto do palco, perto suficiente para subir e carregar o que fosse meu que aparecesse bem ali diante dos meus olhos. Cruzei minhas pernas e esperei as luzes reacenderem. Eu estava cansado de ouvir aquele homem porco e queria ver logo aquela atração tão espetacular que comentavam perto de mim. Muitos homens e muitas mulheres já procuravam suas carteiras, seus cartões, seus cheques e tudo o que pudesse ser usado para pagar por aquela tal dança particular.
O silêncio de expectativa era angustiante. Um riso baixo causou arrepios em algumas pessoas perto de mim, ainda com as luzes apagadas, e foi sumindo à medida que as luzes se acendiam. Então ela parou e um homem de casaco preto longo e chapéu de mesma cor surgiu de costas no fundo do palco. Ele se virou devagar e sorriu por baixo do chapéu, fazendo os riscos de suas bochechas alongarem ainda mais.
Eu meneei a cabeça negativamente, sorri quase babando de alegria e bati palmas.
Lá vinha o meu homem, eu tive certeza na hora.
Ele caminhava lentamente, desfilando sedutoramente, com as mãos dentro dos bolsos das calças jeans escuras e de certa forma justas ao seu corpo, mas não impediam os seus movimentos. Na verdade Naruto parecia mais natural com aquela roupa. Ele parou perto da borda e moveu sua cabeça como se analisasse os presentes, meio sério, e parou alguns segundos olhando diretamente para mim.
Eu sabia que era para mim que ele olhava, apesar de ter uma louca gritando atrás de mim dizendo que o amava.
–Disseram-me... – ele começou com sua voz rouca e muito sexy, retirando seu casaco, seu chapéu e sua gravata a cada palavra que ele proferia – Que pessoas queriam me ver, que queriam saber se eu existia... – ele se abaixou e sorriu – Eu sou a Kyuubi, eu sou o demônio da luxúria, eu sou o Incubus... Não me odeiem por ser assim... Porque eu não vou amar vocês. – um sorriso sensual brincou em seus lábios.
O mundo explodiu de gritos e palmas. Eu ri aplaudindo comportadamente. Olhei de lado e vi o quanto Itachi estava abalado. Mas por que, meu deus?
Naruto se levantou e começou a dançar poderosamente, em companhia de outros dois homens. Garçons com bandejas de prata passavam recebendo as quantias ofertadas para Naruto em virtude de sua dança. Ele era muito bom, incrivelmente bom. Mas o que realmente chamou a minha atenção fora entender que Naruto dançava de salto alto, isto é, de botas de couro preto parecidas com uma que eu vi nos pés de Sakura!
Ele fazia um milagre da sedução sobre aquele calçado que fazia questão de estar lustrado, incrivelmente brilhante. Parecia até que Naruto estava descalço de tão habilidosamente que dançava naquela altura. Depois começou a dançar sozinho, enquanto os outros o fitavam com admiração: Naruto era brutal, sexy, feminino, selvagem, másculo e tudo isso de salto.
No meio da dança, Naruto buscou uma cadeira e colocou no meio do palco, sorrindo sedutoramente, enquanto se esfregava nela como um gato. Tudo escureceu novamente. Apenas uma luz ficou sobre o apresentador da noite. O homem porco sorriu e começou a caminhar por entre as mesas como se procurasse por alguém.
A luz do holofote parou sobre mim justamente quando eu pensei que outra pessoa seria escolhida. O homem porco veio até mim para me pedir educadamente para subir e eu o fiz. O holofote iluminava o meu caminho e eu me sentei na cadeira, um pouco receoso. Eu esperava por tudo e por nada. Um enorme contador apareceu atrás das cortinas repentinamente e eu senti a cadeira sendo virada. De repente tudo se iluminou quando eu senti alguém se sentando em meu colo bem devagar.
Era Naruto. Ele girou em meu colo e se sentou de costas, curvando-se sobre mim e deixando parte do seu corpo sobre meus ombros. Minha respiração acelerou. Naruto é tão esguio e macio quando uma mulher, seu cheiro inundou minha mente e sua cauda afagava lentamente o meu corpo. Merda, esse cara sabe seduzir.
–Existem pessoas egoístas nesse mundo... Que me querem somente para si... – ele se levantou e virou de frente, sentando novamente, porém com uma perna de cada lado do meu corpo, iniciando um rebolar tão sinistro e lento que eu tive que usar toda a minha concentração para não ficar ereto – Eu gosto de pessoas egoístas... – mais gritos – Suas atenções são sempre minhas... E eu quero a pessoa mais egoísta hoje. – Naruto sorriu e beijou meu pescoço, me fazendo revirar os olhos – Qual o primeiro lance, senhor...
–Uchiha! – respondi quase me engasgando – Um milhão! – disse sem medo.
Olhei para Naruto sugestivamente.
Naruto sorriu, se levantou, afastou as minhas pernas, subiu na cadeira naquele espaço, pisou um pé ali e o outro no recosto da cadeira, ainda de salto, me deixando exatamente embaixo da sua virilha. Ele começou uma lenta dança que fez seu tronco imitar uma cobra em sua dança do acasalamento. Confesso: eu babei.
Só naquele segundo eu percebi o quando seu abdômen estava perfeito e muito duro, ainda mais destacado por causa do suor da dança anterior. Eu vi uma tatuagem que me parecia um espiral partindo de seu umbigo e dando as voltas pela sua tez quase bronzeada. A tatuagem parecia girar com os seus movimentos.
As pessoas começaram a dar vários lances e o contador eletrônico enlouqueceu, e eu entrei no embalo da loucura.
Naruto não era um dançarino comum, só naquela noite eu percebi isso, era um profissional do entretenimento adulto, com danças perigosas e provocantes. Se ele dançava de outra maneira, era apenas para conseguir mais dinheiro para sustentar sua família. Um artista.
A música estava acelerando, ficando mais intensa e Naruto se deixava levar ao ponto de dar um mortal para trás e cair de pé, numa pose sensual, empinando ainda mais sua bunda perfeita. O salto só deixava tudo mais sensual e mais difícil de piscar. Ele é louco, ele é sádico, ele é uma raposa e eu o quero. Os lances subiam descontroladamente a cada passo que ele fazia, a cada rebolar, a cada gesto que incitasse o sexo, a cada sorriso, a cada piscar de olho.
Naruto era o regente dos gritos e a plateia era a orquestra.
Ele parou de costas perto de mim, com sua cauda perfeita movendo-se lentamente entre as minhas pernas, tocando suavemente a minha virilha. Ele curvou-se lentamente, apoiando as mãos nos joelhos.
–Meu Deus! – eu acabei gritando quando a música ficou lenta e Naruto começou a rebolar semelhante à noite de quando eu o estuprara. Sua bunda parecia ter vida própria. Penteei meus cabelos e sorri – Faz isso não, cara, assim eu me ferro todo!
Ele riu e girou nos calcanhares parando de frente para mim. Desfilando, ele veio até meu colo e sentou, gingou sobre minha pélvis como se estivesse “galopando”. Seus braços estavam no alto da cabeça e ele mordia os lábios de olhos fechados, como se estivesse transando de verdade. Eu apertei com força sua cintura quando Naruto aumentou a velocidade dos movimentos, entreabrindo a boca de vez em quando e me fazendo arfar de tesão. Ele se apoiava em meus ombros de vez em quando para jogar a cabeça para os lados e se remexer.
Parecia estar chegando ao orgasmo, ou querendo provocar essa impressão nas pessoas que o assistiam. Os animais perderam a compostura e se não fosse pelos seguranças, eu tenho certeza que metade teria subido ali para pegá-lo. Aproveitei e afaguei suavemente seu peitoral, fazendo-o reclinar-se enquanto rebolava e parar, voltando sedutoramente para mim.
–Hoje você vai dançar só para mim... – sussurrei em seu ouvido quando ele se levantou e aproximou seu peitoral de mim. Naruto continuava sorrindo como uma raposa e negou.
–Hoje você vai ficar só na vontade. – ele sussurrou de volta.
–Não se eu der o lance mais alto! – meus olhos acompanharam Naruto se esfregar em mim e descer, com suas orelhas enormes criando um rastro amassado em minha roupa.
Ele lentamente foi se ajoelhando entre as minhas pernas e gesticulou como se estivesse fazendo um oral em mim, subindo e descendo com ajuda de seus joelhos que deslizavam no piso. Arfei vendo aquela cena inexplicavelmente deliciosa. Naruto deslizou de barriga para cima, movendo suas pernas de modo sugestivo e girou, ficando de quatro e se ajoelhando.
Ele fez o que sabia fazer de melhor: rebolou estando com as pernas flexionadas e de salto. O que diabo é isso? Eu tive que cruzar minhas pernas para impedir que as “coisas se esquentassem demais e se erguessem”.
–Está acabando o tempo... – Naruto se ergueu, de pé nos saltos, e virou somente o tronco, olhando para o público e depois para mim – Quem dá mais...?!
–Eu dobro! – gritei quase me levantando da cadeira. O contador foi facilmente para dez milhões e eu arregalei meus olhos. Eu não podia passar disso ou eu arranjaria problemas com meu pai. Fechei meus olhos e sorri.
Ninguém daria mais do que dez milhões por uma dança.
O problema é que eu sempre me engano.
–Eu triplico!
–Feito! – Naruto gritou de volta.
Arregalei imensamente os meus olhos, cravando minhas garras nas costas das minhas mãos que estavam entrelaçadas, virei lentamente meu rosto e me levantei. Meu sangue escorreu fervente manchando a barra da minha camisa por fora. Um homem ria e fumava um grande charuto cubano no fundo do salão e era nele o foco do holofote.
Um cara de cabelo acobreado com vários piercings na cara com um olhar faminto. Eu conheço o maldito. Um leão líder das empresas bélicas Akatsuki e gosta de ser conhecido como Pain, apesar de seu nome ser Yahiko. Outro rival meu na máfia e agora no “amor”.

Pelo menos foi o que eu pensei ser.
Desci de punhos fechados daquele palco e saí furiosamente dali, com meus olhos vermelhos fitando fixamente os olhos cor de âmbar de Naruto. Ele ficara sentado no palco, balançando imperiosamente suas pernas cruzadas no momento que “Paim foi buscá-lo”. Itachi veio correndo atrás de mim. Entrei no carro batendo com força a porta e assim que meu irmão entrou no carro, eu acelerei para casa.
Não me lembro do que aconteceu durante aquela noite dada a raiva que eu senti, mas eu me acordei ainda irritado e vi que todas as coisas do meu quarto haviam sido destruídas e só restaram alguns travesseiros, que eu usara para dormir. Olhei para a porta, escancarada e vi Naruto passando com uma xícara fumegante de qualquer coisa.
Ele parou e voltou fazendo o Moonwalked. Entrou rindo minimamente e me ofereceu a xícara. Pelo cheiro era café extraforte de grãos selecionados. Do exato jeito que eu gosto e esse maldito fez direitinho.
Bati com minha mão na xícara, derrubando-a sobre restos de lençóis e me levantei, empurrando Naruto contra a parede.
–Eu devia matar você! – rosnei. Naruto sorria tranquilamente. – Eu devia arrancar fora esse sorriso de merda! Como é que você arrastou esse rabo que me pertence para o filho da puta do Pain?! – gritei – Como é que você fez uma merda dessas?! Eu devia te matar!
Seu olhar me fez soltá-lo, era um olhar de afronta. Ninguém, exceto minha mãe, me olhava daquela maneira tão repreensiva. Estremeci com aquele olhar severo. Naruto espalmou suas mãos no meu peito e me empurrou devagar para trás. Foi até a xícara e catou os cacos dela, colocando dentro de um resto de lençol e se levantou.
Seu olhar tranquilizou, o que me irritou mais ainda.
–Eu é que devia te matar, Sasuke Uchiha. Acha mesmo que poderia fazer qualquer coisa contra mim sem que eu soubesse?
–Do que fala?
–Eu não sei o que se passa na sua cabeça, mas ninguém me estupra e fica por isso mesmo. Entende? Eu sei que você me estuprou. – ele repetiu lentamente cada sílaba – Eu posso não ter visto seu rosto no momento, mas não demorou muito para descobrir quem tinha feito àquela merda comigo... – Naruto cruzou os braços – Só me diz por que.
Baixei meu rosto e respirei fundo. Por que eu estuprara Naruto? Nunca eu pensara sobre isso.
–Eu... Não sei...
Naruto sorriu e veio até mim. Fiquei sem entender aquela atitude, mas o que me assustou mais fora um beijo rápido que ele me dera. Seus olhos dourados, com as pupilas finas semelhantes as minhas, me tragavam. Sua mão escorregou da minha nuca para a minha virilha, afagando lentamente o meu membro.
Naruto sorriu ao perceber que sua voz estava surtindo o efeito desejado em mim, lambeu novamente meus lábios e sugou o inferior, mordiscando-o de um jeito que me arrepiou completamente. O loiro, depois que ver que eu estava gostando, socou com força a minha barriga, me fazendo encolher e deitar, para depois pisar em minha cauda, me fazendo gritar de dor – a cauda de um animal é muito sensível, sabiam? – e por último acertar minhas costas com a trouxa que ele fizera. Senti os cacos rasgarem a minha pele superficialmente.
–Você me estuprou, Scarface, e eu não sou a minha mãe. Não vou deixar que um homem abuse de mim por motivos idiotas. Seu erro foi comprar uma briga que não pode pagar. Se você acha que já viu o inferno – ele foi até o banheiro, buscou um copo com um líquido verde e eu arregalei meus olhos. Merda! Ele vai... – Espera só até eu ser sua esposa.
Gritei de dor ao sentir o enxaguante bucal a base de álcool sobre minhas feridas. A ardência era tão insuportável quanto repentina e meu corpo estremeceu. Naruto jogou o copo em algum lugar do quarto e saiu de perto de mim.
–Quando descobrir o motivo por ter feito o que fez em mim, conversaremos de novo.
Saiu do meu quarto sem virar o rosto, imperioso e irritado. Arfei e bati as mãos contra o meu rosto, ainda mais irritado. Apesar do repentino castigo, eu me senti ainda mais atraído por ele e a minha raiva acabou antes de eu pensar em submetê-lo. Comecei a rir doentiamente. Ardia, mas era bom, queimava, mas me excitava, ele estava furioso, mas eu só o amava mais.
Cacete! O que eu tenho que fazer para ter esse cara? Soquei o chão. Eu o quero, eu o quero, eu o quero!!! Não adianta ele só se casar comigo, eu quero que ele se apaixone por mim! Quero que ele fique tão louco por mim quanto eu sou por ele! Soquei de novo o chão e naquele instante eu vi que lágrimas caíam dos meus olhos. Eu quero que alguém me ame tanto quanto eu posso amar alguém... Não, eu não quero que alguém me ame, eu quero que Naruto me ame assim!
Fiquei assim alguns minutos, com o rosto coberto com as mãos, até que senti novamente o cheiro do mesmo café. Fitei o alto e vi outra xícara fumegante, mas desta vez estava na mão de Boruto. Ele me olhava com uma preocupação disfarçada por um olhar indiferente.
–Vai mofar aí no chão? – ele falou.
–E se eu for? É da sua conta?! – falei irritado, me sentando. – Eu não estou numa vibe boa agora, então é melhor tomar cuidado com suas palavras, moleque!
Boruto riu e afastou um pouco a xícara.
–Como se você pudesse fazer qualquer coisa contra mim. – ele baixou a xícara e se sentou ao meu lado – Até ser mais velho, eu estou na suprema proteção do meu pai. – o sorriso do moleque me dizia o quanto eu estava impotente. Ele passou alguns segundos olhando-me – É, você está muito ferrado pelo meu pai.
–Como é?
–Não é o primeiro a sofrer de amor por meu pai. – ele falou como se fosse a coisa mais normal do mundo – Eu ouvi meu pai falando com você sobre esse tal de Pain. Ele não foi o primeiro a ficar que nem você, Sasuke, enlouquecido pelo meu pai. Tome um gole.
–Imaginei que eu não fosse o primeiro. –suspirei e peguei a xícara. Desceu como um revigorante manjar dos deuses – Naruto tem cara de quem destrói o coração dos outros.
Boruto meneou a cabeça negativamente.
–Ele só destrói os corações de quem ele quer... Eu gosto de pensar que é uma forma de vingança contra a máfia por destruído a família dele... Papai me contou que ele só estava preso por causa dessas famílias bandidas. Não sei se se aplica a você.
–Por que acha isso? – fitei-o enquanto tomava outro gole do café.
–Ele te mandou outra xícara de café, não foi? – assenti e ele sorriu – Talvez você tenha cometido um erro que tenha magoado meu pai, mas não o suficiente para ele te odiar. – nós dois baixamos as nossas cabeças e suspiramos. – Por que estava chorando?
Eu poderia dizer a ele? Eu poderia sim, afinal eu seria padrasto dele mesmo. Talvez fosse bom dizer a alguém que não fosse um Uchiha que eu estava amando alguém, ou pelo menos achava que estava amando de verdade uma pessoa.
–Porque eu fui vítima do seu pai. – comentei – Eu me apaixonei por ele há muitos anos, quando sua mãe ainda era viva e por respeito e carinho a ela, eu reprimi esses sentimentos, o problema é que agora tudo está vindo à tona e eu simplesmente não consigo controlar. Eu amo demais o seu pai.
O rosto de Boruto se alumiou e ele se levantou num salto. Sua cauda balançava freneticamente atrás de si, como um cachorrinho feliz, e suas orelhas estremeciam. Ele começou a comemorar alguma coisa e eu só observei tomando meu café. Que fofo. O garoto se virou de repente e apontou para mim.
–Se quer ficar com meu pai, vai precisar de mim! – ele falou de olhos bem abertos.
Fale com o autor