Amor fotografado - Primeira Temporada
14 capítulo 14 - Não duvide jamais de que te amo - Final
Notas iniciais
Desci do colo de Tyler e parei ao seu lado, sem reação. Não consegui dizer nada. Estava parada com a boca aberta diante de uma toalha quadriculada forrada no chão com comida em cima. COMIDA!! Meu estômago saltou de felicidade. Tinha muita comida. E era tudo o que eu mais gostava. Bolo de chocolate e de cenoura, sanduíches, pastel, aqueles pãezinhos, pasta de atum, azeitona (eu sou viciada em azeitona!!!), vários biscoitos, refrigerante, suco de laranja, de caju e de maracujá, vitaminas, sorvete e...
– Ai meu Deus! Aquilo é Danone? – Eu já disse que sou uma criança de 2 anos no corpo de uma garota de 15? Tinha umas frutas também, mas quem liga.
– É sim. – Respondeu Tyler rindo da minha infantilidade. Foi mal, eu não posso evitar. Eu amo Danone!
Eu não disse mais nada e não esperei que Tyler dissesse alguma coisa. Saí correndo, me sentei e comecei a olhar pra toda aquela comida. Nunca vi coisa mais bela. Percebi que estava sendo patética e parei. Me recompus e tentei agir como uma garota normal de 15 anos em um encontro normal com um garoto normal de 17 anos. Tudo normal. Espera. Encontro? Eu tenho que parar com isso. Não é certo pensar no Tyler (como é que as meninas de hoje em dia falam?) daquele jeito. Não é certo comigo, nem com ele e nem com Gustavo. Sem falar que deve ter namorada. Um cara como o Tyler não fica sozinho, NUNCA. Isso é regra da vida! E outra coisa um pouquinho mais complicada: ELE É O MELHOR AMIGO DO MEU IRMÃO. O Gustavo me mata se acontecer alguma coisa entre a gente. E, provavelmente, mata o Tyler junto. Então, nós viveremos uma linda história de amor na eternidade e...
Ei, Jennifer! Acorda! Isso nunca vai acontecer.
Cala a boca, consciência! Deixe-me sonhar.
Ok. Talvez a consciência tenha um pouquinho de razão. Viver uma história de amor na eternidade? Puff... Fala sério. De onde eu tirei isso? É ainda mais patético do que eu estar encarando o Tyler durante todo o tempo que estive pensando e ele estar com um sorriso bobo no rosto. Desvio o olhar. Eu tenho eu prestar mais atenção pra onde eu olho quando estou em transe. Isso foi um pouco constrangedor.
– Ah... An... – Digo ou tento dizer alguma coisa. – É... Você não... – Fiz um sinal com a cabeça indicando um espaço do meu lado.
– Ah, claro. – Ele começou a andar em minha direção e se sentou do meu lado. – Você gostou?
– Você tá brincando? – Disse um pouco animada demais. – Isso aqui tá incrível! – Ele gargalhou. Eu não me canso de ouvi-lo rir. A rizada dele é melodiosa e contagiante.
Começamos a comer. Conversamos sobre muitas coisas, mas principalmente sobre o futuro. Eu lhe disse que quando fechava os olhos e imaginava meu futuro, eu nunca me via casando, nem com filhos e muito menos sendo dona de casa. Eu sempre me via trabalhando como redatora e escritora e viajando pra vários lugares. Ele disse que também tinha desejo de viajar pelo mundo, em especial para a Grécia. Então nós entramos em uma conversa sobre mitologia Grega que, aparentemente, ele também gostava, mas não tinha lido nenhum livro sobre o assunto. Na verdade, ele não gosta de ler. Tudo o que ele sabe foi graças ao Google. A conversa rendeu bastante. Estávamos comendo sorvete de creme quando o sol começou a se pôr. Eu nem vi o tempo passar.
– Oh, isso é lindo! – Disse me levantando e indo em direção a água.
– Não é? – Disse Tyler aparecendo do meu lado. Sentamos na areia para assistirmos o pôr-do-sol.
Tyler colocou os braços ao redor da minha cintura e eu apoiei minha cabeça em seu ombro. Foi como se não existisse mais nada no mundo. Como se fossemos os únicos seres vivos no mundo. Foi perfeito! Então, o sol desapareceu de vista dando chance para as estrelas e a lua cheia brilharem. Eu deitei com as costas na areia e Tyler me acompanhou. Ficamos em silêncio por mais algum tempo, então, Tyler disse:
– Tenho uma coisa pra você. – Me virei para olhá-lo.
– Tyler...
– O que?
– Não precisa. É sério. Você já fez isso tudo, me deu um livro, um camisa, me levou para lugares incríveis... Eu estou bem. Sério. Hoje foi o melhor dia da minha vida e eu tenho sorte de ter... – Dei uma pausa. Eu simplesmente não conseguia dizer “amigo”. Não parecia certo. – alguém como você perto de mim. – Não consegui mais encará-lo. Aquele olhar sedutor e ao mesmo tempo inocente, carinhoso e ao mesmo tempo mortal. Não resisti e olhei pra ele novamente. Ele sorriu.
– Fico feliz que esteja melhor. – Foi minha vez de sorrir. Então, ele completou. – Só que isso tudo, o dia de hoje, não se trata apenas de você e da sua felicidade. – Eu fiquei totalmente confusa. Ele se sentou e eu o segui.
Ele não disse mais nada. Só ficou me encarando, dessa vez sem nenhum sorriso no rosto. Talvez estivesse pensando que eu entendi o que quis dizer e esperasse uma resposta, mas, infelizmente, eu não tinha uma resposta. Não sabia o que aquilo queria dizer. Era um enigma. Ele é um enigma. Sua expressão estava ilegível. Eu não podia descobrir nem o que ele estava sentindo. E isso me frustrava. Ele esperava uma resposta e eu não a tinha, então, ficamos nos encarando. Aproveitei esse momento pra memorizar cada traço de seu rosto. Seu olhos cor de mel, sua pele levemente bronzeada e seus lábios finos.
– Duvide que as estrelas sejam fogo/ – Começou ele, de repente. – Duvide que o sol se mova/Duvide que a verdade seja mentira/Mas não duvide jamais de que te amo. – Disse a última parte num sussurro como se fosse um segredo, apesar de não ter ninguém ali além de nós. Logo reconheci essa citação. Shakespeare.
O que exatamente isso significa? Que ele realmente gosta de Shakespeare ou que eu posso agarrar o pescoço dele e beijá-lo como eu quero fazer há algum tempo? Estou um pouco assustada. Penso que, se eu mover algum músculo, posso estragar esse momento e eu quero que ele dure para sempre. Só agora percebo que Tyler está mais perto do que antes e continua se aproximando. Eu não o impeço. Nossas respirações se misturam. Ele para a milímetros de distância de mim e diz:
– Jennifer Monroe, Você aceita namorar comigo? – Levo um pequeno susto, mas não demonstro.
Preciso pensar. Prós e contras. Não, não tenho tempo pra isso, ele não vai esperar muito tempo por uma resposta. O mundo continua girando e o tempo passando, mesmo que eu não queira. E alguém como Tyler, que há segundos atrás eu pensava que estava namorando, o garoto em quem eu venho pensado “daquele jeito” há alguns dias, o garoto que tem sido a melhor coisa que já me aconteceu, não vai ficar me esperando pro resto da vida quando um mundo de mulheres cai aos seus pés. Mas eu tenho medo. Medo de que não dê certo e eu perca o que me faz tão feliz.
– Tyler, eu... – Começo a tentar formular uma frase, mas é mais complicado do que eu pensei. – Eu não sei. Eu... – nossos rostos ainda estão próximos. Ele não se afasta e eu, definitivamente, não quero me afastar. – Eu tenho medo. – Digo por fim, sem desviar os olhos dele.
– Nossas dúvidas – Cita ele, de novo. – são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar. – Shakespeare novamente. – Se você tiver medo, eu tenho coragem por nós dois. O amor é como se fosse uma guerra. E eu não vou sair dessa guerra sem lutar.
– Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor. – Cito para ele, continuando em Shakespeare.
– Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida. – Sócrates. Filósofo grego. Estava na exposição do museu que visitamos hoje. Tenho certeza de que eu citei essa frase em algum momento... – Se você não aceitar, — Disse com o rosto ainda próximo ao meu. Não ousamos nos distanciar nem por um segundo. – eu aceito o desafio de te conquistar. – Meu coração saltou nessa hora, como se quisesse rasgar meu peito e fugir. Minha mente sofreu um bloqueio nesse momento e eu não consegui lembrar e mais nenhuma citação pra rebater. Ele completou. – A paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe impõe. — Outra de Sócrates. Esse cara era um gênio! E esse, que está bem aqui na minha frente, é um gato! – Quanto mais você me rejeitar mais eu vou te amar e mais eu vou correr atrás de você. Eu não desisto das coisas facilmente, Jennifer. Eu luto pelas coisas que eu amo. – Nesse momento, eu soube o que tudo isso significava: eu tenho que agarrar o pescoço dele e beijar essa boca que eu tanto desejo. E foi o que eu fiz, num ato um tanto involuntário e meio que do nada, porque se eu pensasse muito, desistiria.
Por um momento, ele hesitou, talvez, por ter sido pego de surpresa. Eu pensei que ele tivesse desistido, mudado de ideia, mas então, ele colocou a mão na minha cintura me puxando pra perto, acabando com o espaço entre nós e correspondeu. Essa foi minha resposta. Nos separamos por causa da falta do bendito ar. Ele encostou sua testa na minha e ficamos ali por um tempo, olhando nos olhos um do outro. Ele se separou de mim e colocou a mão no bolso da calça jeans. Tirou de lá um cordão prata com um pingente de coração bem pequeno. Era lindo e delicado. Era perfeito.
– Era isso que eu queria te dar. – Disse segurando o cordão com a ponta do dedo de forma que ele ficasse pendurado e eu pudesse vê-lo com clareza. – Vira. – Pediu. Eu virei de costas para ele e segurei meu cabelo no alto enquanto ele colocava o colar em mim. Virei novamente pra ele sorri e o beijei.
– Não acredito que você decorou Shakespeare só pra me pedir em namoro. – Eu ri. Ele deu de ombros.
– Só queria te impressionar. Sabia que você não resistiria Shakespeare. – Eu dei um tapa nele e ele gargalhou. – Tem outra versão também. Escuta: Duvida da luz dos astros, de que o sol tenha calor, duvida até da verdade, mas confia no meu amor. – Eu o beijei de novo. – Viu. – Rimos.
– Eu prefiro a outra versão. – Disse. Levantamos.
– Eu também. – Me abraçou pela cintura. – Não duvide jamais de que te amo.
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