Notas iniciais
Primeiramente queria agradecer todos os comentários! Estou muito feliz que estejam gostando da história, e prometo que ela ficará ainda melhor! Continuem acompanhando!! =D

Eu já estava me acostumando a comer as refeições à mesa com toda a família. Não precisava mais de convite, e todos os dias Lalinha colocava um prato para mim. Estephanie continuava me tratando com indiferença, mas eu tentava não prestar muita atenção nisso. Carlos Daniel e eu estávamos mais próximos. Conversávamos durante o jantar e por muitas vezes me pedia opiniões para algo relacionado à fábrica.

Minha vida estava melhor do que nunca. Há um mês eu nunca imaginaria que estaria tão feliz. Depois de tudo pelo que passei, achei que estava condenada a viver sozinha, sem amor e alegria. Por sorte a família Bracho me mudou, e me mostrou que a vida pode ser inesperadamente ótima.

– Eu não aguento mais isso, Willian! — Estephanie gritava na sala.

– Então vai lá! Vá procurar outro homem que te queira! Porque você sabe que ninguém além de mim vai conseguir aturar você! — Ele gritava de volta.

Me escondi para que eles não vissem que eu tinha presenciado a briga. Os dois gritavam um com o outro, até que Willian disse que estava cansado de tudo aquilo e saiu. Por sorte ele estava bravo suficiente para não conseguir ver que eu estava ali. Mas Estephanie não agiu da mesma maneira, e olhou diretamente para mim.

– O que foi? — Ela perguntou irritada. — Qual é o seu problema?

Fiquei em silêncio.

– Vai, pode dizer que sou idiota. Que sou uma burra por ficar com um homem que me trata tão mal.

– Não vou dizer isso, Estephanie. — Falei me aproximando dela.

– Ah... Quer dizer que além de uma grande entrometida você é gentil? — Perguntou irônica.

– Eu não sei o que você tem contra mim, mas de maneira alguma penso que você é idiota ou burra.

– Faça-me o favor, Paulina.

– Estephanie, eu posso entender o que está sentindo nesse momento, mas você não pode deixar se abalar por isso. Não é verdade o que Willian disse. Você é bonita, qualquer homem ficaria feliz em ter você ao lado dele. E Willian no fundo sabe disso, mas não consegue admitir.

Temi que Estephanie fosse ficar mais brava depois que eu lhe disse aquilo, mas ela sentou-se no sofá e colocou as mãos no rosto.

– Ele não é sempre assim... — Ela disse mais calma. — Ele sabe ser carinhoso, sabe dizer coisas românticas... Mas quase sempre ele está me tratando assim. Muitas pessoas acham que sou idiota por aturá-lo falando assim, mas... Eu o amo. — Ela me olhou. — E todas as vezes que tento chutá-lo de casa, ele volta a ser o homem carinhoso com quem me casei.

Me sentei ao lado dela, ouvindo tudo o que ela queria dizer. Estephanie me contou como os dois se conheceram, e como ele era antes de se mudar para a casa dos Bracho. Willian era um homem gentil e carinhoso, e a respeitava. Mas por se acostumar com a vida boa, vivendo as custas dos Bracho, ele havia se tornado um homem amargurado e frio.

Senti um pouco das dores dela por saber exatamente como é sentir-se inútil e incapaz de fazer alguém feliz. Me senti bem por Estephanie ter desabafado comigo, e então eu tive certeza de que ela não era uma má pessoa, só era uma pessoa cheia de mágoas.

– Você não pode deixar que alguém te deixe para baixo. Você tem que ter amor-próprio, e saber que você é uma grande mulher.

– Tem razão. — Ela se levantou. — A partir de hoje, Willian não me tratará mal. E não ficarei mais em casa sofrendo de amarguras.

Me levantei em seguida, e ela segurou minha mão.

– Me desculpe pelo modo que te tratei quando chegou aqui. Não foi justo descontar os meus problemas em você, e em todas as pessoas da família, inclusive vovó.

– Todos sabemos o que você passa, Estephanie. Não guardamos mágoas por isso. — Sorri.

Ela sorriu de volta e apertou minha mão.

– Você... Gostaria de fazer compras comigo?

– Eu adoraria.

Percebi que o que faltava para Estephanie era alguém para conversar. Como vovó havia dito, ela estava acostumada a conversar com Laura, e sofreu muito com sua morte, desde então se fechando completamente para todos. Eu não estava querendo fazer o papel de Laura na casa, mas de algum modo queria ajudar a família voltar a ser como Carlos Daniel havia me dito. Todos sentiam falta da família reunida e animada, e já que todos faziam tanto por mim ali, senti que meu agradecimento seria ajudá-los, e eu comecei por Estephanie.

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Aproveitamos que as crianças estavam na escola e passamos a tarde fazendo compras. Voltamos a tempo das crianças chegarem. Quando chegamos juntas na mansão, vovó e Adeline estavam sentadas no sofá e olharam abismadas para Estephanie.

– Boa tarde Vovó, boa tarde Adeline. — Ela disse sorrindo.

– Estephanie? — Adeline arregalou os olhos. — Você... Você está...

– Linda! — Vovó disse animada, se levantando. — Mas... O que...?

– Tive uma conversa com Paulina e percebi que deveria cuidar de mim mesma, e ter amor-próprio. E nesse momento... Estou me amando muito.

Estephanie havia mudado o seu visual enquanto estávamos fazendo compras. Pintou o cabelo e passou maquiagens. Comprou roupas mais despojadas e modernas, e usava um dos conjuntos que comprou naquela tarde.

– Isso é maravilhoso! — Vovó a abraçou animada. — Temos que comemorar! Vou falar para Lolita preparar um jantar especial.

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As crianças se encantaram com o novo visual de Estephanie. Lizete não parava de falar que queria fazer o mesmo quando ficasse maior. Estephanie estava bastante satisfeita com o resultado, e diferente de quando cheguei aquela casa, ela estava alegre e não parava de sorrir.

Carlos Daniel chegou em casa e estávamos todos reunidos na sala. Ele cumprimentou os filhos e então olhou para Estephanie.

– Mas... O que...?

– Ela não está linda? — Vovó perguntou sorrindo.

– Sim. Está linda! — Ele a abraçou e beijou seu rosto.

– Isso tudo graças à Paulina. — Ela sorriu olhando para mim.

Carlos Daniel me olhou e se aproximou de mim. Assim como fez com vovó e Estephanie, ele beijou o meu rosto. Todas olharam sorrindo para nós, e meu rosto se avermelhou de vergonha. Carlos Daniel se virou para Estephanie e segurou sua mão.

– Estou tão orgulhoso de você, minha irmã.

– Eu também estou orgulhosa de mim. E aproveitando que estamos todos aqui... Eu gostaria de pedir perdão pelo modo que tenho tratado todos vocês durante esses anos difíceis que tivemos.

– Você está perdoada. — Vovó segurou sua mão. — E estamos felizes por você ter voltado a ser como era antes.

Me senti feliz pela família estar voltando a ser o que era antes. Enquanto Estephanie explicava a Carlos Daniel sobre sua mudança, ele me olhava com os olhos brilhando. Na hora do jantar, todos seguimos para a mesa, e Carlos Daniel puxou a minha cadeira para que eu sentasse. Ele estava diferente naquele dia, e eu não sabia se conseguiria ficar afastada dele por muito tempo.

– Um brinde... A Paulina. — Estephanie ergueu sua taça. — Que graças a ela, nossa família está voltando a ser feliz como antes.

Todos ergueram suas taças e brindaram. Me senti satisfeita por finalmente fazer algo certo na minha vida, e ajudando pessoas que eram tão importantes para mim. Por um momento um certo medo percorreu pelo meu corpo. Tudo estava dando certo até demais. Tinha medo de que minha felicidade durasse pouco tempo, e minha vida voltasse a ser triste como antes. Tive medo de que por algum motivo eu tivesse que me afastar daquela família. Não suportaria mais tristezas e decepções em minha vida.

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Depois do jantar animado que tivemos, ficamos um tempo conversando na sala até que Willian chegou e se assustou com a nova aparência de Estephanie. Ele não aparentou ser o homem arrogante e frio que era, mas Estephanie o esnobou como ele fazia com ela.

Quando todos subiram para seu quarto e eu levei as crianças para dormir, saí do quarto de Lizete e Carlos Daniel me esperava no corredor.

– Algum problema, Carlos Daniel? — Perguntei com a voz falha.

– Não... Nenhum... — Ele se aproximou segurando minhas mãos. — Nenhum mesmo. — Sorriu.

– Não estou entendendo.

– Eu não tenho palavras para agradecer tudo o que está fazendo por nós.

– Não precisa agradecer. Considero essa família como se fosse a minha, e só quero a felicidade de todos vocês.

– Como pode ser tão magnífica? — Ele acariciou meu rosto.

Fechei os olhos sentindo seu toque e sua respiração pesada. O cheiro de seu perfume fazia despertar sentimentos inexplicáveis em mim. A delicadeza dos seus toques deixavam minhas pernas bambas, e sua voz grave sussurrada em meus ouvidos me faziam sair do meu próprio corpo.

– Não sei como isso é possível, Paulina... Mas... Eu sinto algo diferente quando estou com você. Pensei que depois de tudo o que aconteceu comigo eu não poderia mais ter esses sentimentos, mas você me mudou. Você mudou a todos nós. Eu... Eu...

– Você...? — Com os olhos ainda fechados, senti ele se aproximar de mim.

– Eu...

Estávamos prestes a nos beijar, e tinha certeza de que ele estava prestes a dizer que gostava de mim. E eu seria sincera com ele sobre meus sentimentos. Mas antes de tudo, estava preparada para contar sobre minha vida, e deixar claro porque aceitei o emprego na casa dos Bracho.

Não tivemos a oportunidade. Carlinhos acordou chamando por mim, e nos afastamos rapidamente. Fomos até o quarto dele, e ele disse que tinha tido um pesadelo. Carlos Daniel foi até sua cama ampará-lo, e eu fui até a cozinha pegar um copo de água para que ele se acalmasse e voltasse a dormir.

Ao voltar da cozinha, vi que Willian estava parado ao pé da escada, com um copo de Whisky em suas mãos. Tentei passar por ele sem dizer uma palavra, mas ele segurou meu braço com força.

– Me solte, por favor. — Disse com raiva tentando me soltar, mas ele era mais forte.

– Eu só quero agradecer, por ter mudado minha esposa.

– Não foi apenas eu que ajudei a mudar. A mágoa que ela sente de você também ajudou ela a fazer isso.

– Acha que não sei? — Ele riu ironicamente. — Ela se negou a dormir comigo hoje, por mais que eu a elogiei e disse palavras carinhosas.

– Não vai ser assim que você vai reconquistá-la.

– Acha mesmo? — Ele me puxou para mais perto. Virei meu rosto, mas ele o segurou com força. — Eu não me importo se ela não me quiser mais, se você me der uma chance.

– Eu não te darei chance nenhuma. Você é casado, e se você não a respeita, eu respeito.

– Eu não a respeito? Você acha que sabe muito de todos nós não é? Você chegou pouco mais de um mês e acha que já sabe de todos.

– Eu já sei o necessário.

– E o que acha de mim?

– Agora que está fazendo isso? Eu tenho certeza do que eu achava.

– E o que era?

– Você é um aproveitador e não tem sentimentos.

Ele me olhou com raiva e colocou seu copo em cima da mesinha ao lado. Me puxou com força fazendo com que eu deixasse o copo cair no chão e me colocou contra a parede. Tentei me soltar mas ele me segurava com força.

– Está me machucando. — Eu disse me debatendo.

– Se você não me quiser por bem, vai me querer por mal.

Ele tentava me beijar e eu virava o rosto. Por mais que ele estivesse me machucando, eu não permitiria fazer isso com Estephanie e com Carlos Daniel. Por sorte, antes que ele conseguisse me beijar, Carlos Daniel desceu as escadas correndo e o puxou de perto de mim.

– O que pensa que está fazendo? — Ele perguntou com raiva.

– Se meta na sua vida! — Willian respondeu nervoso.

Carlos Daniel o pegou pela camisa e o olhou com raiva. Eu nunca tinha visto ele com tanta raiva, e temi o que ele faria em seguida. Segurei em seu ombro delicadamente e pedi para que ele não fizesse nada. Aos poucos Carlos Daniel o soltou e Willian arrumou sua camisa.

Ele respirava ofegante e seu rosto estava vermelho de raiva. Quando nos separamos e estávamos nos acalmando, Estephanie apareceu, junto com vovó Piedade e Adeline.

– O que aconteceu aqui? — Elas perguntaram assustadas. Willian e Carlos Daniel se olharam com raiva, e percebi que eu teria que mentir, mesmo contra a minha vontade.

– Não foi nada de mais. — Forcei um sorriso com o coração disparado. — Vim buscar um copo de água para Carlinhos e me assustei com Willian, eu não tinha visto ele. Carlos Daniel desceu para saber por que eu demorava tanto.

As três se acalmaram e acreditaram na mentira que eu havia contado. Adeline me ajudou a pegar os cacos de vidro do chão, e os outros voltaram para o quarto. Willian e Carlos Daniel não me desmentiram, e também subiram, fingindo que nada tinha acontecido.

Adeline e eu subimos logo depois, e quando eu me preparava para entrar em meu quarto, Carlos Daniel segurou meu braço. Ele ainda estava com raiva, e eu temi o que ele faria tomado pelo ódio.

– O que ele estava fazendo com você? — Ele perguntou com a voz grave, diferente da que estava mais cedo, conversando carinhoso.

– Não vamos conversar disso aqui.

Sem mais demora, ele entrou em meu quarto e me puxou, fechando a porta. Ainda segurando em meu braço, ele perguntou novamente.

– Diga-me, o que ele fez com você.

– Carlos Daniel, você está me machucando.

– Diga, Paulina! — Ele aumentou a voz.

Respirei fundo e percebi que teria que dizer a verdade para ele.

– Ele tentou me beijar.

Me olhado abismado, ele soltou meu braço e virou de costas. Andou de um lado para o outro com as mãos no bolso, até que bateu com força na escrivaninha. Eu não entendia o porque de toda aquela raiva. Sim, Estephanie era sua irmã e ele não gostaria que ela fosse enganada, mas ele já devia imaginar que Willian não era flor que se cheire.

– Aquele desgraçado!

– Ele estava bêbado... Não devia saber ao certo o que estava fazendo e...

– Willian é um cafajeste, Paulina! Não é a primeira vez que eu o pego tentando trair minha irmã. Mas... Com você... Isso é um absurdo!

– O que quer dizer? — Me aproximei. Ele se virou para me olhar e seus olhos estavam vermelhos.

– Quero dizer que não posso permitir que alguém se aproxime de você, principalmente contra a sua vontade.

Ele me segurou, dessa vez carinhosamente, e se aproximou. Dessa vez ele estava perto suficiente para que eu me afastasse ou tentasse virar o rosto.

– Carlos Daniel...

– O que eu queria te dizer mais cedo é que eu gosto de você, Paulina. E não como babá dos meus filhos ou como uma amiga. Eu gosto mesmo de você, a ponto de sentir ciúmes só de imaginar outro homem com você. Por isso fiquei com tanta raiva, por isso me descontrolei. Não gosto de pensar na possibilidade de outro homem ter você, porque eu quero ser esse homem.

Meu Deus! Eu não estava acreditando no que estava acontecendo. Tudo foi tão rápido, tão repentino.

– Carlos Daniel, eu...

– Só me diga se sente o mesmo por mim, Paulina. Porque se não sentir, eu te deixarei em paz. Mas se sentir o mesmo, eu prometo que farei de tudo para te fazer feliz.

– Eu... Eu...

– Me diz, Paulina. Você também gosta de mim?

Ele se aproximou ainda mais. Fechei os olhos e deixei que meu coração falasse por mim.

– Sim, Carlos Daniel. Eu sinto o mesmo por você.

Antes que eu abrisse os olhos para olhá-lo, senti o toque dos seus lábios nos meus. Finalmente. Havia imaginando aquele momento por tanto tempo, e quando finalmente aconteceu, era melhor do que eu esperava. Ele segurava meu rosto tão delicadamente, e seus lábios eram suaves. Seus beijos carinhosos fazia o meu corpo inteiro ficar mais leve, como se eu flutuasse.

Quando paramos de nos beijar, ele não se afastou. Continuou com seu rosto perto do meu, e abriu um largo sorriso.

– Amanhã conversamos sobre nós. — Ele disse.

– Está bem. — Sorri.

– Boa noite, Paulina.

– Boa noite, Carlos Daniel.

Ele me beijou rapidamente, e então se afastou. Antes de fechar a porta do quarto, ele me olhou mais uma vez e sorriu. Assim que a porta se fechou, eu me senti nas nuvens. Parecia inacreditável que tudo aquilo estava mesmo acontecendo. Eu finalmente poderia ser feliz com alguém que eu gostava... Alguém que eu amasse.