Amor ou Ódio?
13 Capítulo XIII
Notas iniciais
Os dias passaram rápidos, mais rápidos do que nunca. Passou inverno, primavera, verão e outono, passaram-se os meses, terminou o ano que veio e o que chegou também, datas foram celebradas e lembranças ficaram para preencher as memórias de quem as presenciou.
O relacionamento dos jovens acabou por vir a público, o que foi um obstáculo realmente difícil de vencer no momento, já que para a época, isso jamais seria visto com bons olhos. Mas apesar de tudo, assumiram de vez o namoro...
“Namoro”, ainda soava tão estranho para Ciel uma palavra como esta. Logo ele, que perdeu quem mais amava tão cedo, estava reaprendendo a amar.
Uma pessoa de alma tão corrompida teria este direito? Já não lhe importava mais, se fosse para continuar feliz assim por agora, arderia nas chamas no inferno pela eternidade depois. Faria isto pelo loiro, pois sabia que esse faria o mesmo por ele.
Ciel remexeu-se na cama, a claridade incomodava seus olhos que logo se abriram à procura da fonte dessa luz.
— O café da manhã está servido, bocchan. – Sebastian apresentou-se, sorridente como de costume.
O mordomo havia aberto a janela, limpado o quarto e trazido um verdadeiro banquete numa única bandeja, a qual o conde pôde pôr no colo e desfrutar de diversas iguarias.
— Onde está Alois? – Perguntou, estranhando o fato do maior ainda não ter vindo lhe desejar bom dia ou dar sinais de vida.
— Saiu logo cedo, não o vejo desde então. – Deu de ombros.
O de olhos azuis estranhou, não era do feitio do outro sair sem avisar. Na verdade, não era do feitio dele sequer sair... Ignorando tal fato, levantou-se, tomou um banho, vestiu-se e escovou os dentes, respectivamente.
Esperou durante longas e intermináveis horas, o garoto parecia ter sumido do mapa. E, diga-se de passagem, Ciel começava a ficar preocupado.
Quando o menor parecia pronto para sair em busca de Alois, eis que a porta se abre.
— Finalmente! Onde você esteve? Já é quase de tarde, sabia? – Exclamou.
— Você fica uma gracinha quando está irritado. – Trancy sorriu.
— Idiota, pensei que algo havia lhe ocorrido... – Disse.
— Eu estou bem. Mas, tenho uma surpresa e acho que ela não deve ser contada aqui. Venha comigo. – O loiro o arrastou pelo braço.
Eles saíram da mansão e caminharam por entre algumas árvores até chegar à beira de um lago cristalino. Ali, na margem, havia uma toalha de piquenique estendida com petiscos e vinho.
— Você quem preparou isso? – Perguntou o mais novo, surpreso.
— Eu não saio de casa antes do sol nascer à toa, neh? – Riu-se.
Ambos sentaram-se e observaram um pouco o lugar. Tudo estava silencioso, apenas o canto dos pássaros ecoava ao fundo. Aquele era um raro dia de sol, parecia um verdadeiro momento de “conto de fadas”.
— Então, qual era a tal surpresa? – Disse.
— Ah, sim... Um minuto. – O outro pareceu ficar receoso.
Um tanto atrapalhado, procurou uma pequena caixinha no bolso da camisa e a abriu, revelando uma aliança dourada cravejada com pequenas pedras azuis.
— Bem... Uhn... Você quer casar comigo? – Alois parecia prestes a desmaiar de tão corado que estava.
Alguns segundos sem nenhuma reação fez o loiro praticamente ter um colapso e desistir, até que o outro se pronunciou.
— Hey, pra quê tanta timidez? É claro que quero. – Ele riu e o abraçou.
— Ora, Shieru, eu pensei que diria que ainda é cedo pra isso. – Admitiu.
— Até é... Mas, o que vai mudar? É apenas um jeito mais formal de dizer ao mundo que você é meu e visse versa. – Argumentou ele.
— Se for pensar por este lado. Mas, podemos decidir logo onde seria nossa lua de mel? – Sorriu malicioso.
— Não aprendeu a pensar em outra coisa, não? – Ciel.
Eles riram um pouco e conversaram sobre o que viria a seguir, organizaram em suas mentes tudo o que pretendiam cumprir e divertiram-se com as ideias insensatas que tiveram.
Quem diria que duas pessoas tão opostas, tão erradas, poderiam chegar tão longe? Poderiam tornar-se um casal?
Ao final das contas, descobre-se que o destino muda, surpreende mais do que poderíamos sequer sonhar em imaginar. Se isso é bom ou ruim? Aí vai de cada um.
Para Alois Trancy e Ciel Phantomhive, não poderia ser melhor...
Fale com o autor