Amor & Ódio - FemmeSlash - Finalizada
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Notas iniciais
– Mas, namorar Fleur?
– Sim Isabelle, namorar...
Caminhávamos pelos jardins de Hogwarts, conversando em um francês rápido para que não nos entendessem. Desde a manhã, quando eu contei que estava namorando Hermione, Isabelle insistia no mesmo assunto. De que namorar Hermione era perigoso.
– E eu gosto muito dela, isso que importa. E além do que, ninguém vai descobrir, pelo menos por enquanto – completei enquanto parávamos embaixo de uma arvore.
Poderia jurar que vi sua expressão mudar, mas foi tão rápido que não tive certeza. Quando voltou a falar, sua voz era mais calma.
– Eu sei, e você queria tanto ficar com ela... – ela suspirou olhando pra baixo, e depois voltando a me encarar. – Só toma cuidado com a Madame Maxime e as meninas, você sabe como elas falam.
– Sim, eu sei. Muito obrigado Bel, de verdade – eu disse lhe dando um abraço rápido. – Agora vou ver se a Hermione já acordou tá?
– Ok. Se cuida tá – Isabelle disse já se encaminhando para a carruagem.
Observei o lago por uns segundos, apreendendo a manhã de domingo. Era estranho o modo como eu me sentia, como via as coisas, como estavam diferentes. Meu mundo tinha virado de cabeça pra baixo, disso eu não tinha duvida.
Me encaminhei para o Salão Principal e observei uma Hermione sorridente me olhando da mesa da Grifinória enquanto conversava com os dois ruivos e o Harry. Eu sorria mais ainda, degustando o fato que aquela morena era minha.
Acompanhei seus passos em direção a saída e me levantei pronta para segui-la. Seu andar era confiante enquanto subia as escadas, e até cumprimentava umas pessoas nos corredores, como se não esperasse nada daquele passeio, como se cada vez que ela olhasse pra trás não visse meu olhar de desejo.
E só havia uma coisa que a dedurava: aqueles olhos castanhos. Ela podia tentar, se esforçar pra isso, mas os olhos dela não mentiam, não conseguiam. E seu andar era alegre, e eu sempre sorria quando via que ela quase ia tropeçar... Ela era tão linda.
Finalmente topamos com um corredor vazio onde ela pode entrar numa sala e eu a segui sem que ninguém visse. Eu mal havia entrado e nossas bocas já estavam coladas uma na outra, minhas mãos percorrendo sua cintura com um desespero quase audível.
– Senti sua falta – Hermione disse enquanto ambas buscávamos por ar.
– Eu tambá, pensei a noité toda em vocé ma chérrie – disse buscando novamente seus lábios e retirando a roupa que ela usava, enquanto suas mãos procuravam se livrar das minhas.
Coloquei seu corpo já nu em cima da mesa, com o meu entre suas pernas abertas sem parar de beijá-la, minhas mãos percorrendo cada pedaço do seu corpo e encontrando a parte mais quente, já completamente úmida. Minha boca descia pelo seu colo, encontrando seus seios, passando minha língua por eles. E o que me deixava louca eram seus gemidos, cada vez mais altos, incontroláveis.
Deitei ela na mesa, meu corpo sobre o dela e penetrando-a, fazendo-a quase gritar. Minha mente divagava, vendo aquela garota totalmente entregue, solta. E pra mim, só pra mim. Nunca tinha imaginado o quão bom seria ter uma namorada, ainda mais se ela fosse Hermione Granger.
E não dava, não tinha como não reparar nos seus gestos, expressões. No modo como ela buscava algo pra agarrar com as mãos, em como seu cabelo estava suado, em seu rosto contorcido pelo prazer. Era realmente extasiante.
– Pa ra, Fleur... Paaara... – sua voz fraca pedia, e eu sorria ao vê-la chegar ao êxtase, ao ponto de não aguentar mais. Me deitei sobre seu corpo, observando seu rosto, penetrando aqueles olhos castanhos, sentindo em meu peito sua respiração se regular.
E então, sua expressão mudou. Apareceu ali um sorriso lindo, experto, e meio... safado. Hermione me virou, ficando agora por cima de mim, onde uma pequena parte do meu cérebro agradecia pela mesa ser grande o suficiente para as duas.
Let us trace 'til break of day
In loves valley of dreams
Deixe-nos seguir até o amanhecer
Em amados vales de sonhos
– Eu acho que to mesmo com fome – Hermione disse e nós duas rimos, ambas estávamos famintas. Os raios que entravam pela janela eram aqueles de fim de tarde, gostosos de se sentir, se apreciar. Não dava vontade de sair dali, com seu corpo naquele contato tão intimo com o meu.
– Sí, acho qué prrecisámos comerr – disse fazendo carinho em seu rosto, enquanto ela brincava com uma mecha do meu cabelo.
– Acho que vou encontrar o Harry, ele precisa de ajuda com aquele ovo e é muito cabeça dura pra admitir que ainda não teve progresso. Com você ta tudo bem?
– Non se prreocupa. E vocé vai falarr que estave onde?
– Ah, não vou especificar, mas eles vão deduzir que estou com o Krum, por enquanto é melhor mesmo – ela sorriu e não tive como não beijá-la, seu gosto era inebriante.
Colocamos nossas roupas e antes de sairmos ela me encostou na porta e me beijou demoradamente, com um carinho que eu nunca tinha experimentado com ninguém, e era tão bom que me deixava com as pernas bambas.
No corredor foi cada uma para um lado, como se nada tivesse acontecido e fossemos apenas garotas indo comer. Eu bem que tentava, mas o sorriso bobo não saia do meu rosto. Isso era tão irônico e incomum que eu não conseguia mesmo parar de questionar o que estava acontecendo comigo. Nunca tinha pensado que garotas eram tão... Tão...
– Caramba, finalmente te achei! – Escutei a voz da Isabelle atrás de mim e me virei pra encará-la. – Onde você tava? Sumiu pro interior do planeta? (Crédito para a dona Manoela que me mandou uma mensagem com essa frase *-*)
Eu nem respondi, simplesmente a abracei e ela retribui fazendo carinho no meu cabelo. Quando olhei seu rosto ele demonstrava surpresa, o que era perfeitamente normal, afinal eu não era de abraçar assim. Mas ela não comentou, apenas seguimos para o salão principal sentando à mesa da Corvinal.
Comi como se toda comida fosse acabar, e Isabelle olhava com uma expressão divertida. Na mesa da Grifinória uma certa morena me olhava de vez em quando, e eu sempre estava pronta para encontrar seus olhos castanhos.
– Será que agora consegue conversar? – Isabelle perguntou quando eu terminei a sobremesa.
– Acho que sim – rimos enquanto íamos em direção aos jardins e sentávamos em um banco distante.
Fiquei feliz em como a conversa ia fluindo, Isabelle estava apenas curiosa com algumas coisas, e eu respondia as duvidas dela. Ela não parecia se preocupar mesmo com isso de gostar de garotas, e fiquei realmente feliz dela ser minha amiga.
***
A manhã de quarta feira começava chuvosa, daquele tipo de dia em que as cobertas são as melhores amigas, em que você só quer ficar deitada e quieta. Mas acho que era a primeira vez que eu queria alguém do meu lado pra me esquentar.
Como se fosse para meus desejos serem atendidos, ouvi uma batida na porta e Hermione entrou no quarto com um sorriso morno no rosto e um livro grosso embaixo do braço.
– Herrmion, comé você entrrou? – perguntei surpresa e feliz, enquanto ela se sentava na cama.
– Isabelle me ajudou – ela respondeu enquanto deitava sobre mim, depositando aquele beijo calmo e ao mesmo tempo invasor, que eu descobri ser tão dela. Ela se recostou em mim, com uma mão estendida mexendo no meu cabelo.
And when she holds my hand, mmmm, mmmm
And I will understand, mmmm, mmmm.
One kiss afire with one desire,
a heavenly kiss could I resist?
And then I turn the light, mmmm, mmmm.
And then she hold me tight, mmmm, mmmm.
One kiss one fond caress will lead the way to happiness
She takes me to paradise.
E quando ela segura minha mão, mmmm, mmmm
E eu vou entender, mmmm, mmmm.
Um beijo incendiado com um desejo,
um beijo celestial, eu poderia resistir?
E quando eu acendo a luz, mmmm, mmmm.
E quando ela me segura fortemente, mmmm, mmmm.
Um beijo, um carinho afetuoso mostrará o caminho para a felicidade
Ela me leva ao paraíso.
Ficamos assim por um tempo, até que eu vi a hora e tive que levantar pra me arrumar para a aula com a Madame Maxime. Hermione sentou na poltrona próxima a janela e começou a ler o livro murmurando coisas sobre não ter as primeiras aulas e muita coisa pra estudar.
Enquanto me trocava, seu olhar se fixou do lado de fora da janela, perdido, sem foco, distante.
– Eu adoro a chuva – ela disse, sem desgrudar os olhos da janela e abandonando o livro em seu colo.
– Porrqué? – perguntei calçando os sapatos e observando aquela expressão em seu rosto, que me deixava muito curiosa.
– É algo tão complexo – ela começou a explicar. – Ela vem e limpa o caminho por onde escorre, e até mesmo o ar certo? – Concordei com a cabeça quando ela me olhou. – Mas e os lugares que ela deixa sujo? E as manchas de sujeira? É algo que pode ser bom ou ruim, dependendo do ponto de vista e o lugar onde afeta.
Fiquei olhando para seu rosto pensativo, admirando sua capacidade de raciocínio. Ela não falava tudo que pensava para os amigos, por ter que ser mais centrada e manter a concentração deles. Era bom ver que ela podia falar de tudo comigo, assim como eu podia com ela.
Sai do quarto um pouco atrasada, deixando Hermione na poltrona, outra vez voltada para o livro. Isabelle me esperava ao lado da Pauline.
– Finalmente, pensei que nunca fosse sair daquele quarto! – Pauline exclamou num francês rápido enquanto pegava no meu braço e me puxava.
– Onde vamos? – Perguntei ao ver que estávamos indo para as entradas do castelo.
– Hogsmead, um povoado bruxo aqui perto, Madame Maxime quer que compremos umas coisas – Cécile respondeu aparecendo ao meu lado.
– Eu queria mesmo é ir em uma dessas festas que acontecem por lá, dizem que são bem legais – Isabelle comentou e todas começaram a questionar quando poderia ter uma dessas festas. Encontramos algumas coisas legais, entrando depois em um bar.
Madame Maxime não nos dera hora para voltar, e começamos a experimentar várias bebidas diferentes, descobrindo assim que os Britânicos sabiam fazer algumas coisas direito. O tempo foi passando, assim como nossa seriedade. Logo todos ali falavam alto e alegremente, o que resultou com que várias conversas constrangedoras.
– Gente! – Isabelle exclamou em alto e bom som, mas por sorte em francês. – Sabiam que a Fleur gosta de garotas?
Ouve um momento de silêncio e então todos riram. Olhei estupefata para Isabelle e ela simplesmente sorriu.
– E o que é que tem? Eu também! – Ouvi Lawrence exclamar e todos riram.
– Eu também! – Roberto quase gritou, e as risadas não paravam.
– Ah, admito! Eu também! – Pauline exclamou ao mesmo tempo que agarrava a garota ao seu lado, Marcela, e lhe dava um beijo demorado. Todos olhavam atônitos a cena enquanto Isabelle vinha para o meu lado.
As duas se separaram e observei melhor a garota que Pauline beijou. Eu nunca conversara com ela, nem sequer uma palavra. Seus cabelos eram cacheados, de um jeito muito bonito e definido. Suas bochechas estavam vermelhas e seus olhos castanhos brilhavam, lembrando muito os da Hermione.
– É uma garota que você ficaria Fleur? – Isabelle perguntou ao meu lado.
– Certamente – respondi com clareza, afinal, ela era linda.
Enquanto voltávamos para o castelo eu pensava bastante. Com meu cérebro voltando ao normal, tentava pensar no que havia acontecido. Primeiro havia mais pessoas gostando do mesmo sexo do que eu pensava. Segundo eu estava dizendo que ficaria com uma outra garota que não era a Hermione, e isso não era certo.
Me despedi de todos e fui para o quarto. Na cama havia um bilhete da Hermione me desejando boa noite, fazendo com que me sentisse culpada. Senti o cheiro no papel, fazendo com que me lembrasse com clareza o porque de estar com ela, tão apaixonada.
Segurei o papel nas mãos e deitei com a roupa que estava mesmo, sentindo aquele aroma mais fortemente na cama. Adormeci com seu rosto em minha mente, e somente ele apareceu nos meus sonhos, fazendo com que acordasse tranquila na manhã seguinte.
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