Amor que não se pode explicar
8 Cap7: O grito
Notas iniciais
Stiles ficou completamente perdido com o rumo que a conversa com Derek havia tomado tão rapidamente. Ele estava surpreso, era a primeira vez em anos que eles haviam tido uma conversa tranquila e até amiga, mas de repente o lobo mudou de comportamento voltando ao mesmo mal humor de sempre, só ouviu o nome de Lydia, isso era totalmente estranho, mas se tratando de Derek Hale nada era realmente muito normal.
– Eai cara, falaram sobre o beijo e marcaram a data do casamento? – Scott provocou vendo o amigo se sentar á sua frente.
– Nada disso seu imbecil. Na verdade até estávamos conversando muito bem , mas do nada ele mudou de humor e saiu me deixando falando sozinho.
– Hum, estranho isso. – Falou de boca cheia mastigando o lanche. – Mas o que você falou para deixa-lo tão irritado?
– Nada demais. Apenas disse que queria falar sobre a Lydia.
– É ISSO! – Scott gritou como se tivesse feito à descoberta do século.
– Isso o que?
– Ciúmes. Está na cara que ele ficou com ciúmes da Lydia bobão.
– Não seja ridículo. – O garoto rebateu e agradeceu aos céus por o sinal ter tocado e livrado ele da conversa constrangedora.
Os dias passaram tranquilamente e Stiles e Derek malmente se falavam, a não ser pelos breves cumprimentos e alguns rosnados da parte do lobo. John já estava ficando preocupado com essa atitude dos “filhos”, talvez já tivesse se acostumado com as brigas e implicâncias constantes.
– Filho, o que aconteceu entre você e seu irmão?
– Nada.
John estranhou ainda mais. Pela primeira vez o garoto não havia rebatido dizendo que não era irmão de Derek. Aquilo estava incrivelmente estranho.
– Não é o que parece. Vocês nem tem discutido mais. – O homem esfregou o rosto sentando-se no balcão da cozinha de frente ao filho que tomava um suco sentado com os braços apoiados no balcão.
– Não te entendo pai. Quando brigávamos você reclamava, agora que não brigamos mais você também reclama.
– Não é que eu queira que voltem a brigar, apenas que se deem como irmãos normais. Será que é pedi muito? – O velho tinha uma expressão abatida e cansada.
–Não se preocupe pai. Estamos bem. – Mentiu tentando acalmar o pai.
Nesse momento a porta se abriu e Laura entrou sorridente, colocando as malas no chão e indo abraçar o velho xerife.
– John, que saudade. – Apesar de tudo os Hales nunca chamaram John de pai, e ele nunca exigiu tal coisa, não queria substitui a família que tiveram então isso não o incomodava em nada, mas sempre os teria como filhos.
– Oh minha garota, que saudade. – Sorriu a abraçando e depois beijando-lhe a testa.
– E de mim não sentiu saudade não? – Stiles resmungou já de pé;
– Claro que sim magricelo.
Correu e o abraçou. Depois de um tempo, Derek chegou abraçou a irmã e foi para o quarto. John continuava incomodado com aquilo, mas não tinha tempo para conversar no momento, já ia começar mais um plantão.
– Laura queria conversar com você. – Stiles falou logo após o pai ter saído;
– Sobre?
– A Lydia.
– Humm, quer dizer que finalmente conseguiu ficar com a ruiva? — Falou esperançosa e convidando o garoto para se sentar ao lado dela no sofá.
– Por que tudo mundo acha isso? – Soltou irritado.
– Por que você é apaixonado por ela desde o primário?
– Não sou mais. – O próprio garoto se surpreendeu com a resposta.
– Mas não é sobre isso que quero falar.
– Tudo bem, diz então.
– Ela precisa de ajuda. Ela sabe que você e o Derek são lobisomens e acha que vocês podem ajudar ela.
– Stiles. Não acredito que você contou. – Se exasperou.
– Não falei. Ela disse que sentiu.
– Sentiu? Como assim?
– O problema é esse. Ela diz que sentiu isso no Derek, e no Scott. E disse que pode sentir quando alguém vai morrer.
A loba mudou de cor. E Derek que estava no quarto ouvindo toda a conversa desde o principio, e ficou feliz por saber que o garoto não gostava mais da ruiva e se sentiu estupido por ter sentido ciúmes por algo completamente infundado, resolveu sair do quarto e se meter na conversa.
– Desculpa Stiles, mas nunca ouvi falar nisso. – Laura respondeu tentando reagir o mais natural possível.
– Eu também não. Mas talvez conheça quem pôde ajudar. – Derek falou saindo do quarto, cruzando os braços na altura do peito, e assustando a Laura e Stiles que nem lembravam que ele estava em casa.
– Quem? – A loba perguntou intrigada.
– Um amigo da família.
– Quem? – Insistiu.
– O Deaton. – Falou finalmente, se sentando no braço do sofá;
– Nunca mais tinha ouvido falar nele. Não sabia que continuava morando na cidade.
– O vi tem uns dias.
– Então foi com ele que você conseguiu as ervas para se embriagar maninho? – Laura tinha um tom debochado, mais firme.
Derek olhou para Stiles quase o fuzilando por ter contado a irmã sobre o porre dele, o garoto se encolheu no sofá.
– Diz Derek. Por que fez isso? Quero te ajudar. – Tinha um olhar carinhoso.
– Não precisa. Estou bem. E de saída agora. Quando puder falo com ele e pergunto se sabe de algo.
E assim saiu sem dizer mais nada, deixando os dois se olhando intrigados.
– Onde será que ele sempre vai? – Stiles não conseguiu controlar a própria boca.
– Não sei. E acho que nunca saberemos.
Derek subiu em sua moto e acelerou em direção ao lugar que sempre ia quando precisava pensar, ou parar de pensar no garoto verborrágico que não saia da sua mente. Logo já estava parado diante a enorme mansão que um dia fora muito bela, mas que no momento estava completamente queimada e quase em ruinas.
Se sentou no que um dia fora a varanda da casa e finalmente pode dar livre curso as lagrimas, que temiam em escorrer pelo seu rosto. Se sentia sufocado. Completamente perdido e desorientado. Não tinha certeza de nada na vida.
Não sabia o que realmente queria fazer da vida e por isso mudava tanto de curso. Não sabia onde realmente pertencia. A única coisa que tinha certeza no momento era do quanto gostava do garoto e era exatamente a única coisa que não queria ter certeza.
As horas passaram sem ao menos ele perceber. E quando olhou o céu já estava escurecendo. Levantou-se para voltar para casa, quando ouviu um grito. Agudo, alto e que lhe impulsionava a procurar sua fonte e foi o que ele fez.
– Aiii. – Laura gritou e tampou os ouvidos.
– O que foi lobinha? – Stiles perguntou jogando o controle do vídeo game que jogava com a loba no sofá e iria lhe acolher.
– Você não ouviu?
– Ouviu o que?
– O grito Stiles.
– Não. E isso está me preocupando.
– Preciso ir até ela.
– Ela quem?
– A garota que gritou. – Levantou e já pegava o capacete da moto quando ouviu Stiles falar.
– Eu vou com você.
A loba apenas assentiu e saíram de casa rapidamente.
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