Amor fotografado - Primeira Temporada
8 Capítulo 8 - Conversas
Notas iniciais
Contei a história para Holly, desde o refrigerante até o que tinha acabado de acontecer. Ela não me interrompeu e não demonstrou nenhuma emoção enquanto falava. Ela é um boa ouvinte. Acabei de contar e me sentei ao seu lado na cama.
– Wow! – Foi tudo o que ela disse. Eu fiquei calada por alguns segundos esperando ela acrescentar alguma coisa, mas nada saiu da sua boca. Ela ficou encarando um ponto fixo no meu quarto.
– Wow. É só isso que você tem pra me dizer? Wow? – Eu disse irritada por não sei o que.
– O que você quer que eu diga? – Ela perguntou num tom de indignação.
– Eu não sei. Você é quem entende de garotos aqui! – Gritei. Ela não disse nada por um tempo.
– Acho que deveria esperar um pouco. Ver qual é a dele, sabe? Não vamos tirar conclusões precipitadas. – Ela disse. – Quer dizer, ele é amigo do seu irmão mais velho, é menino e tem quantos anos?
– 17. – Respondi.
– Hum... mais velho. – Eu estava a fuzilando com os olhos. – Desculpa. – Ela deu um sorriso.
– Então eu só tenho que esperar?
– Basicamente. E não dê sinal de que você se importa com o que aconteceu. Aja como se ele fosse apenas o amigo do seu irmão que você nem sabe o nome. Como se nada tivesse acontecido, entendeu? – Eu assenti. – Deixa o resto comigo. – Agora eu estou com medo dela.
– O que você vai fazer? – Pergunto com medo da resposta.
– Nada demais. Só algumas pesquisas. – Ela pisca pra mim, se levanta e sai do quarto.
– Holly, espera. – Eu grito e saio correndo. Ela estava na porta quase saindo de casa. – Não conta pra ninguém, pelo amor de Deus!! – Ela assente e se vai.
Essas garotas são completamente malucas! Pesquisas? O que isso tem a ver com Tyler? O que isso tem a ver comigo? “Deixa o resto comigo.”. Essa frase se repete incessantemente na minha cabeça. O que essa garota tem em mente? Como eu cheguei ao ponto de confiar meus “segredos” a Holly Adams? Meu Deus, eu enlouqueci! Só pode. É a única explicação. Agora essa garota vai acabar com a minha vida. Ela é do jornal da escola, popular. Ela pode fazer isso. Já posso até ver: “Garota idiota se apaixona pelo amigo do irmão.”. Ah, eu to ferrada!
Batidas na porta me despertam dos meus pensamentos.
– Jenni, está tudo bem? – É minha mãe. Ela demorou mais do que de costume no mercado. – Abre a porta. Jenni, você está ai?
– Tá tudo bem, mãe. – Falo encarando a porta fechada. Eu realmente não preciso/quero falar com ninguém agora.
– Então abre a porta. – Ela insiste.
– Eu só estou com um pouco de dor de cabeça. Vou deitar. – Ah, a mentira. Vou me arrepender disso pro resto da minha vida.
– Quer que eu traga remédio pra você?
– Não. Tudo bem. É só cansaço. – Respondo.
Ouço a campainha tocar. Será que Holly esqueceu alguma coisa aqui? Começo a olhar tudo em volta. Não tem nada fora do lugar e ela não se mexeu. Ficou sentada na cama o tempo todo. Será que Gustavo esqueceu as chaves. Ah, não. O Tyler veio buscá-las antes da nossa... hum... conversa. Tyler. Esse garoto sempre arruma um jeito de invadir minha mente.
– Jennifer! – Minha mãe grita lá debaixo. – É pra você.
– Já to descendo! – Pra mim? Ninguém merece!
Destranco a porta e desço para ver quem é. Will está parado na porta me encarando.
– Oi. – Ele diz abrindo um sorriso. E que sorriso.
– Oi. – Sorrio de volta.
– Preciso falar com você. – Ele diz dando um sorriso bobo e abaixando o olhar.
– Aconteceu alguma coisa? – Digo olhando preocupada pra ele.
– Podemos conversar lá em cima? – Pergunta apontando sutilmente para minha mãe.
– Tudo bem. Vamos. – Digo guiando-o até as escadas.
Entramos no quarto e encosto a porta. Ele senta na cama, exatamente onde Holly se sentara.
– Alguém esteve aqui? – Will pergunta.
– Sim. Por que?
– Nada. – Ele olha pro lado.
– Então, o que você queria me dizer? – Posicionei minha cadeira em frente a ele e me sento.
Quando ele abre a boca pra começar a falar, alguém abre a porta. Eu me viro esperando encontrar minha mãe e vejo Tyler, sorrindo (ele tem covinhas.).
– Ah, não. Você de novo? – Então eu me lembro do que Holly disse. Não demonstre que se importa com o que aconteceu. Aja como se não tivesse acontecido. – O que você tá fazendo aqui? E por que não bateu antes de abrir a porta? – Ele não diz nada. Só me encara, depois olha para Will, depois novamente pra mim. Exatamente como no shopping quando eu esbarrei nele e o molhei de refrigerante. – Responde, garoto. – Gritei.
– Desculpa. Entrei no quarto errado. – Diz ele desmanchando o sorriso e fechando a porta.
– Esse não é o cara do shopping? O que ele tá fazendo aqui? Jenn, você conhece esse cara? – Will estava de pé olhando pra mim. Ele parecia com raiva, indignado. Não entendo o porquê de tanta raiva.
– É o cara do shopping sim. Ele é amigo do meu irmão. – Respondo como se não fosse nada demais. – Você não ia me dizer alguma coisa?
– Ele que esteve aqui, Jennifer? – Pergunta ele enquanto e levanta. Não sei por que, mas o fato de ele ter me chamado de “Jennifer” me incomodou. É a primeira vez que ele me chama assim.
– Esteve, mas foi antes da... – Ele não me deixou terminar a frase.
– O que ele estava fazendo na sua cama? – Ele gritou. Não acredito que ele está me perguntando uma coisa dessas.
– O que? Ele não estava na minha cama, Will. De onde você tirou isso? – Perguntei indignada.
– Deu pra perceber que alguém sentou na sua cama. – Ele estava vermelho. Não como isso é possível, já que ele é moreno.
– A Holly esteve aqui depois dele, seu idiota. – Gritei mais alto que ele. – Ele entrou aqui sem eu saber. A Holly esteve sentada ai. – Agora eu também estava de pé. Ele me olhou espantado. Minha garganta dói de tanto gritar.
– Ah... E-Eu não... Eu não sabia, Jenn. Me des....
– Vai embora Will. – Disse abrindo a porta.
– Não, Jenn. Espera. Vamos conversar.
– Não tenho nada pra conversar com você, Will. Vai embora. AGORA!! – Gritei a última parte. Ele saiu lentamente do quarto. Do lado de fora, se virou pra mim e abriu a boca, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, bati a porta na cara dele e tranquei. É... Tenho que me lembrar de nunca mais deixar essa porta destrancada. Minha mãe bate na porta de novo e me chama, mas eu não respondo. Só fico deitada olhando pro teto, até que ela desiste. Santo Deus!! Que dia!
Não saio mais do quarto, não como nada e adormeço.
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