Amor, esperança, estrelas e outras coisas mais
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Já havia se passado um mês desde quando tudo havia começado, era como se a paz estivesse voltando a reinar. O outono já tinha ido embora, dando lugar ao inverno, o sol brilhava naquela manhã, fraco, mais ainda não tinha previsão para nevada mas nem por isso os casados ficariam dentro dos guarda-roupas, o vento que cortava a cidade estava congelando. Jane estava a caminho da casa de Maura, elas tomariam café da manhã juntas e não era nem sete da manhã, sendo assim a combinação perfeita para que a morena estivesse com o mal humor matinal em uma escala de 0 a 10, estava -10.
Chegou na casa da loira já passava poucos minutos das sete da manhã, provavelmente Maura ainda estaria dormindo, pensava a morena que entrou com cuidado na casa, certificando-se de trancar a porta novamente. Chamou pela loira mas sem sinal de resposta 'deve estar dormindo ainda' pensara. Deixou as chaves em cima do balcão, e abriu a geladeira na expectativa de encontrar algo comível, ou seja, algo que não fosse orgânico ou derivados daquela natureza alimentícia. Enquanto a morena passava os olhos pela geladeira aberta, sua mente vagou em como ela se sentia tão em casa naquele lugar, conhecia Maura há uns anos e a amizade delas sempre tivera uma ótima evolução. Já brigaram, já discutiram, já estiveram em situações de extremo risco, já foram sequestradas... Oh, a parte mais chata da profissão era quando um dos seus eram sequestrados, a morena até compreendia quando isso acontecia com a própria, afinal, ela tivera treinamentos intensos para sobreviver a este tipo de situação, e odiava quando isso acontecia à Maura, quando os treinamentos da loira não passou de anatomia ou manuseio de um bisturi.
"Espero que esteja pensativa com essa geladeira aberta porque está planejando em fazer um ótimo café da manhã para nós duas. Bom dia, Jane" A morena olhou para a médica que já estava pronta para o trabalho, a morena notou que com o passar do tempo a doutora estava mais "relaxada" no quesito vestuário, relaxada no sentido de que ela não usava mais tanto salto alto ou aquelas saias ou vestidos caríssimos, a morena notou que Maura estava com uma calça da cor vinho, claro que aquilo devia ser algum pano vindo de algum país que ela não fez a mínima questão de saber qual, com uma blusa preta por dentro, nos pés já estava calçada um sapato de salto alto, mas dentro daqueles meses e semanas, a loira estava calçando um sapato daquele após os muitos meses que antecederam àquele.
"Voltou a se adaptar ao salto, doutora?" Jane fechou a geladeira atrás de si, desistindo de preparar algo para comer, com certeza ela iria comer na cantina da delegacia.
"Oh" Maura olhou para os pés, rapidamente pensou consigo que a morena havia reparado que ela dera um tempo nos saltos altos "não estava sendo muito prático, trabalhamos muito nos últimos meses, e com certeza, saltos não eram sinônimos de conforto para aqueles dias"
Jane sorriu. Saltos nunca foram sinônimos de conforto, mas sim de elegância e sofisticação. Ela mesma sabia disso, tinha momentos em que se quisesse aparentar boa presença, ela tinha que usar os malditos saltos e aqueles vestidos que pinicavam seu corpo. Desconfortável. Totalmente.
"Devo dizer que você fica bem com as sapatilhas, mas salto te deixa como se você tivesse acabado de sair de uma revista de moda e, bom, hoje é um desses dias"
Maura riu e a morena a acompanhou, era bom ouvir o som da risada de Maura, a morena sentia que finalmente tudo estava entrando nos eixos novamente.
"Como você está, Maur?"
Aquela pergunta era meio retórica para a loira. O que aconteceu a ela não foi nada comparado às vítimas, mas ser sequestrada em um período do tempo relativamente pequeno era um tanto quanto desesperador.
"Bem, eu acho. Tudo vai ficar bem, não é? A gente sempre fica"
A morena deu-lhe um sorriso, abraçou a loira pela lateral do corpo dando lhe um beijo na testa.
"A gente sempre fica, Maur. Estou orgulhosa de você."
Bom, aquele era um ponto que a loira ainda desconhecia. Encarou a morena e esperou que ela continuasse, Jane não dizia aquilo só para confortá-la. Jane era observadora, sabia usar as palavras na hora certa — às vezes nem tanto assim — mas sabia.
"Bom, você cresceu. Digo, me assusta saber que você é tão boa com um bisturi em mãos quanto eu sou com uma arma" riu "digo... você é encantadoramente forte, Maur, mesmo que ainda você não tenha dado conta totalmente disso"
Maura olhou para a morena e sorriu, não tinha muito o que dizer, Jane realmente sabia falar as coisas para confortá-la, e saber que a morena pensava isso dela, mesmo que ela não usasse um coldre com uma arma, ela era boa no que fazia com um bisturi, e isso ela tinha certeza que era muito boa mesmo. Em uma concordância silenciosa, ambas partiram para a Central, resolveram silenciosamente tomar café na própria cantina.
Cada uma em seu carro partiram para a BPD, quando a loira viu-se sozinha, sua mente trabalhava em como dizer para a morena que havia recebido uma proposta para trabalhar no FBI. Mudar de ares devia lhe cair bem, mas sua vida tinha um divisor de águas entre antes de Jane e depois de Jane, a loira estava mais espontânea e extrovertida até mesmo com pessoas que não faz tanta parte do seu dia-a-dia. O exemplo disso era seu relacionamento com suas mães Hope e Constance, até com seu pai Arthur. A morena durona teve sua parcela de contribuição para que esses relacionamentos passassem do "profissional" para o "pessoal', era claro que a loira ainda não se sentia a vontade para chamar a mãe biológica pelo nome afetivo "mãe" mas em uma escala de zera a dez, o relacionamento entre Hope e ela estava beirando os dez, ou passando. Com Constance tudo melhorara a cem por cento desde aquele dia em que sofrera um acidente e seu pai biológico Paddy havia voltado. Quanto ao pai, ela tentava ao máximo não transparecer que se importava com o homem e que mesmo indiretamente ou inconscientemente ela sentia uma leve conexão com o homem, por mais que ele não tivesse feito parte da vida de Maura, ele fez ainda que indiretamente. As formaturas do colégio, a formatura do colegial, da faculdade. Todos os eventos importantes para a loira, seu pai biológico estava presente. E ela sabia que sangue era sangue, impossível não sentir a conexão. Paddy podia ser quem fosse, mas a loira sabia que com ela e com sua mãe Hope, ele era totalmente diferente e era diferente até mesmo com Constance e a loira podia arriscar esse pensamento.
Inevitavelmente ela pensara novamente em Jane. A morena também faz parte da vida dela, e fez parte de todos os momentos da loira e ela sabia que todos os momentos com Jane, sendo bom ou não, eram e são importantes. Ela tinha dito que se orgulhava de quem Maura se tornou, mas esse crescimento ela atribuía a Jane. A morena a ensinou muitas coisas, como: nem todo ser humano é ruim. alguns são extremamente confiáveis e ela pôde saber disso não somente na teoria, mas também na pratica. A prova disso eram os colegas e amigos do trabalho; a ensinou a ser forte não somente por fora mas também por dentro; a loira podia dizer com certeza que o seu roll de amizade era extremamente o maior que ela já tivera em toda sua adolescência e juventude e tudo isso graças a Jane Rizzoli.
Sorriu. Definitivamente, aquele cargo no FBI era pra ser pensado. Quem sabe Jane não a acompanharia? Elas eram uma dupla e tanto, e podiam muito bem trabalhar juntas em um novo local, mas também poderia ser arriscado, afinal Jane era Jane.
***
Naquele mesmo dia a temperatura havia caído consideravelmente, Jane pensava que os meteorologistas podiam fazer suas apostas todas as vezes em que eles acertavam as previsões sobre o clima. Não tinha muito o que fazer lá em cima, pensou em ir ver Maura e foi o que fez, queria fazer algo no próximo fim de semana, e queria saber se a loira toparia uma sessão de filmes como "Duro de Matar" passou na cafeteria e pegou dois copos de café,um para ela e outro para a loira.
Estava em direção ao elevador quando Robert, um dos guardas que recebiam as cartas direcionadas aos integrantes do departamento a chamou.
"Detetive Rizzoli, espere; entregaram isso hoje. Está direcionado a você."
"Obrigada, Robert."
Pegou o envelope e assim desceu para a sala de Maura. Chegou no andar da loira e foi direto para a sala da loira, queria ver o que estava escrito naquele envelope, ela não se lembrava de ter solicitado alguma coisa que viesse através do correio, não tinha comprado nada pela internet também, ou seja, não fazia ideia do que seria.
"Hey, Maur. Trouxe café"
Jane colocou o café p envelope na mesa de centro, e sentou-se no sofá, experimentando o liquido quente que descia por sua garganta esquentando lentamente seu corpo.
"Vai fazer o que no fim de semana? Estou pensando em fazer uma maratona de filmes"
"Do Nicholas Sparks?"
"Ah, por favor. Sério? Existem filmes mais interessantes e atraentes, muito mais."
"Tem dois filmes que eu quero assistir..."
"Quais?"
"Um filme é francês 'azul é a cor mais quente' e 'Carol'"
Jane quase se engasgou com o café quando ouviu a loira pronunciar o nome do primeiro filme.
"Sério? Azul é a cor mais quente é como se fosse um cinquenta tons de cinza só que lésbico e nenhum pouco sadista. Aonde você ouviu falar sobre esse filme? e Carol?"
Maura riu. Às vezes Jane era adorável quando ficava daquele jeito meio "o meu Deus do que você tá falando"
"Sim. Na verdade eu estava lendo algumas criticas sobre filmes, e aí surgiu essa temática. Eu nunca vi nenhum filme desse gênero, você sabe que eu prefiro os científicos, mas eu realmente fiquei interessada em ver"
"Ok. Vou assistir minha coleção de "Duro de Matar" na minha casa mesmo. Não to afim de ver um jogo de anatomia lesbica, não que eu tenha algo contra, eu só... Não fico a vontade de ver um filme desses ao seu lado"
"Por que?"
"Ah, qual é. Giovanni ainda acha que somos um casal, Maur"
"Nunca desmentimos, e sempre, ou quase sempre, passamos por um casal Jane. Ou não se lembra quando fomos àquele parque do Sansei Matta? Love and Light"
A morena riu junto com a doutora, e ela — Jane — sabia que às vezes era facilmente confundida, e já teve vários trabalhos em que teve que se passar por algo que nunca havia sido. Intimamente dentro de si, sabia que era muito bom ser confundida como namorada da loira, os caras não chegavam perto — os inteligentes não chegavam perto, porque os saidinhos e sem medo da morte ainda arriscavam uma olhadela ou mais alguma tentativa- e elas nunca desmentiram nada.
"Estávamos a trabalho, Maur. Não conta"
"Com o Giovanni não estávamos a trabalho"
"Claro, ele queria lamber sua cara. Eu te livrei de uma."
"Ok, não me lembre disso. É muito estranho. E esse envelope?"
"Não sei, veio adereçado a mim, mas deve ser um daqueles lugares dando promoção para que a pessoa vá passar o dia de Ação de Graças ou Natal."
"E se for você vai?"
"Maur, no frio eu só saio de casa pra trabalhar e pra ir pra sua casa, olha bem pra mim, e veja se eu faço o tipo Tibet? Não mesmo! Em casa eu vejo isso, preciso terminar a papelada, só vim te ver"
"Janta comigo hoje?"
Jane pegou o envelope, e jogou a copo de café no lixo, estava saindo quando ouviu a pergunta da loira, virou-se e concordou com a cabeça
"Desde que não haja filmes pornográficos, sim"
"Talvez, quem sabe? Prefiro fazer do que assistir, Jay"
Ok. O que Maura estava dizendo? O que tinha no café da loira que não tinha no dela. Jane apenas arregalou os olhos e concordou com a cabeça, não sabia o que dizer e então rumou-se para o elevador, quando fechou as portas a morena sorriu
"Maura, Maura..."
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