Amor impossível
25 Final
Notas iniciais
POV Chaves
Depois que a Chiquinha se foi, nós nos abraçamos e choramos juntos, mas o que mais me preocupava era o pai dela, como dar a notícia pra ele? Depois de muito tempo chorando juntos, o médico que nos levou à sala onde ela estava pôs a mão no meu ombro e perguntou com a voz firme:
–Você, que é o namorado dela, sabe como entrar em contato com o pai dela?- ele me perguntou.
–Sim, eu sei.- eu disse, chorando muito, dei o número do telefone do Seu Madruga com dificuldade, o médico pegou o telefone na recepção e telefonou para o Seu Madruga.
POV Seu Madruga
Já fazia vários dias que a Chiquinha sumiu, a polícia ainda está procurando por ela, estou na minha lendo o meu jornal em casa, quando escuto o telefone tocar, esperando ser uma notícia da Chiquinha, atendi o telefone rapidamente:
–Alô?- eu disse.
–Alô, é o pai da Maria Francisca?- meu coração pulou disparou.
–Sim, sou eu. Encontraram ela?- perguntei, arfante.
–Encontramos sim, mas da pior forma possível.- naquele momento, minha alegria se transformou em preocupação.
–Por quê? O que aconteceu?- eu disse e a Alejandra se sentou do meu lado, preocupada.
–Ela foi atropelada-senti meu mundo desabar sobre mim- sinto muito, mas ela teve uma parada cardíaca e ela perdeu muito sangue, conseguimos reanimá-la, mas infelizmente ela não resistiu e faleceu agora há pouco.- eu e Alejandra não aguentamos ouvir aquela notícia, nós nos abraçamos e choramos muito, mas eu ainda pude perguntar, com a voz embargada:
–Que hospital ela está?- eu perguntei, soluçando.
–No hospital L.A.Push, na Flórida.
–Eu estou indo praí.- eu disse, desligando o telefone e correndo para a porta, rumo ao hospital.
Levamos 9 horas pra chegar ao hospital, porque eu tenho um amigo que é piloto de aviões, então pedi que ele me levasse de jato até lá. Quando cheguei, estava somente o Chaves, um médico que provavelmente era o que me telefonou e uma menina loira que deveria ser do internato de onde ele estudava.
–Oi doutor. Cadê minha filha?- eu disse, desesperado.
–Nesta sala meu senhor. Se quiser se despedir dela, vá logo, porque nós ainda temos que retirar seus órgãos e fazer o resto do trabalho.- ele disse, me conduzindo à porta. Antes de entrar, Alejandra me abraçou e nós fomos juntos até lá, aquilo era horrível, jamais imaginei ver minha filha numa cama de hospital, ligada a tubos, respirando com ajuda de aparelhos, mas agora ela já não respirava mais, estava imóvel, os sinais vitais já haviam caído, ainda chocado, me apoiei na cama, peguei a mão dela e comecei a falar:
– Oi filhinha.- engoli o choro pra falar- Você é uma garota de ouro viu? Eu não queria que você estivesse aqui sabia? Me perdoa por tudo que eu fiz, eu queria ter percebido que você e o Chaves se amavam assim antes. Eu sinto muito.- chorei ao perceber que a Chiquinha nunca dizer um "te perdoo", pelo que eu disse.
Alejandra falou depois, chorando mais que eu.
Eu devia te bater sabia? Como você faz isso comigo? Você é minha filha, você é minha melhor amiga, você ia ser a minha herdeira, a mãe dos meus netos. Você não pode ir embora e me deixar assim, você tem noção de como eu vou sentir sua falta? Você tem noção de como eu te amo? – Alejandra conseguiu falar em meio a soluços.
As duas choravam muito e eu então nem se fala.
Logo depois, ela se virou para o Chaves, que estava na porta, nos olhando, com os olhos marejados de lágrimas, parecia estar com medo.
–Vem cá.- ela disse ao Chaves. Ele se aproximou de nós devagar, e quando finalmente nos alcançou, ele soltou o choro e nós choramos por muito tempo, podem ter sido horas, mas choramos muito mesmo, desatando aquele nó que trazíamos na garganta.
POV Chaves
Eu estava ali. Parado no lugar em que eu menos queria estar. Eu estava no enterro da Chiquinha. O pai dela tinha organizado algumas homenagens e eu, Sérgio, Horácio e Esteban iríamos falar algumas palavras. Zoey e Chase também estavam presentes, eles estavam juntos, e depois de tudo, estavam dando muito apoio pra gente.
Sérgio foi o primeiro a falar:
– Eu acho que hoje, nem eu nem ninguém queria estar aqui, mas Deus quis assim. Eu não sei por que ele quis tirar você da gente Chiquinha, você era tão feliz, tão alegre, animada, tinha tanta coisa pra viver. Eu passei a noite pensando em porque ele tinha te levado, e a única explicação que eu achei foi que eu acho que ele deve estar precisando de pessoas boas assim do lado dele. – o enterro já estava triste o suficiente, a Chiquinha era muito querida e todos os seus familiares tinham vindo do México, não tinha um que não chorava.
– Nem eu, nem ninguém aqui vai esquecer de você minha princesa, você marcou as nossas vidas, a minha então... Nem se fala. Você foi minha única amiga. Você foi um presente na minha vida, eu quero que você saiba que eu vou lembrar de você sempre. Você é inesquecível. Essa noite eu não dormi, lembrando de todos os momentos que nós passamos juntos, e eu chorei só de lembrar.- ele fez uma pequena pausa antes de prosseguir:
–Bom princesa, eu quero que você saiba que ninguém aqui irá esquecer de você, você foi um ponto muito importante nas nossas vidas, você deu mais cor ao meu mundo, você me fez ser uma pessoa melhor e eu te agradeço muito por isso. Vai com Deus. Eu te amo.
Assim que o Sérgio terminou, não tinha uma pessoa que não chorasse. Horácio tentou se recompor, recebeu um beijo na testa da mãe e começou a falar:
–Chiquinha, te conheci muito pouco, mas tudo foi o suficiente para eu perceber que vai ser extremamente impossível viver sem você, porque você marcou muito a minha vida, sem você, eu seria uma pessoa a mais no mundo, uma pessoa comum como qualquer outra, mas você me tornou muito especial, assim como sempre foi especial pra mim, não sei como vou conseguir viver sem você, mas quero que você me prometa que vai ajudar muito a Deus no paraíso, afinal, se ele te levou é porque você pode ajudá-lo, e eu quero que você o ajude e o trate como ele merece. Eu vou sentir muitas saudades, eu te amo e jamais te esquecerei.- Horácio falou e enxugou as lágrimas.
Era a minha vez. Infelizmente. Claro que eu não queria estar naquela situação.
Amor, hoje é sem dúvidas o pior dia da minha vida. E é apenas o começo. Essa dor que eu to sentindo agora, ela nunca vai passar. Eu levantei hoje e como sempre, a primeira pessoa que eu pensei foi você, mas diferente dos outros dias, hoje quando eu pensei em você, eu lembrei que você não estava mais aqui, e isso doeu, doeu muito. Eu me lembrei do primeiro dia que agente se viu, nosso olhares se cruzaram e ai surgiu nosso jogo de cores, verde com azul, azul com verde. Agora, eu não posso mais olhar nos seus olhos, eles estão fechados e nunca mais se abrirão. Eu me lembrei da sensação do nosso primeiro beijo, coisa que eu nunca mais vou sentir. Eu me lembrei de quando você falava que me amava, lembrei-me da sua voz. Você sempre foi tão falante, eu pedia pra você até calar a boca às vezes porque minha cabeça doía, seu choro também era bastante incomodante, mas depois que nós começamos a namorar, seu choro passou a piorar ainda mais, mas isso só porque eu não aguentava ver você chorando, pois eu prefiro mil vezes ver você com seu lindo sorriso do que com o rosto molhado de lágrimas.
–Hoje, é esse silêncio que me mata. Eu me lembrei de quando você deitava nos meus braços e eu gostava de ouvir seu coração batendo, eu queria estar com você até a ultima batida do meu coração, mas o seu parou antes. Eu não sei como viver em um mundo no qual você não existe mais. Eu não vou viver, eu vou sobreviver. É diferente. Eu passei a noite pensando e não entendi porque você se foi, você tinha tantos sonhos, mas não teve tempo de realizá-los – precisei recuperar o fôlego, então, parei por alguns segundos e limpei as lágrimas.
–Depois que eu fui mandado para a PCA, comecei a escrever uma poesia, que eu dedico somente para você e que pretendia te mostrar e ler pra você quando seu aniversário de quinze anos chegasse, mas não deu tempo, por isso, se estiver me ouvindo, preste bem atenção porque o seu poema diz:
"Seu cheiro de flor me hipnotiza, seu sorriso me fascina, seus olhos de ti me aproxima, seu abraço me conforta. Com você eu me sinto um vencedor, não fico com medo da dor, pois tudo o que eu quero é você, e por isso que com você, sem que vou vencer. Não há palavras para expressar meus sentimentos por você, só sei que minha vida sem você não tem sentido. Você pode não ter uma boca vermelha como a rosa, nem o delicioso perfume da margarida, mas o que você não sabe, é que é assim que eu gosto de você."
– Eu sei que vai ser assim amor. Eu sei que agente vai voltar, não como Chaves e Chiquinha, mas com outros nomes. Mas nós iremos nos reconhecer, iremos nos reconhecer na afinidade de nossas energias, no chamado de nossos corações, no encaixe dos nossos braços, da nossa boca e das nossas mãos. Iremos nos reconhecer através do nosso olhar, iremos nos reconhecer nos pequenos sinais, pois um amor como o nosso, nunca morre.
–------------------------5 anos depois-----------------------------
–Meu amor hoje faz cinco anos que você me deixou. Faz cinco anos que eu venho aqui nesse cemitério todos os dias com um buquê de rosas vermelhas pra conversar com você. – comecei me sentando em cima do túmulo onde estava a mulher da minha vida. Eu cumprira a promessa que eu tinha feito a ela. Eu ia vê-la todos os dias levando as rosas vermelhas.
Muitas coisas mudaram desde que Chiquinha morreu, 2 anos depois de sua morte eu descobri que tinha tuberculose, eu fiz o tratamento, mas parei depois de alguns meses, pois quando eu a descobri, já estava em um nível avançado, estava pior a cada dia.
Eu, Sérgio, Horácio e Esteban voltamos para o México para terminar a faculdade, e lá Sérgio reencontrou Isabela, enquanto Horácio e Esteban ainda estão focados em suas profissões.
Zoey e Chase se casaram dois anos atrás e estão pensando em aumentar a família. Desde que Chiquinha se foi, eles se tornaram inseparáveis tanto pra mim, quanto para o Sérgio, Horácio e Esteban e nunca mais se separaram.
Isabela e Sérgio finalmente começaram a namorar na época em que Chiquinha morreu e se casaram no ano em que descobri minha doença, no dia do casamento estava um céu azul muito lindo (sim, eu fui convidado e estava presente) Sérgio olhou pro céu e contou para Chiquinha que Isabela estava grávida. Alessandro é um menino lindo, e vai ganhar uma irmãzinha em breve. O nome da filha de Isabela e Sérgio? Claro, vai ser Maria Francisca, em homenagem a amiga que eles nunca esqueceram.
Seu Madruga e minha mãe ainda estão vivos, mas eu não moro mais com eles, quando comecei minha faculdade, passei a viver em um apartamento que estava para alugar, no subúrbio da cidade, eu aluguei e moro lá até hoje.
Eu tentei continuar minha vida, juro que tentei, mas não há outra Maria Francisca nesse mundo. Quando eu descobri minha doença, eu soube que aquilo era um sinal, iríamos ficar juntos como tinha que ser.
– Eu te peço desculpas por não ter casado, ter tido filhos e tudo isso, mas nada disso faz sentido sem você. Nesses cinco anos, a única coisa que eu percebi foi que eu te amo. – falei conversando com “ela”.
Eu estava fraco por causa da doença, tinha dificuldades para respirar, às vezes tinha desmaios imprevisíveis assim como vomitava sangue também. Senti meus olhos se fechando e me preparei para o que eu achava que seria mais um desmaio.
Mas eu estava completamente enganado.
Abri meus olhos e lá estava ela, linda como sempre. Me levantei e fui até onde a mulher da minha vida se encontrava.
– Está na hora não está? – perguntei sorrindo.
– Está. Chega de sofrer, eu vim te buscar. – Chiquinha respondeu.
– Eu esperei muito tempo por isso sabia?
– Aham, cinco anos pra ser exata. – ela me falou rindo.
Naquele momento eu percebi que nada havia mudado, ela era a minha Chiquinha, e eu era o seu Chaves. Estava na hora de ir embora, nos prepararmos para voltar em outra vida. Dei uma olhada no meu corpo, ele estava deitado em cima do corpo da Chiquinha, exatamente aonde deveria estar. Nossos corpos estavam juntos, e agora, nossos espíritos também.
– Ta preparado? – ela perguntou me estendendo a mão.
– Eu esperei cinco anos por isso. – sorri pegando sua mão. – Eu te amo Chiquinha.
– Eu te amo Chaves.
Finalmente nós estávamos juntos, como tinha que ser, agora é pra sempre.
Nossa história não termina aqui, para quem hoje chora, digo uma coisa: o amor verdadeiro nunca morre vocês ainda ouvirão falar de nós, talvez não como Chaves e Chiquinha, mas como outro casal. Não preciso falar o nome, vocês saberão reconhecê-los pela afinidade de suas energias, pelo chamado dos seus corações, pelo brilho no olhar e pelo sorriso ao se verem.
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