Amor real
5 Não faz mais isso
POV Narrador
– Já vai? – perguntou uma Lana sonolenta.
– Já! – disse Fred pronto para sair.
– Quer que eu te acompanhe até o aeroporto?
– Eu já estou em cima da hora e ainda é muito cedo. Volte a dormir – ele se aproximou da cama e beijou a testa da esposa.
– Tudo bem! Então é... Boa viagem e boa sorte com seus negócios – fez uma carinha tristonha.
– Não faz essa carinha – beijou-lhe os lábios. – Eu te amo, muito! E eu sempre volto para você.
– Também te amo! – a última frase fez Lana sorrir e se lembrar do roteiro de “Once upon a time”.
Depois que Fred sai, Lana fica mais alguns minutos na cama, mas seu sono passou completamente, resolve então fazer uma caminhada antes de ir ao trabalho.
***
Jennifer acorda com uma dor de cabeça horrível, consequência da quantidade de bebida que consumira no dia anterior. Abriu os olhos lentamente estranhando o ambiente em que estava, virou para o lado e não encontrou ninguém. “Menos mal”, pensou. De repente fleches vieram-lhe a mente, sentou-se exasperada na cama e deu de cara com uma linda bandeja de café da manhã e um bilhete:
“Desculpa não está aí quando você acordar, aproveite o café da manhã fiz com todo amor e carinho pra você. Nossa noite foi maravilhosa, temos que conversar sobre nós! Nos vemos mais tarde? Me liga!
Beijos!
Jesse”.
– Que nós? Não existe nós! – pensa alto.
Jennifer solta um suspiro e se deita de bruços na cama fitando o teto. É tirada de seu transe pelo toque de seu celular que estava só vibrando, mas que era perceptível devido ao silêncio absoluto que predominava no ambiente. Saiu a procura do mesmo e só o encontrou alguns minutos depois debaixo da cama.
– Alô? – atendeu depois de muito tocar sem nem olhar no visor quem era.
– Jen? – uma tão conhecida voz soou.
– Lana... – quase não acreditou que era mesmo ela. – Oi...
– Jen, desculpa perguntar, mas onde você está? Os diretores estão pirando aqui, você não chega, não liga pra avisar e nem atende ao telefone e está quase tudo parado aqui. Aconteceu alguma coisa? Você está bem?
– Que horas são? – pergunta colocando a mão na cabeça.
– Quase 10h30.
– MEU DEUS! Estou a caminho! Aí que vergonha. Lana, me desculpe e obrigada por ligar.
– De nada... Tenta chegar o mais rápido que você puder, mas toma cuidado, por favor! Não vai pisar com tudo no acelerador – a loura achou fofo aquela preocupação.
– Sim, senhora! Até daqui a pouco.
– Até – Lana desligou o telefone.
Jennifer saiu em disparada a procura de suas roupas, nem tocou na bandeja de café da manhã, seguiria direto para o set de filmagens. Se deu conta de como estava vertida decidiu que seria mais prudente passar em casa para trocar de roupa. Já teria que explicar o atraso, não poderia chegar com cara de quem acabou de chegar da farra. Chegou ao set às 11h00 em ponto. Pediu mil desculpas pelo atraso e admitiu que foi irresponsável. Por mais que estivesse constrangida contou que na noite passada tinha ido a uma festa e que perdeu a noção do tempo.
– A noite foi boa hein. – disse Collin num sorriso divertido.
– É melhor ir logo pra maquiagem esconder as provas do crime – Sean falou apontando para o pescoço com marcas roxas de Jen.
A protagonista da série o olha de forma nada amigável, o interprete de Robin Hood conseguia ser desagradável ao extremo. Lana prevendo uma possível confusão resolveu cortar o assunto chamando a atenção de todos pra voltarem ao trabalho.
As gravações seguem em ritmo acelerado e, para recuperarem, o tempo perdido não houve intervalos entre as cenas gravadas. Só por volta das 20h00, os trabalhos foram concluídos.
***
Lana estava desesperada andava de um lado pro outro na sala de espera do hospital, havia se passado apenas uns 40 minutos que estava ali aguardando de notícias, mas esses minutos pareciam horas para ela.
– Finalmente terei notícias! – exclamou quando o médico apareceu no local – Como ela está doutor? O que aconteceu? É algo grave?
– Pode ficar tranquila, foi apenas esgotamento físico e a dor no estômago é devido ao fato dela ter passado o dia sem se alimentar e por ter ingerido uma elevada quantidade de remédios estando de estômago vazio. Ela está realizando mais alguns exames pra termos certeza se é só isso mesmo, mas não se preocupe é de praxe, depois você poderá vê-la.
– E depois desses exames ela poderá ir pra casa?
– Não. Ela está muito fraca, vai passar a noite tomando soro e vitaminas, após a recuperação veremos como seu estômago reage aos alimentos, ela terá que se readaptar. Agora terei que ir ver outros pacientes, quando ela terminar de fazer os exames uma enfermeira virá lhe chamar, ok?
– Ok. Obrigada, doutor.
– De nada. Só estou fazendo o meu trabalho. Qualquer problema ou dúvida pode mandar chamar.
Depois que o doutor saiu, levou apenas alguns minutos para uma enfermeira chamá-la. Encontrou a paciente adormecida na maca.
– Lana? – foi a primeira visão de Jen ao abrir os olhos, achou estranho o local que estava e mais estranho ainda a morena estar ao seu lado.
– Acordou, bela adormecida – abriu um sorriso terno.
– O que aconteceu? Onde estamos? – a loura perguntou confusa.
– Aconteceu que a senhorita resolveu bancar a irresponsável e nós estamos no hospital – falou exasperada. – O que deu em você? Ficou louca? Como você passa o dia sem se alimentar e ainda se entope de remédios? Não me dê um susto desses nunca mais entendeu? Se eu não tivesse voltado pra pegar meu celular...
Lana não consegue mais concluir a fala, o choro já lhe consumia. Estava muito nervosa e com medo por não saber o que estava acontecendo com a amiga pensou que pudesse ser algo grave.
– Hey? Não fica assim. Vem cá – abre os braços para acalentá-la.
Lana se debruça lentamente sobre o corpo de Jen abraçando-a, sem por peso para não machucá-la, a outra lhe afaga os cabelos com os olhos já cheios de lágrimas.
– Me desculpe por ter te assustado desse jeito, não era minha intenção... Não chore, por favor... Obrigada por me salvar.
– Por que você fez isso?
– Quando você me ligou eu tinha acabado de acordar, então corri para o set e não deu tempo pra comer, eu estava constrangida por ter atrasado as gravações e ter atrapalhado o trabalho de todos. A razão pra isso ter acontecido me da mais vergonha ainda, por isso não parei para comer, depois eu estava tão concentrada no trabalho e bebi tanto café que nem esta sentindo fome e os remédios foram pra passar a dor de cabeça e os enjôos. Os remédios não faziam efeito logo ai eu tomava outro e depois outro e acabei perdendo as contas de quantos tomei. Quando finalizamos as gravações, lembrei que não havia me alimentado e antes de ir pro meu camarim comprei um sanduíche de atum e um suco de maracujá, foi só engolir uns dois pedaços e já comecei a vomitar, senti uma dor aguda no estomago, mal conseguia me mexer, a dor foi aumentando... A partir daí não me lembro de mais nada, já acordei aqui com você me olhando.
Jen conclui a fala abrindo um largo sorriso. Enquanto falava, Lana já havia se soltado do abraço e agora lhe encrava ouvindo sua explicação.
– Eu estava a caminho do meu camarim pra buscar meu celular, como para chegar ao meu passo pelo seu antes... Estava passando enfrente a porta do seu camarim, ouvi uns gemidos estranhos e logo em seguida um barulho de algo caindo, você no caso... Eu ainda bati na porta e te chamei, como não obtive resposta, vi que a porta estava destrancada, entrei me deparando com você caída no chão e com o rosto banhado em lágrimas indicando que havia chorado e muito. Eu me desesperei, gritei por ajuda, mas não havia ninguém por perto, então corri até meu camarim peguei meu celular e chamei uma ambulância. Enquanto eu esperava os paramédicos chegarem, você acordou por alguns minutos gritando de dor e segurando a barriga e logo após desmaiou. Eu não sabia o que fazer, mas nessa hora o socorro chegou e aqui estamos.
– Me desculpe por tudo isso – Jennifer se pronunciou.
– Só não faz isso de novo.
– Não vou, eu prometo!
– Acho bom cumprir com sua palavra – as duas sorriem.
– Lana, você deve estar exausta, pode ir pra casa descansar. Eu ainda vou ficar de castigo aqui, não precisa me esperar, eu já te dei trabalho demais, não quero te atrapalhar, seu marido deve esta te esperando em casa. Pode ir.
– Está me expulsando? – diz fingindo indignação. – É assim que me agradece?
– Claro que não! Sua presença é muito bem vinda aqui – “e como” pensa Jen. – Mas, sério, pode ir pra casa descansar.
– Já esta tarde e aquele sofá ali me parece muito confortável. – Se acomoda no pequeno sofá.
– Tem certeza? Eu vou ficar bem se quiser ir pra casa...
– Eu já disse que vou ficar – olha duramente para a colega.
– Tudo bem, majestade... Obrigada! – se acomodam para dormir e em poucos minutos ambas estão no reino de Morfeu.
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