Mariana perdia a noção do tempo conversando com o tal amigo e ambos descobriram tantas afinidades que nem imaginavam possuir, pois por trás de uma tela, a timidez se retirava de cena e permitia que aqueles jovens se libertassem do convencionalismo.

Mais do que isso. Mariana se encantava com o real interesse que ele tinha em fazê-la feliz. Bem se diz por aí que o verdadeiro amor se percebe nos pequenos detalhes, nos gestos mais singelos. O interesse ia além: ela o incentivava a confiar nela e o conhecia de forma que apenas a escrita pura permite, da porta da alma para dentro.

Clichê ou não, entendam como quiserem, o caminho era inevitável: apaixonarem-se.

Mariana não compreendia como um rapaz repleto de virtudes mais admiráveis que uma fachada atraente não tinha namorada. O mesmo pensava ele sobre todos os rapazes que não a notavam. Empatado.

Luís se sentia desonesto por omitir a verdadeira identidade. Mariana olhava de relance para ele e poderia jurar que se o referido amigo estava naquele escritório, descartava o colega que se sentava à sua frente. Até ria de si mesma quando imaginava tal hipótese descabida.

Oh, não. Luís não. Nem pensar. Não ele. Nem nunca.