Amor real
9 Veneza-parte 2
Notas iniciais
POV Lana
Eu não sei como aquela mulherzinha conseguiu me tirar do sério em tão pouco tempo, eu realmente não fui com a cara dela. Depois desse incidente eu tive que fazer um esforço surreal para permanecer naquela mesa, esse é um dos poucos momentos em que eu lamento por ser uma pessoa pública e ter que engolir alguns sapos. Minha vontade era de no mínimo ter tacado o prato de macarrão na cara dela e tê-la deixado falando sozinha. Só de projetar a imagem na minha mente já deu vontade de rir, parece irracional e até meio infantil da minha parte, eu sei, porém não posso evitar e não sei explicar o porquê.
Jennifer estava com uma expressão indecifrável no rosto, eu já estava incomodada com aquilo, mas não era o momento adequado para questioná-la, principalmente por estarmos na presença daquela mulherzinha. Num primeiro momento, ela vermelha feito um tomate. "Ô mulher pra ficar vermelha por qualquer coisa, é impressionante", me veio à cabeça. Depois nos olhou com uma cara que dizia: "o que, diabos, está acontecendo aqui?". Por fim, se isolou, limitando-se apenas a degustar seu jantar e responder monossilabicamente algumas das perguntas feitas por Mônica, que insistia em flertar com ela. A situação já estava ficando incomoda, entretanto Jennifer estava conseguindo levar tudo com classe e educação, de vez em quando dava um fora na mulher que dava uma de desentendida e continuava.
Em certo momento durante o jantar, Jennifer à olhou com uma expressão de raiva que me causou medo, chamou o metre e pediu a conta, eu não entendi nada, mas não estava nem aí, não fazia questão nenhuma de permanecer ali, seguimos até o hotel num silêncio incomodo.
– Você se incomoda se eu tomar banho primeiro? – Jen me perguntou assim que entramos no nosso quarto.
– Claro que não, fique a vontade.
Minutos depois, ela sai vestindo um roupão. Eu pego minha roupa e vou ao banheiro. Quando saio do banheiro, encontro Jen sentada numa poltrona vestindo um baby-doll em um tom de verde parecido com cor de seus olhos, seu cabelo estava preso em rabo de cavalo e olhava fixamente para o colar que ganhara mais cedo.
– Ela é um garotinha muito especial – quebro o silêncio.
– Oi... Falou comigo? – a peguei de surpresa, ela estava distraída.
– Eu disse que a pequena Jennifer é uma garotinha muito especial.
– É sim, e muito linda também. Ela se parece com você.
– Quer dizer que você me acha muito linda – brinquei.
– Não — disse de supetão.
– Não? – ergo a sobrancelha.
– Quer dizer sim... Ah... você entendeu.
– Estou brincando, calma, mas é sério você nos achou parecidas?
– Olha essa foto que eu tirei de vocês duas e tire suas próprias conclusões.
– Que horas foi isso que eu não vi? – olho a foto e perguntou mais para mim mesma do que para Jennifer.
– O cabelo e o tom de pele dela são mais claros, mas a boca, o sorriso, o brilho no olhar, o olho dela é igual o seu... E o NARIZ... São idênticos.
– Parece mesmo. Será que eu tenho uma filha perdida por aí e não sabia? – falei seriamente. – Brincadeira! – sorri com a cara de espanto dela. – Mudando de assunto, não que eu tenha me incomodado de ter saído do restaurante antes de terminar de jantar, mas a que se deve aquele seu rompante?
– Não foi nada eu só estava cansada e a companhia não era muito agradável.
– Foi só isso? Você estava conduzindo a situação numa boa, o que te fez explodir?
– Ela apertou minha coxa por baixo da mesa. Falar besteiras no meu ouvido é uma coisa, me tocar é outra muito diferente, vai além do meu limite. –instintivamente os meus olhos de caíram sobre as coxas de Jen.
– Ousada ela, não?
Jennifer não se permitiu me encarar, por isso não me viu a olhando para suas pernas de maneira curiosa. Fui chegando mais perto dela e coloquei a mão em sua coxa.
– O que você está fazendo?
– Como ela te tocou? Assim? – coloquei a mão mais próxima de seu joelho e depois subi mais um pouco — Ou assiiim?
– Para com isso! Está doida? – a loura estava muito corada.
– Eu só queria ter certeza de como foi – comecei a rir loucamente.
– Não. Tem. Graça. – disse pausadamente.
– Para mim, tem – estava ficando sem fôlego de tanto rir.
– Eu vou dormir que é melhor – no fundo ela não havia se irritado, eu sinto. – E você, nada de graçinhas!
– Eu?! Você que precisa se controlar, vai dormir do lado de uma mulher irresistível.
– Modéstia mandou lembrança.
– Falsa modéstia é hipocrisia. – nos arrumamos e deitamos. – Lembre-se, nada de agarramento, eu sou uma mulher casada – ela fez cara feia e viro-se para o lado contrário.
"Eu bem que queria que ela me agarrasse, pelo visto quem precisa ser lembrada de que é uma mulher casada sou eu, não é Senhora Lana Parrilla Di Blasio? Bem, não posso culpar a Mônica por querer tocá-la, ela tem uma pele tão macia... Para com isso mulher e vai dormir!". E foi esse meu último pensamento insano antes de dormir.
POV Jennifer
Quando Mônica me tocou, eu senti raiva da sua ousadia, insistência e também nojo, é horrível ser tocado sem o seu consentimento, ainda mais por uma pessoa que você não goste. Com Lana a sensação foi completamente diferente, eu sofri um choque, poderia ter ido ao céu com aquele toque macio, porém firme. Meu susto foi grande, eu não esperava que ela fizesse isso, quase soltei um gemido de prazer, todavia o pânico causado por sensações nunca sentidas não deixou transparecer meus reais sentimentos e sensações. Quando ela começou a rir, vi que tudo não passava de uma brincadeira para ela. Estava se divertindo as minhas custas. Eu sou uma idiota mesmo, nunca vou ter nada além de sua amizade.
POV Narrador
Enquanto Jennifer sofria tentando esconder um amor de anos, o sucumbido em seu íntimo, o subconsciente de Lana já lhe dava sinais de que ela estava se apaixonando pela loura, entretanto, por algum motivo, não se permitia ver. E assim elas adormecem cada uma com sua linha de pensamento.
Como tem o sono leve e está com todo seu emocional afetado pelo fato de estar dormindo na mesma cama que sua amada, mesmo que com a desvantagem de não poder tocá-la, Jennifer recorreu ao uso de medicamento pra poder dormir.
A loura acordou no dia seguinte com Lana agarrada a seu corpo como se ela fosse seu travesseiro, dava pra sentir a respiração suave dela em seu pescoço, pois estava deitada em seu ombro esquerdo, com a mão por baixo de sua blusa lhe agarrando a cintura e suas pernas estavam entrelaçadas, Jennifer desejou poder acordar assim todos os dias de sua vida. Ela já não tinha mais duvidas, era amor o que sentia.
– Jen! – Lana desperta minutos depois. – Desculpe ter feito você de travesseiro, eu estava com frio, perguntei se podia te abraçar, você não respondeu, quem cala consente, então...
– Engraçadinha você. Mas tudo bem, não foi tão ruim assim.
– É... Não foi tão ruim, mesmo você sendo magra desse jeito, até que foi confortável.
– Mas que cara de pau – joga um travesseiro em Lana.
– Veja pelo lado bom, se você não fosse uma boa atriz, já teria uma profissão extra – estava rindo muito.
– Ah é? De que? Travesseiro particular?
– Eu contrataria seus serviços.
– Esse é seu jeito de dizer que gostou de dormir nos meus braços, Senhora Parrilla? – diz num meio sorriso.
– Não gostei nada!
– Ah não!? – Jen vai para cima dela e começa a fazer cócegas em sua barriga.
– NÃO! – aguenta uns segundos sem rir, até não consegue mais. – Aí, Jen, para! Para! Para!
– Não, até você admitir.
– PARAAAAAAAAA! Você vai me matar de tanto rir. PARA! Eu morro de cócegas. PARAAA! – já estava com os olhos cheios e lágrimas de tanto rir.
– Admita!
– O que?
– Que essa foi sua melhor noite de sono e que você amou dormir agarrada a mim.
– Não mesmo! – Jen intensificou as cócegas. -PAAAAARAAAAA!!!
– ADMITA!
– Essa foi minha melhor noite de sono e eu amei dormir agarrada a você.
– Eu não ouvi direito – Jennifer para.
– Eu nunca dormi tão bem e foi maravilhoso dormir nos seus braços, sentindo seu cheiro... – Lana fala seriamente.
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