Amor ou Ódio?
10 Capítulo X - De volta ao lar, ou quase isso
Notas iniciais
Era fim de tarde. Alois foi o primeiro a abrir os olhos, a energia elétrica havia voltado. O loiro andou até a janela e abriu uma fresta, espiando por entre esta os estragos causados pela tempestade. Tinha parado de chover, mas o céu ainda estava nublado. Ele voltou-se para o conde, que ainda jazia deitado em sono profundo.
— Shieru... Você disse para que eu te acordasse quando servissem o jantar. – Trancy o cutucou.
— Eu posso morrer de fome por mais algumas horas, me deixa dormir. – Balbuciou Ciel, fazendo bico.
Era simplesmente adorável vê-lo agindo de maneira tão infantil. Tão adorável que o maior não resistiu e roubou-lhe um beijo, curto e simples, mas que fora retribuído pelo moreno.
— Agora acordou, neh? – O mais velho riu.
— Ora, cale a boca... – Ele levantou e foi até o banheiro lavar o rosto.
— Se quiser jantar, sugiro que coloque uma roupa decente... Mas acho que você fica bem mais bonitinho assim. – Alois sorria travesso.
Só então Ciel notou que estava apenas com a parte de baixo do conjunto de um pijama qualquer (provavelmente, estava tão cansado que se esquecera de colocar a blusa). O conde corou rapidamente e pegou a primeira roupa que avistou, se trancando no banheiro e saindo logo em seguida, já vestido.
Ambos desceram as escadas e foram até a sala onde serviriam o jantar. Estavam mortos de fome (e a comida do hotel era muito melhor do que as coisas que eles vinham tentando preparar na mansão, afinal).
Quando finalmente retornaram ao quarto, o loiro se pronunciou:
— Então... Agora que a tempestade parou, vamos voltar para casa?
— Provavelmente, pela manhã. – Afirmou o menor.
— Que pena, apesar de tudo, aqui foi divertido. – O outro sorriu de canto.
— Sim. Mas temos compromissos a cumprir. Aliás, me admira o fato de que aqueles mordomos infelizes não tenham dado as caras ainda.
— Pois é.
Assim, o silêncio tomou conta. Então, os garotos arrumaram as malas, ajeitaram o quarto e separaram as roupas do dia seguinte. Ciel ficou lendo, enquanto Alois o observava com um ar distraído e curioso.
— Você não cansa? – Perguntou o conde.
— De quê? – O outro arqueou uma sobrancelha.
— De ficar parado, me olhando.
— Não. – Ele riu.
O Phantomhive fechou o livro e sentou-se de frente para Alois.
— O que foi? – O Trancy se assustou.
— Eu demorei tanto tempo pra perceber... É incrível como pude ser tão lerdo. – Ciel riu pelo nariz.
— Tudo bem. Antes tarde do que nunca. – O loiro abriu um largo sorriso e logo foi surpreendido com um beijo, não muito longo, mas profundo e inesperado o suficiente para lhe tirar o fôlego.
–-x--
A manhã chegou logo. Os jovens saíam do hotel junto de suas bagagens, assim como vários outros hóspedes. A viagem fora tranquila, ambos conversaram sobre todos os acontecimentos ocorridos nos últimos dias (que não foram poucos) e antes que notassem estavam em casa.
Ciel on
Sentei-me no sofá, observando a mansão. Era engraçado admitir, mas me acostumei com este lugar, assim como me acostumei com Alois e suas loucuras, com a rotina sem horários e todo o resto. Mas logo as coisas voltarão ao normal eu estarei sozinho com Sebastian, um mordomo akuma que nem se deu o trabalho de mandar explicações sobre sua saída inesperada.
Senti alguém tapar meus olhos e sussurrar ao meu ouvido as palavras “adivinha quem é”. Sorri de canto.
Ciel off
— Estamos sozinhos aqui, quem mais seria? – Arqueei a sobrancelha e ele deu de ombros.
— Não sei... E se um ladrão misterioso tivesse invadido a casa e te feito de refém? –A imaginação do mais velho era impressionante.
— Em primeiro lugar, nenhum ladrão tamparia meus olhos e diria isso. – O moreno argumentou.
— Podia ser um estuprador, um maníaco, vai saber. – Riu o outro.
— Você pensa em cada coisa... Acho isso bem improvável, mas como nossa vida toda foi feita de improbabilidades, só me resta concordar. – Disse o conde, por fim.
Ambos foram para a cozinha, pegaram o que havia de mais simples para ser preparado e cozinharam. Também conversaram (e brigaram) durante a refeição, por isto, mais tarde tiveram de limpar a bagunça causada pela pequena discussão durante a mesa (afinal, todos fazem guerra de comida de vez em quando).
A lua cheia já iluminava o céu na hora em que eles foram descansar, o único barulho vinha dos animais noturnos que saíam em busca de suas caças e tudo parecia tranquilo, até demais...
Então, um estalo foi ouvido no andar de baixo.
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