Amor por acaso
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Termino de falar e a beijo. Nos deitamos no sofá e ficamos a tarde nos enchendo de carinhos até que Henry ligou para ir busca-lo.
–Ah não...- Resmungo manhosa, fazendo bico, quando Regina desliga o celular.
Ela estava ao meu lado no sofá e eu estava com a cabeça eu seu ombro abraçada a sua cintura enquanto ela me mimava fazendo carinho em meus cabelos.
Já era quase noite e passamos quase a tarde toda naquele clima gostoso que encontramos quando estamos uma com a outra, me levantei uma vez sob protesto par tomar o remédio.
Regina era muito inteligente e conversamos sobre praticamente tudo — menos a vida pessoal, pois achei que seria um assunto delicado para se tocar naquele momento — e a cada conversa ela me fazia ficar cada vez mais encantada por ela.
– Eu sei. Está tão confortável aqui, mas eu tenho que ir buscá-lo. — Ela deu um beijo leve na minha cabeça e se levantou devagar.
Me levantei com preguiça e peguei minha blusa no braço do sofá colocando-a novamente.
Ela subiu, colocou uma roupa e foi buscá-lo.
Permaneci sentada no sofá olhando para tv, mas não conseguia prestar atenção no programa em si. Fique sorrindo feito boba lembrando das últimas horas, mas um pouco triste por não poder beija-la, abraçá-la ou tocá-la quando quiser. Mas eu compreendo o medo dela e não me importo de esperar até que ela já esteja pronta para dizer para as outras pessoas o que nós temos.
Ouço a porta de entrada se abrir e a voz de Henry, todo animado, contando como havia sido o dia na casa do coleguinha.
Corro até ele e o pego no colo, como um bebê, mordendo sua barriga, fazendo ele rir.
– Que saudades do meu pititinho. – Do um beijo em seu rosto e ele sorri.
–Sem esforço Emma. — Mostro língua para a Regina, mas o coloco no chão obedecendo ela, que sorri. Regina é uma implicante mandona, mas adoro isso nela.
– Olha quem fala para eu não fazer esforço. – Digo em tom de deboche e sorrio quando vejo o tom vermelho que suas bochechas adquiriram. Aquele esforço nem se comparava ao da noite passada e ela sabia disso.
Henry abraça meu quadril por ser baixinho e diz:
– Eu joguei videogame com o Arthur, mas não teve graça porque era fácil ganhar dele. Ele não é tão bom quanto você. – Em meio as risadas ele se afastou um pouco olhando para mim – Você não piorou não, não é?
– Melhorei muito, meu bem. – Falei agachando e tocando o nariz dele brincando – Sua mãe cuidou de mim. – Ele e eu olhamos para ela que começou a sorrir e pisquei para ela e me levanto.
– Henry, porque você não vai tomar um banho enquanto eu preparo o jantar?
– Ah não, mãe! – Ele resmunga fazendo bico e eu contenho o riso por lembrar que fiz exatamente o mesmo, pouco antes, para que Regina continuasse no sofá comigo.
– Agora, mocinho. – Ela fala dando tapinhas na bunda do filho e lhe entregando sua mochila.
– Quando você terminar nós podemos jogar vídeo game.
Ao ouvir isso ele parou de se arrastar nos degraus da escada e subiu correndo. O que fez Regina sorrir e me deu vontade de beija-la , mas eu tinha de me controlar. Perguntei se ela queria ajuda na cozinha e assentiu.
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Na sexta eu havia acabado de ler um trecho do livro que Henry havia escolhido dessa vez e logo ele caiu no sono. Tinha um tempo que não lia para ele, mas eu nem me sentia mais doente, apesar da Regina ainda me vigiar para que eu não piorasse, então resolvi voltar a ler.
Me deitei e meu celular apitou, o que me fez sorrir pois eu sabia quem era.
“Já estou com saudades.”
“ Mas você só está a um quarto de distância Kkkk”
Regina passou a me mandar mensagens de boa noite mesmo estando perto, mas eu sabia como ela se sentia. Eu também queria estar com ela – mesmo que todas as manhãs depois de eu deixar Henry na escola, o que eu voltei a fazer, eu chegava na casa e não deixava Regina trabalhar mais de manhã – eu queria poder ficar junto a ela quando me desse vontade, mas era complicado.
Eu estava com saudades do calor do corpo dela porque mesmo que déssemos alguns amassos, seja no escritório dela ou na cozinha, não passamos dos amassos, mas não vou reclamar porque são as minhas horas favoritas do dia.
“Continua longe”
Sorrio ao ver a mensagem.
Me levanto e vou até seu quarto devagar para que Henry não acorde. Abro a porta, sem fazer barulho e a vejo de costas, olhando para o celular, provavelmente esperando uma mensagem minha.
– Agora não estou mais. – Cochicho em seu ouvido e lhe dou um beijo leve no pescoço.
Ela se vira surpresa e abre aquele sorriso lindo que me fazia derreter.
– O que você esta fazendo? O Henry está ali do lado. – Ela cochicha chegando para o lado para que eu me deite também.
– Ele está dormindo e eu vim porque você não é a única com saudades.
Estávamos de lado, uma de frente para outra, tão próximas que ao conversar nossas bocas quase se encostavam. Eu amo ficar vendo aqueles olhos que vivem brilhando, castanhos e intensos que ela tem. As vezes quando o clima fica mais quente entre a gente, ao olha-los, sinto que ela pode expressar tudo que sente apenas com o olhar, sinto como se ela pusesse todo o desejo em seu olhar, sinto como se estivessem em chamas e a única coisa que precisam é de mim.
– Só você para vir aqui mesmo. – Ela põe a mão na minha cintura. – Você linda sabia?
Ela se aproxima, o milímetro que existe entre nós duas, me beijando suavemente. Minha mão foi para o seu cabelo, puxando- a mais para perto, intensificando o beijo. Já podia sentir sua mão avançando para dentro de minha blusa e eu não podia deixar evoluir porque aquela mulher me tirava a sanidade e depois eu não conseguiria parar.
– Regina acho melhor não. – Falo baixo, quebrando o beijo. – Henry está no quarto ao lado e você não é nem um pouco discreta com seus gemidos. – Faço uma cara sapeca segurando o riso e ela estreita os olhos bancando a durona.
– Fala a loira que deve ter acordado os vizinhos no sábado. – Ela fala me provocando, mas acaba sorrindo. – Eu sei que ele pode ouvir, mas... – Ela sobe em cima de mim. – eu estou com saudades. Ou você acha que é fácil esquecer esse seu corpo?
Ela morde os lábios e me da um selinho.
– Você não sabe o quanto você me tira do eixo, não é? – digo enquanto minhas mãos acariciam suas costas. – O que eu mais quero é você, mas...
– Eu sei, meu bem, mas só de ter esses olhinhos esmeraldas aqui comigo eu me sinto ótima.
Dei-lhe um beijo doce e ela deitou sua cabeça em meu peito. Ficamos abraçadas sentindo o calor uma da outra e eu tinha certeza de que não havia lugar melhor do que ali acariciando aqueles cabelos castanho e sentindo as batidas do coração dela de encontro ao meu.
– Quero poder dormir e acordar todos os dias com você, acordar e sentir seu perfume na minha cama, poder sair com você e te beijar quando eu bem entender, mas eu tenho tanto medo. – Regina fala ainda deitada, apertando seus braços em volta de mim, como se para eu não fugir.
Uma das coisas que aprendi nesses últimos dias é que Regina não é nem um pouco dura ou severa, aquilo que ela fingi ser na cidade não chega nem perto de quem ela é de verdade. Ela é doce, amorosa, alegre – daquelas que soltam gargalhadas o tempo todo – gentil e até um pouco dengosa, não dispensa um carinho.
– Mesmo quando não estávamos nessa coisa que temos, eu tinha medo de te perder e esse foi mais um motivo para eu me afastar porque você sabe que não sou uma simpatia de pessoa o tempo todo e tenho uma história complicada, mas o que sinto por você eu quero que saiba que é real, que nenhum dos meus receios em tornar isso público tem a ver com você.
Meu coração faltava sair pela boca com tamanha alegria que eu sentia ouvindo aquilo. Eu sentia que Regina nunca fingiria seus sentimentos, mas ouvir aquilo foi como uma brechinha para finalmente deixar aflorar todo o sentimento que eu nutro por ela. Eu venho expressando tudo que sinto por ela nesses dias, mas eu havia privado um pouco meus sentimentos por medo de não ser real e depois que admitisse o que realmente sinto por ela acabasse me machucando.
– Regina eu...- Ela ergueu a cabeça para focar em meus olhos.
– Antes de falar me promete uma coisa? – Seu semblante era um pouco triste e sério ao mesmo tempo.
Concordo com a cabeça e ela continua.
– Que seus sentimentos por mim não são falsos. É que eu já passei por tanta coisa e mesmo que eu pareça autoconfiante você é uma das únicas pessoas que sabe o quanto sou frágil e...
Não deixo ela termina e rolo ficando por cima dela e enchendo seu rosto de beijos.
Me afasto um pouco e olho para aquela pessoa que me causava os sentimentos mais intensos, confusos e estranhos que já senti. Tiro uma mecha de seu cabelo que estava em seu rosto e acaricio sua bochecha. Seu rosto fica sorridente novamente
– Meu amor, eu te amo.
Seus olhos brilham ao ouvir isso.
– Eu também te amo, minha princesa.
Ela me puxa me beijando com uma ternura tão grande, a qual nunca havia me beijado.
Acordo sentindo cócegas no meu pescoço e logo vejo que é Regina me beijando e sorrio com aquele ar preguiçoso.
– Bom dia, meu anjinho. – Ela sussurra em meu ouvido, me fazendo arrepiar.
– Ótimo dia, na verdade. – Digo sorrindo mais ainda.
Ela estava de bruços com a cabeça erguida me olhando e eu deitada de costas.
– E o que vamos fazer nesse ótimo dia em que você já pode sair de casa? Sabe eu estava pensando em ir naquela praça ao lado da floresta onde tem o parquinho para o Henry brincar e a gente podia ir para a floresta e... O que? Não gostou da ideia? – Ela questiona ao ver minha cara um pouco culpada.
– Eu amei a ideia. Principalmente a parte da floresta, mas eu marquei com as meninas de sair com elas quando eu melhorasse porque faz tempo que não ficamos as três juntas.
Vi a felicidade dela murchar quando falei de meus planos, mas eu queria ver as meninas, mas também queria permanecer ali com ela, o dia todo se possível.
– Tudo bem.
– Não faz assim, minha linda . – Falo acariciando seu queixo – Que tal no domingo quando eu chegar?
– Você vai dormir lá também? – Ela tentou com algum esforço disfarçar o ciúme no tom de voz, mas era nítido seu desconforto.
– Bom... Eu ia, mas vou ver se consigo vir antes para ficar com você. Porque está com ciúmes? – Falei provocando-a.
– Eu com ciúmes?
– Ai meu Deus. A minha baixinha é ciumenta. – Comecei a cutuca- lá rindo, tentando desfazer aquela carranca birrenta que logo se transformou em gargalhadas, misturadas com as minhas. Até que ouvimos Henry bater na porta e nós congelamos, sem saber o que fazer.
– Mãe está tudo bem? – Ele fala ao bater novamente.
Eu estava sentada em cima dela de olhos arregalados e com o coração na boca, ela também estava imóvel com a cara espantada olhando para mim.
– Nós vamos ter que falar alguma coisa. – falo o mais baixo possível para que ela não ouça.
– Eu sei, mas, o que? – Ela pergunta no mesmo tom de voz.
Me levanto da cama e vou até a porta tentando bolar alguma coisa.
– O que você vai fazer? – Ela pergunta se sentando na beirada da cama. Dou de ombros sem saber realmente o que iria fazer.
Abro a porta e ele me encara estranhando.
– Emma?! O que você está fazendo no quarto da minha mãe?
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