Tava uma linda manha quando acordei — numa manha de sábado — com a luz do sol entrando pela janela do meu quarto que possuía quase todas as mobílias brancas. A minha cama era de ferro e da cor branca, havia uma penteadeira branca com um estêncil floral nas gavetas, encostada na parede havia uma cadeira de balanço rosa clara, encostada na parede ao lado de minha cama havia uma delicada escrivaninha branca e um espelho na parede, em cima da escrivaninha estavam alguns CD’S e DVD’S, as paredes eram brancas com desenhos florais azuis claros e o piso era branco.

Espreguicei-me na cama e senti em minha pele o tecido dos lençóis enrugados. Levantei logo de minha cama e tratei de logo ir tomar um banho frio. Logo após fui vestir-me para dar uma volta na casa de Camila que era a minha melhor amiga, assim eu poderia aproveitar melhor o sábado do que ficar em casa.

Sai do banho e fui me vestir. Demorei um pouco para decidir que roupa eu iria vestir, ate que decidi por uma calça jeans escura e justa, blusa vermelha escura e uma sandália preta com prata. Desci as escadas e fui para a cozinha preparar o meu café da manha. Quando desci as escadas meu pai Thiago já havia ido para o trabalho.

A cozinha não era muito grande, mas também não era pequena. Havia uma geladeira branca, ao lado havia um armário grande preto com branco, próximo à outra parede um fogão branco de seis bocas e a pia feita de mármore escuro e no meio da cozinha havia uma mesa grande, o piso e as paredes eram brancas.

Eu morava apenas com meu pai, sou filha única pelo o que eu saiba. Meus pais se separaram quando eu tinha menos de um ano, minha mãe foi embora para outra cidade para morar com outro homem e me deixou com meu pai. Ela sempre mandava um cartão de aniversario e às vezes de natal, mas no cartão nunca dizia nada sobre ela, apenas me desejando felicidades. Quando criança eu sempre ficava na expectativa de que ela voltaria, mas com o tempo comecei a odiar ela por ter me deixado, eu não sabia como ela era, pois quando ela foi embora Thiago queimou todas as fotos que tinha dela.

Como eu sou? Sou o tipo de garota que se apega facilmente às pessoas, me magôo facilmente e acredito na maioria das vezes em tudo o que dizem, defendo os meus objetivos, tento fazer o possível para não demonstra quando estou triste ou irritada. Sou magra, cabelos castanho escuros quase pretos, são compridos e um pouco ondulados, olhos verdes, pele clara,1,65 de altura e tenho 17 anos.

Após terminar de tomar o meu café com torradas, peguei as chaves do meu carro- um Fiat preto que já estava um pouco velho, talvez tivesse uns 7 ou 8 anos mais ou menos-Entrei no carro e fui direto para a casa de Camila onde eu almoçaria e passaria toda à tarde conversando. Camila morava a alguns quilômetros de distancia da cidade.

Chegando lá no mesmo momento em que eu desci do carro Camila veio me receber. Entramos na casa, eu cumprimentei Tânia a mãe de Camila que estava próxima à escada, depois fomos direto para o quarto dela e ficamos conversando sobre o baile que ocorreria no de fim de ano, que no momento era o assunto preferido de Camila nas ultimas semanas e assim continuaria sendo ate que passasse o dia desse baile.

- Tem tanta coisa que ainda falta resolver—Disse Camila alongando-se como uma gata empolgada no chão.

Camila era a minha melhor amiga, nos conhecíamos a muitos anos, na verdade nos conhecíamos desde o jardim de infância. Ela sempre teve um gênio um pouco difícil, mas sempre foi uma ótima amiga mesmo nos duas sendo completamente diferentes uma da outra em tudo principalmente em como reagíamos a alguma situação. Ela estava vestindo um short preto, blusa branca e um chinelo preto. Camila sempre foi uma garota bonita, magra, cabelos castanhos claros, lisos e compridos, olhos castanhos claros, um pouco mais alta que eu, pele morena clara e também 17 anos.

- Eu sei—Falei não muito empolgada.

Eu não gostava muito de festas e bailes, então por esse motivo eu não estava tão empolgada quanto Camila estava.

- Já escolheu o seu vestido?—Com um sorriso no rosto ela me perguntou.

Camila adorava ficar conversando sobre o baile de fim de ano, para ela talvez esse fosse um dos dias mais importantes da vida dela. Eu não entendia muito bem do porque esse baile era tão importante para a maioria das garotas da minha idade.

- Ainda não, mas ainda falta muito tempo—Eu estava sentada no chão de pernas cruzadas.

A verdade é que eu nem pretendia ir nesse baile.

- Podemos ir à cidade ao lado para escolhermos, dizem que tem muito vestido lindos por lá.

- Podemos sim—Concordei.

- Compraremos os vestidos mais perto do dia, assim ele não vai ficar todo amassado—Continuava ela animada.

Nos duas ficamos conversando sobre muitos outros assuntos toda a tarde. Já era quase noite quando eu sai da casa de Camila. Eu voltei dirigindo pela estrada principal, como já estava tarde eu resolvi pegar um atalho por uma estrada sem asfalto, talvez assim eu chegaria antes de meu pai. A estrada que eu havia pegado estava completamente vazia.

Sem querer eu atropelei um animal que passou correndo pela estrada e eu não consegui vê-lo muito menos desviar dele. Parei imediatamente o carro para ver se o animal havia morrido e se o carro havia sofrido algum estrago. Sai do carro e olhei em volta, mas não havia nenhum animal, olhei na frente do meu carro que estava amassado, mas não havia sangue, apenas um enorme amassado na frente. Escutei um barulho alto e estranho vindo do lado da floresta, ma assustei, corri rapidamente para entrar no carro, pois não tinha certeza de que animal era, mas antes de chegar ate a porta, alguma coisa veio rápido demais e me empurrou para trás, me jogando no chão, não consegui ver o que havia me empurrado, estava escuro e ainda no chão vi uma sombra vindo em minha direção, me levantei e corri em direção as arvores gritando por socorro, talvez tivesse alguém por perto que pudesse me ajuda, talvez alguém me escutasse.

O animal seguia atrás de mim, olhei para trás, mas não consegui ver que animal estava me seguindo, apenas o que consegui ver foi à sombra do que me seguia. Parecia que o animal estava brincando comigo, porque pelo o que eu pude perceber o animal parecia ser bem mais rápido do que eu. Ele poderia me alcançar quando quisesse.

Eu já estava cansada de tanto correr por entre as arvores, tropecei e cai, me levantei e continuei correndo desesperada, quando me bati de frente com um homem, eu teria caído novamente no chão se ele não tivesse me assegurado firmemente com as duas mãos, olhei assustada para ele que também me olhou de um jeito estranho.

Ele era jovem, aproximadamente 18 anos, era musculoso, alto, cabelos pretos como a noite, pele clara, não dava para ver a cor dos olhos dele. Ele estava vestindo uma calça jeans escura, camiseta preta, tênis branco com preto. Eu estava assustada e não conseguia parar de chorar e muito menos conseguir falar, o garoto me olhava fixamente como se já me conhece e estivesse assustado por me ver.

- Você esta bem?—perguntou ele finalmente depois de analisar cada centímetro do meu rosto. A voz dele era grave e suave, ao mesmo tempo dava para perceber que ele estava preocupado.

Ele continuava me assegurando, abri a boca para falar, mas nenhum som saiu.

- O que aconteceu? Você esta bem?—Ele continuava tentando me acalmar e entender do porque eu estava assustada, ele também estava preocupado comigo.

- Não—Tentei respirar fundo—Tem algum animal me seguindo—Ele me soltou com cuidado e olhou em volta enquanto eu tentava fazer com que a minha respiração voltasse ao normal.

Eu não conseguia parar de chorar e minha perna doía, eu havia machucado a minha perna quando cai. O que me seguia não se parecia com nenhum animal que eu conhecia.

Senti a sensação que havia alguma coisa nos observando.

- Tem alguma coisa ali?—Falei apontando para o local.

Eu olhei para o garoto, percebi que ele já estava olhando naquela direção antes mesmo de eu ter percebido, mas ele não estava apenas olhando e sim encarando o animal que eu não conseguia ver de um jeito estranho, como se o garoto fosse a qualquer momento atacar o animal que me seguia, ao mesmo tempo parecia que ele estava com raiva.Olhei novamente para onde provavelmente o animal estaria.

- Ele já foi embora—anunciou ele.

- Como você pode ter certeza?

- Acredite, ele já foi- respondeu sorrindo para mim.

Eu não entendi porque o garoto estava tão calmo e do porque aquele animal ter parado de me seguir quando viu o garoto próximo a mim. Quem era aquele garoto?

- Que animal era aquele?—Eu estava um pouco assustada e com medo de que o animal voltasse, mas já estava mais calma que antes.

- Talvez um lobo—Ficamos alguns minutos em silencio apenas olhando um para o outro. Eu estava realmente admirada com a beleza dele, mesmo sem poder ver a cor dos olhos dele—Você se machucou.

- Eu estou bem—Ele percebeu que eu ainda estava assustada.

- Você esta sangrando na perna—Como ele sabia, não dava para ver se estava sangrando e nem eu tinha tanta certeza disso, fiquei surpresa—Você esta de carro?

- Estou sim

- Vou levá-la ate o seu carro—Apenas concordei com a cabeça.

Fomos andando devagar pela floresta, a minha perna continuava doendo, o garoto sempre estava me olhando como se estivesse pronto para me proteger se algo acontecesse.

- Por que você esta aqui à uma hora dessas?—Perguntei para ele para tentar quebrar o silencio que estava.

- Você tem sorte de eu estar por perto para salvar a sua vida- Disse ele com um tom de graça e um sorriso no seu rosto que me deixou alucinada- Eu moro aqui perto—Falou dessa vez com um tom normal—Mas e você, o que faz por aqui a uma hora dessas?—Perguntou ainda sorrindo.

- Eu estava na casa de uma amiga e agora estava voltando para casa—Eu tropecei em um galho e me desequilibrei e quase cai, mas o garoto estava pronto para me ajudar, me assegurou antes que eu chegasse ao chão.

- Tudo bem?—Perguntou me fazendo voltar a posição normal, voltamos a caminhar.

Eu estava cansada, precisa descansar. O garoto percebeu o meu cansaço então paramos próximos a uma grande pedra e me sentei nela.

- Que bom que você estava por perto—Ele me olhava—Eu não sei o que eu teria feito se você não tivesse aparecido, talvez há essa hora eu tivesse...

- O importante é que você esta bem—Me interrompeu ele que parecia não ter gostado do que eu estava preste a dizer que eu poderia ter morrido.

Mesmo com tudo o que havia acontecido naquela noite, eu não estava mais com medo. Com aquele garoto por perto eu não estava mais com medo, era como se ele tivesse espantado os meus medos, eu tentava evitar olhar para ele por causa da beleza impressionante que ele possuía, mas a imagem do rosto dele já estava gravada em meu pensamento e cada vez que eu olhava para ele o meu coração acelerava, em meus pensamentos imaginei que a cor dos olhos dele fosse escura.

Fiquei sentada na pedra descansando por mais ou menos cinco minutos e depois seguimos andando.Alguns segundos depois foi ele que resolveu quebrar o silencio.

- Ta tudo bem com você?- a voz dele parecia uma linda melodia, era angelical a voz dele, mas também era firme e segura.

- Ta sim, porque?

- Seu coração ta acelerado.

- Como você sabe?—Estranhei, como ele poderia saber que o meu coração estava acelerado?Não acredita que estava acelerado o suficiente para ele escutar.

- Sabendo—Ele voltou a ficar em silencio.

Enxerguei as luzes ligadas dos faróis do meu carro, finalmente eu havia chegado ate lá. Paramos na frente do meu carro onde com as luzes deu para eu ver que ele era mais lindo do que eu havia visto no escuro e dessa vez eu consegui ver a cor de seus olhos que eram azuis, tão azuis quanto o mar, eram de um azul extremamente lindo e impressionante, eram de hipnotizar qualquer um, ate mesmo a mim. Quando os nossos olhos se encontraram o meu coração acelerou de um jeito que nunca havia acelerado antes. Ele abriu um sorriso.

- Muito obrigado—Finalmente eu consegui dizer alguma coisa.

- De nada—Ele ainda continuava sorrindo—Apesar o meu nome é Caleb Desrocher—O sorriso que ele tinha o deixava mais lindo do que ele já era.

- Bianca Turner—Ficamos nos olhando e parecia que o meu coração iria pular para fora de mim—Mais uma vez obrigado pela ajuda.

- Como eu já disse, não foi nada—disse ele sorrindo, eu fui em direção a porta do carro e ele me seguiu—Talvez nos vejamos por ai.

- Espero que sim—Entrei no carro e ele fechou a porta para mim, eu abri o vidro.

- Tenha cuidado na estrada e não pare por nada ate chegar em casa, nem mesmo se atropelar novamente algum animal—dessa vez ele estava serio.

Não vou parar- prometi a ele—Obrigado e tchau.

- Tchau Bianca—Disse se afastando do carro.

Acelerei o carro e fiz o que prometi a Caleb, dirigi sem parar ate chegar em casa. Eu estava tão cansada que fui direto para a cama dormir.

Notas finais
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