Amor por Acaso.
46 Medos Íntimos
Notas iniciais
Pietro caminhava rapidamente por entre a luta, que agora estava acontecendo em câmera lenta, pelo menos pela visão dele. O rapaz deu um empurrão no corpo do Capitão, que no momento não surtiu efeito nenhum, mas que depois iria. Ele continuou andando e provocando futuros próximos problemas, pelo meio da luta travada, mas então algo chamou sua atenção.
Ele olhou para o deus trovão, que estava parado em uma posição em que parecia ter lançado algo, foi então que Pietro viu o martelo do loiro, se movendo lentamente na direção lançada, foi aí que teve uma ideia. Ele foi até o objeto e segurou em seu cabo, na esperança de que fosse segurá-lo.
No segundo em que ele agarrou o cabo, tudo ficou rápido novamente, ele foi carregado pelo objeto voador e lançado perto de algumas caixas que estavam no chão.
O Capitão, que antes tinha sido empurrado por Pietro, também foi lançado longe, Steve caiu com um baque surdo, meio confuso e perturbado.
– Mas que merda foi essa? – ele murmurou enquanto se levantava. Mercúrio passou por ele como um flash, novamente derrubando o Capitão, que soltou um palavrão e se levantou num pulo, indo em busca do rapaz.
Tony Stark travava uma luta metálica com Ultron, o barulho de metal batendo em metal era quase ensurdecedor. Os dois sobrevoavam o grande galpão, se golpeando agressivamente, Tony soltava provocações frequentes, que eram devolvidas pelo grande robô, que tinha herdado isso do pai.
Thor já estava com o martelo em mãos novamente, ele foi na direção de Wanda pelos corredores, mas estava difícil de achá-la, pois ela era rápida e sutil, Thor chegou a um corredor mal iluminado e diminuiu a velocidade dos passos, prestando atenção em tudo ao seu redor. A feiticeira apareceu em um rápido relance e lançou um encantamento no loiro, ele tentou desviar rapidamente, e quando voltou a olhar, ela já havia sumido novamente.
– Você acha mesmo que vai conseguir me enfeitiçar, bruxa? — O deus dá um sorriso de deboche e vai andando devagar pelo corredor. – Eu não posso ser manipulado por um simples mortal! Eu sou Thor, filho de...
Mas quando ele dá mais um passo, não se encontra mais onde estava, agora ele anda por um salão grande de pedra, em Asgard, parece estar acontecendo um evento, pois está lotado.
Pessoas por todos os lados, bebendo, comendo, rindo e conversando, Thor vai andando confuso, não se lembrava mais como tinha ido parar ali, parecia uma espécie de sonho esquisito. As vozes falam alto, e o volume aumenta cada vez mais. É quando o loiro começa a ter relances de visões, imagens passam na sua cabeça, confusas e rápidas. Ele vê o planeta terra, vê um vulto grande. A imagem muda, ele vê alguém com uma espécie de luva dourada e incrustada com algumas pedras, brilhantes e coloridas. Mais vozes. De pessoas gritando, gemendo em agonia.
Thor cambaleia tonto, ele fecha os olhos apertado, mas isso só faz com que mais sons e imagens perturbadoras passem em sua cabeça. Dessa vez ele vê o guardião da ponte do arco-íris, a visão muda novamente. Agora ele se encontra dentro de uma caverna, com um poço de água, barulho de trovões invadem o local, ele abre os olhos e está de volta no galpão. Thor cai sentado, suado e ofegante, tudo parece girar.
Enquanto o Deus do Trovão fica com seus devaneios, a feiticeira segue pelos corredores em busca dos tais espiões de Stark, que deviam estar escondidos coletando os arquivos nesse momento. Ela ainda consegue escutar os barulhos de luta vindo de alguns metros, realmente Ultron não gostava de Stark e seus amigos. Então vê uma mulher ruiva e um homem com um arco e flecha, no fim do corredor onde estavam vários monitores.
Wanda solta um sorriso e vai naquela direção, o arqueiro nota sua presença e lança uma flecha, a feiticeira desvia facilmente e continua seguindo. A mulher ruiva vai para cima dela, para uma luta corpo a corpo. Wanda desvia de alguns golpes, e consegue evitar os outros usando seu poder, ela lança uma força sobre Natasha que a joga para a parede, vai até ela e rapidamente lança seu encantamento na viúva, que apenas começa a olhar para o nada e fica sentada no chão onde caiu.
O arqueiro avança para a feiticeira, ela lança seu poder na direção dele, mas Clint consegue evitar e atira uma flecha elétrica na testa de Wanda.
– Nada de malditos feitiços da mente de novo. – Barton murmura, e olha a mulher cair no chão, com espasmos por conta da eletricidade correndo pelo seu corpo.
Ele vai na direção de Natasha, que continua sentada no chão, com um olhar perdido e amedrontado, ele sacode os ombros de Romanoff e chama por ela, mas não adianta, pois ela já está mergulhada e totalmente imersa em seus pesadelos.
Natasha está em uma sala ampla e larga, familiar, ela anda com passos vagarosos e inseguros na direção da grande parede de vidro do outro lado da sala, quando ela chega e olha através do vidro, vê várias meninas dançando balé do outro lado.
– Vamos Natalia! Sem ceder! – ela escuta a voz de uma mulher atrás de si, se vira para ver quem é. Já se encontra em outro lugar, uma sala de treinamentos. Natasha olha para as próprias mãos e percebe que está segurando uma arma, ela olha para frente de novo vê um alvo.
– Ande logo Natalia! – a voz da mulher ecoa novamente, ela tinha meia idade e estava em pé, a alguns metros de Natasha.
A ruiva faz o que lhe parece lógico, e aponta a arma para o alvo. Ela atira até as balas acabarem, acertando todas elas no meio do alvo perfeitamente. De repente, a visão muda, ela sente ser empurrada para baixo, e se vê deitada em uma maca em movimento, um homem andando ao lado, usando jaleco e luvas. Romanoff escuta o barulho de aparelhos apitando, tesouras e objetos de metal tilintando, a maca para de se movimentar, ela olha para o lado e vê uma mesinha com matérias cirúrgicos, sujos de sangue. Uma luz forte em seus olhos, a mulher os fecha.
Quando abre, está na sala de treinamentos novamente, com muitas outrasgarotas, e a mesma mulher de antes. Continua com a arma na mão, a mulher aponta para frente e Natasha olha. Ajoelhado à sua frente, tem uma pessoa com a cabeça coberta por um saco.
– Vamos Natalia, sem espaço para erros. – a mulher fala firme.
Natasha olha para o sujeito ajoelhado, e o que lhe causa mais terror não é o fato de ter que atirar nele, mas o fato de ela querer atirar, e não sentir uma gota de pena, ou remorso. Ela aponta a arma e atira.
O corpo desaba no chão.
A orientadora sorri.
– Muito bom. Rápido e simples.
Natasha olha para o corpo apagado, e vê uma fina linha de sangue começar a escorrer pelo piso, saindo de dentro do saco que tampa a cabeça do sujeito. O sangue vai percorrendo as linhas do chão e se aproximando dos pés dela, a ruiva recua, tentando evitar o contato com o líquido. Ela passa a mão pelo próprio rosto e percebe que suas mãos estão ensanguentadas.
– Droga... – sussurra. Natasha tenta limpar as mãos esfregando uma na outra, mas não adianta, ela começa a ficar perturbada.
Tudo parece girar, e ela desperta com Clint a sacudindo pelos ombros.
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