Amor fotografado - Primeira Temporada
5 Capítulo 5 - O Cara Do Refrigerante
Notas iniciais
Fomos primeiro na montanha Russa, no trem fantasma e em outros brinquedos. Decidimos ir na roda gigante por último. Quando estávamos esperando na fila do último brinquedo, já estava de noite. Eu conversava com as meninas enquanto Will conhecia os amigos de Daniel (primo de Mary.) Silas e Marco e o namorado de Holly, Charlie. Me distraí por um segundo, já que eu não converso frequentemente sobre roupas, sapatos, batons, brincos, cortes de cabelo da moda e garotos. Então Silas me chamou. Aparentemente, eles conversavam sobre bandas. Finalmente um assunto sobre o qual eu vivo para falar. Todos ali curtiam Legião Urbana, mas apenas eu, Silas e Charlie curtimos The Beatles. E, por incrível que pareça, só eu e Will, curtimos Guns ‘n Roses. Durante a conversa, as meninas tentaram entrar no assunto, participar do bate-papo, mas elas não sabiam nada sobre nada do que era falado. Mary não fazia ideia de quem era Renato Russo. Como pode? Holly sabia. Como? Não faço ideia, mas pelo menos ela sabia. O assunto foi correndo, a fila estava muito grande. Nossa vez ia demorar para chegar, então eu fui comprar um refrigerante numa barraquinha ali perto. Silas queria vir junto, eu disse que não precisava, mas ele insistiu e me acompanhou. No meio do caminho ele me puxou pelo braço e tentou me beijar, mas eu virei o rosto a tempo.
– Ah, qual é? Eu sei que é isso que você ta querendo a noite toda. – Disse ele. Acho que estava sóbrio, pois não o vi beber nenhuma vez naquela tarde/noite, mesmo assim, agia feito um bêbado. Logo, tiramos a conclusão de que ele é um completo babaca.
– Do que você ta falando? – Digo tentando me livrar de suas garras, mas ele é muito forte.
– É só um beijo garota. Se acalma! – Ele diz com alma enquanto me puxa para pero de si.
– Mas que droga! Me solta, Silas! – Eu estou gritando agora.
– Vem c... – Ele ia dizer algumas coisa, mas um punho acertou seu rosto antes que pudesse completar a frase. Eu me desequilibrei e quase cai, mas alguém me segurou.
Eu olhei para ele bem nos olhos. Mel. Essa era a cor dos olhos dele. Tenho a impresso de que já vi esses olhos em algum lugar. Ele era moreno, cabelo bem aparado, um pouco mais alto que alto que eu e forte. É, eu senti o braço dele. Ficamos ali parados por alguns segundos até que Silas se levantou do chão. Daí começou uma confusão tremenda. Eles começaram a brigar. Silas revidou o soco do garoto que fez seu nariz sangrar. O moreno desequilibrou por um segundo mas se recompôs e deu um soco na barriga de Silas, que, instintivamente, curvou o corpo por causa da dor. O garoto deu outro soco na cara dele derrubando-o no chão. Ele estava avançando em Silas para, provavelmente, chutá-lo ou algo assim, mas eu sai do meu choque a tempo de me meter no meio dos dois. Silas estava se levantando com dificuldade atrás de mim e se apoiou nas minhas costas e eu me apressei em tirar aquelas mão imundas de cima de mim. E encarei o garoto sem nome sem falar nada, como se eu tivesse perdido a capacidade de falar. Então eu reconheci aqueles olhos. Eu estava no shopping levando o lanche com Will para o cinema, onde as meninas nos esperavam, então, eu esbarrei em alguém, e esse alguém, estava bem na minha frente.
– O cara do refrigerante?!? – Eu disse (pensei em voz alta). O garoto me olhou como se eu fosse louca e inclinou levemente a cabeça como quem não entendeu nada do que acabou de acontecer. Então ele endireitou a cabeça, me olhou normalmente, abaixou a cabeça e sorriu. Acho que ele entendeu o que eu quis dizer, mas o as outras pessoas não.
Quando eu olhei a minha volta, as pessoas tinham formado uma roda em volta de nós (eu tenho o dom de fazer as pessoas se amontoarem pra ver as besteiras que eu faço.).
– É... Obrigada. – Disse, ainda meio atordoada.
– Obrigada? Por que você ta agradecendo a esse babaca? Ele atrapalhou o nosso momento. – Disse Silas colocando as mãos em meus ombros. Fico de frente para ele e digo:
– Encoste a mão mais uma vez em mim e quem vai socar a sua cara sou EU!! – Gritei apontando o dedo na cara dele.
Quando me virei pra falar com o Cara Do Refrigerante, ele não estava mais lá. Me senti o príncipe procurando a Cinderela depois do baile. Nem pra deixar o sapatinho ou número do telefone pra trás ele não deixou. A maioria das pessoas já havia ido embora. Então eu avistei Will, Mary, Holly, Charlie, Daniel e Marco. Eles estavam vindo em nossa direção com cara de preocupação.
– O que foi que houve? Silas! Meu Deus! O que aconteceu? – Perguntou Mary daquele jeito dramático dela.
Pelo visto eles não viram a cena toda. Eu estava tentando pensar em uma história pra contar pra eles. Não estava nem um pouco afim de dizer o que aconteceu realmente. Silas não disse nada, ficou apenas me encarando como se esperasse que eu contasse a verdade, ou não.
– Eu não sei direito o que houve. Estávamos indo comprar o refrigerante quando nos deparamos com dois meninos brigando. Silas foi tentar ajudar o que estava apanhando e acabou levando uma surra. – Não faço ideia do porque eu fiz Silas parecer um “herói”. Foi estúpido, burro da minha parte. Ele era um idiota e eu estava, de certa forma, o defendendo. Todos pareceram cair na minha conversa e decidiram voltar pra casa.
Eu voltei com Will de bicicleta. Estávamos naquele silêncio constrangedor de sempre quando ele resolve quebrar o silêncio e, quando ele quebra o silêncio, não é algo bom.
– Eu vi o que aconteceu. – Disse ele. Eu fiquei sem entender.
– O que? – Perguntei.
– Eu vi que o Silas te agarrou e um garoto bateu nele. Eu vi tudo. Assim que vocês saíram, eu fui atrás de vocês com a desculpa de ir comprar mais refrigerante. A verdade é que todos sabem como Silas é babaca, mas ninguém se importou de vocês saírem sozinhos. – Eu estava processando a ideia. Por que ele não contou a verdade pra todo mundo quando teve a chance? Eu queria perguntar, mas resolvi deixar quieto. Não queria mais tocar nesse assunto.
Não demoramos a chegar na minha casa. Me despedi rapidamente de Will e entrei. Todos estavam dormindo, menos Gustavo que estava vendo TV na sala e não no quarto por nenhum motivo aparente.
– Seu namorado que te trouxe? – Perguntou ele.
– Não enche. – Falei entrando no quarto.
Foi uma noite longa. Sorte que amanhã não tenho aula. Peguei uma roupa confortável no guarda-roupa, que ainda estava uma bagunça, e fui para o banheiro. Tomei um banho longo e caí na cama. Adormeci quase imediatamente.
Acordei às 10:00h da manhã, logo, não tomei café, mesmo não sendo tão tarde assim. Minha mãe não estava em casa. Deve ter ido ao mercado comprar algo para o almoço. Me joguei no sofá ao lado de Gustavo. Deitei e coloquei minha cabeça em suas pernas. Apesar se tudo, nos dávamos bem. Ficamos ali até que minha mãe chegou. Então, eu dei um pulo e me sentei. Não que eu estivesse fazendo algo de errado, só não queria que ninguém soubesse que temos uma boa relação. Eu sei que é idiotice, mas você não tem uma mãe como a minha, então, não me julgue. Segui minha mãe até a cozinha, peguei uma pera e disse que iria pra a praça tirar umas fotos. Ela assentiu e eu fui para o meu quarto me arrumar, pois ainda não tinha trocado de roupa.
Entrei no meu quarto e, antes de pegar a roupa para sair, resolvi arrumar o guarda-roupa, porque néh... Meia hora depois, havia arrumado apenas metade das roupas e acabei deixando pra arrumar depois. Peguei um short jeans, uma blusa vermelha escura, quase vinho, escrito “Rock & Roll” de forma bem artística, meu vans vermelho, que não é tão surrado quanto meu All Star e minha bolsa preta de franjas. Sai da casa e fui para a praça. Chegando lá, não esperei até começar a tirar as fotos. Escolhi uma paisagem e comecei a fotografar. Primeiro fotografei uma parte do parque em que normalmente ninguém fica. Só tem árvores e tal. É quase uma floresta (bom, pelo menos para as crianças é uma floresta.). Então eu fui andando “floresta” adentro sem perceber. Estava distraída demais com as fotos. Então, finalmente, me toquei de onde estava. Sorte que aqui não é tão grande, então, eu consegui sair com facilidade. Estava me sentindo cansada e com sede, então, comprei uma garrafa d’água numa barraquinha. Me sentei debaixo duma árvore pra descansar. Fechei os olhos e senti a brisa refrescante que estava passando por ali. Daí alguém sentou do meu lado.
– Oi. – Eu me assustei e acabei virando a garrafa d’água que estava na minha mão em cima dele (pela voz parecia ser homem). Quando olhei quem era, me assustei mais ainda.
– Deu pra me seguir agora? – Eu gritei.
– Fala sério, garota. Você não é isso tudo! Por que raios eu estaria te seguindo? E por que você está gritando? Você derramou água em mim. E não é a primeira vez. – Ele gritou de volta.
– E o que você ta fazendo aqui? – Disse num tom mais baixo.
– Estava indo encontrar um amigo, passei por aqui, te vi e resolvi vir falar com você. Queria te dar mais uma chance de me agradecer de uma forma mais decente. – Disse ele com um sorriso no rosto. Eu ri. Não sei porquê, mas ri escandalosamente.
– Te agradecer de uma forma mais decente? O que você quer? Flores, chocolate, talvez uma serenata. Me poupe. – Disse ainda rindo.
– Chocolate não seria uma má ideia. – Ele disse.
– Me poupe! – Repeti, séria dessa vez. Me levantei e me afastei. Procurei outra árvore distante daquela para me acomodar e depois voltar a tirar fotos.
No final da tarde voltei pra casa. O Cara Do Refrigerante não saia da minha cabeça. Isso estava começando a me incomodar. Muito! Afastei o pensamento e abri a porta de casa. Levei um susto quando dei de cara com o Gustavo. Ele devia estar com pressa, pois saiu correndo e me empurrou. Eu quase cai sentada, mas por sorte consegui me equilibrar. Ignorei, entrei e fui direto para o meu quarto. Estava cedo para dormir e eu ainda não comi nada. Desci, preparei um lanche e subi novamente. Me tranquei no quarto, comi, olhei as fotos, editei algumas, terminei de arrumar meu guarda-roupa e dormi às 22:00h, o que é considerado muito cedo para um adolescente em plena sexta-feira.
Acordei na manhã seguinte bem disposta. Desci pra tomar café às 9:00h, pois sei que minha mãe já estaria acordada a essa hora. Passei pela sala, não havia ninguém. Gustavo deve estar dormindo ainda. Provavelmente saiu com os amigos ontem à noite e voltou tarde. Fui para a cozinha. Minha mãe estava lá, como previsto, meu irmão também estava lá, o que era surpresa e tinha mais alguém.
– Que raios você ta fazendo aqui? – Perguntei gritando.
– Prazer em te ver de novo, também. – Disse o Cara Do Refrigerante com alma na voz, mas com a surpresa estampada na cara.
– Jenni, porque você está falando assim com Tyler? – Perguntou minha mãe assustada.
Tyler. Então esse é o nome dele.
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