Amor que não se pode explicar
20 Cap 19: Abraço em família
Notas iniciais
Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te.
Laura estava exausta, deixou a ruiva em casa e voltou para casa do xerife, se jogando no sofá com toda a folga que podia. Tirou os sapatos e afrouxou a calça jeans que usava, gritou para se certificar de que havia ou não alguém em casa.
– Der? Sti?... John?
Ninguém lhe respondeu. Deu de ombros e se aconchegou no sofá realmente precisava descansar. Tinha acabado de chegar do congresso quando Derek ligou para ela e a mesma saíra feito louca, apenas deixando as malas no quarto, e agora tinha que arruma-las, a preguiça e o cansaço bateram só em imaginar ter de fazer isso.
Agradeceu que não teria aula por dois dias em compensação do congresso, estava destruída física e emocionalmente, mesmo sendo loba se sentia bem cansada as vezes, ultimamente as coisas não estavam nada fáceis em Beacon. Por isso já tinha tomado a decisão de largar o emprego, não iria fazer muita diferença mesmo no fim do mês, e só estava a esgotando ainda mais, precisava avisar a família sobre a decisão, mas faria isso no outro dia. No momento só precisava de um banho e comer alguma coisa para cair na cama e só acordar bem tarde no outro dia.
Se levantou do sofá e sentiu o corpo todo doer, realmente o congresso tinha a esgotado, não puderam nem ao menos curtir o hotel, apenas palestras e mais palestras, e para encerrar sua noite, a noticia que uma maluca sem alma rodava a cidade, “oh céus e ainda era apenas segunda feira”.
Enquanto se preparava para o banho começou a repassar as cenas do que acontecera, ela gostava de fazer isso para poder organizar melhor os pensamentos e rever se perdeu alguma coisa importante, aprendera com a mãe. Quando algo chamou sua atenção.
Lembrou-se de Derek saindo muito estranho da casa enquanto todos ajudavam Lydia. Forçou um pouco mais a memória, e então podia jurar que o irmão parecia querer controlar seu lobo. Lembrou-se também de ter visto Stiles olhar para ele, como se estivesse entendendo o que estava acontecendo.
“Estranho”. – Pensou enquanto se ensaboava.
Reparou também que o garoto e o irmão já estavam na casa quando eles chegaram e que provavelmente tinham ido juntos no camaro, mas nenhum dos dois tinham reclamado ou algo parecido, na hora da volta a mesma coisa, pelo contrário, tomaram suas posições de forma tranquila.
Sua mente ferveu com o que começava a imaginar. Outro detalhe, sentiu o cheiro dos dois quase que misturados. Não aquilo definitivamente ela piração de sua cabeça. Com certeza fruto do cansaço de seu corpo.
Afastou tais pensamentos e terminou o banho voltando para sala.
Assim que se sentou em frente ao balcão para jantar, já que o xerife estaria de plantão e por isso mesmo não precisariam jantar todos juntos ao redor da mesa como ele gostava. Ouviu o camaro chegar e a voz dos “irmãos” ecoarem assim que entraram, pareciam bem apesar de tudo que estavam passando.
“Estranho. Eles não deveriam chegar antes de mim? Eu ainda fui levar a Lydia em casa.” – Pensou.
Estranhou mais uma vez, bem aquela palavra rodava a sua mente toda vez que pensava nos dois.
– Oi maninha. – Derek abriu um sorriso e a beijou. – Sei que acabei de te ver, mas nem pude te cumprimentar direito. – Completou.
– Oi irmãozão. – Sorriu e aproveitou para abraça-lo, sentiu o cheiro do menino.
– Lobinha? – Stiles cumprimentou e abraçou a loba também, logo depois de Derek ir para a cozinha pegar comida.
– Oi magrelo. – Sorriu e inspirou seu perfume. Derek. O perfume era de Derek.
A loba quase surtou com a avalanche de pensamentos, mais respirou fundo. Não iria perguntar nada a eles, pelo menos até ter provas mais concretas sobre suas hipóteses.
Os dois pegaram comida e foram para seus respectivos quartos alegando cansaço, deixando uma Laura completamente aflita.
No meio de tanta loucura acabara esquecendo o que tinha planejado fazer naquele dia. Compraria umas flores e levaria para os túmulos de sua família, já que no domingo completaram 16 anos desde que partiram. Si arrumou para sair mesmo já sendo noite, mas como foram enterrados no quintal de sua antiga casa, como era costume dos lobos, não teria problema algum com o horário. Antes resolveu perguntar ao irmão se queria ir junto. Ele provavelmente já tinha ido no domingo, mas seria bom ter a companhia dele.
– Der. – Entrou no quarto vendo o lobo já deitado com um livro em mãos.
– Oi maninha. – Sorriu a chamando com os dedos.
– Vim perguntar se quer ir comigo por flores no túmulo dos pais. Sei que você deve ter ido ontem, mas eu não pude.
Só então o lobo se lembrou. Sentiu o corpo todo enrijecer e o coração se partir em mil pedaços. Ele havia esquecido.
Pela primeira vez em 16 anos ele havia esquecido o aniversário de morte de seus pais. Isso era totalmente imperdoável. Si sentiu a pior das pessoas. Seu semblante mudou, si sentou na cama e sentiu os olhos molharem com as lágrimas. Como pôde ser tão estúpido? Como pôde se desligar tanto?
Então lembrou. Estava com Stiles. Esqueceu-se de tudo quando teve o garoto em seus braços. Não que a culpa fosse do garoto, mas sim de seu egoísmo, que se deixou levar por sua felicidade e esqueceu-se de algo tão importante assim.
Si desligou do mundo e só voltou quando sentiu os braços de Laura lhe envolver em um abraço e perguntar aflita por que estava chorando. Ele estava chorando? Nem percebera.
– Hey, calma, o que foi maninho? – Perguntava enquanto tentava consolar o moreno.
– Eu... Eu...
– Respira e tenta dizer de uma vez só. – Encorajou.
– Eu esqueci Laura. Como pude? Sou um monstro. Como pude esquecer de minha própria família?
– Hey, calma. Respira maninho. O que houve afinal?
– Eu esqueci que ontem era aniversário da morte deles.
– Tudo bem. O importante é que nunca se esqueceu deles.
Stiles estava no quarto quando ouviu um choro e tinha certeza de quem se tratava, saiu do quarto e foi ver o que acontecia.
– Algum problema? – Perguntou entrando devagar no quarto.
– Não. É só que ontem foi aniversário da morte de nossos pais e ...
– Ele esqueceu?... Eu também esqueci. – O menino se sentou na cama atordoado. -Digo foi aniversário da morte de minha mãe também. – Sentiu seus olhos também encherem de água.
O garoto sentiu o mesmo baque. Ele e Derek se desligaram tanto um com o outro que esqueceram da data. Laura agora ficou nervosa, tinha duas pessoas para consolar.
Respirou fundo e decidiu mudar o rumo daquilo.
– Meninos. – Chamou com a voz firme e autoritária que sabia muito bem usar.
Os dois olharam para ela com expressões de tristeza.
– Não importam datas, flores ou lembranças tristes. O dia que se foram, é apenas números, as flores nos túmulos murcharão. O que realmente importa é tudo que eles significaram e significam para nós até hoje. O que importa é o quanto eles nos amaram e o quanto nós os amamos. – Nesse momento ela mesmo já tinha lágrimas nos olhos.
Esquecer de datas é normal, o que nunca podemos esquecer é o amor, carinho e afeto que tivemos deles, e isso eu sei que nunca esqueceremos. Idas a túmulos, datas, flores nada disso importa, se eles sempre habitarão nossos corações. Se nos lembrarmos de cada, gesto, expressão ou frase que nos ensinaram, isso é realmente a melhor homenagem que podemos prestar á eles. E tenho certeza de que onde estiverem ficarão felizes por saberem que mesmo continuando nossas vidas, como sei que iriam querer que fizéssemos, nós os temos guardados em nossas memórias para sempre.
– A garota sorriu, vendo os dois levantarem a cabeça concordando com o que dissera.
– Digo mais. A partir de hoje não iremos mais nos túmulos nas datas. Iremos quando sentirmos saudade, iremos quando sentirmos vontade. Por que o mais importante é tê-los dentro de nós, cada detalhe, lembrança, feição. São essas coisas que os tornam eternos em nós. – Nesse momento mesmo chorando podiam se ver sorrisos nos rostos dos três.
– O que realmente importa é continuarmos juntos, firmes, fortes e felizes pois é assim que eles gostariam de nos ver.
Abraçaram-se carinhosamente, pois acima de tudo eram uma família e nada mudaria isso.
O xerife tinha acabado de chegar em casa, e vira um silêncio bastante suspeito em sua opinião. Foi ao quarto de Stiles e o garoto não estava. O próximo era o de Derek, quando entrou viu a cena mais linda em anos, seus três filhos abraçados. Não sabia o porquê mais também não perguntaria. Laura sentira sua presença, e o convidou para o abraço, o que de bom grado ele fez.
O abraço se tornou ainda mais gostoso e no fim o xerife balbuciou feliz.
“ Amo vocês meus filhos”.
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