TOBIAS

Zeke abriu a porta para mim, e ao ver meu estado não disse nada, apenas me levou até o sofá e aguardou o meu desabafo.

Contei tudo a ele, do beijo até as suas últimas palavras, que como flechas atingiram em cheio o meu coração.

Ouvir da mulher que você ama, que você destruiu a vida dela, que o único que merecia o amor dela é o atual ex, ou sei lá a condição dos dois agora, e o pior que doía nela ter me amado mais do que o ama, foi arrasador.

Eu sei que eu errei, que a nossa história poderia ser diferente, mas não posso apagar o passado. Será que ela nunca será capaz de me perdoar? Será que ela não consegue perceber que um amor igual ao nosso, não acontece todo dia? Sei que o nosso amor é único e se ela não voltar para mim, jamais vou sentir isso novamente.

_Eu não sei mais o que fazer Zeke, eu ...sinto tanto a falta dela. – Não aguentei mais segurar as lágrimas, e não tinha vergonha do meu amigo, ele mais que todos sabe como eu sofri todo esse tempo sem ela.

Não que eu tivesse a esquecido, mas já tinha me acostumado a viver longe dela, a conviver com a dor, mas com ela tão perto de mim sinto que meu coração está parando aos poucos. Eu preciso dela, eu a quero de volta, mas ninguém pode amar sozinho né?

–Calma cara. – Falou enquanto apertava meu ombro. – Eu sinto que ela te ama, só que ainda está magoada demais para perceber, eu presenciei o que vocês tiveram e sei que foi intenso, tudo foi muito intenso, a forma como se conheceram, o início do namoro, tudo. É por isso que deve ir com calma.

Eu não falava nada, só refletia as palavras do meu irmão. Poderia até desconfiar que as palavras dele não eram verdadeiras, mas ainda tinha esperança de que ela ainda me amasse. Não dá para esquecer um amor assim, dá?

_ Acha mesmo que se ela não te amasse o idiota do namorado dela ia deixar o caminho livre tão fácil assim? – Perguntou sorrindo. – O otário já sabe que perdeu sem entrar no jogo. – Gargalhou.

Só o Zeke para melhorar o meu astral. Não consegui conter o sorriso que apareceu entre as lágrimas.

Nesse momento Shauna apareceu na sala toda feliz e se jogou no sofá ao meu lado.

_Como estou boazinha hoje vou fazer bolo de chocolate para você. – Disse enquanto me cumprimentava com um beijo na bochecha.

_Assim não vale amor, pro Tobias você cozinha né? – Falou Zeke enciumado.

_ Sabe Zeke, se eu não amasse tanto a minha princesa, eu roubaria a Shauna de você. – Ele bufou enquanto Shauna gargalhava ao meu lado.

_Ah falando na Tris, estou morrendo de saudade dela. Conversei com a Christina e ela ficou de marcar uma Luluzinha pra gente matar a saudade.

_Aproveita e vê se ajuda seu amigo que já não aguenta mais ser maltratado. – Ela fez uma cara de dó e sorriu.

–Veja pelo lado bom Quatro, quando ela voltar para você, porque ela vai, você vai pensar mil vezes antes de fazer burrada e agir com a cabeça de baixo. – Me lançou um olhar mortal e virou para o Zeke. – Isso serve para você também ok.

_O que eu tenho haver com isso? Zeke perguntou com os olhos arregalados.

–Nada, mas serve de lição.

...

Cheguei cedo no trabalho não queria ver a Tris ainda. Sei que eu não tenho direito de ficar com raiva dela, mas poxa eu tenho um coração e por mais que eu mereça, dói ouvir suas ofensas.

Fiquei ocupado a manhã inteira, e como tinha que ir até a construção verificar a obra e passar algumas ordens, acabei almoçando na rua.

Voltei no fim do expediente, muitos já tinha ido embora. Me encontrei com o Theo e o mesmo me disse que o pessoal ia para um Happy Hour em um pub perto da empresa.

Estava tão estressado que aceitei o convite.

Minha surpresa foi encontrar Tris sentada na mesa junto com o pessoal sorrindo como se nada tivesse acontecido ontem à noite.

Assim que cheguei ela me avistou e sua expressão mudou. Mesmo que isso seja ruim, fiquei um pouco aliviado, pelo menos minha presença surgia algum efeito nela.

Éramos ao todos umas oito pessoas, sentei um pouco longe da Tris, mas nossos olhares sempre se cruzavam. Como no grupo sempre tinha um intrometido, Theo resolveu abrir a boca.

_E aí Tris você que conheceu o Tobias na faculdade, conta pra gente, ele já tinha esse jeitão de pegador e fazia sucesso com as gatas? – Era só o que me faltava, Tris o olhou constrangida, corando com sua pergunta, por um lado foi bom lembrar que ela ainda cora, mas por outro foi bem desconfortável.

Quando todos já a encaravam, ansiosos pela reposta ela respirou fundo e tentou manter firme a voz, mas eu a conhecia bem para saber do seu desconforto.

_Sim, ele já fazia sucesso. Ele tinha até um fã clube, acho que nunca faltou mulher na sua cama. – Sua voz transbordava ironia.

Escutei um “Humm” do Theo e dos outros caras enquanto eles me olhavam como se eu fosse o cara. Só que eu não me orgulhava daquela parte da minha vida, e Tris foi bem injusta na sua resposta já que o meu último ano eu passei apenas com ela, tirando claro o imprevisto com aquela doida da Nita.

Eu senti obrigado a limpar a minha imagem e falei sem imaginar o rumo que a conversa poderia levar.

_Não pessoal, não foi bem assim. – Falei chamando mais a atenção pra mim. – Eu confesso que por um tempo eu levei uma vida de solteiro desregrada e sem compromisso, mas isso foi até eu conhecer o amor da minha vida. – Nesse momento nossos olhos se cruzaram e ela parecia mais tensa, acho que com medo deu entregar nosso passado. – Eu passei o melhor ano da faculdade junto com a mulher que mais amei na vida e ainda amo. Por ela eu encontrei uma razão para mudar quem eu costumava ser.

_ Uiuiuiu...temos um cara apaixonado aqui minha gente. – Falou uma das arquitetas que trabalhava junto com a Tris, não lembrava o nome dela. _ Pelo seu olhar tenho certeza que aprontou alguma coisa para merecer um pé na bunda.

Ok isso ficou constrangedor. Tris estava sem reação, só reagiu ao ouvir a última frase da sua colega.

_Ele fez mais do que merecer Samantha. – Respirou fundo tentando manter a postura de indiferença que ela sempre vestia para me atacar. – Aliás Tobias quando você amar de verdade não julgará necessário visitar a cama de outra mulher.

A desgraçada sabia como me afetar. Eu já estava possesso de raiva, odiava vê-la duvidando do meu amor, não me perdoar era uma coisa, dizer o que eu sentia ou não era covardia.

_ Só eu sei o que eu sinto. – Eu disse com fúria enquanto olhava bem no fundo dos seus olhos. – Eu não posso mudar o passado, mas já cansei de viver nele Tris. Não posso obrigar ninguém a me perdoar, eu sei o que eu fiz, estou tentando consertar, mas parece que é ela que não me ama mais.

Senti o clima tenso, todos nos encaravam, com dúvidas e suspeitas, mas ninguém ousou dizer nada.

Não queria expor nossa relação assim, mas ela começou, e eu perdi a cabeça.

Vi seus olhos marejados, mas ela de alguma forma evitou que as lágrimas caíssem, já que o seu sobrenome era Orgulho.

Ela pediu licença e disse que ia até o bar.

O Theo sorriu torto e disse enquanto dava um tapinha nas minhas costas:

_Como eu disse antes, você está ferrado. – Sorriu sem graça tentando aliviar o clima.

– Você que vai se ferrar se não calar a boca.

Ele riu e o pessoal mudou de assunto, ninguém me perguntou nada, nem quiseram confirmar suas suspeitas, eu agradeci silenciosamente por isso.

Queria pedir desculpa a Tris, não pelo que eu disse, mas por ter dito na frente de todos. Sabe a expressão “roupa suja se lava em casa”? Pois é ela nunca fez tanto sentido quanto agora.

Olhei para o bar e não a vi, resolvi ir até o banheiro primeiro, antes de procura-la, precisava jogar uma água no rosto e esfriar a cabeça um pouco.

Os banheiros ficavam num corredor afastado e pouco iluminado.

Quando entro no corredor bato de frente com alguém e ela não cai porque eu a seguro nos meu braços.

Não foi difícil saber quem era a tal pessoa, já que só de encostar em sua pele eu já sentia a corrente elétrica correndo nas minhas veias. E seu perfume anestesiava o meu corpo já em chamas.