Notas iniciais
Aiai... Essas duas mexem lindamente comigo, espero que com vocês também ;)

Capítulo 10 – Amor

O dia estava decididamente cheio. Mal acabara de sair da cama e Madame Máxime me chamou para ensinar alguns feitiços novos, alegando que não poderíamos mais perder tempo, que tínhamos que recuperar os pontos perdidos no Torneio para vencê-lo.

Cheguei exausta na carruagem, e encontrei Hermione sentada na cama com uma revista aberta sobre as pernas. Sua expressão era indecifrável, mas podia detectar-se a preocupação no balançar de suas pernas, no seu jeito de olhar, na forma como segurava a revista, quase a amassando.

– Tudo bem monamur? – perguntei lhe dando um selinho e sentando junto dela.

– Não muito – respondeu sincera. – Eu... você viu a última revista do Semanário das Bruxas que saiu?

– Non, non prresto atençon nesses coisas. Porrque?

– Fala de mim, calunias como você deve imaginar de um artigo da Rita Skeeter, mas fala. Eu fiquei com medo que você lesse antes de eu falar com você e pensasse alguma besteira, eu fiquei sem saber o que fazer, passei um nervoso enorme, as garotas da Sonserina ficavam zoando, mas eu fingi não me importar e...

– Herrmion! – gritei e ela olhou para mim com um olhar suplique. – Calme.

Abracei-a e comecei a fazer carinho em seus cachos. Senti sua respiração voltar ao normal aos poucos, seu coração desacelerar. Me perguntei o que poderia dizer esse artigo que a fizesse ficar assim, e senti medo que eu fosse relacionada a ela. Deitei-a no cama ao meu lado e continuei os carinhos.

– O que diz o artigo? – perguntei depois de alguns minutos.

– Bom – ela começou hesitante, depois completando a frase rapidamente –, ela fala que eu sou uma destruidora de corações porque troquei o Harry Potter pelo Vitor Krum e que mantenho uma relação amorosa com ele.

Olhei pra ela perplexa. Eu sempre soube que ela mantinha a amizade com o Krum, mas porque essa repórter que ela tanto odeia diria isso? Mesmo que quisesse se vingar de Hermione, ela teria que ter fatos não?

– Posso lerr?

Hermione me entregou a revista cautelosa e eu abri na página do artigo, lendo ele e sentindo que eu ficava tensa. Doeu um pouco, uma pontada de ciúme mínima. Fitei seus olhos cautelosos, que esperavam minha reação.

– O Krrum realmenta lhe dissé isse?

– Sim, mas eu nunca mais dei a entender que era recíproco, aliás, nenhuma vez mesmo! – disse Hermione um pouco nervosa. – Eu sempre deixei claro que gostava dele como amigo, e nada mais. Ainda mais depois que a gente começou a namorar, eu meio que nem falei direito com ele, mas ele continua insistindo em que...

– Tude bem Herrmion, sérrio – cortei-a e voltei minha atenção para o artigo. – Son um monte de babozerres, eu sei.

– Que bom – ela disse e me abraçou. – Preciso ajudar Gina com um trabalho, venho amanhã te ver ta?

– Tudé bem – respondi e ela depositou um beijo demorado nos meus lábios.

Quando Hermione saiu pela porta eu deitei na cama e fechei os olhos, tentando controlar o ciúme. Era muito complexo, muito intenso. Eu senti, mas não desejava sentir, ao mesmo tempo que precisavasentir.

– Aff – exclamei me levantando e indo em direção ao banheiro.

Tomei um banho demorado e voltei pro quarto, mas a necessidade de falar era mais alta do que eu e me impediu de ficar quieta. Fui ao quarto de Isabelle e não a encontrei, e nenhuma das meninas sabia onde ela estava, então decidi que ia caminhar um pouco

– Belle! – exclamei contente ao encontra-la sentada nos degraus da carruagem – Queria que você me ajudasse a... – comecei quando ela se virou e me olhou.

– Desculpe Fleur, eu tenho que ir na biblioteca de Hogwarts – disse sem nem me dar tempo de questionar.

Olhei perplexa para as costas de Isabelle que sumia ao horizonte e senti minha testa se enrugar. Cocei a cabeça num gesto inconsciente e sentei nos degraus que ela ocupara. Vi um vulto vir da direção em que ela desaparecera, porém muito mais alto. Cedrico Diggory se encaminhava até mim com um sorriso de lado e uma pose que lembrava muito a de um pavão.

– Olá Fleur, tudo bem? – perguntou sentando-se ao meu lado.

– Tudé sim, e vocé?

– Estou bem, já comecei a me preparar, meu pai não para de me mandar corujas, deve estar louco lá. Porque esta aqui a essa hora?

– Pensande, nade maís...

– Mas em que? No Torneio?

– Non, outrrés coises – queria desesperadamente mudar de assunto.

– Vamos lá Fleur, uma moeda por seus pensamentos!

– Son muite complexós monamur – respondi e olhei para o lado oposto de seus olhos.

– Ok, ok... O que você acha que vai ser a prova?

– Non séi, pensé em encontrrarr um tesourre, por tunéis ou algume coise assí. E vocé? – perguntei voltando a encará-lo.

– Hum... não faço idéia, mas sei que vai ser bem complicado, as outras já quase mataram a gente! – disse meio intrigado, meio rindo.

– Nón, issé eu séi, eles non von pegarr leve – concordei. – Mas o qué vocé faz aqui ton tarrde? Sua namorradinhe parrou de implicarr comigue?

– Na verdade não – respondeu ele corando –, mas ela já tava me sufocando demais. Precisava de um ar puro, e ser monitor ajuda muito.

– Ou aluno de Beauxbatons – disse com uma piscadela. – Mas acho realmente que preciso entrar, tive um dia cheio

– Vou indo então – concordou Cedrico se levantando.

– Se virr a Isabellé fala qué precisé falarr com ela.

– Pode deixar, se eu a encontrar falo sim.

– Mande um béijo parra a Chó ta? – provoquei ao dar um beijo em cada bochecha dele.

– Claro, claro – disse rindo enquanto esperava que eu entrasse na carruagem.

Fui para o quarto que Isabelle dividia com as meninas e fiquei feliz ao constar que não tinha ninguém. Deitei na cama e comecei a folhear uma revista que estava na sua cabeceira, que para meu espanto era a mesma que falara de Hermione, mas uma edição do Torneio Tribruxo. Havia uma página marcada, em que minha foto aparecia em um quanto meio escondido, e na folha anterior a foto do Potter a ocupava inteiramente. Joguei a revista de volta e peguei o livro que estava ao lado, e ao abrir a página marcada me deparei com um poema chamado Soneto do Amor Total:

Amo-te tanto, meu amor ... não cante

O humano coração com mais verdade ...

Amo-te como amigo e como amante

Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante

E te amo além, presente na saudade.

Amo-te, enfim, com grande liberdade

Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente

De um amor sem mistério e sem virtude

Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde

É que um dia em teu corpo de repente

Hei de morrer de amar mais do que pude.

Ao lado havia um desenho de Isabelle, em que havia uma garota com a palma estendida, oferecendo uma borboleta que não fora acabada de desenhar. Com o lápis que havia ao lado terminei o desenho, deixando a borboleta igual a uma que eu havia visto no inverno passado. Fora um dia em que Gabrielle havia ido visitar-me e fiquei um bom tempo com ela no jardim, e lembro-me perfeitamente da borboleta, já que ela ainda está no meu quarto.

Comecei a sentir frio e coloquei o livro no lugar, indo para debaixo do cobertor, o que definitivamente não foi uma boa idéia. Meu corpo todo relaxou e meus olhos começaram a se fechar. Não consegui evitar me envolver mais no cobertor e dormir.

Senti uma mão passear pelo meus cabelos, afagando-os de um jeito que me impedia de abrir meus olhos, era muito bom. Com as mãos busquei quem o fazia e senti uma pele macia. Busquei seus cabelos sentindo a textura envolver minhas mãos, trazendo seu rosto mais próximo ao meu. Senti seus lábios macios, explorando com a língua toda sua boca e sentindo a resposta de sua própria língua.

Senti ser abraçada, e fui dando beijos em seu pescoço até parar no colo, onde repousei e voltei a dormir com o cheiro de amora que havia ali.

Me espreguicei gostosamente ao acordar, e ao virar de lado encontrei outro corpo. Isabelle dormia tranquilamente virada pra mim, as mãos juntas embaixo de sua bochecha e os cabelos cobrindo parte de seu rosto. Sacudi ela um pouco para que acordasse e seus olhos me fitaram turvos.

– Vamos lá pro meu quarto conversar – sussurrei para que as outras garotas não acordassem e levantei-me puxando-a comigo. Pauline roncava perto da janela e Isabelle deu uma risadinha.

– Viu o que eu tenho que agüentar? Agradeça pelo seu quarto particular! – nós rimos e corremos para o quarto.

Sentei na cama e Isabelle fez o mesmo, mas ao invés de me encarar ela olhava para a janela. Toquei seu ombro e ela se sobressaltou, e percebi que ficou arrepiada. Tirei as mãos dela rapidamente enquanto ela me olhava assustada. Olhei intrigada pra ela e aos poucos seu rosto voltou ao normal.

– O que houve Belle? – perguntei em francês, não queria que ela me olhasse feio.

– Nada, só tive um pesadelo – respondeu um pouco seca. – Como foi sua noite?

– Ótima, dormi igual um anjo – respondi sorrindo e puxando-a para que deitasse ao meu lado. – Mas não é sobre minha noite que eu quero falar, e sim sobre meus dias – e então comecei um relato sobre a publicação que tinha Hermione como alvo e os sentimentos que tudo aquilo havia me causado.

Isabelle escutava tudo com atenção, como se fosse a coisa mais importante do mundo, porém em seus olhos algo estava errado. Ela me contou algumas coisas, como já ter lido a revista e alguns boatos entre os alunos de Beauxbatons sobre Hermione, que eles desconfiavam por ela ir muito me ver, mas por causa do artigo eles se calaram um pouco.

– Acho que ninguém desconfia dela – concluiu.

– É melhor, não quero o nome dela envolvido, seria muito ruim pra ela se descobrissem. Eu já não ligo, cuido da minha vida.

– Eu sei... – Isabelle murmurou e sorriu pra mim, seus olhos perscrutando meu rosto, como se procurassem algo. – Eu preciso ir.

– Pra onde?

– Para um tipo de trabalho que – começou uma explicação rápida, me deixando sem entender nada. Ela levantou e correu para a porta destrancando-a, mas antes de sair voltou e me abraçou e me deu um beijo na bochecha.

O seu cheiro e a textura de sua pele me despertaram algo, uma sensação de dejavú que eu não soube explicar. Olhei em seus olhos buscando uma resposta, ainda abraçadas, muito próximas. Seus lábios tocaram os meus muito rapidamente, igual quando fazíamos aos 14 anos para provocar os garotos, ou por puro divertimento.

Isabelle me olhou assustada, e em menos de cinco segundos já estava saindo pela porta esbarrando em uma Hermione intrigada que entrava.

– O que houve?

– Nada não, é maluca – respondi ainda desnorteada, talvez três vezes mais que antes.

– Ahn? – perguntou intrigada enquanto deitava ao meu lado e me beijava.

– Oh, perdón monamour, so dissé qué ela estave maluque – expliquei abraçando-a e me embriagando com o cheiro almiscarado de seu cabelo, que eu nunca havia conseguido definir.

Comecei a beijá-la mais profundamente, passando minhas mãos pelo seu corpo, deixando que a luxuria em sua forma mais pura tomasse conta de mim. Senti que ela me refreava e a olhei questionando-a.

– Eu tenho aula agora Fleur, só precisava te ver – explicou Hermione a minha pergunta muda, e eu dei um muxoxo de tristeza. Ela passou a mão pelos meus cabelos e se aconchegou mais a mim enquanto eu tentava fazer a dor que eu sentia na minha intimidade parasse.

– Bom – comecei, tentando falar com a mente sã, mas estava difícil –, come fói com a Ginní ontém?

– Foi legal, consegui ajudar ela com um trabalho de História da Magia que estava matando aquela ruivinha – disse rindo. – E vai fazer o que hoje?

– Sérr torrturrada pele Madamé Maximé?

– Tadinha – Hermione disse afagando meus cabelos e me beijando. – Preciso ir, Severo Snape me espera.

– Tude bem, vérrei o qué serrán do méu die hojé. Au revoir linde – disse lhe dando um beijo na bochecha e outro demorado na boca. Hermione se levantou e saiu pela porta.

Fui até a janela e observei-a correndo, provavelmente atrasada para aula. Senti algo no peito, um tipo de quentura gostosa e sufocante ao mesmo tempo. Hermione sumiu do meu campo de visão e fui em direção ao banheiro, tomando um banho rápido e colocando uma roupa confortável para esperar o que o dia me aguardava.

***

A horas pareciam que não passavam, que me prendiam e sufocavam com uma corda invisível. Eu estava aprendendo novos feitiços desesperadamente nas ultimas semanas. Parecia que sempre havia coisas misteriosas e impossíveis que poderiam me atacar na terceira tarefa.

Madame Máxime quase surtou quando voltei da conversa com Ludo Bagman com a informação do labirinto. Por algum motivo desconhecido ela enlouqueceu, fazendo com que meu trabalho fosse dobrado até mesmo nas férias de páscoa, quando tive te cortá-la e fazer uma verdadeira cena para poder descansar.

E a cada dia eu gostava mais de Hermione, acho que realmente a amava. Ela ficou muito ocupada e durante muito tempo, e eu a observava durante horas escrevendo em pergaminhos que ao final do seu trabalho ficavam com mais de quinze metros preenchidos com sua caligrafia. Era impressionante e assustador o jeito que ela se dedicava aos estudos, eu mesma tive que implorar para que passasse um tempo comigo no domingo de páscoa, porque nem nesse dia ela queria largar os livros.

– Acho que agora posso lhe entregar seu ovo né? – perguntei fazendo charme, enquanto tirava do armário um grande ovo com a embalagem lilás cheia de coelhos que se moviam.

– Obrigada Fleur! – exclamou Hermione feliz pegando o ovo e examinando a embalagem. Seu riso encheu o quarto quanto um dos coelhos pulou em cima de outro e os dois viraram uma bola de pelos.

– Eu também comprei uma coisa pra você, só que não da pra entregar agora.

– Por qué? – perguntei curiosa.

– Porque não da oras! – exclamou ela colocando a mão na cintura. – Mas enquanto eu arrumo tudo aqui, vai dar um passeio e entregar o ovo da Isabelle – disse já pegando o ovo com embalagem laranja no armário e colocando na minha mão.

– Como vocé sabé qué e prrá ela? – perguntei intrigada.

– É a cor favorita dela Fleur e você quer que ela volte ao normal, portanto, agrada-la. Agora vai lá e deixa que eu cuido de tudo aqui – concluiu me empurrando para fora do quarto.

– Ta, ta! – murmurei e fui em direção ao quarto em que Isabelle estaria e ouvi a porta do meu quarto ser trancada atrás de mim. Hermione, Hermione... o que você esta aprontando?

Cheguei até a porta e parei na frente dela tomando coragem pra entrar. A semanas que Isabelle não falava direito comigo, sempre escapava, fugia. Ela havia explicado que o selinho fora um ato de carinho, que só sentia minha falta, mas mesmo assim continuou estranha. Hermione me dissera que devia ser ciúme, misturado com o fato dela praticamente não ter minha companhia.

Parei de bobeira e dei uma batida na porta, entrando em seguida. Clarice estava sentada na cama comendo uma barra de chocolate e Isabelle estava deitada lendo um livro, embalagens de bombons espalhados pela cama.

– Olá Clarice, tudo bem? – perguntei me aproximando da garota.

– Tudo Fleur, quer um pedaço? – ofereceu a barra em sua mão.

– Não, obrigado, mas queria te pedir um favor – disse olhando de esguelha para Isabelle que me fitava –, posso conversar com Isabelle rapidinho?

– Claro – respondeu e saiu do quarto.

Peguei minha varinha e apontei para a porta, escutando o click dela sendo trancada. Fui até a cama de Isabelle e lhe ofereci o ovo. Ela largou o livro e o pegou, abrindo-o no mesmo minuto.

– Feliz Páscoa – disse enquanto ela mordia uma pedaço e me entregava a casca para mordê-la.

– Obrigada Fleur, amo trufa de morango. Também tenho uma coisa pra você – disse abrindo a gaveta da cômoda ao seu lado e retirando uma caixa marrom que deixava visíveis os bombons dentro dela. Mordi um pedaço do que havia lhe dado e deixei-o na cama.

– São aqueles bombons que comemos em Avignon naquela excursão? – perguntei quase assustada.

– Sim, meus pais foram pra lá e eu pedi para que comprassem. Lembrei o quanto você os adorou.

– Obrigada, de verdade – sussurrei.

Me sentei na cama de frente pra Isabelle enquanto ela se sentava. Fiquei somente olhando-a, esperando que dissesse algo, porque eu mesma não sabia o que dizer. Não sabia se pedia uma explicação pela sua distância, se me desculpava, se perguntava o que ela estava escondendo. Só não sabia o que fazer.

Quando havia optado por ir para o quarto seus olhos se encheram de lágrimas, paralisando qualquer movimento que eu pudesse fazer. Estendi os braços pra ela e ela se agarrou a mim, soluçando fortemente em meu peito. Acariciei seus cabelos, enquanto a única coisa que ela repetia era: “não agüento mais, não agüento mais”

Isabelle me fitou e começou a falar, coisas que aconteceram, coisas que eu havia feito. Não a interrompi, somente balançava a cabeça negativamente a cada afirmação dela. O jorro de palavras que vinham dela pareciam falar de outra pessoa, e as lágrimas não paravam de vir junto.

– Peguei o Vira-Tempo do meu pai? – perguntei aturdida.

Ela simplesmente concordou com a cabeça e continuou seu relato sobre aquela noite, contando tudo que se passou por sua mente.

– Você tinha que ver! – disse contendo um pouco as lágrimas. – Algumas pessoas ouviram um grito, mesmo com a musica alta que tocava e foram lá fora olhar. Oh Fleur, quando eu vi seu corpo no chão e outro em pé só pude pensar que estavam tentando te sabotar! Então você correu e um pessoal foi atrás enquanto eu ia em direção ao seu eu do passado. Depois de te examinar e constar que você não tinha nenhum ferimento o pessoal voltou falando que não tinha achado a impostora. Foi então que o Dumbledore apareceu e...

– Dumbledore?! – e eu que pensei que não podia piorar!

– Sim, ele olhou diretamente pra mim e disse que precisava de ajuda. Não quis me falar nada, só pediu pra que eu juntasse todos que haviam visto algo, sem exceção, e foi o que eu fiz. E depois que todos estavam lá ele alterou a memória de todos, um por um.

Isabelle fez uma pausa reflexiva, e eu apoiei minha cabeça nas mãos, trazendo meus joelhos pra perto e me apoiando neles. As lágrimas que eu lutava pra conter se soltaram e aliviaram o nó na minha garganta. Isabelle fez carinho na minha cabeça e eu a ergui.

– O que mais? – perguntei.

– Bom, Dumbledore me explicou o que você havia feito e onde você tava. Eu cuidei de você e implantei algumas imagens nas sua mente e na de Hermione. E sério, voltar no tempo pode realmente enlouquecer alguém. Eu não voltei e já fique dias tentando organizar isso de Fleur do passado e do futuro na minha mente! Mas foi isso, eu não agüentava mentir, esconder. Não conseguia ficar do seu lado assim, sinto muito Fleur.

Meus olhos estavam novamente marejados e eu não sabia o que fazer com Isabelle. Optei por abraçá-la, e as duas ficaram alguns segundos chorando igual a dois bebes. Eu não sabia o que ia fazer com tais informações, simplesmente não sabia. Como eu poderia achar que ia agüentar ficar com a Hermione tendo traído-a?

Suspirei e larguei Isabelle. Fui ao banheiro e lavei meu rosto, encarando meu reflexo no espelho, os olhos vermelhos e inchados. Saquei a varinha e apontei para o meu rosto usando um feitiço a muito inventado por Pauline que deixou meu rosto impecável, exceto pelos olhos sem brilho.

Encarei Isabelle ainda na cama, o rosto igual ao meu a segundos atrás, e depois voltei a encarar meu reflexo. Parecia que algo havia definitivamente se apagado, e eu já sabia que algo deveria ser acabado.

Tentei entrar no quarto esquecendo que a porta estava trancada. Dei algumas batidas e esperei Hermione vir abrir.

– Fleur? – perguntou incerta a voz da morena, levemente abafada pela grossura da porta.

– Sou eu monamour – sussurrei com um aperto no peito.

– Desculpa a demora, coloquei o papo em dia com a Isabelle e... – disse entrando no quarto, mas ao olhar ao redor fiquei muda.

Hermione havia feito uma decoração extraordinária no meu quarto, a começar pela cama que estava com lençóis mesclados, entre o vermelho e o marrom. O teto e a janela foram tampados com panos, deixando o lugar escuro e exótico. Haviam pequenos detalhes distribuídos pelo quarto, coisas como almofadas, flores e lenços. Mas nada disso poderia ofuscar o que Hermione fez a si própria.

Seus cabelos estavam fortemente presos no topo da cabeça, num rabo de cavalo que por si só já a deixava sexy. A lingerie que usava era azul clara com rendas pretas, com direito até a uma cinta liga que me fez babar em suas cochas. Ela parecia vinda de um filme para me torturar, provando isso quando eu fui beija-la sedenta, e tudo que eu consegui foi ter meus pulsos presos por lenços vermelhos.

Ela olhou nos meus olhos, e eu deixei que aqueles castanhos me penetrassem, como ninguém jamais poderia ter feito. Eu só conseguia ficar ali parada, igual uma idiota olhando para uma das deusas descritas em tantas mitologias que existem. Mas fui tola em pensar que ela me deixaria admira-la assim, e logo ela me levou pra cama, prendendo aqueles lenços na cabeceira. As roupas que eu usava foram prontamente rasgadas por sua varinha, e não pude evitar de me sentir um brinquedo sexual, não que isso fosse ruim.

– O qué vocé vai fazérr? – perguntei enquanto ela vendava meus olhos.

– Shii! – respondeu simplesmente. – Não é da sua conta!

Eu dei uma risada, mas parei no momento que senti algo ser derramado no meu seio direito. Senti calafrios perpassarem meu corpo, que só se intensificaram com o toque da sua língua, úmida, gostosa, quente. Parecia que eu estava ardendo em febre, e a cada volta que sua língua fazia eu ficava mais molhada.

– Eu realmente adoro calda de chocolate — sussurrou Hermione em meu ouvido quando parou, fazendo cada pelo do meu corpo ficasse em pé. – Você não acha? – perguntou derramando mais calda no seio esquerdo.

Eu queria gritar que sim, mas minha voz não saia, eu só conseguia gemer. Eu desejava olhar seu rosto, olhar seus movimentos, mas não tinha como me libertar. Mas eu ia ter meu divertimento também.

Hermione de repente parou, fazendo com que eu prendesse a respiração. Senti o gelado da calda entre os meus seios, agora descendo, no que parecia ser uma linha reta. Estremeci quando senti que chegara ao meio das minhas pernas, gemendo alto só de Hermione começar a fazer o caminho da calda, mas na minha barriga ela parou novamente.

Aqueles segundos em que tudo ficava no suspense eram agonizantes, só escutava seus movimentos e tentava adivinha-los. Senti uma gota cair em minha boca e a lambi quase que imediatamente. Chocolate... seguido de uma uva, seguido da boca de Hermione. Nossas línguas a estouraram, fazendo o liquido escorrer pelo meu queixo.

Ela se afastou e eu me ergui tentando alcançar sua boca, fazendo com que eu fosse fortemente empurrada pra trás.

– Calma Fleur, eu acho que você já sofreu bastante – disse Hermione acabando finalmente com a dor que eu sentia, passando sua língua por toda minha intimidade.

Eu nunca havia sentido tanto prazer como naquela hora, e tirando uma força sei lá de onde soltei minhas mãos tirei minha venda. Em poucos segundo já via Hermione claramente, e a visão dela entre minhas pernas me levou a um ponto em que eu não consegui segurar nada, e simplesmente me soltei chegando ao ápice instantaneamente.

Me larguei na cama ofegante, e Hermione deitou ao meu lado, limpando a boca num gesto provocativo. Agarrei-a e a beijei, ainda sentindo o gosto de chocolate.

– Carrambé Herrmion, que prresénte de pasóe foi essé?

Ela riu, um riso doce que fez meu peito se aquecer. Olhei seu corpo, desejando arrancar cada pedaço de tecido que havia nele. Olhei nos olhos de Hermione e fiz menção de beija-la, mas ao invés disso a prendi na cama e fiquei por cima do seu corpo.

– Minha vez – sussurrei em francês no seu ouvido começando a beijar seu pescoço.