Amor fora da lei
10 Capítulo 10 - Contracorrente
Notas iniciais
Assim que saiu do esconderijo de Leo, Annabeth embrenhou-se na mata em direção à cabana de Jason, capitão do navio “Nova Roma”. Ela sabia que precisava ao menos avisá-lo sobre sua partida. Alguns metros atrás, o marujo de olhos verdes a acompanhava. Ele pensou se o que estava fazendo era sensato, entretanto a vontade segui-la já tinha se sobressaído e agora era tarde, ele não sabia voltar sozinho ao acampamento. Talvez tenha sido culpa de sua curiosidade, também poderia ter sido o magnetismo que a garota lhe causava, ou talvez sua fome de aventura. O mais provável era a junção de todos esses motivos que criaram nele o ímpeto dessa loucura. Convenhamos que a fome de aventura era tão forte quanto sua admiração pela capitã, a verdade é que ele havia se acostumado com a adrenalina correndo em suas veias e não havia acontecido nada de mais a bordo do navio desde o ataque do “camarãozilla”. O que queria dizer que estava a mais de 3 meses sem nenhum tipo de aventura.
Alguns metros depois, já distantes do hangar, o garoto, em um minuto de distração, quebrou um galho com os pés. Para qualquer pessoa desavisada seria algo a ser ignorado, mas não para a Chase que, em um só movimento chegou ao lugar que o garoto estava com a espada a poucos centímetros de sua jugular. Em um primeiro momento o que se via nos olhos do garoto era o mais puro medo, mas esse sentimento logo foi substituído pelo bom e velho olhar de desafio.
–Acho que você não deveria ser tão presunçoso marujo, não é porque eu te poupei da morte uma vez que eu te pouparia de novo! O que você entendeu das minhas conversas de hoje?
–Nada.- Respondeu um pouco vacilante.
A capitã rapidamente mexeu a espada em um movimento que cortou de forma superficial o braço do garoto.
–Odeio mentirosos, fale ou o próximo corte será mais profundo e na sua garganta.- Disse a mulher reposicionando a espada no pescoço do garoto.
–Você sabia que eu estava ali o tempo todo? Por quê não me impediu?
– Percebi quando estava saindo da hangar e presumi que estava me seguindo desde antes, AGORA DIGA! – Falou a garota com raiva nas últimas palavras.
–Eu ouvi tudo e entendi o que estava ao meu alcance. Sou novo aqui, não sei sobre nada sobre vingança, sobre esse Octavian, sobre o que o Leo quis dizer com exagerar e nem sobre sua rixa com a srta. Dare. Mas entendi sobre sua jornada e quero ir com você. – Disse o garoto calmamente, escolhendo suas palavras com cuidado.
– Você não vai e se quiser viver, não me siga mais.- Disse a capitã com convicção enquanto guardava novamente sua espada.
Percy resolveu respeitá-la e seguir por outro caminho. Não sabia ao certo se era o caminho correto, mas estava seguindo sua intuição. O pôr do sol já tinha acontecido há muito tempo e, embora a noite estivesse bem iluminada, caminhar por entre as árvores não era muito divertido, por isso o garoto resolveu apertar o passo. Não havia chances de lembrar o caminho de volta para o hangar de Leo. Mas resolveu tentar a sorte.
Antes de se desesperar, ouviu o que parecia ser de uma correnteza e avançou na direção do que mais tarde descobriu ser um rio. Resolveu seguir pelas margens, sabia que uma hora ou outra aquelas águas desaguariam no mar.
Depois de algum tempo de caminhada, teve a impressão de ver um pequeno reflexo vindo de uma árvore à frente. Um passo para frente e o brilho sumiu, dois para trás e não podia mais vê-lo. Quando achou a posição exata, seguiu em sua direção. Era a primeira arvore na sua diagonal à direita, esta tinha uma fenda em seu tronco e o reflexo vinha ali de dentro, sem pensar em mais nada, Perseu colocou a mão no buraco e sentiu a superfície gélida de algo metálico e em forma cilíndrica, ao puxar o objeto com força, percebeu se tratar de uma espada com a palavra contracorrente escrita em sua base.
Admirado, resolveu colocar a espada em seu cinto como faziam seus colegas, claro que ali não havia o espaço adequado, mas resolveria por hora e sem dúvida Leo o ajudaria a ajustar isso mais tarde. Sem falar que era bom ter uma arma de verdade, Frank o treinou bem com o cabo de vassoura, entretanto uma espada seria bem mais útil quando se tratasse de lutar por sua vida.
Mais algumas horas andando e o dono dos olhos verdes chegou à praia, alguns metros somados enquanto andava pela areia o fizeram capaz de encontrar o acampamento. Todavia, o que mais o surpreendeu quando chegou à porta do chalé de Leo não foi sua sorte absurda, mas sim o fato de uma certa capitã o estar esperando na cabana de Leo.
Fale com o autor