Amor por Acaso

17 O Covil de Hades


Notas iniciais
Escrito com InesAmazona

Em: Cris vamos conversar. Eu preciso te contar umas coisas.

Cris: Me contar que teve casos com suas protegidas? Me contar que teve um caso com Falcão ou que você era um dos policiais na noite do tiroteio contra O CHACAL.

Emiliano sentiu um frio no estômago, suas mãos ficaram frias. Ele passou as mãos no cabelo e fechou os olhos. Sabia que uma hora ou outra iria ter uma conversa dessas com Cris uma conversa com verdades e sendo o mais sincero que poderia.

Cris: E então o que vamos conversar? — falou olhando nos olhos dele, sabia que algo além de Hades o incomodava e já não era de hoje que ela notava isso nele.

Em: Sim vamos conversar sobre tudo, Falcão, sobre o tiroteio, mas agora preciso que venha comigo, Nadi encontrou o local de Hades, ele é mais louco do que pensávamos, seu pai e uma equipe já estão no local, mas quero que venha comigo agora.

Cris: Vamos, irei com você. Nadi encontrou o local como?

Em: Não sei ainda, ela só me avisou que tinha encontrado e que precisávamos ver.

Cris: "Precisávamos", eu e você ou só você.

Em: Cris, olha, o que tive com Nadi, foi bom, mas acabou a muito tempo. Na verdade, nem começou, somos muito diferentes, ela é dominadora demais, eu não sou o tipo dela, se é que me entende! – ele se aproxima dela lentamente, com meio sorriso, queria que ela confiasse nele, queria ela novamente entregue.

Cris: Ela é do tipo que amarra e bate? – sorriu sem deixar a ironia no ar.

Em: Digamos que isso sim, mais ela é mais dominadora que isso. Cris, meu amor, eu tô aqui, e você que eu quero, hum, vem aqui. – ele a puxa e a abraça pela cintura e começa a dar beijos nela.

Cris: Mas ela....- ele não a deixou falar mais, a agarrou colando os corpos e invadiu a boca dela, sua língua abriu caminho sem deixar Cristina respirar.

Em: Quando você quer é uma chata, mas ainda estou apaixonado por você. Agora vem, precisamos ir até o Covil do Hades, mas de antemão aviso, não encontraremos coisas agradáveis.

Cris: E você acha que a chata aqui é Capitã da divisão de crimes graves por quê? Ah claro adoro contos de fadas, onde o mocinho sempre beija a princesa no final, deixa de ser palhaço Emiliano, vamos logo. -ela sai pegando sua arma com o coldre na gaveta e colocando na cintura. – Vai ficar ai parado ou vai me levar ao Covil do Hades.

Emiliano faz um sinal negativo com a cabeça, sabia que ela não deixaria certas coisas baratas. Ele ficou pensando "Será que ela me achou o mocinho dos contos de fadas? " Emiliano você pensa demais. Ele olhava para ela enquanto dirigia, nenhuma palavra entre eles foi trocada durante o caminho. Ela olhou poucas vezes para ele, ela olhou o celular viu o que Aurora mandou sobre o "covil" era realmente de arrepiar, mesmo para ela.

Quando chegaram alguns policiais olharam para a Capitã, como se sentissem um medo, um medo de perder ou mesmo um medo que não sabiam explicar, um deles, um membro do Departamento de polícia estava sendo ameaçado por outro membro, alguém com a mente perturbada. Ela fechou os olhos, respirou fundo e entrou no local onde sua equipe estava juntamente com Falcão e o Comandante.

Com: Ruiz eu não mandei que você esperar para trazer ela aqui, por qual motivo não obedeceu?

Cris: Eu estou aqui Comandante, isso diz respeito a minha vida, estou aqui e pronto.

Nadi: Bom, vamos deixar de mimimi, agora Capitã quero que olhe em volta, tudo aqui se remete a você, nessas fotos, quanto, onde, e com quem estava e o que fazia, partiremos daí para montar a cronologia da perseguição.

Cris: Exato, deixemos os mimimis, nossa nem eu tenho tantas fotos minhas assim. – ela olhava assustada para tudo aquilo.

Aurora: Capitã, fiz o levantamento de pixels e de localização por satélite das imagens algumas dessas fotos são de dois aos para cá, e tem uma em particular que tem mais de uma cópia.

Nadi: Qual delas?

Aurora: Essa aqui! – mostrou a foto de uma festa em que todos do departamento ou boa parte deles estavam. – A foto de quando a Divisão de Crimes graves foi oficialmente criada e a senhora capitã foi transferida para a divisão.

Cris: Mas aqui eu já tinha montado a equipe principal da divisão.

Nadi: Então partimos do suposto que o Hades é da sua equipe ou que já estava na divisão. Mas o que aconteceu nesse dia que chamou a atenção dele em você?

Em: Ele pode ter sido um cara rejeitado ou alguém que você deixou pela sua carreira na polícia?

Rivas: Pode ser alguém que não conseguiu entrar na equipe principal?

Sanchez: Alguém que não foi escolhido.

Amy: Ou alguém que fez de tudo para entrar na divisão?

Cris: São muitos "ou" nessa história.

Nadi: Exatamente muitos "ou". Aqui temos que ter certeza, vidas estão em risco. Pablo pode filmar tudo aqui, quero detalhes nas filmagens para fazer uma análise melhor no laboratório. Capitã pode vir comigo um momento. – Cristina acena com a cabeça, olha para o pai e depois para Emiliano e vai para um quarto com Nadi.

Cris: Isso é a réplica do meu quarto. Agora sim estou com medo do Hades.

Nadi: E deveria mesmo, olhe isso. — ela abre o armário e mostra as roupas penduradas. – São suas roupas? Minha pergunta é onde ele conseguiu?

Cris: Meu Deus!!- ela enche os olhos de lágrimas, seu coração se partiu novamente. – São as minhas coisas que estavam na casa de Sergio, coisas que nunca consegui ir buscar depois que ele morreu. – ela tenta ser forte, mas não consegue, Nadi a ampara para que Cris não caísse.

Nadi: Seu pai me disse que depois da morte de Sergio o pai dele, o senador mandou pegar as coisas do apartamento, mas as suas coisas ele não devolveu por quê?

Cris: Eu não queria, era lembranças que me doíam demais, não queria nada, mas como ele conseguiu pegar?

Nadi: Isso vou saber, já liguei para um assessor do senador, quero saber sobre como suas coisas vieram parar aqui. Tenho uma reunião com o senador amanhã, quer vir junto?

Cris: Não, eu não quero. Tudo em relação a Sergio, não me interessa mais. Eu li os relatórios, vi os vídeos, via as fotos, sei bem o tipo de "policial infiltrado" que ele se tornou. – falou com uma raiva e uma magoa no coração.

Nadi: Ainda bem que não sou a única. Bom vamos para a outra sala, e Cristina, não me leve a mal, eu sou assim, faço meu trabalho, e sobre Emiliano, somos amigos, não "ornamos". Digamos que ele não faz meu tipo ideal.

Cris: Eu sei que faz seu trabalho, e faz bem feito. E sobre Emiliano, ele não o cara que se deixa ser "dominado". – as duas se olham, mesmo em uma situação tensa, começam a rir.

Nadi: Não, não é.

Durante algumas horas eles ficaram ali, colhendo provas, fazendo fotos, vídeos e conversando sobre tudo, o que eles não sabiam que estavam sendo observados, Hades conseguia ver a movimentação de seu carro, a rua estava calma, e por isso ele ficou observando a movimentação em seu Covil, viu quando Cris desceu do carro de Emiliano, sentiu raiva dele por estar perto de sua amada, a queria, a desejava, mas a mataria se necessário para que ninguém mais a tivesse, assim como fez com todos que ousaram tocar em sua amada, ele tirou um por um do caminho dela.

Em: Vem Cris, vamos para casa?

Cris: Vamos sim, mas antes quero conversar com meu pai, me dá um momento?

Em: Claro te espero lá fora. -ele saiu deixando Carlos e Cris a sós. – Mas que cheiro é esse?

Aurora: O cheiro de Hades. – disse ela que estava perto de uma escada olhando para o tablet.

Em: E sabe disso por?

Aurora: Senti esse mesmo cheiro na minha casa antes de ser atacada por ele, estou usando um software para captar o cheiro para saber melhor. É amadeirado, mas tem algo com alvejante.

Em: É tem cheiro de cedro. Algo que já senti também, mas onde?! – ele passou a mão nos cabelos, tinha que lembrar, era um cheiro que sua memória já gravou antes, mas de onde?

Aurora: Cedro e água sanitária, não do tipo comum. Alvejante usados em hospitais militares, que estranho.

Em: Estranho nada, senti esse cheiro a anos atrás quando servi no exército junto com alguns membros da polícia. Aurora, Hades pode ser servido nas forças armadas, podemos partir daí uma busca do departamento e cruzar informações.

Nadi: Que informações? – disse ela chegando perto de Aurora. – Oi docinho, o que tem de novo para mim. – falou sorrindo de maneira sedutora para a hacker.

Aurora: O cheiro que lhe falei que senti na minha casa quando Hades me atacou, Emiliano lembrou do cheiro também, um certo tipo de alvejante usando para limpar hospitais de campanhas, usados por militares, mas o que de achamos a mais é uso de cedro junto com o alvejante.

Nadi: produtos de uso militar é controlado, portanto quem comprou tem que ter registro não só militar, mas uma autorização especial ou caso contrário, vamos verificar se houve algum roubo de material de uso militar. Vamos docinho eu te deixo em casa com segurança. Boa noite Emiliano.

Em: Boa noite meninas. -ele sorri para Nadi, pois sabia das intenções dela.

Cristina e Carlos conversaram por uns 40 min, até que saíram do local, a conversa foi dura, ela sabia que o pai devia mais explicações sobre muitas coisas que ocultara dela, recebeu as respostas que queria ouvir, mas deixou claro que o pai, mesmo sendo o chefe dela não deveria esconder ou ocultar certas informações. Eles se despediram e Carlos pediu novamente que Emiliano cuidasse da filha caso contrário adoraria arrancar a espinha dele fora.

Em: Que mania sei pai tem de querer arrancar minha espinha. Poxa, isso ta ficando incomodo.

Cris: Deixa ele saber que a você fez um filho na filhinha dele. – Emiliano freia bruscamente o carro, sem se importar com o transito.

Em: Como é que é? Você está grávida Cristina?