Amor ou Ódio?
1 Capítulo I - O começo
O dia estava calmo e o sol já brilhava, acordando os pássaros e outros animais que por ali viviam. Não passavam das oito da manhã na mansão Phantomhive e já podiam ser ouvidos passos rápidos nos corredores.
— Já disse, não vou passar um mês inteiro lá! – O garoto de treze anos parecia de mau humor para com a notícia que recebera há pouco...
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Um café da manhã tranquilo e sem interrupções, era tudo o que Ciel Phantomhive desejava naquele momento, mas, por ironia do destino, um comunicado de última hora veio lhe aborrecer. Por um motivo não especificado da rainha, conde e mordomo teriam de passar um mês na mansão Trancy.
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— Lamento bocchan, suas malas já estão arrumadas e estaremos de partida em três minutos. – Sebastian o pegou no colo, levando-o até a carruagem que os aguardava no portão.
Enfim estavam dentro do veículo, sentados, o conde observava a paisagem com uma expressão séria e quase irritada, nunca se dera muito bem com Alois Trancy, e agora teria de aturá-lo por longos trinta dias.
Pensamentos preenchiam o silêncio daquele pequeno espaço, que depois de quase duas horas de viajem para em frente a uma enorme e bela mansão cuja deveriam passar o tempo que a rainha lhes havia ordenado. Desceram do veículo e observaram rapidamente o lugar.
— Ciel! – Certo loiro de órbitas azuis piscina praticamente se jogou contra o mais novo, abraçando-o.
— Olá Alois. Poderia parar de me esmagar desse jeito? – Ciel disse se desprendendo dos braços do outro.
— Por favor, me acompanhem, irei lhes mostrar seus quartos. – Claude Faustus.
— Claude, leve Sebastian ao quarto dele, deixe que eu mesmo mostre o do Ciel. – Alois sequer deu tempo para o outro responder e já saíra arrastando-o pelo braço.
Passaram reto pela porta da frente, dirigindo-se aos lados da casa, que tinha um jardim extraordinariamente bem cuidado, com diversas espécies de flores.
— Esse caminho não é mais longo...? – Ciel.
— Sim. Por isso estamos vindo por ele. – O loiro sorriu.
— Hum.
Caminharam em silêncio por algum tempo até Alois se pronunciar.
— Ciel... Você me odeia?
— Que? Não... Bem, não sei. Acho que apenas você sabe ser um tanto irritante às vezes.
— Ah, entendo... Tipo assim? – Alois pegou o tapa olho de Ciel e saiu correndo.
— Trancy! Seu idiota, deixe de ser infantil e volte aqui! – O menor tentou alcançá-lo.
— Se quiser de volta vai ter que pegar. – Ele continuava a correr.
Depois de pelo menos meia hora de perseguição, o conde conseguiu recuperar seu pertence e recolocá-lo. Ambos estavam exaustos e acabaram por sentar no chão por alguns minutos para descansar um pouco.
— Baka, me fez correr sem parar por nada... – Ciel disse, retomando o ar.
— Você é quem deveria parar de agir como um velho rabugento e fazer mais exercício. – Alois sorriu de canto.
— Hmpf. Bem, eu já descansei o suficiente, podemos continuar?
— Claro. Mas só se você me ajudar a levantar.
— Está bem... – Ciel suspirou e pegou na mão do outro, mas este logo tratou de puxá-lo, derrubando-o contra si.
— E-ei! O que pensa que está fazendo? – O menor corou levemente um pouco irritado, fazendo o loiro rir.
Alois levantou-se e puxou Ciel para que se levantasse também. Caminharam sem uma única palavra até a entrada dos fundos e percorreram corredores e mais corredores da mansão, até pararem em frente a uma porta, que o mais velho logo tratou de abrir.
— Seu quarto. – Alois.
O cômodo tinha as paredes num tom azul bem claro, quase branco, o chão de madeira bem polida. Uma cama de casal com colcha branca de detalhes cinza e uma mesinha com um abajur ao lado. A imensa janela com cortinas brancas tinha uma vista privilegiada para parte do jardim e a floresta.
— Obrigado. É bem espaçoso até... – O conde deu uma boa olhada no local.
— Com licença, o almoço logo será servido. – Claude apareceu na porta do quarto, informando-lhes e se retirando logo em seguida.
— Ahh... Estava tão legal passar esse tempo a sós com você, Shieru. – Alois sorriu malicioso, fazendo o outro corar ligeiramente.
— Não vejo qual seria o motivo de tal comentário. – Ciel.
— Não vejo como diz isso, assim, tão facilmente... Será que não percebe Ciel... – O loiro se aproximou do ouvido do mais novo e sussurrou. — Eu gosto de você.
— Q-que?! – O conde se afastou rapidamente, corado. Fazendo o outro rir.
— Venha logo, o almoço nos espera. – Ele saiu, seguido pelo menor.
Foram até uma sala onde apenas havia uma enorme mesa, cercada por várias cadeiras e variados tipos de comida que agradavam os olhos de quem as via. Sentaram-se frente a frente e comeram em silencio.
Ciel on
Foi apenas impressão ou Alois ficou me fitando durante toda a refeição? E o que foi aquilo no quarto?! Com certeza está querendo me enlouquecer isto sim! Eu não vou entrar nos joguinhos dele de jeito algum.
Ciel off
Após o almoço a mansão teve alguns momentos de tranquilidade, com cada um em seu cômodo, perdido em seus próprios pensamentos, viajando no tempo e deixando as mais diversas lembranças rondarem a mente. Uma pena que para o jovem conde Phantomhive isto nunca dura muito tempo. Três batidas rápidas na porta, é o que foi ouvido, seguidas de outras várias batidas.
— Entre. – Disse ele sentando na cama.
— Olá, Shieru. – Alois entrara no quarto, sentando-se no colo do menor e passando seus braços pelo pescoço do mesmo.
— Trancy! – Ciel o empurrou.
— Ai... – Ele ao cair no chão, um pouco frustrado. — Se é assim... Estou indo.
—Por que veio aqui? Não me diga que foi apenas para isso?
— Ah, sim... Já estava me esquecendo. O que acha de uma partida de xadrez?
— Hum... Parece que aprendeu a falar a minha língua. – O pequeno abriu um leve sorriso.
...
Um jogo lento e demorado, para alguns, entediante, para eles, uma das coisas mais interessantes que poderiam ser feitas no momento.
— Como esperado do conde Phantomhive, me venceu. – Alois sorriu brevemente.
— Você também não é tão ruim assim...
Alguns minutos em silêncio logo causaram desconforto em ambos.
— Hum... Já é quase hora do jantar, neh? – O mais velho tentou puxar assunto, nem que fosse o mínimo.
— Sim...
Novamente os milhões de pensamentos ocuparam o lugar, sendo interrompidos por Sebastian.
— Bocchan, o jantar estará sendo servido em breve e Claude pediu para lhes falar. – Com uma reverencia, o mordomo saiu.
— Vamos? – Alois.
— Sim.
...
Há esta hora, todos dormiam em seus cômodos. Porém, o sono dos mais novos da casa estava um pouco turbulento. Pesadelos e lembranças se misturavam em um sentimento de angustia, ódio e dor para aqueles dois, que, quase ao mesmo tempo despertaram do sono leve em um único susto e alívio ao mesmo tempo, por finalmente ter acordado.
Ambos levantaram e dirigiram-se até a cozinha em busca de um copo de água, mas, como estavam no completo escuro acabaram por esbarrar um no outro...
— Alois, se não estivéssemos de madrugada em uma cozinha no escuro, eu diria que você está se aproveitando disto de propósito. – Ciel comentou ao perceber que o maior caíra, justamente ficando por cima dele.
— Não posso discordar disto, de certa forma. – Ele se levantou e puxou o outro, ajudando-o a ficar de pé também.
— Obrigado. Aliás, não me diga que teve sonhos ruins?
— Ah, então quer dizer que o jovem conde Phantomhive andou tendo pesadelos esta noite também? – Alois.
— Ok, então fomos dois... – Ciel.
— Hum... Shieru, eu ainda estou com medo daquele pesadelo, o que acha de ir dormir comigo? – O outro fez bico, manhoso como uma criança.
— Q-que?! Eu não. – O menor se afastou rapidamente.
— Hmpf. Sem graça.
Cada um foi para o seu quarto e deitou, mas quem disse que algum deles dormiu?
Alois on
Ciel Phantomhive... O que será que ele faria se soubesse que estava realmente falando sério todas essas vezes? Provavelmente iria embora e nunca mais olharia na minha cara, como é de se esperar. Afinal, eu sou Alois Trancy, não é? Não tenho muita sorte nessas coisas...
Alois off
O resto da noite se consistiu de um sono leve para todos. E logo o sol começava aos poucos a brilhar, dando vida aos seus primeiros raios de luz. Nove horas, o mais tarde que o conde acordara nos últimos anos. Alois Trancy também se espantou ao ver a hora, mas não era de se estranhar já que ele tivera uma noite de quase insônia.
Os mordomos já haviam despertado desde cedo, posto a mesa, arrumado a casa, e feito todos os seus afazeres. Alois e Ciel se arrumaram e desceram quase que ao mesmo tempo, o que era até de se surpreender.
— Bom dia, Shieru. Dormiu bem? – O loiro disse irônico, pois ambos estavam com olheiras.
— Ora, cale a boca Trancy. Não estou afim dos seus joguinhos hoje. – Ciel.
— Não dormir bem realmente te deixa com um péssimo humor, não é?
— Hmpf.
Terminaram de descer as escadas e foram tomar o café da manhã, que mais era um banquete. Não disseram uma única palavra, e nem precisava ser dita, naquele momento pareceu desnecessário. Algum tempo depois e já estavam em seus quartos, o tédio reinava completamente. Também, o que poderia ser feito numa manhã de sábado?
A porta do quarto onde se encontrava o conde Phantomhive se abre e a figura loira de olhos claros entra sorridente.
— Cielzinho! – Quando o loiro o chama assim, coisa boa não vem.
— O que você quer desta vez? – O outro já estava pronto para fugir dali.
— Calma, não precisa me tratar assim... Eu apenas queria matar o tédio assistindo a algum filme, terror, de preferência. – Os olhos azuis piscina piscavam repetidamente enquanto ele fazia bico para que o conde aceitasse o convite.
— Dispenso. – Curto e grosso.
— Ahh... Não vai me dizer que está com medo?
— Eu não vou cair nesse seu joguinho, não tenho medo dessas coisas. – Ciel.
— Por favor, Shieru! Prometo... Hum, o que eu poderia prometer? – Ele pareceu pensar um pouco. — Ah, sim. Prometo que nunca mais te chamo de “Cielzinho”, sei o quanto odeia isso...
— Já é um começo, está bem... Eu assisto a um filme de terror com você.
— Legal! – Alois o abraçou, derrubando-o no chão.
— Eu preferia que tivesse prometido não ficar me jogando no chão toda vez que faz isso!
— Tarde demais, vamos! – Trancy saiu arrastando o menor pelo pulso.
A sala já estava com todas as janelas cobertas, deixando tudo quase que um completo breu. Uma grande televisão instalada na parede dava inicio ao filme. Alois e Ciel sentaram-se no sofá com um pote de pipoca ao lado, se não vivessem brigando e não estivessem em uma enorme e luxuosa mansão poderia se dizer que aquilo era uma típica sessão de filmes de terror entre amigos.
Depois de horas de filme e sustos, o único que parecia realmente com medo era Alois, que praticamente esmagava o braço de Ciel de tanto apertá-lo. O conde não sabia se tentava escapar ou se simplesmente ria da situação do maior.
— Sério que você está com tanto medo assim? – O mais novo disse, segurando-se para não rir.
— M-medo? Eu? Nunca, claro que não! – Ele gaguejava um pouco.
— Ah, claro. Então não se importaria se eu te deixasse aqui sozinho pra ir até a cozinha buscar um pouco de água, não é? – Ciel já estava se levantando quando o outro segurou seu pulso.
— Eu... Também estou com sede. Vou junto com você.
Os dois foram até a cozinha, que também estava escura, mas os olhos já haviam se acostumado então não tiveram dificuldade em conseguir andar sem esbarrar um no outro, como na noite passada...
— Aliás, onde anda o Sebastian? Não o vejo há um tempo, isso é raro... – Ciel.
— Eu mandei que ele e Claude achassem o que fazer até segunda ordem, já que não vamos precisar deles por um tempo.
— Você o que?! Ah, deixa pra lá. É que eu ia dizer que talvez tenha sido algum deles quem fez o barulho de agora pouco, sabe... De algo caindo.
— C-como assim? Eu não ouvi nada. – Alois.
— Não? Pensei que havia escutado, foi relativamente alto o som causado, depois pensei até mesmo que você fosse se assustar e ir ver o que era. – Um pequeno sorriso quase diabólico começava a surgir no rosto do menor, ele estava adorando a situação.
— T-tem certeza do que ouviu?! Se isso for mentira eu te mato!
Alois nem notara e o conde já havia saído dali sabe-se lá pra onde, o que causou arrepios no loiro, que logo começou a procurá-lo como louco.
Assim que passou por uma porta entreaberta, esta se abriu, e detrás dela saiu Ciel que deu um “pequeno” susto em seu, por assim dizer, amigo.
— Ahh! Quer me matar do coração?! – Trancy.
— Considere vingança por muitas coisas que você já fez.
— Hunf... – Ele ainda estava um pouco trêmulo.
Quando o conde foi abrir as cortinas, notou algo que no mínimo o surpreendeu. Estava de noite!
— Trancy, esse filme tinha quantas horas de duração?! – Ciel.
— Eu sei lá, umas sete?
— Por que diabos pegou um filme tão comprido assim?!
— Bem, já que você disse que só iria assistir um, eu pensei que era melhor pegar o maior que tivesse só pra garantir... – Alois.
— Eu mereço... Estou indo pro quarto dormir se não se importa. – Disse ele se retirando.
O conde foi até o quarto, tomou um banho e se trocou. Quando estava prestes a deitar e dormir (ou ler alguma coisa, de preferência) a porta foi aberta e fechada rapidamente.
— Olá. – Adivinha quem veio dar o ar de sua graça novamente?
— E agora? O que houve? – Ciel disse num suspiro.
— Bem, toda vingança tem um preço, e agora que você me deixou com medo eu vou dormir aqui com você. – O loiro disse sentando na cama, ao lado do outro.
— Que?! Saia logo daqui e vá dormir Trancy.
— Acha mesmo que estou brincando, Shieru? Quem mandou ficar me dando sustos daquele jeito, agora vou ter que passar a noite aqui.
— Ok, se você quer passar a noite aqui problema seu, mas eu não vou. – Ele dirigiu-se até a porta, colocando a mão na maçaneta e girando-a para abrir, porém, sem sucesso.
— Não adianta, eu tranquei e a chave está num lugar onde, pelo menos eu acho, que você não se atreveria a tentar pegar.
— Argh. Pare com isso e destranque logo a porta Trancy! – Ciel.
— Não. E vê se para de ser tão manhoso, é tão ruim assim dormir no mesmo quarto que eu?
— No quarto talvez não, na cama já é outra história!
— Só se você tiver a mente muito poluída, bem, escolha, cama ou chão. – Alois.
— Chão!
— Ora deixe disso! Deite logo e durma ok? – O loiro se aconchegou na cama.
— Alois Trancy, agora é oficial... Eu te odeio. – Ciel deitou-se também, virado para o outro lado e fechou os olhos, com o intuito de dormir.
— Eu não te odeio... – O outro sussurrou e pegou no sono.
Finalmente uma noite tranquila e bem dormida.
Continua...
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