Amor que não se pode explicar
2 Cap 1 : Reconstruindo a vida
Notas iniciais
"Veja o lado bom das coisas. Você já parou pra pensar o que seriam das oportunidades se não fossem as mudanças? (Jufras Menhal)"
Assim que entrou no hospital Derek fora barrado. Queria ir com a irmã, saber dela, cuidar, ficar com ela para o que precisasse, mas não podia, era menor de idade e sem um acompanhante ou responsável legal. Foi instruído a ficar sentando na recepção esperando por pessoas que iriam conversar com ele.
Mas não era isso que ele queria. Queria sua irmã, sua família, seu lar. Não podia mais exigir nada disso e a única coisa que podia fazer no momento era se jogar naquela cadeira e deixar toda a dor tomar seu ser.
Não podia e nem conseguia explicar o porquê daquilo. Sua mente estava uma verdadeira confusão. Toda a sua vida estava passando por sua mente e ele pensara que isso só acontecia ás pessoas que viam a morte de perto. Mas ele a tinha visto. A viu levar tudo que mais amava. Ela roubou seu chão, seu ar, suas forças, só não levara sua vida e no momento achou isso incrivelmente injusto.
“Por quê? Por quê?” Era o que mais se perguntava. Por que ele tinha que aceitar a provocação do imbessil do Marth? Por que simplesmente não ignorou e voltou para casa junto com sua irmã e seus primos? Não, ele tinha que ser o imbessil brigão e esquentado que não pôde ouvir uma piadinha sem revidar, sem tirar pergunta. E foi por isso que ele não estava lá. Foi por isso que agora ele estava vivo e sua família não.
Ele se odiava por isso. Se tivesse seguido com os outros, agora todos estariam mortos e ele não precisaria passar por toda a dor e sofrimento. Era um imenso egoísmo pensar dessa forma, ele sabia, mas era o que menos doía em seu peito. Sabia que sua mãe o reprovaria se o ouvisse falar daquela maneira, que sua vó provavelmente mandaria que ele batesse na boca, repreendendo tal pensamento. Mas era o que ele mais desejava no momento. Estar morto junto com o outros.
O xerife olhava o filho dormir tranquilamente no berçário sem ao menos imaginar que algo terrível já acontecera a ele e o pai não conseguia conter as lágrimas. O corpo todo parecia estar sendo perfurado por longas e dolorosas agulhas. O garoto era simplesmente lindo e incrivelmente parecido com a mãe e isso apenas doía ainda mais no velho homem, que estava completamente perdido. Tinha perdido o amor de sua vida, sua companheira para todas as horas, amiga, mulher e amante. E agora tinha um bebê que diga-se de passagem ele não tinha ideia alguma de como criar.
Ao mesmo tempo que teve que se preocupar com o velório da esposa, precisava pensar na ida do bebê para casa, alguém para alimenta-lo e cuida-lo da maneira correta. Com tanta coisa em mente, não sentiu a presença da linda morena de cabelos negros que se aproximou dele.
– John? – A enfermeira chamou, fazendo com que ele se virasse.
– Melissa. – Disse com a voz embargada. – Ela se foi.- Completou se entregando as lágrimas e abraçando a mulher como ela oferecera.
Depois de alguns instantes de choro, a mulher se afastou um pouco e voltou a conversar com o amigo.
– Posso amamenta-lo, o Scott já está comendo papinha, mas ainda tenho leite.
O homem apenas assentiu.
– Quando será o enterro?
– Amanhã pela manhã. – Respondeu enxugando os olhos.
– Tudo bem. Ele recebera alta amanhã, e posso leva-lo comigo para cuidar nesses primeiros dias.
– Será pesado demais pra você, cuidar de dois bebês e ainda tem seu trabalho.
– Não vou deixa-lo sozinho. E a Cláudia faria o mesmo pelo Scott.
John concordou e olhou mais uma vez para o filho. Respirou fundo. Precisava ser forte por ele.
– Tudo bem. Mas vou contratar uma enfermeira para te ajudar. E o Rafael? Não vai achar ruim?
– Que nada. Ultimamente tem andado tão bêbado que provavelmente já vê dois bebês dentro de casa, então não terá diferença. – Se não fosse o tom ríspido e amargo, teria até soado engraçado o comentário da enfermeira.
John sabia o quanto aquilo doía na amiga, então não comentou nada.
~~~~~ Duas semanas depois ~~~~~~~~
Tudo parecia finalmente entrar no eixo. Não que a dor da perda tinha diminuído ou coisa parecida, mas eles continuavam vivos e precisavam segui suas vidas, mesmo tendo aquela enorme ferida dentro do peito.
O Xerife estava em casa com o filho. Tentando miseravelmente trocar a fralda. Melissa já tinha voltado ao trabalho, e por mais que quisesse não pôde adiar tal evento. John aproveitou e tirou as férias prêmio que estavam acumuladas á anos. Contratou uma pessoa para ajuda-lo e já alimentava o garoto com mamadeira.
Em mais uma tentativa de troca, enquanto esperava a enfermeira que lhe ajudava chegar, ele ouviu a campainha. Pegou o garoto ainda nu e foi atender a porta.
– Xerife Stilinski ?
– Sou eu. O que gostaria.
– Sou Mônica, assistente social. – O homem levantou a sobrancelha sem entender o que estava acontecendo. – O senhor conhecia a família Hale?
– Conheço sim. – Respondeu sem percebeu que o verbo estava no passado.
– Bem, precisamos conversar então. Posso entrar?
– Oh sim. Me desculpe. – Se afastou da porta para que a mulher pudesse entrar. – Não repare a bagunça, estou tentando cuidar desse rapazinho. – Sorriu olhando o filho.
A mulher se sentou no sofá e explicou tudo o que acontecera a família Hale ao homem, que ficou desolado. Eram seus amigos, conhecia cada um deles muito bem e não conseguia acreditar no que acontecerá.
– Céus. – Abaixou a cabeça enxugando uma lágrima e olhando o filho que dormia tranquilo no berço improvisado ao lado do sofá, ainda sem fralda;
– E como o senhor e sua esposa foram citados em um dos documentos que Tália escreveu, estamos o procurando.
– Ela faleceu a duas semanas. – Falou com a voz tremula.
– Soubemos. Meus pêsames. – O homem acenou.
– Mas que documentos são esses?
– Os que informam que o senhor é guardião legal dos filhos dela caso algo acontecesse a eles.
O homem ficou perplexo. Seu rosto com certeza mudou de cor e sua garganta formou um bolo.
– Filhos? Algum sobreviveu? – Falou com dificuldade.
– Sim. Um menino e uma menina.
– Derek?
– Sim, e Laura, a mais velha. Que na verdade só está viva, graças ao irmão que a tirou de dentro da casa a tempo.
John não pôde evitar um sorriso, sempre soube que o menino era especial e por isso mesmo sempre o mimava mais quando ia visitar os Hales.
– Onde eles estão?
– Sobre a guarda do governo. Em um orfanato.
– Como? Por que não me falaram antes? – Exasperou.
– Decidimos respeitar seu luto. E também não achamos que seja interessante o senhor ter a guarda deles, já que tem um bebê para cuidar e toda uma cidade para proteger sendo o xerife.
– Bobagem. Eu cuidarei deles sim. Não são pequenos, já se cuidam sozinhos.
– Mas precisarão de atenção e carinho, depois de tudo que passaram. – A mulher parecia não querer dá a guarda ao xerife e isso o estava irritando.
– E isso eles não encontrarão em um orfanato. Vou busca-los agora. – Decretou se levantando rapidamente.
A mulher não disse mais nada. Apenas esperou que ele troca-se o filho e saíram em direção ao orfanato.
Assim que chegaram ao local, foram encaminhados ao quartos onde os irmãos estavam hospedados. O xerife entrou e logo se sentiu abraçado pela quase adolescente.
– Tio John. – Laura o cumprimentou feliz por finalmente ver um rosto conhecido.
– Oi Laura. – Sorriu alisando os cabelos da menina.
– Ele é tão lindo. Posso carrega-lo? – Perguntou olhando o pequeno embrulho nas mãos do homem. Ele sorriu e lhe entregou o garoto. Olhou para o canto do quarto e viu Derek, sentado á cama. Não se movia para nada. Tinha o olhar perdido e não parecia ter notado a presença do xerife no local.
– Derek? – O xerife se aproximou com cuidado do garoto e se sentou na beira da cama.
Tocou-lhe o braço e o menino de apenas 10 anos, pareceu despertar. Olhou o homem a sua frente e finalmente se moveu o abraçando com força e afundando o rosto na barriga do outro.
– Pronto. Tudo vai ficar bem agora. – Sussurrou.
Mesmo contra a vontade da assistente, o xerife levou as crianças para casa. Seria muito mais trabalho, ele sabia, mas não os deixaria sozinho em um momento tão difícil de suas vidas.
E assim começaram a viverem juntos. Laura ajudava o xerife a cuidar do pequeno, já que estava acostumada a cuidar dos priminhos. Derek ajudava como podia na limpeza da casa. Apesar de toda dor e sofrimento a família parecia está sendo reconstruída finalmente.
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