Amor eterno
3 A casa de vidro
Notas iniciais
Clary não sabia nada sobre aquele cara particularmente lindo mas ele não saiu de sua cabeça nem tão cedo. Ele era diferente de qualquer um que tenha conhecido... Não era nada fácil achar um cara que abria a porta do carro para uma garota ou talvez impedisse que ela caísse.
Ela ficou o dia todo pensando nele, na escola não conseguiu se concentrar, mas não dava a mínima. A escola era um saco, dificilmente aprendia algo que já não soubesse... Ela já havia lido tanto! Felizmente era o último ano ali e ela faria dezoito ano que vem. A faculdade iria esperar por ela e uma casa nova também.
Já estava escuro quando ela saiu da escola... Mas não queria ir para casa, muito provavelmente teria briga.
Então ela se aproximou da mesma praça de sempre e se sentou lá, pronta para ler. Aquele livro parecia ser incrível e ela torcia para não chegar logo uma parte triste que faz todo mundo chorar afinal, ela odeia chorar na frente dos outros. Alguns minutos depois, ela já estava totalmente envolvida pela história do livro quando escuta alguém falando atrás dela.
– Ahn... Eu juro que não estou te seguindo — Uma voz masculina falou, seja quem for ele, parecia estar sorrindo. Clary olhou para trás e viu Liam. O coração quase saiu pela boca e as borboletas na barriga pareciam querer rasgar sua pele até voltarem a ser livres.
– Tenho sérias dúvidas — Sorriu ela.
Ele suspira.
– Não duvide... Posso me sentar? — Ele perguntou apontando para o banco e ela assentiu. Ele se sentou do seu lado e ela fechou o livro e alisou a capa com a mão. — Romance?
– Sim... e um pouco de drama, imagino — Ela suspirou. — Ouvi dizer que todos choram ao ler isso. Não acho que comigo vá ser diferente.
Ele sorriu e ela colocou o livro no banco, ao lado dela.
– Você estuda, Clary? — Ela perguntou com uma certa curiosidade no olhar.
– Sim... Estou no último ano e depois vou para a faculdade — Suspirou ela estremecendo e abraçando as pernas... Estava ficando frio. — E você?
– Faculdade... Qual pretende fazer? — Ele perguntou tirando a jaqueta e entregando a ela — Tome.
– Como você... — Clary ia perguntar enquanto colocava a jaqueta acanhada, mas ele a interrompeu.
– Você estava tremendo... Mas enfim, qual quer fazer?
– Psicologia.
– Ótima escolha — Ele elogiou sorrindo.
– Obrigada — Sorriu ela meio envergonhada — Qual você cursa?
– Medicina — Ele suspirou.
– É uma ótima escolha — Sorrio Clary — Mas tenho medo de agulhas então... não.
Ele sorri.
– É um medo bem comum...
Clary suspira e assente. Então olhou para cima, não percebeu como o tempo havia passado tão rápido. Precisava ir para casa mas não queria, era todo dia a mesma coisa, os pais brigando e ela não quer voltar para casa.
– No que está pensando? — perguntou ele curioso.
– Se vou ou não para casa...
– Você quer ir? — Perguntou ele.
Clary negou com a cabeça.
– Então não vá — Ele suspirou.
– Aah claro e ficar aonde? aqui é bem provável que venha alguém me sequestrar no meio da noite.
– Sequestros não acontecem em Forks — Sorriu ele.
– Nunca se sabe, sempre tem a sua primeira vez — Suspirou Clary.
– Onde suas amigas moram? — Perguntou ele.
– Em outra cidade — Suspirou ela — Elas vem de longe por que o ensino aqui é melhor. Onde você mora?
– Eu não moro na cidade... — Suspirou ele — Eu moro perto da floresta.
Clary assentiu.
– Olha eu tive uma ideia mas... — Ele suspira — Ia perguntar se você ia querer dormir na minha casa mas você quase não me conhece... me fale suas amigas moram.
– É longe, com certeza muito mais longe que sua casa. Olha, se é de confiança que está falando não se preocupe, eu confio em você -
Clary suspirou.
– Confia num estranho que conheceu um dia antes? — Ele soltou um sorriso pequeno.
– Não é o primeiro ato impulsivo que pratico — Ela sorriu.
– Vamos então? — Ele perguntou se levantando e oferecendo ajuda para que ela se levantasse também.
– Vamos — Sorriu Clary vermelha pegando seu livro e aceitando a ajuda. Ele a levou para seu carro e abriu a porta para ela. Como se ela já não estivesse envergonhada o suficiente, estava parecendo um pimentão.
– Você... Sempre faz isso? — Ela sorriu acanhada.
– O que? Abrir a porta do carro? É educação e eu gosto — Sorriu ele.
– Eu também — Sorriu Clary e ao perceber que a sua resposta foi meio estranha, corou e reformulou — Quer dizer... é diferente, quase ninguém faz isso.
Ele sorri e liga o rádio baixinho.
– Que tipo de música você escuta?
– Gosto de Rock Light, Indie e um pouco de Pop Rock e Alternativo — Suspirou ela — Mas as músicas que tem me prendido mesmo são as tocadas no piano ou no violão independente de que gênero... E você?
– Eu gosto de piano também... Debussy principalmente — Ele suspirou.
– É lindo — Ela sorriu.
– Sabe tocar piano? — Ele perguntou.
– Bem que eu queria — Sorriu Clary — Você toca?
Ele assentiu.
– Posso te ensinar um dia... é só me falar qual.
– Esta bem — Sorriu Clary — Você... mora sozinho?
– Agora sim — Ele suspirou. Parecia triste.
– Por que?
– Eu morava com a minha irmã. Mas nós brigamos... E ela foi morar na Itália.
– Nossa... tão longe assim? — Perguntou Clary.
– Para ela, quanto mais longe melhor... — Ele suspirou.
– Não se preocupe... — Disse Clary — Nunca vi uma briga entre irmãos durar para sempre... Vocês vão se entender uma hora.
Ele não respondeu dessa vez mas parecia ter aceitado o que Clary disse.
– Vai demorar muito? — Perguntou Clary encostando a cabeça no vidro.
– Faltam uns dez minutos — Sorriu Liam.
– Do que está rindo? — Perguntou Clary.
– Da sua impaciência — Ele sorriu novamente e Clary não respondeu.
Alguns minutos depois, eles chegaram... Era uma casa grande com várias partes todas feitas de vidro. Era tudo bem calmo.
– Nossa — Disse Clary sem palavras.
– O que foi? — Perguntou Liam.
– É linda! — Ela sorriu.
– É muito grande — Sorriu Liam.
– Ainda sim, linda!
Ele suspirou e saiu do carro, deu a volta e abriu a porta para ela. Pegou sua mão e a levantou.
– Vamos, vou te mostrar a casa — Sorriu ele. Clary sorriu acanhada e assentiu então ele puxou-a casa a dentro.
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