Amor, em primeira pessoa
14 Coração partido
Por favor entendam, eu ainda amava Isabel. Eu achava que não, por ter me acostumado com a ausência dela, eu achei que a tivesse esquecido. Por não ver aquele sorriso iluminado por tanto tempo, achei que outro sorriso era capaz de aquecer minha alma. Por não olhar para aquele rosto, aqueles cabelos, aquele corpo, eu achei que poderia haver outra mulher tão perfeita. Mas eu estava enganado.
Bastou estar com Isabel por um minuto. Não, se eu for honesto comigo mesmo, desde que eu li a mensagem dela havia alguns dias e imaginei sua voz e seu sorriso me dizendo aquelas palavras, e senti meu coração bater tão forte que doeu, desde aquele momento eu percebi que ela ainda era o centro do meu universo. Eu tentei resistir, pelo menos eu quis tentar resistir, embora não tenha tentado de verdade, mas eu não era capaz. Eu a amava.
Ela disse que queria fazer amor, e eu fui com ela ao seu quarto de hotel. Eu estava nervoso, me sentia culpado. Mas assim que ela me beijou, ainda na porta do restaurante, todo o nervosismo se dissipou. Eu a queria. Mais do que isso, eu precisava dela.
Fomos andando até o hotel, que ficava do outro lado da rua. Não dissemos nada, apreensivos pelo que aconteceria em alguns minutos, ela olhava para mim e sorria, como se fosse uma criança prestes a ganhar um presente. Eu sentia tanta ternura por ela que queria mesmo ser esse presente maravilhoso que ela esperava. Nós entramos no elevador e ela beijou meu rosto, com ternura e delicadeza. Eu a abracei pela cintura e ela e enlaçou meu pescoço em seus braços. Eu fechei os olhos e suspirei, absorvendo o cheiro gostoso do seu cabelo.
Entramos no quarto já nos beijando. Nossos corpos absolutamente unidos. Eu apertava sua cintura, apertando-a contra mim com uma das mãos, a outra segurava sua nuca. Ela me agarrava pelo pescoço, enquanto ficava nas pontas dos pés, para que nossos rostos ficassem próximos durante o beijo. Aquele era um beijo passional, urgente e cheio de desejos. Não só de tesão, mas de necessidade, ela queria estar junto de mim e eu queria estar junto dela, sentir sua pele, seu cheiro irresistível, seu sabor inigualável. Não havia outra mulher para mim, não a ponto de fazer com que eu me perdesse com Isa fazia. Com ela eu era uma pessoa diferente. Eu era eu mesmo.
Nós nos despimos sem nos separar. Meus lábios desceram dos lábios dela pelo queixo, pela linha do maxilar, pela curva de seu pescoço. Isabel virou o rosto para me dar acesso ali, eu continuei descendo pelos ombros, clavícula, enquanto minhas mãos exploravam suas costas, descendo ali lentamente até os quadris, que eu agarrei com força, puxando-a para mim. Minha ereção encostava em sua barriga. Ela se remexia, esfregando-se em mim freneticamente enquanto eu apertava e sugava seus seios com vontade.
Nós fomos para a cama e ela se levantou, levemente assustada.
—Camisinha!
—Foda-se a camisinha, vem cá. — Eu a puxei de volta para cima de mim e nós voltamos para aquele beijo quente e enlouquecedor, que ela interrompeu sorrindo.
—Foda-se nada!. Eu não estou tomando pílula! Não queremos um bebezinho agora, não é mesmo?
Eu ri sem graça enquanto ela se levantou e entrou no banheiro. Aquela frase me perturbou um pouco. Se ela não estava usando pílula, era porque não estava em um relacionamento por algum tempo. E quando ela disse que “não queremos um bebê agora”, me pareceu que ela ainda tinha planos de ter bebês comigo. Eu precisava dizer a verdade a ela.
Mas então ela voltou para o quarto, nua, segurando a camisinha e sorrindo. Senti a minha determinação cair e minha ereção voltar ao ápice. Ela sentou-se sobre a minha coxa, uma perna de cada lado e me beijou, esfregando seu sexo em mim, deixando-me louco de tesão, mais uma vez. Eu não era capaz de pensar direito diante daquela mulher. Eu só pensava nela e em como eu precisava me unir ao corpo dela.
Eu coloquei a camisinha, então a agarrei pela cintura e a joguei na cama, invertendo nossas posições para eu ficar por cima. Eu a olhei, feliz por tê-la ali comigo, alheio a qualquer impedimento ou culpa. Ela era linda! E era minha!.
—Linda! Eu te amo!
Então eu a beijei e nós fizemos amor. Foi maravilhoso. Eu me sentia completo, totalmente satisfeito e pleno. Nossa conexão sexual ainda estava lá. Nós ainda éramos perfeitos juntos. Nós pertencíamos um ao outro, e eu não podia abrir mão disso.
Quando terminamos, Isabel estava por cima. Ela se deitou sobre o meu peito suado e ficou ali, me acariciando por um tempo. Eu a abracei e fechei os olhos, sorrindo. Eu não pensava em nada naquele momento. Ficar com Isabel era natural para mim, não havia nada de errado, nada imoral. Embora no meu âmago, eu soubesse que havia sim.
Depois de alguns minutos, Isabel escorregou para a cama, sem sair do meu lado, eu ainda a tinha nos braços. Ela olhou para o meu rosto e sorriu, depois me deu um beijo casto na bochecha.
—Eu trouxe um presente para você! Espere aqui um minuto.
Ela levantou-se nua, com toda a naturalidade que nossa intimidade nos permitia. Eu me virei de lado para olhá-la, eu adorava vê-la assim, de costas, Isabel tinha a bunda mais bonita que eu já tinha visto em minha vida. Ela pegou algo em sua mala e voltou para a cama, me entregando o pequeno embrulho.
—Eu sei que você gosta de coisas sofisticadas e isso não tem nada a ver com seu estilo, mas eu queria te dar algo da minha nova terra.
Eu abri o embrulho e encontrei uma espécie de gato, talhado em madeira, com muitos detalhes.
—É de um morador do entorno do parque. Ele esculpe com restos de madeira. É um homem simples e muito talentoso, autodidata. Essa é uma onça-parda. Eu quis te dar, pra você se lembrar de mim.
Eu sorri.
—É lindo. —Ergui a mão e segurei o colar que Isa usava, olhando o pingente de meia lua, que eu dei a ela anos antes. — Vou guardar para sempre.
Nós nos beijamos brevemente, então ela perguntou:
—Você já se mudou para aquele apartamento maior e mais chique?
Eu me mexi desconfortável e respondi sem graça:
—Já estou morando lá, sim.
—Hum, você vai me levar pra conhecer? Eu vou embora amanhã, mas tenho algumas horas livres. Adoraria dormir com você, na sua cama.
Agora não tinha jeito, eu não podia mais esconder a verdade dela. Eu precisava dizer a ela que estava casado.
—Eu não posso te levar até lá Isa, me desculpe. Eu… eu não moro sozinho.
—Não? Como assim, quem mora com você?
Suspirei, desviando os meus olhos dos dela.
—Ela se chama Liliana. É minha esposa.
Isabel riu, ainda sem entender, então parou por alguns segundos.
—Você não faria isso. Só está brincando né? —Ela segurou a minha mão esquerda — Eu teria notado sua aliança.
Então ela olhou para a minha mão e passou o dedo de leve no meu anelar, notando a pequena marca que minha aliança já tinha deixado ali.
—Desculpe Isabel, eu devia ter te contado antes, mas fiquei sem saber como dizer que eu tinha me casado. A gente ficou tanto tempo sem se falar…
—Onde está sua aliança?
Eu peguei a aliança no bolso do meu paletó, onde eu a tinha escondido mais cedo, e coloquei no dedo. Isabel levantou-se horrorizada, como se acabasse de se dar conta de que algo muito ruim acontecera. Ela me olhou com tanta dor e decepção, que senti seu coração se partir mais uma vez.
—Isa, meu amor, eu sei que eu errei em não te falar antes…
Ela puxou o lençol e se tampou com ele, como se sua nudez diante de mim fosse algo errado, pecaminoso.
—Você sabe? Eu não entendo, por que você — Ela parou e seu rosto mudou. Ela agora estava furiosa— Não me chame assim, eu não sou o seu amor. Eu não sou nada.
—Você é tudo, vamos conversar e resolver isso.
—Não. — Ela falou com a voz dolorosa e virou-se, meio atordoada. — Eu vou tomar banho. Por favor vai embora.
—Eu não vou Isabel. Eu vou esperar seu banho e nós vamos conversar!
—Sai agora! Eu não quero te ver nunca mais!
Ela falou gritando e arrancou o colar do pescoço, jogando-o em mim, depois entrou no banheiro e bateu a porta. Eu a ouvi chorando alto, seus soluços desesperados. Então eu peguei o colar e fui embora.
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