Amor em sete atos
5 Los Angeles - Parte IV
Notas iniciais
– Por que você tá sempre tão séria? — Poseidon perguntou bebericando um gole de vinho.
– Esse é o meu jeito de ser — Atena disse simplesmente e encarou a mesa.
– Não é não — rebatou e a olhou curioso.
– É claro que é, quem é você pra falar algo do tipo? — respondeu na defensiva e o deus riu.
– Não é não — insistiu e ela levantou a cabeça para olhá-los. Estava com os olhos semicerrados, como se o desafia-se — Você era divertida,sorria pra tudo, brincava com todo mundo…
– Isso foi a muito tempo — falou e tomou um longo gole de vinho. Aquele assunto não a agradava.
– Eu sei, mas o que eu quero saber é, por que?
– Por que o que? — ótimo,agora ela realmente estava irritada.
– Por que você tá sempre tão séria? — perguntou novamente e ela revirou os olhos.
– Não quero falar sobre isso — e calou-se.
– É só isso? Não vai falar mais nada?
– Você disse que queria conversar, e esse assunto não me agrada, então não, eu não vou falar mais nada.
– Certo, então vamos mudar de assunto — ele sugeriu animado. Droga,por que ele tem que ser tão irritante? Atena pensou revirando os olhos.
– Falar sobre o que? — perguntou.
– Você poderia me falar sobre você — ela o olhou desconfiada — Tipo, qual seu filme favorito? Sua musica favorita?
– O que? — retrucou e bebeu outro gole de vinho.
– É uma pergunta simples. Nós vamos passar duas semanas juntos, acho que eu tenho o direito de saber alguma coisa sobre você. Por favor — pediu novamente com um biquinho falso.
– Ai, para com isso.
– Só se você responder.
– Tá, eu respondo. O que você quer saber primeiro? — respondeu e descruzou os braços.
– Seu filme favorito?
– My Fair Lady — disse sem pensar muito — O seu?
– Troia, acho incrivel como eles distorceram a história.
– Interessante — resmungou.
– Proxima pergunta, sua musica favorita?
– Disorder.
– Joy Division? É sério ? — ele estava incrédulo. Como uma mulher como Atena conhece e gosta de Joy Division? — Achei que você iria responder Mozart.
– Haha, muito engraçado — debochou — Mesma pergunta pra você.
– Wonderwall.
– Adoro essa música — comentou e riu.
– Série favorita?
– Breaking Bad.
– Então nós temos uma coisa em comum — declarou e suas perguntas continuaram.
Meia hora depois, logo após terminarem de comer, enquanto aguardavam a sobremesa,já haviam compartilhado quase todos os seus gostos, como por exemplo, cor favorita — azul para Poseidon, o que não foi surpresa, e branco para Atena, o que foi contestado pelo deus dos mares por acreditar que branco não é cor.
(- Engano seu, branco é a mistura de todas as cores — ela esclareceu.
– Duvido, quando chegarmos no hotel vamos pedir um potinho com cada cor de tinta e misturar tudo, se ficar branco eu te dou 10 dracmas — propôs e ela aceitou rindo.)
Haviam compartilhado também seus atores e atrizes favoritos. Scarlett Johansson e Tom Hanks para ele, Meryl Streep e Robert de Niro para ela. Era o máximo de intimidade que ela já tinha tido com Poseidon.
– Por acaso você lê? — perguntou e ele a olhou como se fosse matá-la.
– É claro que eu leio, e se quer saber me interesso muito por Shakespeare — respondeu imediatamente.
– Isso é sério?
– Claro que não — e riram juntos. Tudo estava correndo bem, bem até demais, e ambos sabiam que logo algo aconteceria.
Não demorou muito e tudo desandou. Poseidon, achando que havia conquistado toda a confiança dela, decidiu perguntar algo intímo demais.
– Por que você decidiu fazer o juramento? — despejou tudo de uma vez e ela engasgou com a bebida.
– Por que você tá perguntando isso ? — inteligente, escapando de uma pergunta com outra pergunta, ele pensou e inclinou-se para frente.
– Eu sempre quis saber por que você, e justamente você fez esse juramento.
– Como assim “ justamente você” ? — disse calmamente ainda evitando a pergunta principal.
– Você sabe, se não fosse pelo juramento você seria mais desejada que Afrodite, não negue.
– Poseidon, para, eu não quero falar sobre isso, por favor — pediu olhando-o nos olhos.
– Por que é que você sempre foge quando a pergunta fica difícil? — pressionou encarando-a. Verde no cinza, era quase possível sentir a tensão que se formava.
– Eu vou ao toalete — declarou e levantou-se. Pegou a bolsa que estava em cima da mesa e assim que estava indo em direção ao corredor que dava acesso aos banheiros, ouviu ele dizer :
– Isso mesmo, foge. É uma pena que o papaizinho não esteja aqui pra te defender — isso fez com que ela fervesse de raiva. Deu meia volta, foi até a mesa e agarrou a taça com vinho e jogou o líquido no rosto do deus.
– É bom você ter dinheiro pro táxi — disse irritada e saiu do restaurante. No caminho até o carro ela segurava as lágrimas que enchiam seus olhos. — Não chore por esse idiota — ordenou a si mesma, mas assim que fechou a porta do veículo e inseriu a chave na ignição, começou a soluçar. Antes de chegar à avenida, já estava com o rosto completamente manchado de lágrimos — Idiota Poseidon, você é um idiota, eu odeio você — gritou acelerando.
– Droga Atena, eu odeio você — Poseidon resmungou bebendo uma dose de whisky. Há mais de uma hora havia sido deixado pra trás e não tinha a menor vontade de ir pro hotel. Assim que Atena saiu do restaurante, ele pediu a conta decidido a ir atrás dela e gritar como a odiava, mas ao chegar no estacionamento, viu que ela realmente havia ido embora e então chamou um taxi e pediu que o taxista o levasse ao bar mais próximo. “Talvez bêbada eu te suporte”, recordou o que a deusa havia dito a ele e quase esmurrou o banco traseiro do taxi. Ao chegar no bar, pediu uma dose de whisky sentou-se numa mesa afastada, resmungando de ódio. Queria espancar Atena, jogá-la de um penhasco, afogá-la e arrancar a pele daquele serzinho irritante — Como pode alguem ser tão bipolar? — murmurou e tirou algumas notas do bolso. Colocou-as em cima da mesa e saiu do bar, dessa vez decidido a voltar para o hotel.
Se acalma Atena, ele não vai machucar você, insistia mentalmente, mas a cada vez que imaginava Poseidon entrando por aquela porta a qualquer momento ela se desesperava. Não queria encará-lo, estava envergonhada de sua reação no restaurante e sabia que ele estaria irado. Quando ouviu o barulhinho do cartão sendo inserido na fechadura, correu para o quarto, fechou a porta e se enfiou debaixo do edredom.
– Atena — chamou a voz rouca e um pouco embriagada do deus. Okay,ele não parece irritado, constatou e respondeu :
– No quarto — o som dos passo acompanharam sua voz e logo a porta foi aberta gentilmente.
– Sobre o que aconteceu no restaurante ….- começou envergonhado e ela completou:
– A culpa foi minha, eu não deveria ter gritado com você.
– Eu não deveria ter provocado, não deveria ter tocado nesse assunto. Me perdoa — por um instante, ela não acreditou no que havia escutado.
– Tudo bem, não faz mal — respondeu e ele fez menção de sair no quarto — Hm — começou e ele virou-se — Nada não, boa noite — e com isso ele saiu e fechou a porta.
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