Amor por acaso
16 Capitulo 16
Notas iniciais
As meninas haviam chegado.
Ela me olhou novamente e ficamos paradas como se não conseguíssemos nos mover.
– Regina... Eu... – Eu não fazia ideia do que dizer e fiz um esforço enorme para não gaguejar nessas duas palavras.
A campainha tocou novamente
– Depois a gente conversa, suas amigas chegaram. – Diz ela se levantando e alisando o vestido.
**
– Olá garotas, entrem. – Regina fala assim que abre a porta.
– Oi, com licença. – Mulan entra sem jeito e estende a mão para cumprimenta-la – Sou a Mulan.
– Regina, mas você já deve saber. – A morena fala sorrindo e apertando a mão da outra.
– Oi, eu sou a Ruby. Acho que você me conhece, a garçonete do Granny’s. – Fala Ruby que já chega beijando Regina na bochecha toda espalhafatosa e abraçando-a.
Regina olha para mim e faz uma cara de “O que acabou de acontecer? ” E eu ponho a mão na frente da boca para que ela não me veja rindo, eu teria sentido vergonha do jeito da minha amiga, o que a Mulan deveria estar sentindo, mas era engraçado ver a cara de Regina naquela situação. Regina não era o tipo de pessoa que tinha aquela intimidade toda quando se conhecia alguém, diferente da Ruby que era uma pessoa dada e que acabava de conhecer alguém e ela já tratava como se fossem amigos de infância.
– Emma, você está bem? – Mulan vira para mim que estava observando tudo até então.
– Bom, estou melhorando. – Digo a abraçando e logo depois a Ruby. Eu estava morrendo de saudades das duas – Graças a Regina. – Aponto para ela que sorri e põe uma mecha do cabelo atrás da orelha.
– Mas também você é uma criança Emma, não sabe se cuidar direito. – Ela brinca e eu semicerro os olhos para ela.
– Por falar em criança.... Cadê o Henry? – Ruby se pronuncia olhando em volta — Emma me disse que ele é um amor. – Regina me olha e sorri.
– Ele é mesmo, e aprende com a Emma. – Uma tensão meio que pairava na entrada, eu não conseguia tirar os olhos dela e nem ela de mim, até que se deu conta da presença das meninas – Eu vou lá em cima ver porque ele está demorando, fiquem à vontade. – Ela fala quebrando o contato visual e olhando para as meninas, logo depois subiu apressadamente a escada.
– Hmmmmmmm que isso em Emms. – Diz Ruby cutucando minha barriga tentando me provocar o que me faz corar e sorrir.
– Para Ruby.
– Desculpa Emma, mas dessa vez tenho que concordar com a Ruby. O que foi isso que acabou de acontecer?
– Não foi nada. É que.... Eu não sei.
– Mulan me disse que ela estava super fria com você.
– E estava, mas.... Eu não sei, não sei por onde começar, não sei o que exatamente aconteceu hoje e nem o que vem acontecendo desde que fiquei doente. – Passo a mão no rosto, eu estava extremamente confusa com os últimos acontecimentos.
– Bom. Só pelo que vi, em menos de 5 minutos, eu sei o que está acontecendo. – Diz Ruby.
– Na verdade é bem mais complicado do que esse simples momento, mas aqui não é lugar para nós falarmos sobre isso. Vamos para sala e vocês me contam o que andam aprontando.
– Tentando mudar de assunto, não é Swan!? – Mula fala com um sorriso sagaz no rosto e me apresso em leva-las para a sala.
Primeiro, que não tinha a mínima condição de falar sobre aquilo e nem sobre o beijo sendo que a Regina poderia ouvir. Segundo, que eu mesma não sabia o que estava acontecendo ao certo, foi tudo muito rápido essa coisa de achar que não é correspondida em um segundo e no outro a pessoa te beijar e no segundo seguinte as meninas chegaram sem nem ao menos me dar tempo para processar toda aquela situação.
As meninas me contaram sobre algumas coisas cotidianas até que Ruby lembrou:
– Ah! Emma, sabe quem foi na lanchonete perguntar por você? – Balancei a cabeça negando. – Killian.
– O que ele perguntou? – Não tinha interesse nele, mas fiquei curiosa por se tratar de mim de alguma forma.
– Ele me falou que você tinha sumido e perguntou se você tinha filho porque quando te viu você estava com um garotinho mal-educado.
– Eu vi ele na sorveteria e Henry não foi muito com a cara dele, mas também eu não quero mais nada com aquele lá.
– Ele também me pediu seu número...
– Você não passou, não é?
– Na verdade... – Ela olhou para o chão percebendo a bobagem que fez.
– RUBYY...
– Oi meninas. – Henry chega correndo, animado. Já indo de encontro as meninas, que estavam no sofá, para abraça-las.
– Henry, eu já disse para não correr. – Fala Regina vindo logo atrás.
– Então esse é o famoso Henry. – Mulan diz sorrindo para ele.
– Henry essa é a Mulan e essa é a Ruby. – Digo apontando para cada uma.
– Bom, já que se conheceram que tal nós irmos almoçar? – Regina disse e fomos para a copa.
****
Durante o almoço além de vários elogios a comida da Regina por parte das meninas, já que eu e Henry somos acostumados, conversamos sobre tudo em geral. Regina fazia perguntas para as meninas já que não as conhecia muito bem e ela também lhe faziam perguntas, elas no caso a Mulan porque a Ruby estava ocupada demais fazendo palhaças e brincando com Henry. Em certo momento Henry virou o centro das atenções mostrando um truque de mágica que tinha aprendido, eu estava prestando atenção até que senti alguém pegando na minha mão. Era Regina que estava ao meu lado e entrelaçou nossos dedos por baixo da mesa aproveitando que ninguém estava vendo, eu a olhei por ser pega de surpresa e ela me olhava com carinho e sorria, ficamos nos olhando até que as meninas começaram a rir, percebemos que a mágica tinha acabado e voltamos a atenção para eles. Enquanto conversávamos senti como se todos se conhecessem a tempos, Mulan já não se retraia como quando chegou, Regina era linda e simpática como sempre, Henry adorou elas e não parava de nos fazer rir, principalmente Ruby que já estava me deixando com ciúmes com aquela proximidade toda do meu bebê.
– Eu vou levar esses pratos e pegar a sobremesa. – Regina fala se levantando.
– Você quer ajuda? – Pergunto.
– Por favor. – Nós recolhemos tudo e vamos para cozinha enquanto as meninas conversam.
– Elas são muito divertidas. – Regina fala entrando na cozinha.
– Que bom que gostou delas. Acho que Henry também gostou. – Falo pondo a louça na pia logo depois dela e me viro para ela.
– Tenho certeza que não quanto ele gosta de você. – Ela fala pondo a mão em cima da minha que estava apoiada na pia.
Ela olha nos meus olhos e depois para minha boca o que faz com que eu olhe para a dela e a vejo umedecer os lábios. Nos aproximamos, mas dessa vez é diferente porque estou ciente do que está acontecendo e não tão tensa e desnorteada como poucas horas atrás. Ela sobe a mão pelo meu braço me fazendo arrepiar e põe as duas mãos em meus cabelos me puxando para perto e me beijando, fecho os olhos e ponho minhas mãos em sua cintura a puxando para mais perto e colando nossos corpos podendo, depois de tanto tempo, sentir aquelas curvas em minhas mãos.
– Regina... – Falo desmanchando o beijo e ela me olha com aqueles olhos castanhos que me deixam a flor da pele – Tem gente em casa e Henry pode aparecer.
– É você tem razão. – Ela fala se afastando, já me fazendo sentir falta de tê-la tão perto, e passando a mão no cabelo para arrumar.
Pegamos a trota que ela fez e levamos, eles pareciam nem ao menos ter notado nossa demora.
– Mãe depois da sobremesa você pode me levar na casa do Arthur? Minha mochila já esta pronta.
– Levo sim, meu amor. Não está esquecendo nada?
– Só a Emma, mas ela está doente e não pode ir.
– Mas Henry mesmo que eu estivesse bem eu não iria. É uma noite sua com seu coleguinha eu não posso ir também. – Tento explicar.
– Regina ele é muito fofo você não quer que eu cuide dele, não? – Pergunta Ruby que tinha se dado muito bem com ele desde o começo.
– De jeito nenhum ele é meu Ruby. Pode procurar outra criança. – Todos começam a rir do meu ciúme.
– Eu já tenho trabalho com esses dois pestinhas. – Diz Regina se referindo a mim e ao filho. – Imagina com você Ruby.
– Regina acho que você deve ter mais trabalho com a Emma do que com o Henry. – Mulan entra na brincadeira.
– Isso é um complô? – Falo me fingindo de vítima – Não sei porque chamei vocês, daqui a pouco estão falando meus podres para a Regina.
– AH! Obrigada por lembrar. Sabe Regina... A Emma já...
– Rubyyyy. – A olho como se fosse lhe bater com os olhos.
– Calma Emms, eu estou brincando.
– Agora que eu achei que ia saber os podres da Emma? – Henry faz beicinho e todas rimos.
Quando Regina foi levar Henry as meninas decidiram ir embora também e eu fui lavar a louça. Regina ia me encher o saco por mexer com água, mas eu não estava nem aí. Depois subi, deitei na cama e fui ler. Não prestei atenção em nada do que li, só conseguia lembrar dos beijos e sorrir, que nem uma idiota, olhando para o teto. Eu precisava conversar com Regina quando ela chegasse como: o que estava acontecendo o porquê daquilo agora e o que mais viesse na minha cabeça na hora.
Acordo sem ver que tinha pegado no sono, o livro que estava no meu colo estava no criado mudo e eu estava coberta, ou seja, a Regina tinha passado ali. Olho o celular e já são 19:00, me levanto depressa para procurar Regina. Ela não estava no quarto, nem na biblioteca, nem na sala já estava ficando impaciente até que a acho no escritório.
– Trabalhando dia de sábado? – Pergunto entrando devagar.
– São só alguns papéis que estão atrasados. – Ela responde sem tirar os olhos dos papéis.
– Vai demorar muito? – Ela me olha por cima dos óculos e sorrio sapeca.
– Na verdade, pode esperar. – Ela fala colocando-os de lado. – Sente- se, por favor. Eu tenho que conversar com você.
Ela estava séria e vi que o assunto não seria nada bom.
– Aconteceu alguma coisa? – Pergunto me sentando.
– Emma, eu não faço a mínima ideia de como te dizer isso que eu não pense que vá doer de alguma forma. – Ela respira fundo e continua. – Então acho que é mais fácil se eu for direta e sem rodeios. – Eu já estava suando frio temendo o que ela ia dizer. – Isso que aconteceu mais cedo...
– Os beijos?
– Sim Emma, os beijos. Eles não podem se repetir. – Eu ouvi direito? Não era possível que ela estivesse dizendo aquilo para mim. Já podia sentir um nó na garganta. Ela dizia calmamente, inalterada como se aquilo não fosse nada. – Eu sei que foram provocados por mim, me perdoe, mas eu realmente não posso fazer isso, eu não posso...
– VOCÊ ESTÁ FALANDO SÉRIO? – Falo me levantando e já vendo lágrimas se formarem em meus olhos.
– Emma calma eu...
– CALMA? Regina você é louca? Você sabe que tenho sentimentos por você e acha que pode brincar com eles dessa forma e achar que tudo volta a ser antes do que você fez? – Já nem sei o que pensar dela, eu só queria sair dali.
– Emma me desculpe, não quis brincar com seus sentimentos. – Ela se levanta.
– TIVESSE PENSADO NISSO ANTES DE ME BEIJAR. DUAS VEZES. E A DEMENTE AQUI ACREDITAR QUE VOCÊ RELMENTE ERA UMA PESSOA BOA QUE AS PESSOAS JULGAVAM POR NAO CONHECER, MAS AGORA POSSO VER QUE ELAS TÊM SORTE POR NEM SE QUER TE DAREM BOM DIA. – Sei que não deveria falar daquela forma com ela, mas ela havia acabado de pisar no meu coração e eu não ia ficar calada.
– Emma, não fala isso. – Ela parecia magoada, mas ela não tinha o direito de estar magoada, eu estava magoada.
– Você fala e faz coisas constantemente contraditórias, e não quer que eu fique magoada? Me fala pelo menos o porquê disso agora?
– Eu.... Eu não posso – ela diz baixo olhando para o chão.
– Se é assim eu não quero ter que passar por isso.
– O que quer dizer?
– Que eu vou embora. Eu não quero ter que olhar para sua cara nem mais um segundo. – Falo e me viro saindo apressada do escritório enxugando as lágrimas que começaram a cair.
– EMMA, ESPERA. – Eu a ouço, mas continuo andando e a ouço vindo atrás de mim quando estou subindo as escadas.
Eu cheguei no meu, em breve, ex quarto enquanto Regina vinha atrás de mim me pedindo para esperar, mas sem sucesso. Peguei minha mala no closet, abri na cama e comecei a buscar minhas roupas no closet e colocar de qualquer forma na mala enquanto as lágrimas caiam descontroladamente.
– EMMA ME OUVE. PARA COM ISSO. – Regina dizia me observando, enquanto chorava também. – VOCÊ NÃO ENTENDE.
– NÃO ENTENDO O QUE? QUE VOCÊ É UMA MULHER MANIPULADORA QUE GOSTA DE BRINCAR COM O SENTIMENTO DAS PESSOAS? – Falo me virando para ela e deixando a mala de lado.
– NÃO FALA ISSO EMMA VOCÊ NÃO ENTENDE.
– ME FAÇA ENTENDER.
– EU NÃO CONSIGO. É MUITO COMPLICADO.
– Eu tenho tempo, me explique. – Eu controlo a voz, me sento enxugando as lágrimas que não paravam de cair e a olho, mesmo que não merecesse que eu a ouvisse.
– Emma... Eu não sei se consigo. – Ela fala chorando também.
– Tente. Quem sabe você não é uma pessoa inerte aos sentimentos alheios de pessoas que “você se importa” no fim das contas.
Ela respira fundo e tenta enxugar sem êxito as lágrimas que também escorriam em seu rosto. Ela pega a cadeira, que tem na escrivaninha, e se senta na minha frente.
– Bom, Emma. – Ela tenta pegar na minha mão, mas eu tiro e ela suspira. Olha para baixo refletindo um pouco e começa novamente. – Emma, você de alguma forma deve ter percebido que mesmo sendo simpática com as pessoas, o que não é com todas, eu meio que crio uma barreira entre mim e elas. – Ela fala olhando para as mãos como se evitasse me olhar, como se sentisse vergonha do que ia dizer. – Isso é porque eu tenho um certo medo de não ser o que as pessoas esperam de mim, eu já tinha esse medo, mas depois que virei prefeita parece que o trabalho, em ser aceita, fosse o triplo.
– Você fez aquilo porque tem medo de não ser aceita se namorar uma mulher?
– Não só por isso. Eu já namorei uma menina quando era mais nova. Eu tinha 15 anos e minha irmã descobriu e....
– Você tem irmã?
– Tenho, mas deixa eu terminar de falar primeiro, por favor. – Eu assenti e ela continuou. – Bom, minha irmã dizia que me achavam a filha perfeita e que nunca davam atenção para ela e vivia com inveja de tudo que eu fazia. Então, quando ela descobriu contou aos meus pais. Meu pai ficou um pouco confuso, mas minha mãe ficou histérica, ela só não me expulsou de casa por causa do meu pai que disse que iria junto se ela me tirasse dali. Minha mãe acabou por achar que era uma fase então nos mudamos para que eu não tivesse mais contato com a garota e a partir dali minha mãe e minha irmã começaram a me tratar como lixo, como se me repugnassem, e se não fosse por meu pai e por meus tios, que eram contra o que minha mãe e minha irmã faziam comigo, eu acho que não suportaria. – Em certo ponto eu já não sabia se estava chorando por mim ou por ela. – Quando completei 18 anos voltei para Storybrooke para morar com meus tios, que me puseram na melhor faculdade que puderam e tentaram me dar todo o carinho que me foi tirado em 4 anos. Então, eu finalmente parei de me achar um lixo, não totalmente, mas não como antes. Eu acabei me tornando prefeita, mas nunca tive muito contato com as pessoas porque eu tinha, tenho medo. Por isso que eu tinha aquele relacionamento com o Robin. Eu tenho medo que se eu me entregar a você e se as pessoas descobrirem tenham nojo de mim, tenho medo que se Henry descobrir tenha nojo de mim.
Não aguentei e a abracei, eu não fazia a mínima ideia do quão forte Regina tinha sido ao logo de tudo que passou, me fez sentir raiva da irmã e da mãe dela que não deram valor naquela pessoa maravilhosa que ela é, sinto vontade de tê-la conhecido quando éramos mais novas para que pudesse suportar tudo aquilo com ela, para que não precisasse passar por aquela tortura sozinha.
Ela chorava sem parar com o rosto em meu ombro.
– Henry nunca sentiria nojo de você, meu amor. – Falo em seu ouvido tentando acalma-la. – E as pessoas não são como sua mãe, hoje em dia é comum.
Levanto seu rosto e enxugo suas lágrimas, beijo seu rosto.
– Você nunca vai passar por isso novamente porque eu sempre vou estar com você. Sei que está muito abalada com isso então se quiser podemos conversar sobre o que vamos fazer outra hora. Tudo bem?
Ela concorda e me abraça novamente com força e soluçando por conta do choro. Falo para ir tomar um banho para se acalmar e enquanto ela vai, eu também tomo tentando absorver todo aquele estresse. Desço e preparo um chá para nós duas, ao contrário de mim ela preferia café, mas se tomasse café naquela hora não iria conseguir dormir.
Bato na porta com a caneca na mão:
– Pode entrar.
– Eu trouxe um chá para se acalmar um pouco. – Falo entrando.
– Obrigada. – Ela pega e se senta na cama e eu do lado dela.
Ela estava com o rosto inchado por chorar o que eu provavelmente também estava, mas ela continuava linda de pijama.
– Acho melhor você dormir um pouco. – Digo me levantando e indo até a porta.
– Emma, fica. – Eu viro para ela e descubro onde Henry aprendeu a fazer aquela carinha de cachorro que caiu da mudança.
– Você tem certeza? – Ela assente, põe a caneca no criado mudo e se deita em baixo das cobertas. Eu vou até a cama e me deito ao seu lado. Ela apaga o abajur do seu lado e me abraça me pegando de surpresa, mas me deixando de certa forma, mesmo depois de tudo aquilo, feliz por tê-la ali abraçada em mim, quentinha, com aquele cheirinho que só ela tinha, depois de se abrir como nunca tinha se aberto, de confiar em mim como confiava e dormimos.
Fale com o autor