Amor ou Ódio?
9 Capítulo IX - Seus pervertidos!
Notas iniciais
Eram cinco da manhã, logo estaria amanhecendo e nenhum dos jovens havia dormido ainda. Ciel Phantomhive finalmente decidira, com muito custo, voltar ao quarto. Abriu a porta e deparou-se com o loiro ainda acordado, fitando o teto. O barulho fez com que Alois o notasse e tivesse uma reação um tanto surpresa.
— Err... Oi. – O maior sorriu torto.
— Oi. – O conde desviou o olhar, um tanto envergonhado, sentando-se em sua cama.
— Não vai passar a me ignorar, vai? Porque eu não quero isso. Pode até fingir que nada aconteceu, mas não vá embora, por favor... – O tom de voz deste era trêmulo.
— Baka, seria impossível fingir que não aconteceu, mas também não pretendo ir.
— Então? Isso quer dizer o quê? – Uma ponta de esperança voltou a existir para Alois.
— Eu não sei. – O moreno deu de ombros, saindo porta a fora novamente.
Mas desta vez, o outro o seguiu, segurando-o pelo pulso e colocando-o contra a parede, fechando qualquer rota de fuga.
— O que pensa que está fazendo? – Ciel fitava qualquer canto ou lugar, mas evitava encará-lo.
— O que você acha?
Alois sorriu de uma forma maliciosa e lambeu sua bochecha, rindo.
— O que foi? – O menor perguntou.
— Nada, é que você tem um gosto bom...
O comentário fez com que o conde corasse levemente e revirasse os olhos. Alois aproximou-se, beijando-o sem nenhum aviso, mas foi correspondido. Separaram-se lentamente com o olhar fixo um no outro, pensamentos invadindo suas mentes sem cessar.
Parecia que o loiro falaria alguma coisa, mas bem na hora um forte trovão invadiu os céus, o barulho estrondoso assustou-os de imediato. Riram de suas caras de espanto.
— Pensei que o teto cairia sobre nossas cabeças. – Ciel riu pelo nariz.
— É, então... Retomando o que estávamos fazendo...
Em poucos minutos ouviram algumas batidas na parede e uma voz de meia idade gritando “Vão dormir seus adolescentes pervertidos!”. O loiro apenas respondeu um educado “Vá se ferrar” e ambos riram, voltando para o quarto.
Ficaram se encarando em silêncio por um bom tempo, finalmente começara a amanhecer, mas o dia não clareava. A chuva continuava a cair e a falta de energia era incômoda, pois enxergavam muito mal naquele escuro.
— A vela já está no fim, melhor eu ir buscar mais. – O conde comentou, pegando esta e dirigindo-se ao corredor.
— Espere, não quero ficar sozinho aqui! – O outro correu para alcançá-lo e os dois foram procurar a recepção.
Chegaram ao local, procurando por uma atendente ou algum outro funcionário. Parecia não haver ninguém ali, até sentirem algo cutucá-los pelas costas e uma risadinha, o que causou-lhes um arrepio na espinha. Viraram-se rapidamente e encararam ninguém menos do que...
— Olá. – Um homem de cabelos longos e cinzentos que cobriam os olhos, sorriso perturbador e vestes negras apresentou-se.
— Undertaker, certo? O que você está fazendo aqui? – Ciel.
— Vejo que o conde lembrou meu nome... Fico lisonjeado. Eu vim lhes trazer um recado.
— Que recado seria? – Alois se conteve dessa vez, e não se deixou fazer nenhum comentário a mais.
— Claude e Sebastian passam bem, estão tratando de alguns assuntos que vão além de suas compreensões. Em breve estarão de volta. – Terminou de explicar.
— O que? Só isso que disseram?! E enquanto ao contrato? Esse desgraçado verá só uma coisa quando retornar... – Por incrível que pareça, o loiro estava calmo, quem ardia em chamas de raiva era Ciel.
Enquanto o maior tentava acalmá-lo, o homem que chegara há pouco tempo desaparecera sem um ruído sequer e sem vestígios também. Ambos lembraram-se do seu objetivo: achar uma vela e voltar para o quarto. E foi mais simples do que esperavam, havia um pacote de velas em cima do balcão (na verdade, a dificuldade foi apenas achar o balcão naquele breu todo).
Após tropeçarem em alguns degraus da escada e entrarem nos quartos errados por não enxergarem os números na porta muito bem, eles conseguiram descansar um pouco... Mas o pequeno detalhe esquecido foi que era dia.
— Hum... A gente ta perdendo o café da manhã, neh? – Alois resmungou meio dormindo.
— Me acorde quando servirem a janta... – O conde virou-se para o lado e dormiu.
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