— Que noivas? — Dissimulou ele.

— Não seja idiota, Luís, eu sei muito bem que você não é o feinho injustiçado pela vida, usado por mulheres impiedosas. Para aquele rapazinho que dizia nunca ter sido amado de verdade e nem ganhado um beijo, você é hábil na arte de mentir, tanto mente que num dado momento nem sabe mais o que é verdade e se esquece com quem está falando. Eu fui apenas mais uma, não fui? Fui mais uma tola, frágil, escancarei minhas fraquezas para você deleitar-se com elas e se aproximar para agir como se fosse meu salvador, mas eu não preciso de um salvador e hoje foi o último dia em que você me tratou como lixo, seu crápula. Sem você eu sou a Mariana, a Mariana, sabia? Lembra-se dela? Pois então, sem você eu sou Mariana, uma pessoa que pode muitas coisas, eu nunca precisei de você para nada e não vou admitir que você aja como se eu fosse um objeto, ouviu bem? Hoje foi o último dia que você levantou a voz comigo e teve atitudes imperdoáveis.

— Você é louca, doente, ainda vai rastejar implorando para voltar comigo e eu não vou te querer. Homem nenhum vai te querer. Com trinta anos na cara, uma contadora medíocre, com o que ganha não consegue se sustentar nem debaixo da ponte, está esperando o quê?

— Que você me deixe em paz!

— Você não pode fazer isso comigo!

— Eu tenho suportado coisas por demais da sua parte. Nesse tempo em que estamos juntos eu cheguei a um ponto em que olhei para mim mesma e fiquei chocada por não me reconhecer. Luís, eu estou querendo terminar tudo na paz, sem problemas, entendi que nós dois seremos pessoas melhores quando separadas. Juntos nós nos machucamos, essa relação já se tornou cômoda para nós dois porque não temos coragem de termina-la, mas nenhum de nós é feliz de verdade.

— Tem outro, não tem?

Luís levantou a mão para Mariana, que caiu no chão e bateu a cabeça na mesa de cabeceira situada do lado que ele dormia. Fora de si, ele a chutou repetidas vezes, crente de que a pancada não foi forte e ela estava fingindo que se machucou.

— Anda, fala... fala, pombas!

Mariana não reagiu.

— Agora vai ficar caladinha, é?

Luís agachou-se e viu que havia pulsação, de modo que prosseguiu com a tortura. Apesar de a pancada na cabeça ter sido violenta, ela estava consciente e ouvia cada palavra, pedido de perdão algum apagaria tudo aquilo, lágrimas de crocodilo não a fariam duvidar da própria sanidade, o que frequentemente ocorria quando o casal se desentendia.

— Se quiser morrer, morra, mas eu não vou levar a culpa... — Luís deu de ombros e deitou-se sem nem tirar os sapatos.

Ao amanhecer, o baque de Luís: a aliança pertencente a Mariana estava posicionada em cima da mesinha de cabeceira dele, ao lado do celular quebrado. Nenhum vestígio dela pelo apartamento.

Para um bom entendedor, explicações eram dispensáveis.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.