Notas iniciais
Uma crônica que fiz num dia um tanto dramático. Boa leitura!

Era uma noite fria e calma, estava um pouco tarde para fazer uma visita aos nossos amigos que moram do outro lado da cidade, mas depois de tanta insistência de Paulo, meu noivo, resolvemos entregar logo os convites do nosso casamento.

Entramos no carro, Paulo deu seu melhor sorriso de canto e me deu um beijo bem demorado. Ele havia me pedido em casamento mês passado, foi uma surpresa muito linda, com direito à coreografia e tudo! Fiquei emocionada.

Logo após o pedido, ficamos noivos e marcamos cedo a data do nosso casamento. Minha sogra me deu de presente o vestido de noiva, todo de renda, estilo sereia e decote coração que ficava perfeito com o véu longo e o buquê de rosas vermelhas.

Estávamos indo para a casa dos nossos padrinhos Miguel e Carla, eles exigiram ser os primeiros a receber o convite, pois tinham sido uma espécie de "cupido" para nós. Lembro como se fosse hoje o dia em que nos conhecemos, foi logo depois que Carla e Miguel começaram a namorar e um amigo de infância deles , Paulo, tinha chegado na cidade.

Carla, minha melhor amiga, tinha apostado comigo que eu iria "pagar minha língua" e encontrar um cara que me faria ficar seriamente apaixonada, e ela conseguiu isso quando o levou para a casa deles no ano novo do ano passado. Eu fiquei irritada/ encantada com o jeito irritantemente fofo e meigo que ele tinha. Depois de um tempo ficamos amigos e em uma sexta-feira, depois de vários beijos roubados, resolvemos começar um namoro.

— Amor, você tem certeza de que eles estão em casa? — Falei olhando fixamente para ele.

— Provavelmente estão, eles raramente saem dia de semana. — Disse com uma certa tranquilidade na voz, mesmo assim não conseguiu diminuir a inquietação que se formava dentro de mim.

— Acho melhor a gente dar uma ligada para Carla — Falei enquanto procurava meu celular na bolsa. O celular não ligou, a bateria tinha acabado. — Me empresta o seu celular?

— Por que? Cadê o seu? — Falou rápido demais.
— Só vou ligar para ela. Qual o problema ein? Tem algo que você não quer que eu saiba? — Isso me despertou uma certa desconfiança, comecei a me irritar com a atitude infantil dele.

— Não tem nada demais aí, você precisa parar de explodir toda vez que eu perguntar alguma coisa! — Disse visivelmente irritado.

— E você precisa parar de esconder as coisas de mim! Como quer casar comigo desse jeito? — Olhei para a estrada, estávamos tendo a mesma discussão que um dia quase nos separou.

— Agora você conseguiu me ofender Rafaela; Acha mesmo que estou escondendo algo?

— Não sei — Disse com desdém — Não estou na sua mente para saber.

Peguei o celular dele e procurei "Carla" na lista de contatos dele e não foi difícil encontrar. Liguei várias vezes e sempre caía na caixa postal; Eu sentia que deveríamos voltar para casa, mas provavelmente era só mais uma dessas paranoias que no final não são nada. Acabei não falando nada para Paulo, ele estava bem animado e poderíamos piorar a situação.

— Desculpa amor, eu não estou duvidando de você, eu... só tenho estado um pouco cansada demais. — Falei de um jeito arrependido.

— Tudo bem. — Disse olhando para a pista, tinha certeza que aquela frieza não duraria muito tempo. Apesar de todo o meu jeito ciumento e explosivo, ele sempre acaba se derretendo com um pedido de desculpas meu.

Chegamos na casa deles e estacionamos na vaga que tinha do outro lado da rua, olhei para os lados e a rua estava completamente deserta.

— Toca a campainha — Disse Paulo enquanto voltava para o carro para pegar os convites.

De repente ouço um barulho, olho preocupada procurando Paulo e vejo um homem bem alto e mal encarado com uma arma apontada para a cabeça dele. De onde eu estava era possível ouvir as ameaças, o ladrão queria a chave do carro.

Não consegui mover um músculo de meu corpo, estava nervosa e com muito medo do que poderia acontecer. Tentei gritar, dizer para ele entregar logo a chave, mas meu pânico fez com que a voz não saísse.

Ouvi um disparo e meu coração praticamente congela. A cena a seguir foi como um vulto, o ladrão jogou Paulo ensanguentado na calçada, ligou o carro e saiu como se nada tivesse acontecido.

— Nãooooooo! — Corri na direção de Paulo, que estava caído na calçada. Gritei desesperada por ajuda, e os primeiros vizinhos começaram a aparecer e ligar para a emergência.
Chorei deitada sobre o corpo que a pouco tempo atrás era meu noivo, eu sabia que ele já não estava mais entre nós.

A ambulância havia chegado e confirmado o que eu já sabia. Com os olhos turvos vi que ele segurava os convites; convites ensanguentados que agora eram completamente inúteis. Não haveria mais casamento algum.

Notas finais
Desculpe por destroçar o coração de alguns... hahahahaha, brincadeira!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!