Amor que Cura
7 Novo Tempo
Notas iniciais
Ainda era noite, o panda se encontrava na sala dos heróis, mas enquanto ele estava lá, achando ser o único acordado naquele palácio, havia mais alguém acordado, distante de onde o panda estava, esse alguém era a mestra Tigresa, a qual acabara de ter um pesadelo, a terrível lembrança de tudo o que passou, de sua terrível história marcada com trauma e dor. Ela acordou chorando, com uma opressão e fortes dores em seu coração, todos os momentos de tristeza, que resumiam sua vida, passavam por sua mente, isso sempre acontecia, mas desta vez, ela estava cansada de tudo, lembrou do que viveu, e de como poucas coisas mudaram, e como dentro dela, só pioravam. De pouco em pouco, entrou no seu coração a sugestão de por um fim a toda aquela tortura:
Tigresa_ A minha vida segue o sofrimento, é o que parece... Mas não me acostumei, com traumas, mágoas, lágrimas internas, e dores dentro do meu coração! (Suspiro) Não me interessa continuar vivendo, não. Cada dia é muito sofrimento, um silêncio toma conta de quem chora por dentro, e uma palavra de lamento, não pode amenizar esse momento triste, de quem quer deixar de existir, quem quer nunca mais chorar, mas gostaria de sorrir, (suspiro) o céu escuro sustenta um temporal que não acalma, a fúria dentro de mim. Não consigo me conter, posso parecer com uma pedra, mas posso sentir, eu tenho sentimentos, sim, infelizmente, mas depois de tanto sofrimento, um sofrimento, é mais um sofrimento, é assim que eu vivo, mas isso está prestes a acabar, essa dor vai morrer comigo. As vezes, parece que a paz mora num caixão... Com aperto no peito, expresso o meu sentimento (então as lágrimas saem descontroladamente, ela chora amargamente.) Lágrimas, e mais lágrimas, esse mundo é um rio de lágrimas! As minhas lágrimas a mais, talvez não sejam tão importantes... São apenas gotas amargas, gotas implorando a paz, só isso e nada mais.
Nesse momento de aflição, me faz lembrar de todos os fatos tristes e lamentáveis, quase inaceitáveis... Chegou a hora, todo começo tem um fim, quero um fim para toda dor, eu imploro alguém que por favor, afaste a for de mim... (Falava enquanto chorava, sem controlar as lágrimas) Eu vivo fazendo um sacrifício, só pra não chorar, mesmo chorando a todo tempo, eles não vêem, mas eu choro por dentro... Estou triste com tudo, por ser real, eu tenho medo do mundo, mas, com coragem de guerreiro... Os fortes também choram, isso é tão comum! Fortes, mas sentimentais, e entre mil, eu sou mais uma, uma rocha por fora, que não se escuta o choro, mas que chora a cada instante, porque a dor dá minha lágrima, não me deixa. Estou cansada, magoada, com medo e com coragem, ter meu coração batendo assim, é mais prejuízo que vantagem! É assim que eu me vejo, sem fantasias sem desejos, eu não programo mais nada nesse mundo, porque amanhã nem sei se vou acordar, foi ontem, é hoje, e o amanhã? Será que eu aguento até lá? Fazemos parte de uma história, e eu sou só mais uma personagem nesse mundo de horror, faço papel de sofredora, eu escrevo a cena de dor, até que chegue um ponto final do meu papel, que pode ser hoje, ou quem sabe amanhã, depende das minhas escolhas, que agora seguem a caminho dá morte... Eu não preciso de mil lágrimas pra mostrar minha dor aos outros, afinal, não há nada que possam fazer por mim, nada! Eu me expresso assim, no meu quarto trancado, despejando meu sofrimento... Não quero ver ninguém triste, ou de pena chorar, porque pra entender o que eu quero falar, só passando pelo que passei, só vivendo o que vivo... Pedir ajuda para que? Se nada eles podem fazer, contra o ódio que sinto de viver... Ficar chorando demais, mostrando o que eu sinto, não adiantaria, mas quem sabe, a morte sim... Como eu queria crer, que exista um plano melhor para eu viver, sem tanta dor, sem estar constantemente em prantos, prantos internos, ser livre de tanto rancor, ser livre de tanta amargura, e viver o amor. -Disse a si mesma, se olhando em um pequeno espelho-
Tigresa, em meio aos seus prantos que molharam completamente sua roupa, por impulso, guiada pela dor e pelo desespero, ela pega uma espada que guardava no seu quarto, não seria esta a primeira vez que ela queria se suicidar. Ela a pegou, viu seu reflexo sombrio na lâmina, lâmina afiada, levou a lâmina ao pescoço, o único local frágil em seu corpo, planejava cortar suas veias, quando, de repente ouviu "Dias melhores estão por vir, aquieta a tua alma" soltou imediatamente a espada, não sabia quem havia falado, mas sentiu confiança na frase dita:
Tigresa_ Nossa! -disse maravilhada, e pasma-
O que seu coração ansiava era por esperança, e a encontrou de alguma forma. Por mais que tentasse, não podia se matar, algo cuidava para que isso não ocorresse. Tigresa tinha agora, coragem e força para prosseguir, e viver por mais tempo.
Po havia acordado minutos antes do sino tocar, para pedir que as crianças não fizessem barulho, não poderiam saber dá existência deles ali, até que ele os chamasse. Po não sabia o que iria dizer, tinha medo dá reação, temia ainda mais mudar o seu futuro perfeito. Então, em meio a confusão na mente dele, o sol nasceu, e um segundo após, o sino tocou, ele já estava no corredor:
Todos_ Bom dia mestre!
Shifu_ Chegou a hora panda. -Disse em tom sério-
Po_ Então, né..!
Então, de repente, ouviram um choro vindo do quarto do Po, logo em seguida ouviram um outro choro, choros distintos, perceptíveis que vinham de bebês:
Shifu_ Panda?! -pergunta incrédulo, com medo dá resposta-
Tigresa_ Você trouxe um bebê para o palácio de jade? -Pergunta alterada-
Po não respondeu, correu aflito e abriu o quarto para ver o que estava acontecendo com seus bebês, foi seguido pelo mestre Shifu e pelos cinco. Quando a porta foi aberta e revelou aquelas crianças, todos ficaram pasmos:
Tao_ Papai!
Tigresa e Shifu_ PAPAI? -perguntaram em coro, alterados, e confusos-
Po pegou os dois bebês no colo, e tentava os acalmar, quando eles olharam e viram Tigresa, imediatamente pararam de chorar, respiraram fundo em alívio de ver a mãe, sorriram e deram os braços para ela, e se jogavam em sua direção:
Shifu_ Deve explicações panda, vamos! — exigi, raivoso-
Tigresa_ Como assim papai? Você tem filhotes? E porque eles se parecem com felinos? — pergunta indignada -
Po_ Foi mal galera, mas... Eles são sim meus filhotes e... — respirou fundo, aflito — dá Tigresa!
Tigresa_ Surtou de vez? Eu não tive nada contigo! -disse envergonhada -
Po_ Ontem vocês ficaram dizendo como eu era um péssimo dragão guerreiro, e realmente, eu sempre estrago tudo, por isso eu decidi descobrir se eu iria melhorar, então testei a máquina, e ela funcionou perfeitamente, -todos ficaram ainda mais chocados, tanto que nem o interromperam, por terem perdido a fala- Então eu ajustei a data, não foi muito difícil! E ela me mostrou daqui a dez anos, eu teria mudado muito, e lutaria muito, muito show de bola! Sério, foi show demais! Mas depois, me mostrou... Com a Tigresa, mostrou... Nós dois nos casando, e depois, eu ajustei para 18 anos no futuro, 8 anos depois do casamento... E apareceu eu e ela brincando em um jardim com essas crianças. Eu perdi o equilíbrio, e apertei um dos botões sem querer... O que me fez viajar no tempo, exatamente no momento que eles estavam sozinhos, então, quando os filhotes me viram pularam em mim, eu desequilibrei, cai novamente naquele portal e todos voltamos para esse tempo... E eu cai no controle, quebrei ele, foi um acidente! Mas agora, não sei o que fazer para eles voltarem para o tempo deles. Essa é a verdade! Eu estou disposto a aceitar a sentença que for... Mas deixem as crianças, elas são inocentes. — Suspirou aflito — a única coisa que me importa, é que eles voltem em segurança.
Tigresa nunca havia se sentido tão constrangida como se sentia agora, com todos a olhando daquela maneira estranha, e confusa:
Tigresa_ Está mentindo! Você deve ter se casado com a cabra, ou com a Song ou sei lá com quem... Mas nunca comigo. -protestou -
Shifu_ Panda... Estou muito decepcionado com você, sua irresponsabilidade passou dos limites! O que vamos fazer com crianças aqui? E como vamos manda-las de volta? Tem noção do problema que você me arrumou? — respirou fundo, atordoado — A aula foi cancelada, vou pensar no que vamos fazer. Po e... Tigresa, cuidem dessas crianças. — ordenou ele, com uma expressão séria, porém aflita -
Tigresa_ Mas mestre, eu não sou a mãe deles! -protesta novamente -
Deshi_ Desculpe... Mas, isso que meu pai disse é verdade, a mestra Tigresa dos cinco furiosos, é a nossa mãe. -Se manifestou timidamente-
Tigresa_ Não pode ser verdade! Eu nunca vou me casar, eu vivo para ser uma heroína e não uma dona de casa! -Diz alterada-
Shifu_ Tigresa! As crianças não tem culpa. E olhe bem para eles, felinos, listrados? Se parecem com vocês dois... Mas, eu espero que não cometa esse erro, e mude isso. Mas, agora, eu não tenho tempo para cuidar de filhotes, você e o panda vão, é uma ordem. -Disse com autoridade -
Tigresa estava aflita, atordoada, confusa, e assustada, mas, mesmo assim, não questionou, se calou, mesmo havendo uma tempestade dentro dela. Entretanto, por fora, manteve a postura dura, e aparentemente, sem emoções, ou sentimentos. Shifu se retirou rapidamente, foi procurar um local pacífico para pensar no que iria fazer com as crianças, e com o panda, ele precisava achar uma solução para todos os problemas. Quando ele saiu, ficaram alguns segundos em um silêncio angustiante, Tigresa, não suportando mais suas emoções tensas e embaralhadas, saiu de lá mais rápido que pode, usando sua agilidade, e ninguém ousou seguir ela, muito menos, tentar a impedir. Po olhou para as crianças, que estavam preocupadas, apavoradas, assustadas, o que afligiu seu coração, então se abaixou, na altura delas, com um olhar amoroso e sereno, as olhou nos olhos:
Po _ Ei, crianças, lembram do que eu falei? Não liguem para o que ela disse, é que, é mesmo um choque... Mas, o pai de vocês é um excelente mestre de Kung Fu, e nos meus filhotes, ninguém toca. -disse em um tom destemido, determinado, e confiante-
A maneira que Po disse aquelas palavras, o olhar amoroso dele, fez com que os filhotes se sentissem seguros, foi um aliviou para seus jovens corações. Eles sorriam para Po, expressando confiança:
Macaco_ Cara...
Garça_ Bizarro!
Po_ Que? — disse enquanto voltava a ficar em pé-
Louva-deus_ Você ainda pergunta? Você e a Tigresa terão filhotes! -diz ele pasmo-
Po_ E eu achei eles muito fofos! -disse honestamente-
Vibora_ Isso é inegável, a genética de vocês deu super certo! -disse honestamente-
Macaco_ Você e a Tigresa... São o oposto um do outro!
Tao_ A mamãe sempre diz que isso nos torna mais fortes! — diz ela sorrindo-
Ele se surpreendeu por ela ter opinado, não esperava por isso:
Macaco_ An?
Tao_ As diferenças não devem nos separar! Elas nos fazem únicos e necessários um para o outro, como peças de um quebra cabeça, nos completamos! — explica ela, com sua voz doce e serena -
Mulan_ Falou igualzinho! -comenta, se referindo a Tigresa -
Po_ Uou! — Foi tudo que conseguiu dizer, em admiração -
Os bebês voltaram a chorar:
Po_ O que foi agora? Tá tudo bem, fiquem calminhos! — diz ele preocupado -
Víbora_ Deve ser fome, vamos na cozinha que eu te ajudo! — disse gentilmente -
Macaco_ Tem leite na geladeira.
Po_ Valeu galera, vocês são demais! — disse grato, e contente por saber que não estará sozinho -
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