Isa e as crianças foram embora logo após a festa de natal, na manhã do dia 26. Eu queria que eles ficassem para o réveillon, mas Isabel me disse que a cidade receberia muitos turistas nessa data e ela era teria muito trabalho.

Eu estaria de férias depois do primeiro dia de janeiro, e pretendia ir ficar com meus filhos. Eu tinha uma reunião importante no dia 30, depois ia passar o réveillon sozinho. Eu não tinha uma tradição de comemorar o réveillon, meus pais não gostavam, então, em alguns anos eu passei com amigos, em outros eu fui para algum clube ou até fiquei sozinho em casa e assisti tudo pela tv. Esse ano seria assim.

Mas assim que foram embora, eu comecei a sentir muita falta da minha família. Meus filhos preencheram minha casa de tal maneira, que agora eu não me sentia bem nela vazia. E eu sentia saudades de Isabel.

Havia acontecido algo entre nós, que não foi físico. Eu senti que depois de tanto tempo, Nós voltamos a nos conectar, e eu não queria me distanciar dela agora, eu queria mais dela.

Resolvi passar o réveillon com minha família. Consegui um voo no dia 31 com escala, saindo às 16 horas. Eu chegaria às 20 horas e teria que alugar um carro e dirigir por mais uma hora e meia. Desta vez, eu fui para o hotel. Cheguei por volta das 22 horas, me arrumei e fui para a praia.

Não demorei a ver Isabel. Ela usava um vestido branco, longo e justo, com um decote nas costas. Meus olhos desceram por seu corpo, que era maravilhoso. Seus quadris largos eram os mesmos que me enlouqueceram por tanto tempo. Seus cabelos estavam presos em uma longa trança que descia por suas costas. Ela era linda e sensual. E estava conversando com um homem.

Eu quase morri de ciúme ao ver a interação entre Isabel e aquele homem. Ele era jovem, boa pinta e olhava para Isa com olhos de predador. Aquilo me incomodou. Eu não era mais aquele homem impulsivo e ciumento, que chegaria puxando Isabel para um canto ou tratando o outro como um concorrente, perdi a Isabel assim antes, e não queria perder a chance de reconquistá-la.

Eu me aproximei devagar, e quando estava perto o suficiente, chamei por ela. Isabel virou-se e sorriu para mim, então caminhou em minha direção. Meu coração pulava em meu peito, Isabel era a coisa mais linda que eu conhecia. Ela sorriu para mim e eu me derreti inteiro por ela.

—Carlos, você chegou a tempo!

Então ela me abraçou, e eu a mantive em meus braços alguns instantes além do necessário. Quando eu a soltei, nossos rostos estavam bem próximos e nossos olhos se encontraram. Eu vi um fogo em seu olhar, uma chama de desejo dançando nos olhos dela, e sabia que eles eram um reflexo do meu próprio olhar. Eu quis beijá-la.

As vozes dos meus filhos me tiraram daquele transe delicioso.

—Papai!

Os dois vieram correndo em minha direção, pularam no meu colo, quase me jogando no chão. Eles estavam tão felizes em me ver, assim como eu estava feliz em vê-los. Nós corremos pela praia e brincamos juntos, até a hora da contagem regressiva para o novo ano, quando todos nos reunimos perto do mar. Raquel agarrou minha mão e Raul segurou a mão de Isabel. Nós paramos do lado do outro e começamos a contagem regressiva.

10, 9, 8…

Isabel e eu nos viramos ao mesmo tempo, nossos olhos se encontraram e nós sorrimos. Meu coração bateu forte de emoção.

7, 6, 5…

Encostei a minha mão na de Isabel e ela virou a palma, segurando a minha.

4, 3…

Eu entrelacei nossos dedos e olhei para o rosto dela, que me deu o sorriso mais lindo do mundo.

2, 1…

Feliz ano novo!

Logo depois dos abraços, dos fogos e da celebração, levamos as crianças para casa. Elas dormiram no curto trajeto e nós as colocamos na cama. Dona Carmem também estava cansada e foi direto para o quarto. Isabel disse que estava com fome e me convidou para jantar. Nós comemos e conversamos como não fazíamos há tempos. Foi muito gostoso ficar assim com ela de novo.

Apesar de estar cansado, eu não queria ir embora. Pedi a Isabel que tomasse uma taça de vinho comigo. Fomos para a sala e nos sentamos no tapete. Ela colocou uma música para tocar bem baixinho e nós ficamos ali conversando.

— Esse foi o melhor réveillon da minha vida. Tenho certeza que esse vai ser um ano ótimo!

—Ele só vai ser ótimo se você fizer dele um ótimo ano. Você sabe disso né?

— Eu sei disso. — Falei sorrindo — E eu prometo a você que vou fazer o que for preciso para que esse seja o melhor ano das nossas vidas.

Isabel baixou os olhos, e eu sabia que ela ia tentar mudar de assunto. Antes que ela o fizesse eu segurei sua mão e toquei seu queixo, virando o rosto dela para mim e fazendo-a olhar nos meus olhos, para ela saber que eu estava sendo absolutamente sincero.

—Vocês são minha família e eu quero ficar perto de vocês. Descobrir que sou pai foi a melhor coisa que já me aconteceu. Eu amo essas crianças mais do que qualquer coisa. Saber que a mãe dos meus filhos é o amor da minha vida, é quase mágico. Você entende Isabel, que eu quero ficar perto dos meus filhos? E que eu quero você de volta? Eu te amo!

Então nós nos beijamos. Um beijo doce e cheio de carinho, de saudade. Minha mão estava no rosto de Isabel e nossos corpos estavam distantes um do outro. Meu coração batia forte e emocionado.

Isabel colocou a mão em meu peito e eu a segurei pela cintura, puxando-a para mais perto de mim. Então o beijo ficou mais urgente e ansioso. Minhas mãos desceram pelas costas nuas de Isabel, tocando sua pele macia, arrepiada sob elas. Isabel suspirava e gemia baixinho contra os meus lábios. Minha língua aflita procurava pela dela. Nossos corpos nos puxavam um para o outro. E então, Isabel estava sentada em meu colo, suas mãos me tocando por dentro da camisa, as minhas subindo por suas pernas. O carinho e a ternura foram substituídos por um desejo quase selvagem.

De repente, Isabel levantou-se do meu colo, para a minha decepção. Mas então ela esticou o braço, me oferecendo sua mão, que eu agarrei imediatamente, levantando-me também. Ela me conduziu pela sala, pelo corredor, até o seu quarto. Nós entramos e ela fechou a porta devagar e acendeu a luz, depois afastou-se um pouco de mim.

Isabel ficou de costas para mim, então, lentamente, desceu o zíper na lateral do vestido, que ela fez deslizar através dos seus braços e pernas, ficando de pé diante de mim, usando apenas uma calcinha cor-de-rosa. Meu Deus, ela era tão linda quanto no primeiro dia em que a vi nua. Sua pele morena, agora com algumas tatuagens novas, o que a deixava ainda mais sensual, os quadris largos e as pernas grossas, que permaneceram na minha memória, agora estavam ali, diante de mim, depois de tantos anos. Eu estava encantado e paralisado ao mesmo tempo, e poderia ficar ali por horas, apenas deleitando-me com a visão daquele corpo lindo e perfeito.

Isabel virou-se e caminhou em minha direção, lentamente, chegando perto o suficiente para que seu cheiro me invadisse. Então eu ergui a mão para tocar em sua pele, sentido seu calor e sua maciez. Ela chegou mais perto e me beijou. O seu sabor era delicioso. Eu tocava cada centímetro da sua pele lentamente, e me sentia envaidecido, ouvindo seus gemidos baixinhos.

Isabel era assim, capaz de despertar todos os meus sentidos. Ela era uma festa de sensações para mim.

Nós dormimos juntos naquelas primeiras horas do ano, e quando eu acordei pela manhã, eu a tinha em meus braços, nua e linda. Isabel era absolutamente perfeita. Eu beijei suavemente seu rosto e ela acordou, olhou para mim e sorriu. Eu sorri de volta e a beijei nos lábios.

—Bom dia meu amor! Você é ainda mais linda pela manhã do que eu me lembrava.

— Hum, sei. Acordar em seus braços é ainda melhor do que eu me lembrava.

Eu sorri satisfeito.

—Sabe Isabel, eu não quero acordar de outra maneira pelo resto da minha vida!

Ela abriu os olhos e ficou séria, encarando-me. Eu a encarava de volta, sério, olhando em seus olhos.

—Você quer ficar Carlos?

—Para sempre, meu amor.