Amor por acaso
33 Capítulo 33
Notas iniciais
— Emma. Emma, acorda. Emmaaaa. – Levantei apressadamente com a voz de Henry me chamando e abri um sorriso enorme ao ver o garoto com uma bandeja com café da manhã.
— Isso é para mim? – Perguntei me sentando e vendo a animação do garoto que punha a bandeja em meu colo.
Ele assentiu com a cabeça e falou: — É o meu presente de aniversário para você.
— Obrigada, meu amor. — Agradeci sorrindo mais abertamente e olhando a bandeja. — Também quero um beijo e uma abraço, pode ser? – Falei voltando o olhar para ele e estendendo os braços. Henry se esticou, por estar em pé ao lado da cama, sorridente e me abraçou apertado.
Estava sendo um começo de dia quase perfeito até me dar conta de que algo estava faltando. Regina não estava na cama, notei ao olhar para o lugar vazio ao meu lado: — Ué Henry, onde está sua mãe? — Perguntei, fixando meus olhos no menor, novamente.
— Ela saiu apressada hoje, acho que estava atrasada para uma reunião ou alguma coisa assim. – Ele respondeu dando a volta, subindo na cama e dando de ombros.
— Então, que tal aproveitarmos o que você fez? Parece estar uma delicia. — Falei olhando para a bandeja tentando não transparecer estar decepcionada, ele sorriu e concordou.
De certa forma, eu não fiquei tão surpresa porque Regina estava agindo de um jeito estranho a semana toda. Na verdade, estava inexplicável há umas três semanas, mas nessa semana parecia ter piorado.
Sinceramente, não faço ideia do que anda acontecendo. Mal a vi a semana toda, ela sempre vem com a mesma resposta de que as coisas estão estressantes no trabalho ou que está exausta por ter tido que ficar mais tempo que o habitual.
Tudo bem, ser prefeita não é a coisa mais fácil do mundo, mas ela nunca agiu desse modo antes. Seja pelo fato de não estar conversando comigo sobre quase nada ou por simplesmente parecer estar evitando meu contato e então no momento seguinte sinto que é coisa da minha cabeça quando me deito e ela me abraça se aninhando em mim antes de cair no sono. Porém, isso está me deixando um tanto quanto preocupada porque eu sei que sou bastante carinhosa, mas Regina é bem mais e esse comportamento não se encaixa nela. Não será possível que, após aproximadamente três anos juntas, ela mude tanto.
Peguei meu celular na esperança de alguma coisa dela, entretanto só havia algumas mensagens de parabéns dos meus amigos o que me fez sentir realmente mal. Regina poderia estar super ocupada com as coisas da cidade, mas custava me dar um beijo de bom dia, uma mensagem, um bilhete ou sei lá qualquer coisa que me dissesse que ela não se esqueceu do meu aniversário. Era uma sexta-feira, não é possível que tenha algo tão importante que ela tenha esquecido que dia é.
Depois de comermos, Henry se arrumou para leva-lo á escola enquanto eu me arrumava para o emprego que consegui na delegacia há alguns messes antes. Após um tempo de meu relacionamento com a morena, cuidar de Henry parecia ter se tornado algo descartável já que ele começou a fazer alguns cursos na escola durante a tarde e eu me recusava a receber dinheiro de minha namorada. Então, depois de um tempo trabalhando com Ruby na lanchonete, consegui esse lugar na delegacia que convenhamos não era nada desafiador com a tranquilidade daquela cidade. Porém, era melhor do que ficar em casa sem fazer nada e, além do mais, Graham havia se tornado um ótimo amigo.
— Bom dia, nova mulher de meia idade! — Graham, o verdadeiro delegado, disse ao me ver entrando.
— Seria bom se eu não estivesse me sentindo velha agora com o que você disse e minha namorada não tivesse se esquecido de mim. — Repliquei indo até minha mesa que ficava ao lado da dele e ligando o computador.
— Problemas no paraíso? — Ele perguntou abrindo uma das gavetas de sua mesa.
— Nós mal conversamos para eu saber se existe mesmo um problema. — Suspirei espalmando minhas mãos na mesa e deitando sobre elas.
— Talvez isso possa melhorar um pouco o dia. — Ele disse me fazendo levantar a cabeça e vê-lo de pé na minha frente segurando uma caixa de donuts com um laço vermelho em cima. — Não sei bem do que você gosta além de doces, então comprei umas rosquinhas de presente.
— Ah, não precisava se incomodar. — Agradeci sorrindo levemente e me levantando para abraça-lo.
Passei o resto da manhã comendo rosquinhas enquanto dividia minha atenção entre os documentos que eu montava no computador e meu celular que tomava minha atenção a cada notificação ou toque, pois eu tinha a esperança de ser a morena e infelizmente nunca era.
Quando deu meu intervalo do almoço, engoli meu orgulho e liguei afim de chama-la para almoçar já que o pequeno também comia na escola agora.
"Regina Mills!" Ouvi depois de alguns toques.
"Bom dia, para você também." Respondi de forma irônica.
"Oh, Emma, me desculpe. Eu estou dividida em tantas coisas que atendi no automático." Pude sentir que foi sincera e relaxei um pouco.
"Está tudo bem, mas isso quer dizer que meu convite para o almoço será recusado, certo?" Perguntei torcendo para que ela respondesse que tinha um tempinho.
"Eu queria muito aceitar, mas nem sei se terei tempo de comer algo aqui mesmo." Regina respondeu e murchei novamente.
"Não fique sem comer." Repliquei sem conter a preocupação de sempre.
"Foi modo de dizer, eu prometo pedir que entreguem algo na prefeitura." A morena falou e entortei a boca tentando pensar em algo a mais para dizer, não queria desligar ainda, adorava ouvir aquela voz. Parecia que não a ouvia há dias. "Emma, ainda está ai?" Ela voltou a falar.
"Estou, eu só voei um pouco."
"Cuidado para não cair e se machucar." Regina brincou, rindo em seguida e me fazendo sorrir um pouco. "Olha, eu adoraria continuar a conversar, mas eu preciso mesmo deligar agora." Acrescentou logo em seguida.
Despedi-me e desliguei fechando os olhos, respirando profundamente e apoiando minha cabeça em meu punho cujo o cotovelo se apoiava na mesa. Regina não se lembrou do meu aniversário, mas talvez essa mudança fosse só coisa da minha cabeça e ela só estivesse ocupada mesmo, cada palavra dela ainda me fazia derreter mesmo depois de tanto tempo juntas.
— Temos uma nova xerife na cidade, é isso mesmo? — Abri os olhos com aquela voz animada e conhecida.
Sorri abertamente ao constatar que era Mulan e me levantei indo em sua direção para logo depois abraça-la apertado amenizando minha saudade.
— Não sabia que viria. — Falei ao me afasta e vê-la sorrindo também.
— Eu consegui um dia livre e resolvi fazer uma surpresa.
Fazia meses desde a última vez que a vira, Mulan escreveu uma saga que fez sua carreira deslanchar rapidamente e ter que morar de vez em NY, apesar de ainda ter seu apartamento na cidade, onde ficava quando vinha passar alguns dias.
Acabamos indo almoçar no Granny's, onde a morena foi novamente esmagada, mas dessa vez por Ruby que faltou dar pulos de alegria ao vê-la.
— Estou metralhando informações e mal ouvi sobre você. — Mulan disse depois de um tempo, quando já estávamos no meio da refeição sem a companhia de Ruby que estava muito ocupada e atarefada pelo horário e a concentração de pessoas. — Como estão as coisas? — Perguntou levantando o copo de refrigerante à boca.
— Estão indo. — Dei de ombros abocanhando mais uma garfada do meu macarrão. — Henry está enorme e muito mais esperto, você vai adorar vê-lo hoje à noite. — Acrescentei ao engolir a massa e me referindo a "festa" que eu já a havia convidado. — E trabalhar na delegacia é legal por ter Graham como companhia. Eu te contei que ele deu em cima de mim na primeira semana? — Perguntei fechando os olhos e fazendo uma careta para conter o riso.
— E o que você fez? Tipo, não ficou um clima estranho quando você o recusou ou algo assim? — Mulan perguntou surpresa, pois a maior parte da cidade sabia sobre minha relação com a prefeita.
— Na verdade, eu contei à Regina e ela se mordeu de ciúmes mesmo não admitindo, mas no dia seguinte ela foi me buscar e acabou me beijando na frente dele para que "entendesse o recado". — Falei usando aspas com os dedos nas últimas palavras fazendo a outra rir. — Foi engraçado, ele pediu desculpas no dia seguinte e depois acabou se tornando meu amigo.
— Regina tem mesmo cara de ser do estilo ciumenta, mas achei que era daquelas que fechava a cara e fingia que nada a está afetando. — Mulan comentou rindo.
— E ela é, não sei o que aconteceu nesse dia. — Esbocei um sorriso não muito animado voltando o olhar para a massa em meu prato ao lembra em como esse jeitinho dela havia mudado.
Continuamos a conversar até que deu a hora de voltar à delegacia e minha amiga ficou por lá para se atualizar com Ruby depois de combinarmos de nos encontramos na pizzaria mais tarde, onde eu iria comemorar com todo mundo. Depois do expediente, peguei Henry na escola e o ajudei com o dever enquanto esperava Regina chegar para nos arrumarmos. Porém, estava ficando tarde, então decidimos já ir nos aprontando.
Até que, quando sai do banheiro amarrando meu roupão, vi a morena entrando no quarto apressada, deixando a bolsa e celular em cima da cama, descendo dos saltos e começando a desabotoar a camisa de seda após fechar a porta.
— Estou exausta e extremamente atrasada. — Ela falou baixo ao vir até mim abrindo os botões, depositar um beijo em minha bochecha e logo entra no banheiro.
Não tive muito tempo de dizer algo, mas sorri ao perceber que pelo menos de hoje a noite ela não havia esquecido ou eu pensava que não havia até seu celular tocar enquanto eu colocava uma roupa.
— Amor, seu celular está tocando. — Falei, em um tom mais alto para que me ouvisse apesar do barulho do chuveiro, ao ver a tela brilhar em cima da cama.
— Deve ser da reunião. — A ouvi dizer quando o barulho da água cessou. — Se ligarem novamente, desliga para mim, por favor. — Ela pediu passando de toalha pelo quarto em direção ao closet.
Após alguns minutos, acabou tocando e me estiquei pegando o aparelho que em seguida vibrou com uma mensagem que fez minha garganta se apertar por um segundo e me fazer desejar não ter lido aquilo.
— Meu amor, estava pensando e acho que.... — Regina voltou a dizer saindo do closet, mas foi interrompida por uma Emma que até aquele momento estava paralisada observando a mensagem.
— Por que está mentindo para mim? — Perguntei levantando o rosto depressa e seu rosto foi tomado por um semblante confuso.
— Como é?
— "Emma acreditou na desculpa da reunião?" — Falei o que estava na mensagem levantando a tela para a morena — Essa mensagem é da Katherine. — Disse em seguida e seu rosto parecia ter perdido a cor. Deveria ter boa explicação, certo?
— Não é o que está pensando. — Ela replicou instantaneamente.
— E o que eu estou pensando, Regina? — Questionei largando o celular e cruzando os braços.
— Provavelmente coisas muito ruins e que não tem nada a ver com o que está acontecendo. — Regina respondeu vindo devagar até o outro lado da cama onde eu estava de pé esperando que minhas pernas não vacilassem naquele momento mesmo as sentindo extremamente fracas.
— Então, me diga o que está acontecendo. Pois eu não aguento mais esse seu distanciamento sem sentido e essa falta de dialogo entre nós duas. — Esbravejei a fazendo parar há alguns passos de mim.
— Eu queria muito poder te dizer, mas não posso. — Foi difícil manter meus olhos nos dela mesmo que eu sentisse ou quisesse acreditar que toda a dúvida na minha cabeça não era nada e que eu deveria confiar nela. — Não agora. Sei que ando diferente, mas quero que confie em mim e acredite que não estou fazendo nada de errado. — Regina pediu com aqueles conhecidos olhos arrependidos e chegando mais perto de mim.
— Como posso confiar quando você me esconde algo e mente para mim? — Perguntei.
— Confie porque me ama assim como eu amo você, — A morena falou em um tom baixo colocando a mão direita sobre minha bochecha esquerda e acariciando com o polegar. Fui fraca demais para recusar seu toque e fechei os olhos por alguns segundos mesmo que continuasse de braços cruzados me limitando aquilo. — nós conversamos daqui a pouco, mas eu realmente preciso ir agora. — Acrescentou selando meus lábios e não ousei abrir os olhos até que ouvi a porta do quarto se fechar me fazendo respirar profundamente procurando alguma estabilidade dentro de mim, na qual pudesse me agarrar, para aguentar o restante da noite.
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