Amor fotografado - Primeira Temporada
19 Capítulo 18 - A festa
Notas iniciais
Eu não podia estar mais surpresa! Por que Silas se mudaria pra esse fim de mundo? Até onde eu sei, ele morava num apartamento com os pais na “zona nobre” da cidade. Eu, sinceramente, não esperava vê-lo novamente. Eu tinha esperança de que ele sumisse do mapa, porque eu não tinha a mínima vontade de voltar a olhar para a cara dele e ainda não tenho. E agora eu vou ter que vê-lo todos os dias.
– Jennifer, pensei que não viesse. – Silas disse voltando sua atenção para mim.
– Eu... Anh... – Pigarreei. – Não podia deixar de dar boas-vindas ao meu novo vizinho. – Completei tentando manter minha voz firme.
– É claro que não. – Concordou. – Devo dizer que essa noite você está especialmente gata! – Comentou me olhando de cima a baixo.
– Ah, obrigada. – Eu não poderia estar mais desconfortável.
– Vamos. Temos que encontrar Will. – Disse Holly percebendo meu desconforto. Olhei para ela agradecida. Ela assentiu num movimento de cabeça quase imperceptível.
– Jennifer podia ficar comigo enquanto vocês procuram por ele. – Eu é que estou imaginando coisas, ou essa frase te duplo sentido? – Encontramos com vocês depois.
– Pra quê? Temos a noite toda pra conversar. Nos vemos depois. – Disse um pouco rápido demais e sai andando. As meninas me acompanharam.
– O que foi aquilo? – Perguntou Mary quando já estávamos distante de Silas.
– Na verdade, nem eu sei. Nunca gostei dele.
– Vocês só se viram uma vez! – Disse Holly.
– A não ser que tenha rolado alguma coisa nessa uma vez. Daí rolou uma segunda vez, uma terceira, quarta...
– Claro que não! Você ficou louca? — Quase gritei. Logo avistei Will, para minha salvação. Ele estava conversando com 3 garotos que eu logo reconheci. Eram Daniel, primo dele, Marco e Charlie, namorado de Holly. – Achei Will. – Disse fazendo um sinal em sua direção. – E seu namorado também, Holly. – Ele se encolheu.
– Vamos lá. – Disse Mary nos puxando.
– Oi. – Eu disse quando nos aproximamos.
– Oi, Jenn... Uau! – Disse Will para mim. – Você tá... – Fez uma pausa. – Uau! – Eu ri.
– Obrigada. Meninos, bom ver vocês de novo. – Disse voltando-me para os outros.
Conversamos por um tempo. Eles são tão legais quanto me lembro. O bom é que nunca falta assunto para conversarmos. Sempre tem uma banda ou uma música nova, um filme, uma série de TV ou uma história para ser contada ou comentada. A companhia deles é realmente muito agradável. Depois de alguns minutos, o DJ, finalmente, chega. Uma música eletrônica começou a tocar alta e algumas pessoas correram pra pista de dança.
– Ah, eu quero dançaaaarr.... – Gritou Mary já se sacolejando. – Vamos, Marco? – E lá foram eles. Charlie e Holly foram pra algum lugar. Sobraram apenas eu, Will e Daniel. Continuamos conversando por um tempo até que Daniel me chama pra dançar e eu recuso.
– Ah, qual é. Vamos! É noite de festa! Você não se importa, néh, Will? – Ele perguntou.
– Claro que não. – Will respondeu. – Eu acho que você deveria ir. – Me encorajou.
– Mas eu não sei dançar. – Disse ainda tentando não ser arrastada pra pista de dança.
– Eu te ensino. – Disse Daniel. Por fim, me dei por vencida e fui. – Apenas sinta a música. – Gritou por causa da música alta.
Ele dança super bem. Aliás, todo mundo ali dança super bem. Me senti mais deslocada do que nunca. O que eu estava fazendo numa festa daquela acompanhada por caras mais velhos e populares da escola? Eu sou a desastrada, alvo de piada da escola, a garota estranha que gosta de ler e acredita em conto de fadas e finais felizes. Eu não deveria estar ali.
– Vou beber alguma coisa. – Disse no ouvido de Daniel. Não estava a fim de gritar. Abri passagem no meio das pessoas e cheguei nas bebidas. Tinha muita bebida alcóolica de modo que eu demorei pra achar o refrigerante. Só tinha um guaraná, o resto era de uva, laranja, limão e o caramba. Quando estava prestes a pegar a latinha, algum infeliz mete a mão na minha frente e pega.
– Ei. – Digo. Mas que mundo é esse em que as pessoas pegam o último guaraná praticamente da sua mão?!
– Ei o que? – O garoto disse se virando pra mim.
– Tyler? O que você tá fazendo aqui?
– O que você tá fazendo aqui? Pensei que tivesse saído com as meninas.
– É. Eu saí pra cá. – Nesse momento eu me lembrei quem era o dono da festa em que nós estamos e pensei “Vai dar treta.”. – Tyler, você sabe de quem é essa festa? – Perguntei. Ele me entregou o guaraná.
– Não. – Deu de ombros. – Só sei que é um amigo do Gustavo ou algo assim. Por que? – Pegou uma coca.
– Nada. – Menti. Se ele não sabia, não seria eu quem contaria. – Então... – A situação é a seguinte: eu não sei como agir em festas, pois nunca fui pra uma de verdade. Logo, não sei como agir quando estou com meu namorado numa festa. Eu esperava que ele dissesse alguma coisa, mas ele só ficou me encarando. Então, eu quebrei o silêncio. – Vou voltar lá pro pessoal, tudo bem?
– Ou você pode vir comigo e conhecer outras pessoas. – Isso me apavorou. Não a parte de ir com ele, mas a parte de “conhecer”, porque do jeito que eu sou sociável...
– Tá bem. – E fui com ele. Durante todo o caminho, eu pensei em alguma forma de sair dali, mas não consegui pensar em nada convincente.
Entramos numa roda de amigos e Tyler logo começou a conversar enquanto me abraçava pela cintura. Mesmo com ele ali, me sentia desconfortável. Sentia como se eu fosse pagar um mico a qualquer momento. Se não fosse por Tyler me abraçando, acho que eu já teria levado um tombo.
– Ei, Ty, não vai apresentar sua nova garota? – Disse uma loira, alta e bem vestida. “Sua nova garota.”. Isso me fez lembrar daquele papelzinho rosa, no qual continha uma lista infinita de nomes das ex-namoradas do Tyler. Me senti mal naquele momento. Me senti apenas mais uma na vida dele. E, pela primeira vez, pensei que ele pudesse estar comigo hoje e amanhã me trocando por outra e... Espera, Ty? Que droga de intimidade é essa com o meu namorado?
– Ah, sim. Essa é a Jennifer, minha namorada. – Ele me apresentou. Todos começaram a rir não sei exatamente por qual motivo.
– Namorada? – Disse um moreno alto, musculoso e extremamente lindo. – Desde quando você namora?
– Vocês são todos uns idiotas, sabiam? – Disse Tyler dando um gole na sua coca.
– É, galera. Estão deixando a garota constrangida. – Disse um loiro de olhos azuis, nem magro nem musculoso, alto e bem bonito também. Aos poucos eles pararam rir. Se antes eu estava me sentindo deslocada e completamente constrangida, agora então... – Como é mesmo o seu nome?
– Jennifer. – Disse o mais alto e firme possível para não demonstrar o quanto eu estava desconfortável e intimidade diante deles.
– Derek. – Disse o loiro me oferecendo a mão, que eu aceitei. – Esses aqui são Katie, Lauren – Apontou para duas morenas altas. O jeito delas me lembra a Holly. – Zoe – Era uma ruiva natural, pequena e fofa. Parecia uma boneca. –, Joseph – Moreno, alto, mas não tanto quanto os outros. Abraçava Zoe pelo ombros. –, David – Era o moreno que havia falado antes. –, Amber – A loira que também havia falado a pouco tempo. –, Rebecca – Também loira. Essas duas parecem ser aquelas amigas inseparáveis. –, Elliot – Moreno, magro, com piercings no nariz, no lábio inferior e na sobrancelha e o braço todo tatuado. Não o tinha visto falar nenhuma vez. Ele me dá um pouco de medo. –, Isabelle – Uma menina de cabelo azul. Ela parece ser bem legal e animada. – e Mark – Moreno, alto, forte e também tatuado.
De cara é possível perceber os grupinhos internos nesse grupo de amigos: Amber e Rebecca; David, Joseph e, talvez, Derek; Katie, Zoe, Lauren; Elliot, Mark e Isabelle. Eu só não sei quem namora ou não, mas tenho meus palpites. É interessante como pessoas tão diferentes podem se dar tão bem juntas.
– Então, florzinha, quanto anos vocês tem? – Perguntou Amber. Eu gosto cada vez menos dessa garota, não me pergunte porquê. Eu só não vou com a cara dela.
– 15. – Digo alto por causa da música.
– Que fofa! – Ela disse.
Fizeram mais algumas perguntas sobre mim. Respondi todas o melhor que eu pude. Quando descobriram que era meu irmão: “Você é irmã do Gustavo?”, Disse Derek, “Bem que eu estava te reconhecendo. Acho que vi uma foto sua quando fui na sua casa uma vez... ”. Quando é que esse povo vai lá em casa que eu nunca vejo?
Quando o assunto “Jennifer” acabou, começaram a contar histórias antigas. Eram bem engraçadas até. Um tempo depois, Gustavo se juntou a nós. Lembrei de Mary.
– Tyler – Disse eu seu ouvido. –, eu vou ali rapidinho e já volto. – Me virei para Gustavo. – Você vem comigo. – Disse o puxando pelo braço.
– Ei! O que foi? Algum problema? – Ele perguntou.
– Sim. Acontece que o dono da festa levou um soco do meu namorado um tempo atrás por ter me agarrado a força. – Ele me olhava como se eu fosse louca. As pessoas tem me olhado assim ultimamente.
– Quando foi isso? – Perguntou.
– Quando eu fui no parque com o pessoal, lembra?
– Ah, já faz muito tempo isso. Eles nem devem lembrar mais.
– É... Você tem razão. – Disse, mas uma parte de mim ainda estava preocupada. – E a Mary?
– Ela veio?
– Claro. O Silas é amigo do primo dela, Daniel.
– Sério?
– É. – Disse. – Como você acha que eu conheço o Silas e estou aqui na festa dele. Não achou que eu tinha vindo por livre e espontânea vontade pra casa do cara que quase me estuprou em público, néh? – Ok, eu exagerei um pouquinho agora. – Eu nem sabia que era a festa dele!
– Alguém já disse que você é muito exagerada?
– Uma ou duas vezes. – Disse dando de ombros. Bufei. – Vamos, temos que achar a Mary.
E lá fomos nós na missão impossível de encontrar a Mary nesse mar de gente. A última vez que eu a vi, ela estava indo para a pista de dança com Marco. Andamos, andamos e andamos e nada dela. Fomos na cozinha, na sala, na varanda, no banheiro, nos quartos, no quintal, na sala de novo. Nada. Onde ela se meteu?
– Ali, perto do DJ. – Gustavo gritou.
– E o que você tá fazendo aqui ainda. Vai lá. – O empurrei. E ele foi.
Não esperei pra ver o desenrolar da história. Me virei pra voltar para perto do Tyler e dei de cara com Silas. Soltei um grito de susto.
– Calma. – Ele riu. – Te achei. Você, por acaso, tá fugindo de mim, Jennifer?
– E eu tenho motivos pra isso? – Perguntei irônica. – Você nunca me agarrou a força nem nada... – Disse.
– Você guarda muito rancor, menina. E num mundo como esse, não podemos nos dar a esse luxo. – Disse colocando as mãos no meu ombro. – Quer beber alguma coisa?
– Uhum... – Murmurei e assenti, sabendo que ele não iria me escutar.
Eu o segui até as bebidas. Ele me serviu uma coca.
– Sabe, Jennifer, depois daquele dia no parque, eu não consegui te tirar da cabeça.
– Onde você quer chegar, Silas.
– Em você. – Ele disse me olhando nos olhos.
Ele se aproximava lentamente. Aqueles olhos castanhos nos meus. Coloquei a mão em seu peito o impedindo de prosseguir.
– Silas... – Fiz uma pausa. – Eu tenho namorado. – Completei. Ele suspirou.
– Quem é o babaca? – Disse desviando o olhar.
– O cara que te deu um soco na cara na última vez que a gente se viu. – Ele começou a rir.
– To falando sério, Jennifer.
– Eu também. – Disse.
– Não. Você... – Olhou pra mim de novo. – Eu não acredito.
– Quer ver? – Eu não sabia porque estava fazendo isso, mas sabia que ia dar problema. Porém, agora eu não podia mais recuar. Eu comecei, agora tenho que terminar.
Procurei por Tyler em boa parte do salão seguida por Silas de perto, mas não demorei muito a achá-lo. Ele está conversando com duas meninas que eu nunca vi na vida, Derek e Daniel. Me virei pra Silas.
– Espera aqui. – Disse e fui na direção de Tyler.
Cheguei perto dele, não cumprimentei ninguém, não dei nenhuma explicação pelo meu sumiço, não disse nada, apenas o puxei pelo braço para que virasse para mim e o beijei. Ele logo correspondeu. Foi um beijo intenso. Eu poderia esquecer que estava no meio de várias pessoas se não fossem pelos gritinhos de algumas pessoas. Claro que não tivemos tanta atenção assim, já que é super normal pessoas fazerem coisas piores que beijar em festas como essa. Nos soltamos por causa do ar. Ele me abraçou pela cintura e encostou sua testa na minha.
– O que deu em você? – Ele disse com um sorriso bobo no rosto.
– Só queria mostrar pra essas ai que você tem dona. – Menti. Seu sorriso se tornou mais largo ainda.
Ele terminou de conversar com o pessoal depois me arrastou para um canto e me beijou. Me soltou e disse ofegante:
– Isso é pra mostrar pra esses ai que você tem dono. – E então ele caiu no chão. Olhei pro lado e...
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