Amor entre dois mundos

1 Amor Entre dois Mundos


Notas iniciais
Escrito por: Nathalia Vergara

As vezes a gente só quer deixar tudo para lá. Esquecer as coisas ruins, aproveitar as boas... Esses são momentos de pura felicidade, é como estar no paraíso! E é exatamente assim que as pessoas gostam de se sentir: felizes. Querendo aproveitar o quanto o dia está bom para se sentirem bem mais próximas ao paraíso.

Na verdade, não são só as pessoas que gostam de se sentir assim, animais e outros seres de mundos diferentes também sentem o mesmo.

A prova disso é o destino, crescendo entre dois mundos em forma de uma árvore e por meio de dois adolescentes curiosos...

— Mas pai, eu não quero nada disso! E-eu acho que não conseguiria fazer, não estou pronta, acho que nunca estarei... Mesmo que seja para proteger nosso mundo e a dos humanos! — A garota reclamou. Uma ninfa. Com cabelos loiros, compridos e enrolados; olhos claros como a do pai e orelhas um pouco pontiagudas.

— Eu sei querida, eu te entendo muito bem, mas o que posso fazer? Isso está escrito, foi seu destino. E quando chegar a hora e tentarem destruir nosso mundo você sera uma lenda na memória das pessoas. Você sera uma guerreira Nina...

— Me desculpa pai, eu te amo demais e nunca iria contraria-lo, mas eu não quero ser uma lenda nunca pedi isso! Preciso pensar um pouco, me desculpa... preciso de um tempo para pensar!

Nina então virou as costas e saiu correndo. Não queria aquele peso nos ombros de jeito nenhum... Continuou a correr por bastante tempo, distraída, que nem percebeu quando quase bateu em uma enorme árvore. "Sera essa a grande árvore que meus pais me contam antes de eu dormir? Acho que ninguém se importaria de eu dar uma olhada..." Nina pensou olhando para a arvore que estava parada em sua frente, avançou dois passos para frente da árvore e ela se deparou em outro mundo, casas diferentes, ambiente diferente, moradores diferentes. Ela estava certa, era a árvore que dividia os dois mundos, o dela e o dos humanos!

Ela não deveria estar lá, poderia ser perigoso, mas assim que voltou para seu mundo foi atingida por uma bola de futebol.

— Deixa que eu pego! — Falou o garoto. Moreno e bonito, enquanto estava jogando bola entre os amigos da rua dele.

-A bola foi longe Guilherme, parou naquela árvorezona!

— Esta bem, já volto!

Ele foi correndo buscar a bola antes que esta fosse mais longe ainda, mas assim que passou da árvore se deparou com um lugar diferente cheio de natureza, mais vivo do que a natureza onde ele vive; encontrou também sua bola que tinha acabado de atingir uma garota.

— Ai, me desculpe, os caras chutaram forte demais... Meu nome é Guilherme_ — Ele disse a ajudando a levantar.

— Sem problemas... Eu sou Nina!

— Prazer! Mas onde estamos afinal?

— Você nunca ouviu falar da arvore de Strangville? A grande árvore que separa dois mundos diferentes? — Guilherme fez um sinal que não com a cabeça e Nina se chocou, mas continuou com a historia — Enfim, ela separa mesmo dois mundos e você esta no outro mundo, o meu. Existe varias outras criaturas mágicas aqui, eu por exemplo sou uma ninfa!

— Uau, isso é incrível! Me mostre mais do seu mundo, não pretendo sair daqui agora!

— Está bem, mas você não pode contar para ninguém sobre este mundo. E meu pai não pode descobrir sobre você vir aqui; não é toda hora que um humano passa pela árvore e nos encontra... Você foi meio que escolhido...

— Claro, claro! Deixe-me apenas devolver a bola para meus amigos e já podemos ir!

E assim eles fizeram, Nina mostrou um pouco sobre seu mundo e suas historias. Os pais de Nina e ela nunca mais falaram do assunto de ser uma guerreira, mas ela vivia comentando com Guilherme sobre o que pensava sobre isso e ele também opinava.

Ela escondia um hóspede diferente em seu quarto; e para aquele mundo os dias passaram depressa enquanto que Nina e Guilherme ficavam mais próximos e mais amigos. Eles haviam encontrado um lugar especial para conversar sem que os vissem e todo dia iam para lá, ate que um dia:

— Hey Nina, hum.. Lembra quando você me disse sobre ser uma guerreira e tudo mais?

— Claro, por que?

— E se aquele dia chegar o que acontecerá?

— Bom... Eu não sei.. Nunca pensei sobre o assunto direito... Acho que, por mais que eu não queira, eu não tenho opção e irei lutar pelo meu mundo. As ninfas sempre fazem isso, é o nosso dever! A diferença de mim e das outras ninfas é que a minha missão é mais importante, e bom... Nem sempre as ninfas voltam da luta, este talvez seja um bom exemplo...

— Mas, mas... Então será assim? Acho que está desistindo de se defender fácil demais!

— Mas Guilherme me entenda, por favor! Por mais que eu esteja com medo desta tal luta, é isso que as ninfas fazem, é o nosso destino: proteger os outros, aqueles com quem nos importamos, e proteger nosso mundo dos perigos e dos monstros que o cercam, e fazer isso até o nosso ultimo sopro de vida, tudo por aqueles que amamos!

— Não! Não diga isso! Eu não permitiria que algo ruim acontecesse com você! Pense naqueles que vão sentir sua falta! — Guilherme disse entristecido.

Ele havia criado um sentimento forte por Nina nesses dias; era impossível não notar... A abraçou forte e como se aquilo fosse uma despedida olhou em seus olhos e a beijou.

Apenas um beijo, sem palavras, apenas um grande gesto para mostrar seus sentimentos. E isso já esclarecia tudo para os dois...

— Guilherme eu... Eu preciso provar para você sobre o que te falei! Eu consigo sentir o perigo que a natureza passa quase sempre e você virá comigo, não me importo sobre o que dirão, eu gosto de você! Vem comigo! — Nina falou.

Nina, segurando as mãos de Guilherme, foi direto para um lugar próximo em que outra ninfa também estava. Esta utilizava seus poderes para apagar um fogo que estava quase se estendendo, mas seus poderes não eram suficientes sozinhos então Nina se aproximou para ajudar, mas assim que começou a usar seus poderes não saiu nada, literalmente nada havia saído de Nina.

— Mas o que está acontecendo? Porque estou sem forças? Meus poderes não estão funcionando!

— Nina? Você esta bem? Vamos, me ajude, o fogo esta piorando! A natureza precisa de nossa proteção!

— Proteger a natureza... Essa é a função das ninfas... É para isso que eu existo, então... Mas então porque não tenho mais esse poder? Porque não posso proteger a natureza?

"Porque você está se tornando humana!"

— Essa voz... Falando dentro de mim... Dentro da minha consciência.. O que está acontecendo?

"Sera que não notou Nina? Não viu mesmo os sinais de mudança? Não se pergunta de onde vem esse sentimento especial por Guilherme? Esse bem estar e felicidade dele, só por ele? Querendo proteger a todos que ama, e não seu próprio mundo... Essas são emoções humanas, Nina! O dever de uma ninfa é apenas zelar pela proteção da natureza ate o fim, e não por humanos! Você não pode ser uma ninfa e viver, também, um amor humano! Mas você, agora, é parte humana! E aos humanos foi dado o livre arbítrio! Você precisa escolher, Nina! Decida! Faça sua escolha!"

— Então é isso? Para estar com Guilherme tenho que ser humana? Envelhecer, ter uma vida inteira e plena com ele! Nunca pude escolher em minha vida e ficar com Guilherme seria ótimo! Sei que ele sente o mesmo por mim! Então é isso; essa é minha escolha, quero ser humana! — Nina gritou para o céu.

Uma grande luz veio ao encontro de Nina. Enfim humana! Chegou perto de Guilherme e o beijou novamente, só que desta vez selando um novo destino, seu próprio destino, ao lado daquele que ama...

E foi assim por um bom tempo, cresceram juntos, no mundo dele, se apaixonaram ainda mais e tiveram uma filha, Caroline, foram felizes por um bom tempo e Nina quase já tinha se esquecido de sua antiga vida e de suas antigas funções. Mas ainda estava conseguindo ver o mundo sofrer, por mais que fosse humana ainda sentia dor quando algo de ruim acontecia com a natureza, e então por mais que doessem despedidas, fez uma nova escolha.

Teve que partir, se despediu de sua querida filha e marido e voltou para seu antigo mundo voltando a ser o que sempre deveria ter sido: uma ninfa.

Foi se reencontrar com seus pais, dos quais morrera de saudades, pedir desculpas pela sua atitude e aceitou seu destino, porém desta vez o destino não tinha a aceitado.

— Você sempre foi e sempre será nossa filha, não importa o que aconteça, mas agora o destino de salvar os mundos passou para uma outra pessoa assim que você saiu daqui! Na verdade os dois mundos esta nas mãos de quem foi criado por dois destinos diferentes que se juntaram por acaso, está nas mãos daquela que foi obra de dois mundos juntos e será a responsável por juntar e protege-los, é assim que todos querem!

— Ah não, mas pai... Esta é Caroline, minha filha, de quem o senhor esta falando, ela é só uma criança, não podem fazer isso com ela!

— Quando ela estiver pronta não sera mais uma criança, será uma mulher! Uma mulher ideal para ter o destino dos dois mundos em suas mãos! Se a ama tanto, proteja e faça com que ela realize este destino que um dia foi seu!

— Tem razão! Eu amo os dois mundos, mas amo muito mais ela, farei alguma coisa que a ajudará para realizar este tão grande destino... Obrigada pela dica pai!- Nina disse, despedindo-se de seu pai.

Foi em todos os lugares que ia com Guilherme, para pensar em alguma coisa para Caroline no futuro. Algo que atiçasse sua curiosidade para chegar neste mundo, mas que também a proteja. E por fim depois de muito tempo pensando e conversando com várias outras criaturas mágicas finalmente decidiu o que fazer! Uma pulseira! Mas não uma qualquer, uma em que possa transforma-la na criatura que quiser durante uma batalha, a única coisa que Caroline precisa saber é usar o poder de todas essas criaturas do jeito certo e quando usar, mas isso será simples para ela. Para alguém com um grande destino nas mãos, não será impossível, apenas força de vontade e a grande curiosidade de saber sobre a grande Árvore de Strangeville. Mas isso já é para outra historia, porque força e curiosidade assim que nasceu seus pais sabiam que ela havia herdado, agora os mundos já podem ser protegidos, Nina e Guilherme podem ate pertencer a mundo diferentes, mas o que fizeram por eles nunca será esquecido!

FIM

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