Amor fotografado - Primeira Temporada
29 Capítulo 28 - Chris?
Notas iniciais
E lá se foi mais uma semana de provas. Acho que consegui recuperar tudo o que perdi no primeiro trimestre. Will e Holly não precisam se preocupar tanto, afinal, são dois nerds não assumidos.
As coisas finalmente estão dando certo para nós. A presença dos Davis aqui em casa tem sido cada vez mais agradável. Parece que Will veio morar conosco também. Já trouxe até uma mala com algumas roupas para ficarem aqui. Mary e Gustavo parecem felizes. Uma vez os ouvi conversando sobre casamento. A coisa entre eles está ficando séria mesmo e eu sinto que essa proximidade deles não é só por causa da criança, mas porque eles se gostam de verdade. Tyler aparece com menos frequência, não imagino o porquê. Ele parece mais distante. De certa forma, me sinto mal por não ter ido falar com ele naquele dia, mas não me arrependo da minha escolha. Silas dá o ar de sua graça aqui em casa de vez enquando. Ao contrário de Tyler, o sinto mais próximo de todos nós, como se já fizesse parte da nossa “família”.
Eu e Will estamos bem. Não tem nem comparação com o meu relacionamento anterior, afinal, estamos namorando há quase um mês e não tivemos uma discussão se quer. Não contamos pra todos sobre nós ainda. Apenas Holly e Mary sabem. Vamos contar para os outros no nosso aniversário de um mês, que é segunda-feira, depois de amanhã.
Agora que as coisas estão mais calmas, resolvi voltar com meu hobby: fotografar. No momento, estou na praça em que Will me pediu em namoro. Isso aqui fica ainda mais lindo no final da tarde.
*Flashback on*
– Acho que posso me acostumar a não dizer nada. – Eu disse. Ele riu e me beijou novamente.
– Então, — Ele disse após recuperar o fôlego. – acho que eu já posso te pedir em namoro. – Um sorriso enorme se abriu em meu rosto. O famoso sorriso nível Coringa. Ele se ajoelhou.
– Will, não precisa de tanto.
– Ah, não! – Protestou. – Eu tenho que fazer como manda o figurino! – Revirei os olhos. – Jennifer Monroe, você aceita namorar comigo? – Fico paralisada por um momento. Essas palavras... As mesmas que Tyler usou quando... Sacudo levemente a cabeça para afastar esse pensamento. – Jennifer? – Will me chama, ainda ajoelhado. Eu sorrio.
– É claro que eu aceito, seu bobo! – Ele se levanta, me pega no colo e me gira no ar. Antes de me pôr no chão eu o beijo.
*Flashback off*
– Ei, garota, cuidado! – Não deu tempo nem de olhar para o lado. Quando eu vi, estava caída no chão com uma bicicleta e um garoto em cima de mim. – Você tá bem?
– Acho que sim. – Disse gemendo. Ele me estendeu a mão e eu aceite, mas assim que fiquei em pé, uma dor no meu tornozelo me atingiu e eu caí novamente, dessa vez nos braços do tal garoto.
– Opa. – Ele disse me segurando. – Toma cuidado.
– O Meu tornozelo... – Disse o olhando pela primeira vez. – Espera. Eu te conheço. – Ele me olhou estranho. – Você não é o David? – Ele sorriu.
– Bem que eu estava reconhecendo esses cabelos vermelhos. – Eu ri. – Você é a... Jennifer, não é? Namorada do Tyler.
– É... Ex, na verdade. – Senti meu rosto queimar.
– Ah, sinto muito. – Ele disse me avaliando.
– Tudo bem.
– Sobe ai. Eu vou te levar pra casa.
– Não precisa. Tudo bem. Eu consigo... Ah! – Quase caio de novo. Ele ri. – Acho que eu vou aceitar a carona. – Ele me ajudou a subir na bicicleta. – Você pode segurar em mim, se quiser. – Meu rosto parecia que iria entrar em autocombustão.
– Ok. – Foi tudo o que eu disse.
Estávamos demorando a chegar, porque o gênio resolveu pegar o caminho mais longo, mesmo com eu o perturbando. A desculpa que ele usou?
– Desculpa. Não conheço isso aqui muito bem.
– Então, deixa que eu guio. Você só precisa virar onde eu mandar.
– Acontece que eu sou um machista assumido. Não gosto que mulheres mandem em mim. – Bufei.
E ficamos lá, passando por vários lugares desnecessários. Às vezes parecia que ele se afastava do nosso destino de propósito. E quando eu protestava ele dizia: “Eu sei o que estou fazendo, Jennifer”. Odeio esse tipo de pessoa.
– Que tal, em vez de você ficar preocupada com o caminho que estamos tomando, nós conversamos sobre algo produtivo? – Ele perguntou.
– Por exemplo?
– Você gosta de ler?
– Você tá brincando? – Gritei. – Livros são o ar que eu respiro! Apesar de eu não ter lido tanto assim ultimamente.
– O que você gosta de ler? – E ficamos conversando o resto do caminho, que agora eu queria que fosse mais longo.
Já estava anoitecendo quando chegamos em casa.
– Bom, obrigada. – Disse me virando para entrar.
– Espera. Eu te levo lá pra dentro.
– Não precisa. – Ele riu.
– Você já caiu umas três vezes hoje. Não vamos arriscar uma quarta, não é? – Revirei os olhos.
– Tá. – Ele sorriu.
Eu me apoiei em seu ombro, o que foi um pouco complicado já que ele é alto.
– Você se importa se eu te pegar no colo? – Ele perguntou, vendo minha dificuldade pra andar.
– Um pouco.
– Então, nada de pegar no colo?
– Nada de pegar no colo. – Confirmei.
– Ok. – Ele passou sua mão na minha cintura. Eu estranhei por um momento, mas me ocorreu que ele estava apenas me ajudando a andar. “Ele só está me ajudando a andar” fiquei repetindo mentalmente enquanto avançava mancando até a porta.
A casa estava silenciosa, o que é muito suspeito. Olhei para David. Ele me olhava com expectativa. Estranho.
– Não vai entrar? – Ele perguntou.
– Ah, sim. Vou. – Abri a porta lentamente. David sempre do meu lado me segurando pela cintura. Todas as luzes estão apagadas. Ok, alguma coisa está rolando.
– David, você...
– Surpresa! – Um coro me surpreende.
– Mas que droga é essa? – Eu grito. Talvez eu tenha sido um pouco ignorante. Mas só talvez.
– Sua festa de aniversário surpresa? – Respondeu Will.
– Meu aniversário é só semana que vem!
– Na verdade, não. – Disse Gustavo. – Hoje é dia 14 de Julho. Seu aniversário.
– Não acredito que esqueceu do próprio aniversário, ruivinha. – Disse Silas rindo.
– Eu não esqueci, só... não lembrei. – Eles riram. – Então...
– Vamos começar a festa! – Gustavo gritou me interrompendo.
Um bando de gente veio falar comigo, mas eu só conheço algumas pessoas. A maioria eu reconheci como sendo da escola, só que eu não falo nem com um quarto dessas pessoas, logo, soube que isso é coisa de Holly e Mary. Os outros são alguns primos legais e outros que eu odeio, amigos do Tyler, Daniel, Marco, Silas, o pessoal daqui de casa, um cara que eu nunca vi na vida e minha mãe.
– Mãe? – Perguntei.
– Feliz aniversário, minha pequena. – Disse Will se aproximando. Foi ai que eu percebi que ainda estava “agarrada” com David. Will ficou olhando de mim para ele.
– Ele me atropelou. – Eu disse. – Ai eu machuquei o meu tornozelo. – Will não pareceu acreditar muito na história, mas não disse nada, apenas sorriu e me abraçou e permanecemos assim.
– A gente te dá a tarefa mais simples, que é enrolar a Jennifer e você consegue transformar isso num acidente? – Disse Gustavo.
– Ei! – Protestei. – Me enrolar não é tão fácil assim.
– Ela entrou na frente da bicicleta. A culpa não foi minha! – Disse David em sua defesa, ignorando meu comentário.
– Você vai colocar a culpa numa garota frágil e indefesa, David? – Perguntou Will, ainda me abraçando.
– Dá pra parar de falar como se eu não estivesse aqui? – Reclamei.
– Jennifer? – Disse o último ser que eu queria ouvir, ver ou pensar no momento. – Querida! Feliz aniversário! – Disse vindo em minha direção com os braços abertos. Apenas a olhei de cima a baixo.
– O que você tá fazendo aqui, Amber? – Perguntei. Ela percebeu que eu não iria abraça-la e abaixou os braços. Todos pararam de fazer o quer que estivessem fazendo para prestar atenção no que estava acontecendo ali.
– Que jeito mal educado de receber as visitas.
– Você não é uma visita, é uma intrusa, uma praga! – Exclamei. – Não acredito que teve a cara-de-pau de vir até aqui. – Disse me soltando dos braços de Will. – Quem te convidou?
– Gustavo. Quem mais seria? – Olhei para Gustavo.
– Ah, qual foi meninas? – Disse Gustavo. – Vamos esquecer as desavenças só por hoje. É dia de festa!
– É bom que você não cruze o meu caminho hoje, porque se não, eu mesma te ponho pra fora. – E saí puxando Will comigo.
– Jennifer! Filha, você está bem? – Minha mãe perguntou.
– To sim, mãe. Relaxa.
– Quem era aquela garota? Nunca a vi e você nunca falou dela...
– Aconteceu tanta coisa nesses últimos meses, que a senhora não faz nem ideia.
– Tudo bem. Mas vamos deixar as histórias para depois. – Ela disse. – Agora eu quero te apresentar alguém. – Olhei por cima de seu ombro e vi o cara que eu nunca vi na vida. – Jennifer, esse é o Christian.
– Pode me chamar de Chris. – O homem disse me oferecendo a mão. – É um prazer finalmente conhecê-la. Sua mãe me falou muito de você.
– Hum... – Murmurei. – Mãe, posso falar com a senhora um segundo? – Ela assentiu. A levei para fora de casa. – Quem é ele? – Fui direto ao assunto.
– O Chris. – Se fez de desentendida. Eu a olhava séria.
– Você entendeu o que eu quis dizer. – Ela suspirou.
– Um amigo que sua tia me apresentou.
– Só amigo?
– Talvez um pouco mais que isso. — Eu sorri.
– Ele é bonito. – Ela riu.
– Vai se trocar, pirralha.
Entrei em casa e fui direto para o meu quarto. Já eram 19:00h. Tinha uma roupa separada em cima da cama e um sapato de salto alto perto da mesma. Supus ser pra mim. Tomei um banho quente e me vesti, tudo em 30 minutos. Pouco tempo depois Mary e Holly apareceram para completar o trabalho, fazendo cabelo e maquiagem. Meu tornozelo ainda dói, por isso eu pedi para Mary pegar uma bolsa de gelo para mim e me recusei a colocar o sapato de salto alto. Pus gelo no tornozelo por um tempo e ele parou de doer. Parece que não foi nada grave. Nem inchou tanto. Mas eu ainda não vou usar o salto. Holly pegou um sapato mais baixo de má vontade e me entregou. Quando era quase 20:30h eu já estava descendo. Encontrei com a minha mãe no meio da escada.
– Eu e o Chris vamos sair. Vou dormir na casa dele, pra vocês ficarem mais à vontade. Não abusem, hein?!
– Ok, mãe. Pode deixar. Eu fico de olho no Gustavo. – Olhei rapidamente pra Mary que estava completamente vermelha. Eu e Holly rimos.
– Tudo bem, então. – Ela disse me dando um beijo na testa. – Feliz aniversário! Eu te amo!
– Também te amo! – E foi embora.
Descemos as escadas e eu peguei alguma coisa para beber enquanto as meninas foram para a pista de dança.
– Oi. – Disse alguém me abraçando por trás.
– Will! – O repreendi.
– Ah, qual é o problema? – Disse me soltando.
– Ninguém sabe...
– Então, que passem a saber! – Me puxou pela cintura e colou seus lábios nos meus e eu não resisti, afinal, eles iriam ficar sabendo de qualquer jeito.
– Anh... Jennifer? – Gustavo me chamou. Me soltei rapidamente de Will. – Quando você pretendia me contar sobre isso? – Disse apontando de Will para mim.
– Segunda-feira?
– Na segunda-feira? Desde quando você esconde as coisas de mim, mocinha? – Perguntou cruzando os braços.
– Gustavo, isso tá ficando meio gay... – Mary comentou. Ele se virou para ela, sério.
– Vou te mostrar o gay. – E a puxou bruscamente pela cintura a envolvendo num beijo selvagem, que logo foi correspondido.
– Arrumem um quarto vocês dois! – Eu gritei e todos riram. Eles se soltaram e sumiram no meio das pessoas. Só espero que não tenham levado a sério a minha sugestão...
– Então. – Will disse se virando para mim.
– Então. – Respondi sorrindo.
– Que tal se nós sumíssemos também? – Sussurrou em meu ouvido e me beijou. Um beijo curto e delicado. Separei nossos lábios e o abracei. Por cima de seu ombro, vi um par de olhos cor-de-mel me encarando. Eles exalavam decepção. Tyler... Meu coração ficou apertado, mas logo desviei o olhar. Não podia pensar em Tyler. Eu estou com Will agora.
– Eu acho uma ótima ideia. – Respondi. Nós fomos para os fundos da casa e ficamos ali por um tempo. E eu posso te garantir, não estávamos conversando.
...
Acordei relativamente tarde. A festa acabou um pouco (muito) tarde, pelo menos para mim. Como vocês já devem ter percebido, eu não vou muito para festas. Uma boa quantidade de pessoas dormiu aqui em casa. Fora os que já estão agregados aqui, ficaram também os amigos do Tyler e do Gustavo (inclusive a Amber... vou nem comentar), meus primos e alguns seres da escola. Eu fiquei meio relutante em deixar um bando de estranhos dormirem na minha casa, mas Holly disse que eles são gente boa, então eu deixei. Não sei se fiz certo, mas já está feito.
Ganhei muitos presentes (lê-se “livros”) ontem. Se eu gostei? Cara, eu sou a pessoa mais feliz do mundo! Exagero? Talvez um pouco. Mas eu amei meus filhos novos. Também ganhei alguns CD’s do Daniel, Marco e Silas. Já disse que eles tem bom gosto musical?
Me levantei com dificuldade, peguei uma roupa qualquer e fui para o banheiro. Fiz minha higiene matinal e desci. Não faço ideia de que horas são, mas parece que todos já estão acordados faz tempo: a casa está arrumada, tem cheiro de comida no ar e ouço muitas vozes vindo da cozinha.
– Ah, vocês ainda estão aqui. – Disse tentando parecer animada. Sem sucesso.
–Nossa, Jennifer! Nos ame menos! – Disse Isabelle com um tom de ironia evidente.
– Desculpa, Isa. Eu ainda to com sono...
– Tudo bem. Eu só tava brincando. – Sorri. – E a Amber? Ela já foi?
– Graças a Deus! – Respondeu David.
– Ei! – Protestou Rebecca. – Ela não está, mas eu estou. – David revirou os olhos.
– Grande coisa! – Murmurou.
– Gostou da party de ontem, Jenni? – Perguntou Lauren.
– Adorei!
– A ideia foi totalmente minha! – Disse Katie. – Já pode começar a me amar! – Eu ri.
– Não totalmente, Katie. – Disse Zoe. – Derek que teve a ideia, na verdade. – Completou calmamente.
– Bom, eu tive a ideia de fazer a comemoração. – Rebateu Katie.
– Mas eu que tive a ideia da festa! – Exclamou Derek.
– E eu que cuidei da decoração. – Informou Lauren.
– Gente! – Gritei. – Eu sei que cada um fez alguma coisa e eu agradeço por isso. Nada teria ficado como ficou se cada um de vocês não tivesse feito alguma coisa. Obrigada.
– Mas o Joseph não fez quase nada. – Foi a vez de Mark falar.
– E o Elliot não fez nada. – Protestou Joseph.
– Ok. Já chega! – Gritei novamente. – Vocês estão começando a agir feito crianças. Vamos parar, néh?! – Eles concordaram.
– E o tornozelo? – Perguntou David.
– Bem melhor!
– Que bom.
– Você já pediu desculpas? – Gustavo quis saber.
– Gustavo, cala a boca! – Exclamei. Ele me olhou sério e os outros riram.
– Não, tudo bem, Jenni. Ele tem razão. – Disse David. – Desculpa por aquilo. Eu devia ter olhado por onde andava.
– Tá tudo bem. – Disse e fui para a sala me sentar no sofá. Estava com preguiça de ficar em pé. Alguns me seguiram. Silas se sentou ao meu lado.
– Primeiro o Tyler, agora o Will. – Ele sussurrou. – O que eles tem que eu não tenho? – E foi embora me deixando totalmente sem reação.
– Hey, Jennifer. – Isabelle me chamou. – Eu dei uma olhada nas suas coisas enquanto você estava fora. Espero que não se importe.
– Não. Tudo bem. – Não tenho nada de interessante mesmo. Apenas meus livros e meus CD’s, que não são muitos.
– Achei seus CD’s e vi que você tem um ótimo gosto musical.
– Ah, valeu! – Disse com um sorriso.
– Aqui. – Ela disse me entregando um embrulho. – Eu sei que já te dei um presente, mas eu vi que era o único deles que você não tinha e achei que você iria gostar. É o meu preferido!
– Ah, Isa. Não precisava. Sério! – Abri o embrulho. Era um CD do Guns ‘n Roses. – Ai meu Deus! Muito obrigada! Eu amei! – Disse a abraçando.
– Eu disse que você ia gostar.
O resto do dia se passou tranquilo. Bom, pelo menos fora da minha cabeça, porque lá dentro eu só conseguia pensar no que Silas me disse.
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