Amor eterno
6 Sem lugar para ir
Notas iniciais
Capítulo 5 — Sem lugar para ir
Clary havia passado a tarde toda na casa das amigas mas não falou nada sobre Liam... Não queria enganar a si mesma e nem a suas amigas, não sabia se ele realmente queria ficar com ela.
Pois bem, suas amigas moram longe e Clary voltou bem tarde para casa. Seu pai com certeza já deve ter chegado do trabalho e se não estão brigando ele deve ter saído para beber e sua mãe deve ter estar dormindo. De qualquer modo se entrasse pelos fundos não chamaria atenção.
Pelo menos foi o que ela pensava que iria acontecer.
Clary abriu a porta da cozinha devagar. A cozinha e a sala eram divididos por uma parede americana então se tivesse alguém na sala ela estaria ferrada.
Começou a andar na ponta dos pés quando ouviu um barulho vindo da sala e olhou para ver quem estava lá. A tevê estava ligada e estava fazendo um barulho baixinho e a luz refletia na parede e em parte do sofá.
Olhou para o sofá e quase gritou. Sua mãe estava estirada no sofá, com o pescoço sangrando e seu pai em cima dela, parecia estar bebendo o sangue.
Clary poderia ter passado ser ter sido vista... se não tivesse feito um barulho mínimo ao encontrar com aquilo. Tampou a boca com as mãos, com os olhos cheios de lágrimas e seu pai a encarou com os olhos vermelhos e o sangue escorrendo pelo seu queixo.
Ele teria ido até ela, mas sua mãe ainda dava sinal de vida e parecia ainda restar sangue. Então ele voltar a se alimentar. Clary pegou uma faca grande que estava largada, em cima da tábua de cortar carne e subiu as escadas e trancou a porta de seu quarto. Não sabia se a porta ia para-lo muito menos a faca que carregava consigo.
Clary não conseguia pensar direito, estava chorando muito. Ela só continuava nessa casa pela sua mãe, que sempre foi a melhor do mundo mas seu pai, não.
Ela ouvia os passos de seu pai subindo as escadas, não tinha para onde fugir a não ser pular a janela e eram quase quatro metros de altura. Ia se machucar toda mas ainda sim poderia ter chances de sobreviver.
Abriu a janela e seu pai entrou no quarto com os olhos rubros, sedento e indo na direção a ela. Clary não teve escolha a não ser pular.
Se jogou janela a baixo e quando chegou lá em baixo, soltou um grito agudo repleto de agonia e ficou sem reação por algum tempo. Tentava se levantar mas não conseguia e um de seus braços não respondiam muito bem aos seus comandos. A única coisa que pode fazer era se arrastar. Seu pai pulou a janela também mas caiu em pé e sem nenhum arranhão.
Enquanto isso Liam dirigia seu carro por aquelas redondezas. Sintia que de algum modo, Clary ia precisar dele, e foi quando ouviu o grito dela. Não teve outra reação além de pisar fundo no acelerador e ir até a casa dela.
Clary agora estava se arrastando pelo meio da rua e seu pai era rápido, logo estaria bem perto. Seu único braço estava cansado de suportar todo aquele peso e quando foi se arrastar mais uma vez ele falhou e ela ficou deitada ali apenas esperando pelo seu pai, ia morrer mesmo...
Quando Liam chegou, viu Clary jogada no chão, com alguns arranhões. Abriu a porta do carro e foi rápido até ela.
– Clary, o que aconteceu com você?! — Ele perguntou com uma preocupação de doer o coração no rosto. Clary não conseguia falar muita coisa, estava assustada.
– O meu pai ele... — Ela disse tentando se levantar mas não conseguia. E também não teria mais tempo. Seu pai estava perto.
– Vai ficar tudo bem — Suspirou ele ainda preocupado — Eu prometo.
Ele a pegou no colo. Ela era tão pequena nos seus braços.
– Ele matou a minha mãe — Sussurrou Clary num tom engasgado e com as lágrimas começando a rolar pelo seu rosto e Liam encarou o pai dela e viu os olhos rubros, sedentos pelo sangue da própria filha e entendeu tudo.
A raiva tomou conta do corpo de Liam. Como ele poderia querer matar a própria filha? Tudo bem que a sede é horrível mas a maioria de nós preferiria matar uma pessoa desconhecida do que alguém que dependeu de você também para nascer.
– Não vai querer ver isso — Disse Liam colocando Clary no banco do carro deitada e fechou a porta.
Clary chorava e também estava com medo, Liam foi atacar seu pai! Ela não podia perde-lo também, Liam não... Tentava se levantar para olhar pela janela mas não conseguia.
Liam parou na frente do carro e o pai de Clary se aproximava, não havia desistido mesmo e abriria a porta do carro se fosse preciso.
– Não vou deixar você machuca-la novamente — Disse Liam contendo a raiva com a voz e os punhos trêmulos. Tanto cuidado para mante-la segura quanto vampiros como ele e mesmo assim não deu certo. Provavelmente depois de saber a verdade nunca mais vai querer vê-lo e ele tinha medo disso. Mas ela merecia saber.
O pai de Clary foi para cima de Liam, o que era de se esperar de um recém criado. Desviou facilmente e arrancou sua cabeça. Pegou os pedaços do corpo e colocou para queimar. Não podia demorar ali, Clary ficaria preocupada. Então voltou para o carro e abriu a porta.
– Vai ficar tudo bem agora — Suspirei e ela assentiu.
– Se não tivesse aparecido eu acho que estaria morta agora — Sussurrou Clary com a voz falha e ela ainda chorava. Não gostava de vê-la chorando e ela estava certa. Não conseguia nem pensar na possibilidade de ela ter morrido, era demais para ele.
– Ei, não fala isso... — Sussurrou ele abraçando-a forte. Clary enterrou seu rosto no peito dele.
– A única coisa que me mantinha naquela casa era ela... agora não sobrou nada — Disse Clary com as lágrimas escorrendo pelo rosto — Não sabia que vampiros existiam...
– Sinto muito Clary — Liam disse enquanto fazia cafuné em seu cabelo, incomodado com a última frase da garota — E sim, vampiros existem. Eu tenho que te contar uma coisa.
– O que? — Perguntou Clary ainda encostada em seu peito.
– Não tenha medo Clary, não vou de machucar, já teria feito-o — Suspirou Liam — Eu também sou um vampiro.
Clary ficou em silêncio por alguns minutos. Deu para ver que na hora em que ele tinha dito ser vampiro, ela ficou mais tensa, mas não saiu de perto dele.
– Por que não me contou antes? — Perguntou ela.
– Tinha medo que se afastasse de mim — Suspirou ele. — Afinal, sou um monstro.
Clary o encarou indignada.
– Você não é um monstro Liam! Não é por que é um vampiro que seria um. Meu pai era um monstro mesmo antes de virar vampiro, o que nos torna um monstro é o que nós decidimos fazer... E se você fosse um monstro eu... eu não estaria aqui agora.
Liam suspirou.
– Estou esperando você ficar assustada — Disse ele.
– Eu já estou assustada mas não por causa de você. Eu vi ela morrer na minha frente! — Sussurrou Clary trêmula e ele a apertou mais forte.
Liam ficou calado, não tinha o que falar.
– Quero ver o que vou fazer agora — Sussurrou Clary.
– Vai ficar comigo — Falou Liam.
– Não quero atrapalhar — Ela engoliu em seco.
– Não vai atrapalhar.
Clary não teve muito o que falar então ficaram mais alguns minutos assim até que finalmente perguntou.
– Liam, meu pai era tão rápido... quais os poderes que os vampiros tem?
– Acho melhor falarmos disso lá em casa. — Suspirou Liam indo para o banco do motorista. Clary assentiu e encostou a cabeça na vidro e ficou o caminho todo assim. Liam achou que estivesse dormido mas quando chegaram percebeu que ela chorava de novo.
Ele saiu do carro, e abriu a porta para ela. Agora ela conseguia ficar de pé, talvez o medo não tenha deixado ela andar aquela hora. Então ele envolveu o braço dela em seu pescoço e a ajudou a caminhar até a casa.
– Vai ficar tudo bem... — Suspirou ele. Queria falar isso o máximo que pudesse, talvez a ajudasse — Você precisa dormir.
– Não vou conseguir — Sussurrou Clary trêmula mas se deitou no sofá. Estava cansada então fechou os olhos rapidamente mas logo estremeceu e abriu os olhos. A imagem da sua mãe no sofá a atormentava.
– O que foi? — Perguntou ele.
– Eu disse que não conseguiria — Sussurrou ela e ele se deitou do seu lado e encostou a sua cabeça em seu colo, começou a mexer em seus cabelos e a cantar uma canção bem baixinho.
Clary fechou os olhos novamente. A imagem continuava lá. Ela se encolheu mas não abriu os olhos. Ia ter que aprender a conviver com isso.
Quando ela conseguiu dormir, Liam saiu de lá devagar para não acorda-la e foi caçar. Não podia ficar com fome se ela vai morar aqui agora.
Clary dormiu por mais um tempinho até que começou a ter pesadelos. A cena de quando chegou em casa ficou se repetindo toda vez que acabava e ela acordou gritando e tremendo.
Liam que ouviu o grito voltou para a casa, já tinha acabado de se alimentar mesmo...
– Pesadelos? — Ele perguntou se aproximando dela abraçando-a quase que urgentemente. Clary assentiu tremendo e eles se deitaram novamente.
– Quando eu sonho, nunca sei se é sonho ou vida real. Não sou mais dona de meus pensamentos ali e também não sou racional — Sussurrou Clary tremendo.
– Isso é horrível.
Clary assentiu e ele voltou a fazer cafuné em sua cabeça e a cantar baixinho.
Como da última vez, Clary não demorou para dormir e os pesadelos continuavam mas dessa vez ela não conseguia acordar. Ela chorava algumas vezes e ele secava todas suas lágrimas, o incomodava muito vê-la chorando. Ela era tão frágil... Tão alheia ao seu mundo que chegava a assustar.
Clary continuou tendo pesadelos a noite toda mas não acordava, era torturante. E Liam ficou do seu lado até amanhecer.
Fale com o autor