Amor real
3 Não está sendo como imaginei
Notas iniciais
POV Narrador
– Oi – Jen deu um sorriso terno.
– Oi – Lana foi mais ríspida – vá direto ao assunto, por favor.
– Me desculpe! Você esta certa tem algo acontecendo, só não me peça pra te explicar, eu não posso.
– Tudo bem... Eu que não deveria me meter na sua vida. Eu tenho que ir. – Lana se levanta no intuito de sair da sala, mas é impedida por Jennifer que segura no seu braço.
– Não, não está tudo bem, eu preciso que você me desculpe.
– Já desculpei!
– Não, Lana, de verdade, por favor, me desculpe! Você é a ultima pessoa que eu quero magoar nesse mundo.
– Não é o que parece – Lana estava tão irritada, mas tão bonita que Jennifer não evitou abrir um sorrisinho – e tire esse sorriso sínico da cara!
– Desculpa é que parece que estou falando com a Regina e não com a Lana Parrilla – mesmo irritada, Lana não consegue disfarçar um pequeno sorriso que brota em seus lábios.
Jennifer segura delicadamente às mãos de Lana. A sensação de estar em contato com aquela pele tão delicada e macia foi tão boa que a fez se esquecer por um momento o que ia falar. A morena se surpreendeu com aquele ato de carinho da loura, geralmente ela não mantém contato físico com ninguém. Jen recobra a consciência e encara Lana.
– Eu não sabia que se importava tanto assim comigo – ela abaixa a cabeça por alguns instantes. – Doeu tanto em mim falar com você daquele jeito e ter visto seu olhar de mágoa doeu mais ainda, acredite! Foi só uma forma torta que encontrei de me proteger e não ter que explicar nada. Você entende?
– Não! – Lana voltou a fazer cara feia.
– Mas você pode esquecer o ocorrido e dar uma chance para essa loura bobona aqui? Sabe o dizem sobre as louras, não é? Vai ver é isso que está acontecendo comigo – Jen tenta brincar pra quebrar o clima tenso, mas sem sucesso.
– Você é uma das pessoas mais inteligentes que conheço – a morena encara-a profundamente.
– Obrigada – disse a outra um pouco corada.
– Conversa comigo. Eu quero te ajudar – tento mais uma vez.
– Não dá desculpa. Vamos esquecer esse assunto?
– Você precisa se abrir, sabe? Confiar nas pessoas, não é bom guardar tudo pra si... Caso mude de ideia estarei aqui, certo?
– Obrigada. Está tudo bem entre nós?
– Está! Eu não estou satisfeita com isso, mas vou respeitar sua decisão de ficar calada, por enquanto – Jennifer abre um sorriso que é logo correspondido. – Já sabe da Con em Veneza?
– Já sim...
– Estou tão animada, Fred voltou mais cedo de viagem, vou convidá-lo para me acompanhar, Veneza é um lugar tão romântico e eu estou morrendo de saudades dele – Jen força um sorriso.
“Ah não, o que eu fiz pra merecer isso? Eu já estou quebrada o suficiente, não preciso a ouvir falar toda animada assim sobre o planejamento de uma viagem romântica com o marido e fingir alegria, isso já é masoquismo. Preciso tirar essa mulher da cabeça... Pelo menos da cabeça... Porque do coração é impossível” pensou Jennifer.
A loura já estava quase surtando, parecia que o oxigênio tinha se dissipado. Lana não parava falar toda animada e Jen queria morrer, não aguentava mais aquela conversa. Quando Josh bateu na porta, chamando-as, avisando que já estavam atrasadas para as gravações. Jen saiu dali quase voando, aliviada, sentiu vontade de beijar Josh em agradecimento.
O resto do dia correu normalmente, Jen agradeceu mentalmente por não ter ficado a sós com Lana em momento algum. Para fechar o dia com chave de ouro, na entrada do set, viu Lana dando um beijo nada discreto em Fred, que tinha ido lhe buscar com um lindo buquê de tulipas vermelhas.
Nesse momento Jennifer se viu sem chão, não imaginou que fosse possível sentir uma dor tão grande quanto aquela. Tirou forças do seu mais profundo intimo pra sair dali. Quando entrou em seu carro soltou o ar que nem havia percebido estar prendendo junto com as lágrimas que jorravam de seus olhos.
***
Fred levou Lana para jantar, aparentemente um jantar romântico. A morena estava nas nuvens, o marido sabia como agradá-la. Tudo ia bem até ele falar que viajaria novamente.
– Então tudo isso foi só para você me dizer que vai viajar de novo? Fred, você acabou de chegar, nem desfez as malas e já vai me deixar sozinha de novo?
– Eu não queria que fosse assim, meu amor, mas é necessário. Vai ser apenas três dias.
– Tem um "mas" não tem?
–Na verdade, tem! Os meninos irão fazer uma turnê, a primeira! E eu como agente, representante e pai deles não posso deixar de acompanhar.
POV Lana
O que eu poderia falar numa situação dessas? Nada. Eu fiquei feliz pelos garotos, era o sonho deles virando realidade, mas eu já estava cansada de ficar sozinha. Não foi para ficar só que me casei! Custava mandar um representante de vez em quando? Se ele vai viajar durante um mês inteiro com os meninos, deveria cancelar essa outra viagem ou mandar alguém em seu lugar e ficar um pouco comigo, não? Não custa nada, basta ele querer, mas não é isso que eu vejo. Vejo-me ficando sempre em último lugar nas prioridades dele e isso não me alegra, muito pelo contrario está me deixando muito chateada.
Da ultima vez que conversamos sobre isso ele sugeriu que eu largasse minha carreira para poder acompanhá-lo em suas viagens, assim não ficaria mais sozinha. Como ele pode falar uma coisa dessas? Não sei. Eu nunca nem cogitei essa hipótese. Atuar é minha vida, me faz sentir viva, é minha paixão e eu sempre deixei isso bem claro, ele sabe o quanto me faz bem e feliz atuar, me sinto realizada. Sem falar no carinho dos fãs, o retorno que eles me dão. Ver meu trabalho sendo reconhecido é perfeito, sobre isso não tenho nem palavras para expressar o que sinto, é simplesmente perfeito!
Eu amo meu marido, sempre o achei o homem perfeito para mim, mas estou chegando ao meu limite. Não quero ser egoísta, mas sou humana tenho necessidades, sempre fui uma mulher fogosa gosto de me divertir na cama, sentir e dar muito prazer e Fred também, somos muito parecidos nisso e em outros aspectos, compactuamos dos mesmos ideais e valores, para falar a verdade ele é uma versão minha de barba. Bom, era assim, não sei se continua do mesmo jeito.
Nunca gostei de ficar sozinha, sempre tive pavor a solidão, não combina comigo. Desde pequena sempre fui muito sociável, vivia rodeada de amigos e sempre fui muito apegada a minha família. Era muito namoradeira, nunca fiquei mais de três meses solteira, depois de tanta curtição resolvi dar esse passo importante em minha vida e me casei, mas confesso que não está sendo como imaginei, nunca me senti tão só. Estou casada só no papel, porque o marido não para em casa.
Durante o jantar ele falou sobre a turnê, onde seria, como seria, as expectativas, o quanto os meninos estavam felizes e nervosos e tudo mais que envolvia os shows. Eu ouvia tudo em silêncio, estava feliz por eles, entretanto não pude deixar de me sentir frustrada. Nem cheguei a falar sobre Veneza, estava tão animada havia feito tantos planos para nós dois, porém outras oportunidades virão. Assim espero!
Ele me prometeu que depois dessa turnê tiraria uns dias de ferias só pra nós dois curtirmos juntos, eu não criei muita expectativas, porque não é a primeira vez que ele me faz essa promessa.
Durante essa mesma noite nós transamos, mas não foi nem de longe parecido com o sexo que estou acostumada, minha cabeça estava longe e nossos corpos não entraram em sintonia. Fred percebeu meu distanciamento, mas não questionou, sabia que eu estava chateada e como ele viajaria na manhã seguinte não queria começar uma discussão àquela hora, também não iria resolver nada mesmo. Ele não desistiria da viagem e eu não o acompanharia. Essa seria a forma de resolver, por tanto melhor deixar quieto. Ele logo dormiu e eu ainda fiquei um bom tempo acordada pensando em que rumo minha vida tinha tomado.
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