Amor que não se pode explicar
35 Cap34: Consequências de uma mentira
Notas iniciais

Stiles estava atormentado com toda a cena. Sabia que não adiantaria se esconder. O pai provavelmente já o tinha visto na cama com o irmão.
Eles estavam realmente enrascados.
Enrascados era pouco, com certeza o xerife os mataria.
O garoto sentia todo o corpo tremer, nunca ficara tão nervoso em sua vida.
– Se arrumem, quero os dois na sala em 5 minutos. – Falou ainda alto e com a raiva claramente estampada no rosto vermelho.
– Pai... – Stiles sibilou abaixando o lençol do rosto e tentando se explicar inutilmente.
– Não quero ouvir nada. Apenas espero os dois na sala.
Os dois rapazes pareciam congelados, não conseguiam mexer um musculo se quer.
– Agora. Mexam-se. – Ordenou e saiu batendo a porta, fazendo o barulho estrondar por toda a casa.
Finalmente se mexeram e levantaram da cama, procurando as roupas.
– Droga. Droga eu sabia que ia dar merda – Derek resmungava enquanto vestia a cueca.
– E agora Der? Não era pra ser assim e agora? – Stiles sentiu as mãos tremulas e as lágrimas escorrendo pelo rosto.
–Também não sei. Por isso queria contar logo. – O Hale tinha a mente em um turbilhão sem saber o que fazer ou pensar.
– Eu não vou sair daqui. Não acredito que ele nos viu assim. – Stiles se sentou na cama completamente vestido e chorando.
Derek puxou o ar, e se ajoelhou em frente ao rapaz.
– Eu sei que vai ser difícil, mais não temos mais escolha. Agora é a hora de dizer tudo e aguentar as consequências de nossas mentiras. – O mais velho falou enxugando as lágrimas do rapaz.
– Fica comigo? – Pediu triste.
– Sempre. – Sorriu, o máximo que pôde.
Levantaram de mãos dadas e prontos para ouvir o que precisassem, mesmo não tendo a certeza de que estariam preparados para isso.
Chegaram á sala, e viram o “pai” sentando no sofá com uma garrafa de whisky na mão, bebendo diretamente do gargalo.
– Pai você não deveria está bebendo. – Stiles falou com um fio de voz, enquanto se sentava no outro sofá ao lado de Derek, ainda de mãos dadas com ele, de frente ao xerife.
– E você não deveria está na cama com seu irmão. – Falou amargo e bebendo mais um gole.
– John, posso explicar se permitir. – Derek tentou argumentar.
– Estou esperando por isso Senhor Hale, antes que eu ligue e dê uma queixa sua, por abuso de menores. – Stiles nunca tinha visto o pai daquela forma.
– Eu não sou menor de idade, e não fiz nada que não queria. – Stiles desabafou.
– Calma, deixa eu falar amor. – Derek soltou o apelido sem querer e sentiu o rosto pegar fogo com a vergonha e a cara enfurecida do xerife.
– Posso ver o nível que as coisas estão. – O homem não parava de beber.
– Bem John como eu dizia. Eu e o Stiles nos descobrimos apaixonados. Na verdade eu amo seu filho, mas ficamos com medo da sua reação, e acabamos mentindo e nos afundando cada vez mais na mentira. Eu sei que estamos errados, mas por favor tente entender. – Derek falava pedindo aos céus para não se atrapalhar em suas palavras.
– Ah, com certeza vou entender o fato de você seduzir meu filho e leva-lo para cama. – O homem perdeu a paciência que aparentemente estava expressando e se levantou ficando na frente de Derek como se fosse agredi-lo.
– Pai, não; — O garoto falou desesperado.
– Ele não me seduziu ou forçou, fiz somente o que quis. Eu o amo. – Gritou.
O xerife puxou o ar com toda a força e se afastou com as mãos na cabeça em sinal claro de desespero.
– Cadê a Laura? – Foi a primeira vez que o homem se referiu aos Hales como se não fossem seu filhos.
– No loft. – Stiles respondeu com medo.
– Ela não me disse que ia pra lá... – O homem parou um momento refletindo e concluiu. – Ela sabe?
Nenhum dos dois responderam.
– Ela sabe? – Perguntou quase gritando de novo.
– Sabe. — Foi Derek que respondeu agora.
– Não posso acreditar. Eu acolhi vocês, criei-os como meus filhos, e agora os dois me traíram dessa forma? – Os olhos estavam cheios de lágrimas.
– O que eu fiz de errado? Me diz Derek? Onde eu errei para você querer me causar tanta dor? Por que eu só posso ter feito algo terrível Era claro a dor e o desespero do homem.
– Não John. Você não fez nada errado. O único que errou aqui fui eu. – Derek assumiu chorando.
– Não Der. — Stiles olhou o homem, o pegando pelo braço.
– Sim Stiles. Eu sou o adulto. Eu deveria ter evitado.
O garoto sentiu seu mundo desmoronar mais uma vez, se era possível. Derek estava arrependido de tudo? Estava arrependido do amor deles? – O garoto ficou atordoado.
– Eu deveria ter sido honesto com o John, e ter contado a verdade desde o começo.
– Ainda bem, algum traço de sanidade enfim. Agora vai admitir que tudo isso é loucura? Que é ridículo? – Perguntou de frente a eles, que não tinham forças para se levantar do sofá.
– Admito que é loucura.
Stiles ficou chocado.
– Mais não ridículo. Não me arrependo de tudo que sinto por seu filho, me arrependo apenas de como conduzir as coisas, escondendo e mentindo.
Apesar de tudo, Derek continuava com uma postura seria e firme.
– Não posso conceber isso. É demais para mim. – Se jogou no sofá derrotado.
– Pai. – O garoto levantou- se finalmente e se ajoelhou de frente ao pai.
– Sei que estamos errados. Mas tente entender, nos amamos. – Chorou mais uma vez.
– Não, não amam. Vocês foram criados como irmãos e isso é inaceitável, sem dizer que você são homens não podem sentir nada um pelo outro. – Levantou-se e saiu de perto do garoto.
– Stiles, não acreditava que seu pai pensasse assim de verdade. Sabia que se fosse em outra situação ele aceitaria sua orientação sexual, por isso não falou mais nada.
– Vou deitar. Preciso por minha cabeça em ordem. – Saiu em direção ao quarto, antes de entrar avisou.
– Espero que quando eu sair pela manhã não esteja mais nesta casa Derek Hale. – Ordenou com a voz pingando de ódio.
– Não pai. Você não pode. Essa casa também é dele. – Stiles continuava ajoelhado.
– Não. Não é mais.
– Eu vou também. – Stiles declarou se levantando.
– Você não vai a lugar nenhum mocinho. Ainda sou seu pai e tenho sua guarda perante a lei.- Pegou o garoto pelo braço, e o levou até o quarto. – E você vai ficar trancado ai, até eu saber o que fazer com você. – Disse empurrando o garoto para dentro.
– Eu te odeio. A mamãe nunca faria isso. Ela acreditaria em mim. Ela me entenderia. – Soltou com raiva, sabia que aquilo machucaria o pai, mais nada o importava no momento.
John enlouqueceu ainda mais com a comparação do garoto.
– Mas se você, não percebeu ela está morta, e você querendo ou não sou eu que mando aqui ainda. – Bateu a porta com força e trancou o garoto.
– John. – Derek chamou o homem que parecia espumar de raiva.
– Eu sei que não estou em posição de pedir nada.
– Não, não está. – Rebateu.
– Mas não faça nada com ele. Culpe apenas a mim. – Derek saiu em direção ao quarto dele. – Vou buscar minhas coisas. – Falou já entrando no quarto.
– Tudo bem. E diga a Laura que estou muito decepcionado com ela. Não esperava isso de vocês. – Derek assentiu e John entrou no quarto arrasado, e acompanhado por duas garrafas de bebida.
Derek sabia que não adiantava argumentar nada com o homem naquela situação, então pegou a mala de viagem e colocou uma boa quantidade de roupas. Arrumou o quarto e saiu deixando a casa onde crescera para trás. Mas o que mais lhe doeu foi deixar o seu amor nela.
Dirigiu sentindo as lágrimas banharem o rosto. Não gostava de chorar na frente de ninguém mais aquela era uma situação impossível de não o fazer.
Eram quatro horas da manhã, quando bateu na porta do loft de Laura.
– Der? O que foi? – A loba abriu a porta assustada, com os sentimentos que podia perceber vindo do irmão.
– Acabou Laura. Acabou. – Falou e se jogou nos braços da irmã chorando desconsolado.
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