Notas iniciais
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Relembrar aquela cena de meses atrás fazia o estomago de Jane revirar. Como aquelas pessoas pararam ali? As pistas estavam escassas, o que eles podiam fazer, por hora, era esperar todos os laudos da perícia e da legista-chefe; a contagem oficial dos corpos enterrados ali era no total de trinta, entre homens e mulheres. Eles não sabiam ideia de onde começar, com quem estavam lidando, traçar um perfil do assassino só com a visibilidade daqueles corpos roxos de frio não daria certo.

Maura havia liberado a remoção dos corpos, feito uma analise por cima, ela pode ver que em todos os corpos haviam cicatrizes de cirurgia e pequenas agulhadas nos braços daquelas vítimas. O tráfico de órgãos. Mas Maura não diria nada até que tudo fosse comprovado pela autópsia. Naquela mesma tarde mais tarde, todos os corpos chegaram à sala da doutora Isles, apenas os exames foram feitos, ela começaria todas as autópsias no dia seguinte.

"Amanhã iremos começar cedo o dia..."

"Acho que temos tempo o suficiente pra receber todos os resultados dos exames que solicitei, Jane."

"Você tem alguma suposição? Mesmo eu sabendo que você não supõe nada, só... você sabe, pra termos um norte lá em cima..."

Maura suspirou, ela sabia que Jane era sutil demais em querer saber o que ela pensava ou qual era sua suposição sobre algo "Eu acho, não estou afirmando nada, Jane, mas pode ser que seja tráfico de órgãos, porque todos tem um corte da parte torácica até a região estomacal..."

"É, e isso é um ótimo jeito de ficar rico fácil."

***

Voltando à sua realidade, depois de concluídas as investigações depois, porque a equipe de Jane cavaram a fundo para encontrarem os suspeitos por trás dos crimes... Obtendo a ajuda da CIA, FBI, da Segurança Internacional e Nacional, os mocinhos conseguiram prender todos os envolvidos, mas infelizmente, quando você destrói uma máfia, outra é criada no próximo instante. Mas a morena nunca entenderia porque pessoas que tinha alto poder aquisitivo estavam envolvidos naqueles atos desumanos. Levantou-se de sua cama, estava cansada de pensar naquele maldito caso. Ser detetive tinha seus bônus na mesma proporção em que se recebe o ônus

***

Naquele mesmo dia, pela manhã, Maura estava debaixo de seus cobertores. O frio parecia que a cada dia piorava mais, sentia-se sufocada. Aqueles meses estavam sendo totalmente desgastantes, muitas horas de trabalho e poucas horas de descanso. Tráfico de órgãos era assunto da Segurança Internacional, mas eles colocaram a mão no caso porque encontraram corpos jazidos no solo de Boston, na jurisdição da BPD. Maura sabia que mexer com esse tipo de máfia era perigoso demais, uma coisa era quando máfia matava apenas bandidos ou delatores de seus feitos, outra coisa era quando tudo ocorria pela Deep Web*

"Não devíamos ter acesso a este site, Jane. É muito perigoso"

"Temos ótimos hackers trabalhando com a gente, Maur... Ficaremos bem, logo tudo isso terminará"

Maura sentia-se nauseada com os sites ocultos que tinha naquele tipo de rede, sempre fora uma mulher de empatia, e nunca ferira alguém (exceto em caso de legítima defesa) e mesmo assim, sentia-se mal por alguns dias, mas aquelas cenas contidas ali era demais. A legista pensava em como podia haver pessoas sem pudores e sem um tipo de comoção com a vida de outra pessoa. Por Deus, aquilo era crime hediondo e todos aqueles que acessavam ou que criavam sites por àquela rede oculta, eram dignos de morrer na cadeia com prisão perpétua ou com a pena de morte.

Mas naquela manhã, ela ia depôr contra todos os maiorais que estavam envolvidos naqueles crimes. Apresentaria ao júri e a promotoria que a ciência é eficaz, e que todos envolvidos pagariam o preço por tirarem a vida de alguém para benefício próprio.

Maura ainda se surpreendia em como o ser humano podia ser cruel. Ela sabia lidar com a morte, todos os dias ela lidava com ela, mas nem por tornou-se tão fria quanto os corpos que passavam em sua mesa. Acreditava piamente que, mesmo sendo legista há tantos anos, nunca se tornaria totalmente fria. Demonstrava sua frieza com a morte, mas sentia muito por aquelas pessoas que foram mortas a troco de dinheiro rápido, como se nunca tivessem sido nada na vida de alguém. Todas aquelas pessoas que foram encontradas naquele campo deixaram para trás sonhos, amores, familiares, vontades, desejos e amigos, mas não porque elas queriam, ninguém morrer, mas isso foi tirado pelo simples fato de que a ganancia do ser humano para ter dinheiro e para se sentir superior a outros estava sobressaindo ao que todos deviam ter: amor ao próximo, e não apenas o amor àquilo que faz alguém se tornar um monstro dormente que não sente nada por ninguém, a não ser por ele mesmo.