Amor fotografado - Primeira Temporada

12 Capítulo 12 - Não duvide jamais de que te amo - parte 1


Notas iniciais
Prometido e feito. Ta ai o segundo capítulo do dia. Espero que gostem. Até lá em baixo.

É incrível como nossa vida pode estar relativamente boa num segundo e no outro estar beirando um abismo. Eu escutei quando meu pai disse que ia embora, mas eu ainda tinha esperança de que não fosse sério, que ele tivesse dito no calor do momento.

Fiquei parada olhando fixamente para meu pai, ignorando minha mãe chorando num canto da sala. Ele não disse nada. Eu não disse nada. A sala ficou totalmente silenciosa, a não ser pelo choro da minha mãe. Não havia muito a ser dito por mim, já que esse assunto era entre meu pai e minha mãe. Mas mesmo assim, ele poderia ao menos explicar o que estava acontecendo, porque, até onde eu sei, eles não sabem que eu ouvi a discussão, mas ele não diz absolutamente nada. Tomada por uma raiva repentina, subitamente me viro e corro escada a cima esbarrando no ombro de Tyler no caminho. Havia me esquecido de que ele estava ali. Fecho a porta, mas não tranco. Me jogo na cama como sempre faço, mas não choro. Não porque não estou triste, mas porque estou cansada. Cansada de chorar. Tudo o que eu sempre faço é chorar, por mais que o motivo seja ridículo. Mas agora isso acabou. Não vale a pena chorar pelo leite derramado.

Não sei quanto tempo se passa. Apenas fico deitada fitando o teto. Minha mente agora está completamente vazia. Eu não penso em simplesmente nada. Até porque, eu não tenho nada em que pensar, não é mesmo? Estão a porta se abre.

– Oi. Como você tá? – É o Tyler, de novo.

– Bem, eu acho. – Respondo olhando em sua direção. Ele ainda está parado na porta, só com a cabeça dentro do quarto. – Entra. – Ele hesita, mas entra. Puxa a cadeira pra perto da cama e se senta.

– Então, no que você tá pensando?

– No porquê de você não estar sentado na cama do meu lado, me abraçando e me consolando pelo fato de meu pai ter saído de casa por causa de outra mulher, ao que parece. – Ele ri. – Eu estou falando sério.

– Chega pra lá então, ruivinha. – Ele se senta ao meu lado e ficamos em silêncio, sem noção do tempo.

As semanas seguintes foram bem monótonas: acordar, ir pra escola, voltar pra casa, me trancar no quarto até o final da tarde, sair com o Tyler, voltar pra casa, dormir. Minhas refeições foram todas feitas na rua. Minha mãe simplesmente sumiu de vista. Não a vejo desde que meu pai saiu de casa. E o Gustavo, age como se nada tivesse acontecido, o que é bem fácil, já que a gente nunca via o papai mesmo. Mas é claro que ele está me perturbando até a alma por causa do tempo que eu passo com Tyler. Não tenho falado com a Holly, Mary ou Will esses dias, portanto, eles não sabem que meu pai saiu de casa e tal. E o clima entre a gente não tá muito bom pra eu chegar jogando problemas em cima deles. Os dias passaram bem rápido, na verdade. Quando dei por mim já estava indo tirar o gesso do braço (“Agora eu posso dizer que estou seguro.” Comentou Tyler, rindo.), o que foi a coisa mais interessante que aconteceu o resto do mês. Gustavo me levou de moto, o que me deixou um pouco nervosa já que eu só tinha um braço livre pra me segurar.

O mês seguinte não foi muito diferente. Eu sem falar com ninguém na escola, voltei a ser o ser esquisito, desequilibrado, que esbarra em tudo e cai o tempo todo. E fora da escola, não saia mais com Tyler. Preferimos ficar em casa assistindo filmes e conversando.

No fim de semana seguinte, minha mãe resolveu ir passar um tempo na casa da Simone, nossa tia. Ela não deu certeza de quando voltava, mas disse que passaria pelo menos dois meses lá e que nós somos grandes o suficiente para nos cuidarmos sozinhos. Só que, ela não se ligou de que, dali a três semanas, é o aniversário de 19 anos do seu filhinho querido. E Gustavo não se importou nem um pouquinho de ela ter esquecido disso. Então, como combinado, domingo de manhã, mamãe saiu com o carro e nos deixou com a casa só pra nós.

– Maninha, essa vai ser a melhor festa do ano. Se quiser pode ir dormir na casa de alguma coleguinha sua. – Disse Gustavo ainda na porta de casa, observando o carro da mamãe se afastar. – E volta quando quiser. Eu não me importo.

– Não seria uma má ideia, maninho. Só que, a maninha aqui, não tem coleguinha nenhuma, então, você vai ter que me aguentar.

– Ah, então você pode servir os salgadinhos na festa.

– Prefiro dormir na rua. – Me viro e entro em casa.

– Não é uma má ideia. – Responde entrando depois de mim.

Subo as escadas e vou para o quarto. Me deito na cama e fico ali, não sei por quanto tempo. É só isso que eu sei fazer ultimamente. Não sinto ânimo para mais nada. Não sinto mais prazer em ler ou tirar foto. Nada. Até meus encontros quase diários com Tyler tem ficado entediantes. Não que eu não goste de ficar na companhia dele, pelo contrário, ele tem sido um ótimo amigo. Amigo. Não sei, mas essa palavra me parece tão antiquada para definir nossa relação. Mas o que eu estou pensando? Amigos. É só isso que nós somos e é apenas isso que seremos. Até porquê, não acredito que ele esteja interessando em mim. Não depois de todo esse tempo.

Sou tirada de meus pensamentos quando Tyler entra em meu quarto, sem bater, mas eu não me importo mais com isso. Acabei me acostumando. Estava vestido com uma camisa azul lisa, calça jeans escura e um vans branco. Ele segurava uma sacola de plástico com alguma coisa que eu não consegui identificar.

– Oi. – Disse se sentando ao meu lado na cama. – Então, como tá minha ruivinha? – Perguntou me beijando na testa.

– Bem. – Respondo com um sorriso fraco.

– Sério? – Disse sarcástico. – Posso ser sincero? – Assenti. – Pra mim você não está bem há dias. Você até tenta disfarçar, mas não consegue. Jennifer, quanto tempo tem que você não faz alguma coisa que gosta. Quanto tempo não tira foto ou lê? Quanto tempo você não sai de casa a não ser pra ir pra escola? – Baixei a cabeça. Não há nada que eu possa dizer. – Ei – Ergueu meu queixo. – Eu estou aqui, o.k.? Pode contar comigo pra qualquer coisa, tá bem? – Assenti. – Isso é pra você. – Me entregou a sacola. Era uma blusa da Legião Urbana. – Agora vem. Levanta dessa cama, se veste que nós vamos sair. – Abri a boca para protestar, mas ele me interrompeu. – Se você não for por bem eu vou te arrastar pela rua de camisola mesmo. – E saiu do quarto.

Então tão tá, néh. Levantei da cama com dificuldade, pois parecia que uma força misteriosa me puxava para ela enquanto fazia esforço para ir em direção ao guarda-roupa. Peguei um short jeans e meu amado all star preto surrado. Tomo um banho rápido, me visto e pego minha bolsa de franjas preta e cinza que comprei semana passada, faço uma maquiagem simples com delineador, rímel, lápis e um batom vinho. Encontro Tyler sentado no sofá com meu irmão. Há tanto tempo que não os vejo juntos que quase me esqueci de que eram amigos.

– Vamos? – Disse Tyler se levantando do sofá.

– Espera. Pra onde vocês vão? – Perguntou Gustavo.

– Achei que não se importasse. – Respondi sarcasticamente.

– Não me importo de você ir dormir na casa de uma amiguinha, mas me importo de você sair por ai sozinha com um cara bem mais velho que você. E se ele for um assassino? Jennifer, ele pode muito bem ser o assassino do machado, estar te sequestrando e...– Dramático? Imagina...

– Gustavo – O interrompi –, por favor, não venha bancar o irmãozinho neurótico agora. Olha o drama. O Tyler não é um cara qualquer, ele é seu amigo e é só dois anos mais velho que eu. – Bufei. – Vamos. – Segurei a mão de Tyler que ria descontroladamente e o puxei pra fora de casa. Ele hesitou na porta e disse para Gustavo.

– Não nos espere. Vamos voltar tarde – Fez uma pausa. – Ou amanhã. – Gustavo pegou a coisa mais perto dele no momento, no caso uma almofada, e tacou no Tyler, que saiu rindo mais ainda.

– Qualquer coisa, não me liga. – Gustavo gritou lá de dentro.

– Você não tem jeito mesmo, néh, garoto. – Disse depois de um tempo.

– Mas você adora. – Rimos.

– Então, eu posso saber pra onde o Senhor está me levando?

– Quando chegarmos você vai saber.

– Ah, qual é, Tyler. Fala logo!

– Não, é uma surpresa. – Ele estava rindo.

– Para, Tyler. Fala, por favor. Tyler, conta. Eu prometo que faço cara de surpresa na hora.

– Não adianta. Eu não vou falar. – Ficamos em silêncio o resto do caminho.

Depois de uma curta caminhada, chegamos a praça. Não entendi o porquê de estramos ali. Devo confessar que eu estou com um pouquinho de medo do Tyler agora. Já sai com ele várias vezes, mas eu sempre sabia pra onde estávamos indo. Será que Gustavo tem razão e ele está me sequestrando? Mas o que eu to pensando? Eu pirei de vez. Tyler sequestrador.... Puff... Eu devia estar com uma cara bem estranha, porque Tyler me perguntou:

– Tá tudo bem? Você está passando mal? Quer voltar pra casa? podemos sair outro dia se quiser.

– Não tudo bem. – Dei um sorriso tentando disfarçar que estava considerando as palavras sem noção do meu irmão.

– Tem certeza? – Assenti. – Tudo bem. Ali está nossa carona. – Apontou para um carro preto estacionado alguns metros a nossa frente. De dentro dele saiu um homem que eu nunca vi na vida. – Ele vai ser nosso motorista por hoje.

– Motorista? Tyler, o que...

– Não, não. Sem perguntas. Damas primeiro. – Abriu a porta para mim. Entrei no carro seguida por ele. O tal motorista fechou a porta e entrou logo em seguida. Deu partida no carro e seguiu em frente.

Quando conheci o Tyler, sempre achei que era um completo idiota, grosso, mal educado, convencido. Mas, agora percebo que ele pode ser um perfeito cavalheiro quando quer. Sem deixar de ser convencido, claro.

– Você pode me dizer agora pra onde vamos? – Perguntei novamente.

– Não. – Respondeu simplesmente, dando de ombros. Bufei e cruzei os braços. – Relaxa ruivinha. A gente chega num minuto. – Passou os braços ao redor dos meus ombros. Senti um arrepio com o gesto.

Prometido e feito. Não demoramos muito chegamos em não sei onde para fazer não sei o que. Eu realmente não faço ideia de onde estamos. Como se lesse meus pensamentos ele disse:

– Estamos no centro. Vamos almoçar aqui. Tudo bem pra você? – Disse enquanto abria a porta pra eu descer do carro.

– Claro. – Tentei soar indiferente para esconder minha animação, já que nunca vim ao centro. Pelo menos não por prazer, mas por obrigação, para resolver problemas e tal.

Paramos em frente a um restaurante com um nome estranho. A porta de vidro me permitia ver a linda decoração interior do lugar, cheio de luzes e panos vermelhos e dourados. Logo deduzi que não é um restaurante tão chique quanto ao que, por exemplo, a Mary frequenta, mas também, não é tão simples que eu possa entrar com a roupa que eu estou vestindo.

– Tyler, tem certeza que vamos almoçar ai? – Pergunto o segurando pelo braço impedindo-o de entrar.

– Tenho. Por que? Algum problema? – Perguntou com cara de preocupado.

– Não, é só que... Minha roupa. Eu acho que...

– Ah, sim. Tá tudo bem. Eles não ligam pra isso. E você não deveria ligar também. Isso é uma bobagem. Podemos entrar, madame? – Disse me oferecendo o braço. Sorri.

– Claro, Senhor. – Encaixei meu braço no dele e entramos no restaurante.

Notas finais
Quem ai é Jyler? Gostaram do capítulo amores? O próximo está quase pronto. Não sei quando eu vou postar. Depende do nível de criatividade que eu tiver. Wennifer's não me matem. O momento de vocês vai chegar. É isso, amorinhas. Comentem, favoritem e Recomendem. Eu quero saber o que estão achando da história, okay?Beijos.