Amor y Nada Más
1 Capítulo 1
Desci do táxi e o motorista me entregou minhas malas. Me virei em direção a mansão, e fiquei abismada com tamanha riqueza daquela família. A mansão deveria ter mais quartos do que os necessários em uma casa. E pelo que soube, a família não era tão grande para morar em uma casa como aquela. Peguei minhas malas e segui em direção à enorme casa. Antes de bater à porta, ela se abriu, e um homem de terno apareceu.
– Ah, bom dia. — Disse educadamente. — Meu nome é Paulina Martins e...
– Sim, estávamos te esperando Senhora.
– Senhorita, por favor.
– Deixe que levo suas malas para dentro.
Ele pegou as malas de minha mão e nós entramos. Dentro da mansão era ainda mais bonito. Os móveis delicadamente escolhidos, provavelmente por uma mulher de muito bom gosto.
Não soube muita coisa sobre aquela família. Apenas que moravam nela duas crianças. Não quis entrar em detalhes sobre quem eram, já que eu precisava do emprego com urgência.
– Seja bem-vinda! — Uma senhora apareceu em minha frente. — Estávamos esperando sua chegada... É...
– Paulina.
– Muito prazer. Meu nome é Adelina, sou a governanta da casa dos Bracho.
– Prazer.
– Bem, siga-me para que eu mostre os seus aposentos e talvez queira descansar por algumas horas antes de começar seu trabalho. As crianças só chegam às cinco.
– Tudo bem.
Subimos a escada e não pude evitar de olhar para cada detalhe da casa. Passamos por um enorme corredor, onde haviam várias portas. Andamos até o fim do corredor e Adelina abriu a porta. O quarto era enorme, onde nem em meus sonhos imaginaria ter um quarto como aquele. A cama era tão grande que caberia cinco pessoas nela.
– Aqui será o seu quarto, Paulina. Não precisa se preocupar em estender a cama ou qualquer trabalho de arrumação.
Sorri em agradecimento pois não sabia o que dizer. Tinha ido até a casa dos Bracho para trabalhar cuidando das crianças, mas não imaginaria que além de receber por isso, eu ainda iria ser tão bem tratada, pelo menos até aquele momento.
– Pode ficar à vontade, e por favor, esteja pronta as quatro para que eu lhe dê as instruções.
– Certo, obrigada.
– Com licença.
Assim que a porta se fechou, não pude me segurar. Pulei em cima da cama e me deitei, me sentindo no céu.
****
Às quatro da tarde estava no primeiro andar, esperando por Adelina. Sem demoras ela apareceu na sala, com um papel em suas mãos.
– Oh, pontual! Isso é ótimo. — Ela sorriu para mim. — Aqui está. — Ela me entregou o papel. — Aqui são pequenas regras e horários que você terá que seguir. As crianças acordam às oito, tomam o café da manhã, tomam o banho, fazem a lição de casa e podem ter a hora de descanso até irem para a escola. O motorista as leva para a escola às 13, e elas voltam às cinco da tarde. Tomam o banho para o jantar, que acontece às sete em ponto, quando todos já estão em casa. Depois do jantar as crianças descansam até as nove, e logo depois precisam ir direto para a cama. Alguma dúvida?
– Não senhora. — Olhei para o papel em minhas mãos. Não era um trabalho difícil. Sempre adorei crianças e para mim, era ótimo trabalhar com elas e ainda receber por isso.
– As crianças já devem estar chegando. Enquanto isso vou te apresentar o restante dos empregados da casa.
Conheci a cozinha e as pessoas que trabalhavam lá. Lolita, a cozinheira, era uma senhora gentil assim como Adelina. Juan, o jardineiro, era um senhor educado que me fez sentir em casa enquanto me dava as boas vindas. Lalinha cuidava do resto da casa, com a limpeza e servindo as refeições. Todos me trataram muito bem, e eu já estava começando a ter certeza de que me daria muito bem com o resto da casa.
Logo depois de conhecer o resto da casa, as crianças chegaram. Carlinhos, o mais velho, correu direto para o sofá querendo assistir televisão. Lizete, a caçula, estava fantasiada de joaninha e corria pela casa inteira.
– Crianças! — Adeline os chamou no centro da sala. Logo os dois se aproximaram e olharam para mim. — Esta é Paulina. Ela será a nova babá de vocês. Paulina, esse é Carlinhos, e essa é Lizete. Crianças, como dizemos?
– Muito prazer, Paulina. — Disseram juntos.
– O prazer é todo meu. — Sorri educadamente.
– Quero que vocês façam o que Paulina pedir, e não desobedeçam como estão acostumados a fazer.
– Você vai nos obrigar a comer verduras? — Carlinhos perguntou.
– Não, eu vou ensiná-los a comer verduras.
– Você vai brincar com a gente? — Lizete perguntou.
– Mas é claro que sim.
– A outra babá não brincava com a gente.
Olhei bem para as duas crianças e pude perceber que, apesar de terem tudo o que quisessem, eles não tinham o mais importante: Atenção. Fiquei curiosa para conhecer os pais, e entender porque não poderiam tirar um tempo para passar com os filhos.
Como Adeline me instruiu, pedi para que os dois tomassem banho. Lizete insistiu para que eu a ajudasse, e conversava sobre todas as coisas que fazia no dia. Ela era um pequeno anjo. Carlinhos, pelo contrário, não parecia muito satisfeito com a minha presença, e na maioria das vezes se emburrava e não participava da nossa conversa.
Depois do banho deixei que os dois assistissem televisão, e Adeline ficou ao meu lado observando os dois.
– São maravilhosos. — Eu disse olhando para eles.
– São sim. Carlinhos pode parecer um pouco fechado, mas logo ele se solta. Ele ainda não se acostumou com tudo.
– Eles passam todo esse tempo sozinhos?
– Bem, o senhor Carlos Daniel trabalha muito, e não tem muito tempo para ficar com os dois. Mas sempre que pode, ele os leva para um passeio.
– E a mãe?
Adeline me olhou com pesar.
– A Senhora Laura morreu quando Lizete nasceu.
Não sabia o que responder. Eu não imaginava que tinha acontecido uma tragédia com aquela família. Talvez explicasse porque a casa era tão vazia e de certo modo, triste. Carlinhos provavelmente agia daquele jeito por sentir falta da mãe. Lizete era mais à vontade por não ter conhecido ela. Adeline começou a me contar a história, mas tudo o que conseguiu contar foi que ela sofreu um acidente de carro. Antes que pudesse contar o restante, a porta se abriu.
– Papaaai! — Carlinhos se levantou do sofá e correu para a porta.
E lá estava ele. Carlos Daniel Bracho. Por tanto tempo tentei imaginar como ele seria. Se seria um homem sério, se seria alto, se seria assustador. Mas em nenhum momento pude imaginar que ele seria tão bonito. Não consegui tirar os olhos dele enquanto abraçava os filhos e dizia que sentiu a falta deles. Só então quando ele olhou em minha direção que desviei o olhar e tentei parecer profissional.
– Boa noite, Adeline. — Ele disse sorrindo, com Lizete em seu colo. Sua voz, seu sorriso... Tudo era perfeito.
– Boa noite Senhor Carlos Daniel. Como foi no trabalho?
– Muito bem, obrigado. E a vovó?
– O Senhor sabe... Continua na mesma.
Ele olhou diretamente para mim, esperando que eu me apresentasse. Não consegui me mexer, e o nervosismo tomou conta de mim. Queria dizer o meu nome, ser educada, mas estava travada.
– Essa é a Paulina papai. Ela vai ser nossa nova babá. — Lizete disse.
Carlos Daniel sorriu para mim, e a única coisa que consegui fazer foi sorrir de volta. Ele devia pensar que eu era uma boba, que não conseguia dizer absolutamente nada.
– Muito prazer, Paulina.
Me preparei para dizer finalmente, mas a porta se abriu novamente. Um casal entrou em casa discutindo, e só depois de um tempo perceberam que estávamos presentes. Pararam de discutir e se aproximaram. Carlos Daniel abaixou a cabeça contrariado, e Adeline se mexeu inquieta.
– Olha, a família está reunida novamente. — O homem disse sarcástico.
– Boa noite Senhor William. — Adeline disse. Ele não respondeu. Apenas olhou para mim de um modo que fiquei completamente sem graça.
– Quem é essa? — A mulher perguntou com grosseria.
– Meu nome é Paulina Martins. Sou a nova babá das crianças. É um prazer conhecê-la.
– Hum... Uma nova babá. — Ela sorriu irônica. — Veremos se vai aguentar muito tempo.
– Stephanie, por favor. — Carlos Daniel suspirou. — Não vamos estragar a noite e assustar a moça.
Ela me olhou de cima a baixo e subiu as escadas. William continuou me olhando com um sorriso assustador, e antes de subir atrás de Stephanie, piscou para mim. Nunca senti tanta vergonha em minha vida, e por sorte, ninguém além de mim havia percebido.
– Bem... Eu vou subir e ajudar a vovó Piedade. Logo estaremos prontas para o jantar. Com licença.
Adeline subiu e nos deixou a sós. Carlos Daniel conversava com as crianças e eu apenas os observava. Ele era tão carinhoso com os dois, que imaginei como seria difícil ele cuidar de duas crianças sem uma mãe para ajudá-lo. Quem sabe por trás daquele sorriso tão lindo existisse um homem amargurado e solitário. Ou talvez não fosse tão solitário assim. Por ser um homem tão bonito provavelmente já teria uma namorada.
– Vou subir e me arrumar para o jantar. — Ele se dirigiu a mim. — Fique à vontade.
– Obrigada.
Ele sorriu e eu sorri de volta. Colocou Lizete no chão e subiu as escadas. Enquanto as crianças conversavam, eu não conseguia tirar sua imagem do meu pensamento. Mas eu teria que parar. Eu não era do mesmo nível social que ele, e era apenas uma babá de uma família rica. Não havia nenhuma chance de ele olhar para mim como olhava para outras mulheres.
******
Durante o jantar, as crianças comiam em silêncio e os adultos não conversavam. Stephanie sentava-se ao lado de William, que muitas vezes olhava para mim sem que ela percebesse. Carlos Daniel sentava-se ao centro, e também não dizia uma palavra. Adeline e Vovó Piedade se juntaram a eles depois que o jantar já havia começado. Fomos apresentadas, mas ela não fez muita questão. Era um jantar triste e silencioso. Fiquei em pé ao lado de Adeline, caso as crianças precisassem de alguma coisa.
– A Senhora não vai comer vovó? — Adeline perguntou.
– Não estou com fome. — Respondeu cruzando os braços.
– Vovó, a Senhora precisa comer. — Carlos Daniel disse gentilmente.
– Ela está fazendo de novo. — Stephanie suspirou.
– E você não se meta, Stephanie. — Vovó respondeu mal humorada. — Todos já sabem que você não gosta de mim, não precisa deixar claro durante o jantar.
– Ah... Vai começar. — William colocou a mão em sua testa.
– Vovó, não seja louca. — Stephanie respondeu.
– É sempre o que diz! Que sou louca! Mas a louca é você, que continua casada com um homem que não te quer!
– Chega! — Stephanie gritou. — Não aguento mais isso! — Ela se levantou se retirando da mesa. William também se levantou e a seguiu.
– Adeline, me leve lá para cima. Perdi completamente o apetite.
Adeline ajudou a Vovó Piedade a se levantar, e a mesa se esvaziou. Carlos Daniel se apoiou em suas mãos, envergonhado e chateado.
– Paulina, pode subir com as crianças por favor? — Ele pediu sem me olhar.
Em silêncio ajudei as crianças a se retirarem da mesa e subimos para o quarto. Lizete me mostrou sua coleção de fantasias e Carlinhos brincava sozinho em outro canto. Tentei entretê-los sem saber se o que aconteceu no jantar era frequente. Pelo visto, não era novidade o jantar ser interrompido.
– E essa é a Lola. — Lizete me mostrou sua boneca. — É a minha preferida.
– É muito linda.
– Era da minha mamãe.
Carlinhos parou de brincar e ficou em silêncio.
– Bem, melhor irmos dormir. São quase nove horas.
– Ah mas eu não estou com sono. — Ela reclamou.
– Mas precisa dormir para não acordar cansada amanhã.
Carlinhos foi para sua cama e não disse nada. Ajudei ele a se cobrir e ele fechou os olhos.
– Boa noite, Carlinhos.
– Boa noite.
Respondeu sem animação. Lizete e eu saímos do quarto e deixei a porta aberta. Fomos para o quarto dela, que era todo rosa com várias borboletas na parede e no teto.
– Seu quarto é muito bonito, Lizete.
– Obrigada.
Ela se deitou e eu a cobri. Antes que eu levantasse ela segurou minha mão.
– Pode me contar uma história?
– Hm. Acho que posso sim.
Contei uma curta história para ela até que adormecesse. Quando terminei, ela estava segurando minha mão, e adormeceu daquele jeito. Sorri olhando para ela e me senti feliz por poder de certo modo ajudar a família Bracho, que parecia tão infeliz.
– Ela já dormiu?
Me assustei olhando para a porta. Carlos Daniel estava parado de braços cruzados.
– Sim. — Me levantei rapidamente. — Ela pediu para que eu contasse uma história.
– Ela não costuma dormir com facilidade. Algumas vezes passa a noite acordada. — Ele se aproximou olhando para ela. — Ela diz que tem muitos pesadelos.
– Pobrezinha. — Foi a única coisa que consegui dizer. Minha respiração falhava ao lado dele, e eu não conseguia ser eu mesma. — Bem... Acho que já posso me retirar.
– Sim, claro.
– Boa noite.
– Boa noite, Paulina.
Ouvi-lo dizer meu nome fez com que meu corpo inteiro tremesse. Saí do quarto mas continuei ao lado da porta, escondida. Pude ver de relance que ele segurava a mão dela e a olhava com tanta doçura.
Fui para o meu quarto antes que ele saísse e sentei na cama, sem sono algum. Imaginar que ele estaria em algum quarto próximo ao meu fazia com que eu imaginasse o que ele estaria pensando ou fazendo.
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