Ser uma adolescente comum não é fácil. Agora imagina ser uma adolescente que é uma atriz de uma série que é sucesso mundial. Acredito que quanto mais sucesso você faz, maior a cobrança chega, parece que nunca é o suficiente, ainda mais quando você é filha de uma ex-cantora famosa.

As pessoas acabam tendo altas expectativas e acaba que tudo o que você faz não fica bom, ainda mais para minha mãe, Bárbara Klein, para a qual eu tenho que dirigir as mais altas expectativas.

Participar das gravações, estudar quase como um autodidata e ser a filha que todos queriam ter é algo muito cansativo. A única pessoa que eu não devia muitas expectativas era meu melhor amigo e colega de elenco, Nicholas Colleman.

E nesse turbilhão de afazeres, minha vida quase acabou. Não literalmente, mas no sentido figurado da palavra. Não imaginava que lágrimas poderiam ter tantos significados e não imaginava que algo bom poderia se tornar algo ruim.

Essa não é uma simples história de drama adolescente. Não chega nem perto. Essa é a história de uma dama em apuros que aprende a vencer seus obstáculos. E uma história de lutas, mas também de crescimento. É a minha história. A história de Olívia Klein.

Tudo começou quando eu me encontrava na gravação da minha série.

Tratava-se de um dia comum para mim. Acordar, ensaiar comigo mesma no quarto, ir ao set, me arrumar com a equipe de maquiagem e figurino, ficar até tarde no set, ir para casa jantar e dormir.

No momento, havíamos encerrado a gravação de um episódio da série que era sucesso mundial na Netflix.

— Corta! — O diretor gritou, anunciando o final de mais um dia cansativo, porém compensador.

Um sinal tocou.

— Que intenso! — Meu colega de gravação e amigo, Nicholas Colleman, veio em minha direção.

— Foi mesmo.

— Imagina quando as pessoas assistirem isso! — Nick se encontrava bastante animado. — Quero muito ver a cara delas. Ei, Olly! — Nick me chamou pelo meu apelido. — O que você vai fazer agora? O pessoal tá querendo sair para comer uma pizza. Você vai?

— Não sei... tenho que ver com a minha mãe. Mas parece ser uma boa ideia. — Falei, pegando o meu celular do bolso da minha calça jeans para verificar se havia alguma mensagem da minha mãe. Não havia nenhuma. Rapidamente, liguei para o número dela e pedi para que ela me permitisse ir. Nick não parava de me encarar, ansioso, para ver o que ela ia dizer. Pronunciei um sim enquanto ela autorizava e fizemos um Hi-Five.

— Legal. — Nick comemorou quando eu desliguei. — Vou só me trocar.

— Também vou.

Fomos todos no carro de Ben, outro garoto que fazia parte da gravação e era nosso amigo. Ao todo, éramos nove. Os pais do Ben, Ben, Wendy, Patrick, Tyler, Nick e eu. Praticamente todo o elenco de atores mirins.

Sentamos na mesa e os pais de Ben foram pedir os sabores de pizza que queríamos no balcão.

Eu e Nick sentamos lado a lado.

— Tô ansiosa para essa temporada acabar. Não que eu não goste de vocês mas preciso de umas férias! — Wendy comentou.

— Nem me fale. — Ben concordou. — Cara, to cansado de acordar cedo todo dia. Me leva junto Wendy, seus pais sempre te levam a lugares legais.

Wendy riu.

— Esse ano acho que meu pai e minha madrasta vão às ilhas Maldivas. Queria ir para outro lugar mais maneiro. Mas fazer o quê, é a lua de mel deles... — Tyler falou, dando de ombros.

— Você vai viajar essas férias Olly? — Wendy perguntou a mim.

— Acho que não. Talvez eu vá passar as férias na fazenda do meu avô no Alabama, mas ainda não tenho certeza. — Respondi, querendo muito que aquilo que falei se tornasse real. Amava passar as férias na casa do meu avô no campo, isolada de qualquer tecnologia.

— Queria ser você, Olly. — Tyler suspirou. — Amaria passar um tempo no campo, não fazendo nada. Agora vou ter que segurar vela para dois adultos praticamente irresponsáveis.

— Achei que você gostasse da sua madrasta, Ty. — Wendy falou.

— Não disse que não gosto, mas... Sei lá, agora tudo gira em torno do casamento perfeito do meu pai. — Tyler reclamou. — Poderiam pensar um pouco em mim, pelo menos uma vez.

— Que chato Ty. — Falei, me sentindo péssima por ele. — Se quiser, posso te levar comigo — dei uma risadinha.

— Andar a cavalo seria incrível.

— E você Patrick? — Perguntei.

— Não sei. Acho que vou para Disney.

— Não brinca! — Wendy, que se encontrava ao lado dele, deu um empurrãozinho de brincadeira, rindo. — Seu riquinho!

— Não tenho culpa disso. — Patrick riu. — Praticamente sou VIP lá. Todo mundo me ama.

Todos rimos.

— Convencido. — Wendy fez um biquinho. — Podia me levar junto!

— Quem sabe na próxima. Por enquanto, vou permitir que vocês passem vontade.

— Cruel — Ben gritou e todos rimos.

— E você Nick? — Perguntei.

— Não sei, acho que vou ficar por aqui mesmo. — Nick falou. — Meus pais preferem não viajar esse ano.

— Bom... vamos parar de falar sobre férias e ir ao que interessa. Nick, eu percebi que tem uma fã que falou que tá caidinha por você. — Ben comentou.

— Uma fã? — Nick parecia não acreditar.

— Sim, tá famosão hein, homem?!?

Nick se encontrava mais vermelho que um tomate. Por algum motivo, não estava gostando daquele assunto.

— Não tem nada demais gente. — Nick argumentou. — Ela só é uma criadora do meu Fanclube no Instagram. Não tem nada demais.

— Sei... — Ben ria.

A pizza chegou e atacamos a comida. Acabei comendo dois pedaços de Pepperoni, meu sabor favorito. A conversa não parava, a cada hora um assunto novo surgia. Mas não conseguia parar em pensar no que Ben havia comentado. Realmente, as revistas de fofoca destacavam muito essa fã de Nick, que era conhecida por ser uma das principais fundadoras de um de seu fanclube mais famoso. Além disso, ela costumava fazer umas coisas doidas, como pedir Nick em casamento em rede nacional e coisas desse tipo. Como se não bastasse, ela também era filha de famosos, no caso, de um dos maiores produtores de filmes nacionais.

Por algum motivo, aquilo me incomodava bastante.

Teve uma hora que eu quis ir ao banheiro. Wendy se ofereceu para irmos juntas e aceitei o convite.

Quando terminei de fazer minhas necessidades, fui lavar as mãos. Wendy não tirava os olhos de cima de mim.

— Tá acontecendo alguma coisa.

— O que tá acontecendo? — Indaguei, confusa.

— Você, não parece bem. — Ela parecia ter notado. — Isso aconteceu na hora que Ben fez aquele comentário idiota.

— Que comentário? — Não entendia. — O que você tá falando?

— Você ficou calada. — Wendy reparou. — Ficou incomodada.

— Eu sou calada por natureza, Wendy! Você que é a falante do grupo não sei se se esqueceu...

— Não é disso que tô falando. — Wendy assertiu. — Você ficou com ciúmes do Nick.

— Não fiquei com ciúmes! — Me defendi, jogando o máximo de água no meu rosto, que estava começando a queimar. Que raiva! Não poderia sentir nada que meu rosto começava a corar. — Do que você tá falando?!? Não tem nada a ver.

— Só sua reação demonstra que é verdade. — Wendy era irredutível.

Suspirei, pegando folhas de papel toalha e secando meu rosto.

— Amiga, eu não tinha ideia disso... Poderia ter me falado. — Wendy colocou a mão em meu ombro.

— Eu só não gostei do comentário. E o que tem isso?

— Não sei, pensei que isso não te incomodasse.

Decidi abrir o jogo. Respirei fundo, tentando me acalmar.

— Nick é um dos meus únicos amigos. Não quero perdê-lo.

— Entendo. Eu também me sinto assim.

— Sente? — Ela assentiu.

— Com o Patrick.

— Sério? Mas você nunca me falou nada... — parecia chocada por um instante. Mas logo em seguida, lembrei o quanto eram próximos.

— Queria aguardar um pouco mais. — Wendy suspirou, parecendo cansada, e coçou a cabeça. — Até que essa temporada pudesse terminar. Tá uma correria isso tudo!

— Concordo.

— Mas não liga para o que o Ben fala. — Wendy me tranquilizou- Ele é um pouco crianção, mas não quis te magoar. Tenho certeza. Agora joga mais água nesse rosto! Você tá um pimentão.

— Não enche Wendy! — Nós duas rimos.

— Mas vou te ajudar nisso. — Wendy se prontificou. — Não se preocupe.

— Me ajudar no quê pessoa?

— Nisso. Você, Nick...

— Não! — Gritei sem querer. Então abaixei meu tom de voz, antes que as mulheres no banheiro achassem que estava acontecendo alguma coisa. — Você entendeu errado. Não era disso que eu tava falando. Eu e o Nick, somos amigos... Só isso... Nada mais!

— Tá legal, entendi. — Wendy fez um sinal com as mãos para que eu me acalmasse.- Sei que vocês são amigos e tal... Vou te ajudar no que precisar, ok? Não precisa gritar.

— Não tô gritando! — Quando percebi, eu tava gritando.

Wendy revirou os olhos e pegou na minha mão:

— Saiba que eu tô aqui, para o que precisar. Você é minha amiga, e isso não muda. — Ela me tranquilizou. — Você não vai me perder, tá? Nunca vou largar do seu pé, seu pé de tomate.

Não aguentei e dei uma risadinha.

— Obrigada Wendy, não sabe o quanto isso significa para mim...

— Você não sabe o quanto isso significa para mim também. — Nós duas sorrimos. — Agora vamos voltar lá ou vão achar que um monstro nos comeu.

— Verdade.

— Agora taca mais água nesse rosto!

Acatei as ordens de Wendy e voltamos para a mesa.

— Tá tudo bem com vocês? A pizza tá fria já. — Ben parecia preocupado.

— Tá tudo bem, só passamos um tempinho nos maquiando lá. — Wendy deu uma piscadela para mim e chutou minha perna debaixo da mesa.

— Isso, coisas de menina. — Dei um sorrisinho.

— Tem certeza? — Nick questionou, com uma das sobrancelhas arqueadas.

— Uhum- assenti, dando uma garfada em outro pedaço de pizza.

— Tá bom então. — Ele deu de ombros.

Passamos o resto do tempo comendo e conversando. Houveram algumas risadas e desabafos. Com certeza, não iria esquecer tão cedo essa noite, a noite em que Wendy me ajudou. E a noite em que tudo começou.

Notas finais
Esperamos que gostem da leitura! >3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.