Amor ou Ódio?
3 Capítulo III - Perdidos
Ciel acordou no sofá da sala com a TV ligada em um canal onde só havia um barulho e o preto e branco, desligou o aparelho e voltou sua atenção ao loiro que ainda dormia calmamente encolhido no outro canto do móvel.
— E novamente, eu sou o primeiro a acordar... – Sussurrou o conde para si mesmo com um breve sorriso no rosto.
O moreno levantou, cobrindo o outro com um cobertor que havia ali e dirigiu-se para a cozinha, procurando entre os armários algo que pudesse ser cozinhado sem causar incêndio na mansão, assim que abriu a geladeira achou o que procurava. Comidas geladas: tortas, sucos, sorvete... Como não pensaram nisso antes?
Ele arrumou a mesa com o que achou que pudesse servir melhor de café da tarde foi até o maior, que ainda dormia.
— Hey... Hora de levantar. – Ele chamou.
Nada.
— Levante logo, vamos. – O menor o cutucou.
Novamente, absolutamente nada.
— Pare de bancar o morto e anda logo. – Ciel o puxou, fazendo-o cair no chão.
— Ai! Já acordei caramba!
— Claro, depois disso eu acho que seria meio difícil continuar dormindo! Ok, eu achei algo que podemos comer e que não é miojo.
— Sério? Legal, então vamos lá. – O loiro saiu arrastando o pequeno pelo pulso até a cozinha.
...
Ambos encontravam-se no jardim, eram seis da tarde, o sol ainda batia fraco em suas faces e eles estavam sentados em um banco qualquer dali observando o nada.
— Tão... Entediante. – Alois.
— Então vamos fazer algo.
— Pois é, que tal um passeio? A floresta aqui não é perigosa e tem uma cachoeira por perto, podemos ir ver antes que escureça. – O maior deu a ideia.
— Certo, vamos lá então. – O conde saiu seguido pelo outro.
Andaram durante um bom tempo em uma trilha cercada por árvores e folhas caídas pelo chão onde a claridade diminuía constantemente a cada passo, estava ficando tarde, finalmente chagaram à cachoeira, a água cristalina que caía do alto de uma rocha e despencava até chegar a um pequeno lago estava gelada.
— É realmente bonito aqui, mas, e agora? Voltamos ou ficamos um pouco? – Ciel.
— Bem, eu até ficaria, mas está ficando escuro e logo não vamos poder enxergar o caminho de volta. – Os olhos claros estavam ficando difíceis de ver em meio aquele breu que se formava.
— Sim, melhor irmos mesmo, aliás... Eu já não estou vendo quase nada.
— Para ser sincero, somos dois, mas espere aí, lembrei de uma coisa. – O loiro puxou um isqueiro do bolso e o acendeu, iluminando parcialmente o local.
— Melhorou, vamos.
Depois de uma hora de caminhada sem sentido que não os levou em lugar algum o menor já estava ficando desconfiado.
— Você se perdeu não é? – O moreno o fitou.
— MAS É CLARO QUE... Sim. Foi mal, eu quase nunca saio de casa, e acho que esqueci do caminho que eu pegava pra vir aqui. – Ele falava quase chorando.
— Hey, acalme-se, não é tão ruim assim... A gente vai sair daqui, o máximo que pode acontecer é passarmos a noite neste lugar, aliás, você é o mais velho, não deveria entrar em pânico. – O conde tentava acalmá-lo.
— Tem razão... Obrigado. – O maior sorriu. — Agora vamos tentar achar a saída daqui, não pode estar tão longe.
...
— “Não pode estar tão longe” repete isso de novo agora que andamos por mais três horas! – Ciel.
— Ok, agora que andamos tanto não podemos estar mais longe que estávamos antes. – Disse o maior sentando-se ao lado do outro.
Alois fechou os olhos, descansando um pouco, mas logo foi desperto por um pequeno ataque de tosse que atingia o mais novo que já dormira. Ele tocou a testa do conde e o resultado foi certo, febre.
— Ciel, acorda... – Trancy.
— Hun? Que foi...? – Ele disse sonolento e tossindo um pouco.
— Vem, temos que voltar pra casa logo.
— Não podemos dormir um pouco? Estou com sono...
— Não... Você pode dormir assim que chagarmos em casa. – Alois o pegou no colo.
No caminho tudo o que o maior pensava era em tamanha raiva que sentia de Claude, de Sebastian... E de si mesmo, pois foi ele quem os mandou pra algum lugar desconhecido, claro, estes poderiam estar os observando agora mesmo, mas do que adianta se não vão ajudar em nada?
O loiro mal conseguia andar mais, estava cansado, mas finalmente chegara ao seu objetivo. A mansão Trancy. Agora teria outra coisa pra se preocupar... Ciel Phantomhive.
— Agora você já pode dormir. – Alois.
— Você parece preocupado... O que houve? – O menor tentava manter-se acordado.
— Não é nada, apenas descanse um pouco.
Ele saiu do quarto, deixando o pequeno sozinho.
Alois on
Preparei um chá medicinal que achei em uma das prateleiras e levei para o Ciel. Só espero que ele melhore logo... O cobri com um cobertor e fui dormir, afinal, também estava morrendo de sono.
Alois off
Já era de manhã e o primeiro a acordar, por raridade, era Alois, que foi até o quarto do outro e bateu na porta, como ninguém atendeu, este resolveu entrar e deparou-se com o jovem conde em um sono leve.
— Kawaii... – O maior sussurrou. — Hey, Shieru, está se sentindo melhor?
O moreno acordou e sentou-se na cama, esfregando os olhos.
— Ohayo... Estou sim, pelo menos eu acho. – Ciel.
— Que bom! – Ele abraçou o pequeno.
— E-ei, não é só porque estou melhor que minhas costelas não se quebram mais se ficar esmagando elas.
— Ata, desculpe. – Disse o loiro o soltando.
— Tudo bem... Obrigado por se preocupar comigo.
— Não há de que! Aliás, é legal ter alguém com quem possa se preocupar...
— Você sabe ser legal Alois, deveria fazer isso mais vezes. – O conde sorriu.
— Kawaii! Tirando o comentário que eu vou fingir que levei como elogio, você fica muito fofo quando sorri.
— Eu sorri? Hum... Nem vi.
Depois de mais um tempo de conversa fora e pequenas discuções que no final acabavam por gerar risadas e brigas com o travesseiro, os dois foram ver TV. “Desocupados e entediados” é a descrição perfeita no momento! Mas, o que poderiam fazer além de comer, jogar xadrez, ver televisão, dormir, comer,...? No final era apenas mais um dia de tédio. Claro, isso não ficaria assim por muito tempo...
— Certo, vamos jogar algo idiota, eu falo uma palavra e você diz algo ligado a ela. – Trancy.
— Ok.
— Tédio. – O loiro começou.
— Hoje. – Ciel disse quase que ao mesmo tempo em que o outro terminou de falar.
— Hoje... Ontem.
— Ontem... Floresta.
— Perdidos. – Alois.
— Baka.
— É você! – O maior parecia uma criança de cinco anos fazendo birra.
— Ta bem, chega dessa brincadeira antes que alguém comece uma briga aqui.
Silêncio, algo que gera uma raiva interna inexplicável...
— Hey, vamos até a cidade, Shieru? – Alois.
— Mas não é meio longe? Vamos como?
— A pé, não é tão longe assim... Pode ser divertido passear um pouco, e o caminho da cidade eu não me perco.
— Está bem... Vamos lá então. – O moreno levantou-se.
— Legal! – O maior pareceu satisfeito, levantando-se também e correndo até a porta.
Saíram de casa levando apenas dinheiro e um agasalho, já que o dia estava frio e o céu deixava cair alguns flocos de neve. Começaram a caminhar sem dirigir uma única palavra ao outro, mas logo surgiam alguns comentários...
Continua...
Notas finais
Comentem se quiser, isso deixa uma autora muito feliz o/
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