Amor em Jogo
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O suor escorria pela minha testa e se acumulava na base do pescoço enquanto eu me movia de um lado para o outro na quadra, tentando antecipar cada devolução. Jasper realmente vinha nos pressionando nessas últimas semanas de treino para o US Open, e eu era grata a ele por isso — não estaríamos onde estávamos sem seu foco — mas, caramba, meus músculos estavam queimando.
— Vamos encerrar por hoje, pessoal! — ouvi Jasper gritar da beira da quadra.
Golpeei a bola uma última vez antes de me dobrar para frente, apoiando as mãos nos joelhos enquanto respirava fundo. Sentia-me exausta, e era tudo o que podia fazer para não desabar no chão. Ouvi passos e o risinho de Jasper, que colocou uma mão nas minhas costas.
— Tudo bem aí, Bells? — ele perguntou.
Levantei a cabeça e forcei um aceno enquanto ele me passava uma garrafa de água. Tomei um longo gole, sentindo o alívio da água gelada enquanto me encostava na parede. Deus, tudo o que eu queria naquele momento era um banho quente, uma boa refeição e uma cama.
Jasper se afastou para pegar o caderno onde anotava as observações dos treinos. Com o canto do olho, vi um par de tênis brancos se aproximar da rede. Não precisei olhar para cima para saber que era Edward.
— Como você tá se sentindo? — Jasper perguntou.
— Bem — meu parceiro respondeu. — Só precisando de comida. Agora.
— Que tal jantar com Alice e eu hoje? — nosso treinador propôs, sorrindo. — Vocês merecem um descanso.
Eu estava pensando em pegar algo rápido e cair na cama, mas... Isso serviria. Fazia semanas que eu não via a Ali, e seria bom passar um tempo com ela e nos atualizarmos. Edward acenou com a cabeça também, então Jasper nos deu uma rápida análise sobre o treino e se despediu.
Assim que ele se afastou, Edward pulou a rede com uma facilidade irritante e veio até mim enquanto eu guardava minha raquete e tentava ajeitar as coisas na bolsa. Ele me deu um beliscão leve na lateral do tronco.
— Tá animada? — perguntou, todo animado, com um sorriso que fazia seus olhos se enrugarem. Sinceramente, eu não tinha ideia de como ele conseguia ter tanta energia depois dos treinos.
— Uhum — respondi, com a voz o mais monótona possível. Ele cerrou os olhos. — Muito animada. Por dentro.
Edward riu, e o som foi suficiente para me fazer sorrir também. Quando terminou de guardar suas coisas, colocou sua bolsa no ombro e pegou a minha, colocando-a no outro.
— Ei! Eu posso carregar minhas próprias coisas, Cullen.
— Claro que pode — respondeu ele, casual, mas sem me devolver a bolsa.
Caminhamos lado a lado até o estacionamento. Ele perguntou onde estava meu carro, e eu indiquei a velha Chevy vermelha estacionada no canto. Não era nem de longe um modelo esportivo, mas tinha um valor sentimental inestimável. Pertencera ao meu pai na juventude, e ele cuidara dela com dedicação ao longo dos anos, até o dia em que decidiu passá-la para mim. Por isso, tinha um lugar especial no meu coração.
— Dirija com cuidado, Bells — disse ele, abrindo a porta do carro para mim.
— Você também — respondi, entrando no carro. — Até mais tarde.
Edward me deu uma piscadinha e fechou a porta. Quando liguei o motor, olhei para trás pelo retrovisor e o vi indo em direção ao seu Volvo brilhante. Por um instante, me peguei sorrindo feito uma idiota, mas logo me recompus.
— Ele tá noivo, Bella, pelo amor de Deus! Se controle, caramba — murmurei para mim mesma antes de dar partida no carro.
…
Não fazia ideia do que vestir para o jantar. Fazia tanto tempo que eu não saía com amigos que comecei a duvidar se tinha algo apropriado no armário. Tentei me concentrar e olhar ao redor, até que vi o que parecia perfeito para a ocasião: uma saia preta assimétrica e uma blusa cinza acetinada com um decote nas costas. Para completar, escolhi meu fiel Dr. Martens.
Cheguei ao restaurante e, como se tivesse sido combinado, Edward chegou quase no mesmo instante. Quando ele me viu, ele parou no meio do caminho, seu olhar se arrastando pelo meu corpo de cima a baixo, com a boca ligeiramente aberta. Meu rosto esquentou na mesma hora, e eu tinha certeza de que estava ficando vermelha. Ele piscou algumas vezes e começou a caminhar na minha direção.
— Ei — foi tudo o que ele disse por um instante. — Você tá linda.
Eu deveria ter respondido algo, mas a única coisa que consegui fazer foi me forçar a lembrar, pela milésima vez, que ele tinha uma noiva. Uma noiva alta, loira e absolutamente linda. Dizia a mim mesma, quase como um mantra, que isso não significava nada. Ele só estava sendo educado.
— Obrigada. Você também tá ótimo.
Entramos no restaurante, e Edward falou nossos nomes para o recepcionista, que rapidamente nos conduziu até a mesa onde Jasper e Alice já estavam sentados.
— Ai, meu Deus! Senti tanto a sua falta! — Alice se levantou de imediato, os braços abertos, me acolhendo em um abraço apertado.
Ela tinha viajado para o Mississippi há algumas semanas para cuidar de sua mãe, que havia feito uma cirurgia no joelho. E foi por isso que ficamos tanto tempo sem nos ver.
— Também senti sua falta, Ali — eu disse, apertando-a de volta, feliz por vê-la. — Como a Mary está?
— Ela tá ótima! — Alice sorriu, seus olhos brilhando. — A cirurgia foi um sucesso, e ela já tá pronta para correr uma maratona.
A noite voou. A comida estava excelente, e a conversa, ainda melhor. De vez em quando, tocávamos no assunto tênis e no próximo torneio, o que era um verdadeiro tédio para Alice. Era engraçado, na verdade. Ela era casada com um treinador e amiga de jogadores de tênis, e mesmo assim... Ela simplesmente não suportava o esporte.
— Eu amo vocês, mas, sério... — ela revirou os olhos de maneira dramática, e todos nós caímos na risada.
Edward foi quem a salvou do tédio, desviando a conversa para a nova temporada de uma série de TV que ambos adoravam. Algum tempo depois, Alice e eu acabamos sozinhas na mesa.
— Ele não parou de olhar para você a noite inteira — Alice disse, me pegando totalmente desprevenida. Minha mente estava longe, mais precisamente, na minha cama. Eu realmente precisava de umas boas oito horas de sono.
— O quê? — perguntei, genuinamente confusa.
— Edward — ela explicou. — Ele tava te olhando de um jeito… Tipo, agora mesmo, antes de levantar, ele ficou encarando suas pernas. Sem contar o modo como ele tava olhando para o seu rosto, sua boca…
— Alice, você tá delirando — dei uma risadinha nervosa.
Alice sempre disse que Edward e eu fomos feitos um para o outro e estávamos destinados a ficar juntos. Se ao menos fosse verdade...
— Eu conheço o Edward desde sempre, e se tem uma coisa que ele não é, é um traidor — continuei.
Alice ergueu uma das sobrancelhas perfeitamente desenhadas e, por um momento, pareceu confusa. Mas então ela sorriu, satisfeita com algo que acabara de perceber.
— Você não sabe — pontuou.
— Não sei o quê?
Ela olhou por cima do meu ombro, e eu segui o olhar dela. Vi Jasper e Edward voltando para a mesa. Ela se inclinou mais perto de mim e sussurrou rápido:
— Ele e Irina terminaram... De novo — Alice deu ênfase no final da frase de forma sarcástica.
Meu estômago deu um salto.
— O quê? — não consegui esconder a surpresa da minha voz.
O término de Edward e Irina não era exatamente uma novidade. Eles sempre tiveram esse padrão de idas e vindas, mas... Nunca ficaram tantos meses juntos sem terminar antes. Claro, não até que ele a pedira em casamento. Ele achava que um anel resolveria tudo, que isso faria com que ela se sentisse segura e feliz o suficiente para que eles parassem de brigar. E, por algum tempo, parecia que ele estava certo. Até agora.
O que aconteceu? E por que ele não me contou?
— Sobre o que vocês duas estavam fofocando? — Jasper perguntou, colocando as mãos nos ombros de Alice e apertando-os levemente. Ela fechou os olhos, descansando a cabeça na barriga dele, visivelmente confortável.
— Por que, quando duas mulheres estão conversando, vocês homens sempre presumem que é fofoca? — perguntei, dando um olhar repreensivo para Jasper. Ele arregalou os olhos por um segundo, antes de perceber que eu estava brincando.
— Estávamos apenas conversando, meu docinho — Alice disse, abrindo os olhos novamente. — Por que demoraram tanto no banheiro, afinal?
Jasper e Edward trocaram um olhar rápido, e eu franzi a testa. Eles definitivamente estavam escondendo alguma coisa. Alice me olhou com a sobrancelha arqueada
— Estávamos apenas conversando também — Jasper disse, coçando a cabeça de um jeito que sempre fazia quando estava desconfortável, e Edward confirmou com um aceno de cabeça.
…
Quando finalmente cheguei em casa, meu sono estava totalmente esquecido. Ao fechar os olhos, minha mente só conseguia pensar em uma coisa: Edward. Edward e Irina. O término deles. E, principalmente, por que diabos ele não me contou sobre isso. Éramos amigos, afinal. Não seria a primeira vez que ele viria até mim em busca de apoio depois de terminar um relacionamento.
Bem, para ser justa, eu podia entender. Na última vez que isso aconteceu, acabei dando a ele um sermão sobre o quanto o relacionamento dele com Irina era destrutivo. Eu disse o que realmente pensava sobre os dois. Que ambos deveriam seguir em frente e encontrar alguém que fosse realmente certo para eles.
E, claro, tudo isso para eles reatarem duas semanas depois. E, em um movimento impulsivo, Edward a pediu em casamento poucos dias depois disso. Isso foi há seis meses.
Talvez ele estivesse envergonhado de admitir que eu estava certa. Ou talvez ele não tivesse me contado porque sabia que ia voltar para ela de qualquer jeito e não queria me ouvir falar mal do relacionamento deles mais uma vez.
Não tinha ideia.
Os raios de sol começaram a aparecer pela janela quando finalmente consegui adormecer, e apenas duas horas depois, meu despertador tocou, me arrancando de um sono profundo. Senti um grunhido irritado escapar da minha garganta enquanto desligava o alarme. Preparei meu café da manhã no automático, como se meu corpo estivesse funcionando sozinho, e dirigi até a academia, ainda meio perdida no turbilhão de pensamentos.
— Se divertiu demais ontem à noite, Swan? — Seth, meu personal trainer, perguntou quando me viu.
— Quem me dera — foi tudo o que consegui dizer antes de ele me arrastar para a esteira.
Ter um bom condicionamento cardiovascular é crucial quando você é um atleta. Então, dei o meu melhor na esteira, e ainda enfrentei de cabeça erguida a musculação que Seth me fez fazer.
Em casa, tomei um banho rápido e devorei uma barra de granola, antes de seguir direto para o clube para meu treino com Edward e Jasper. Treinávamos duas vezes por dia: de manhã e à tarde. Felizmente, morava perto o suficiente para chegar rapidamente.
— Bom dia! — disse quando entrei na quadra. Jasper estava lançando bolas para Edward, que estava focado em rebatê-las com precisão.
Eles continuaram concentrados no que estavam fazendo, mas Edward levantou o olhar por um momento, me enviando um sorriso breve antes de acenar com a cabeça.
— Você tá atrasada — disse Jasper, interrompendo a troca de bolas.
Olhei para o relógio do meu celular.
— Hum... Não, não estou. Vocês é que chegaram muito cedo — disse, jogando minha bolsa em uma cadeira próxima à lateral da quadra. Peguei minha raquete, verificando o equilíbrio e a tensão das cordas antes de caminhar até eles. — Xô.
Jasper endireitou a postura, os olhos agora mais atentos, com uma sobrancelha arqueada, mas não disse mais nada. Dei de ombros, um pequeno sorriso escapando dos meus lábios, e me preparei para começar o treino. Edward se posicionou no fundo da quadra, e eu me coloquei na linha de base, aquecendo rapidamente com alguns forehands.
— Vamos lá, Bells! — Edward disse, posicionando-se para me devolver uma bola mais rápida. O som da raquete cortando o ar foi seguido pelo impacto firme da bola no chão, fazendo-a saltar com velocidade.
Respondi com um backhand, direcionando a bola para o canto oposto da quadra. Ele se moveu com agilidade, mas a bola passou por ele, saindo para o outro lado.
— Isso foi bom — Jasper comentou, e eu respirei fundo, tentando não deixar o elogio dele me desconcentrar. O treino seguiu, e mantive o foco nas transições entre os golpes de forehand e backhand, buscando o ritmo perfeito. Cada movimento exigia atenção total, e aos poucos minha mente foi se acalmando.
Até que ouvi uma voz aguda vinda da entrada da quadra. Alice estava batendo palmas e pulando no lugar.
— Não faço ideia do que vocês acabaram de fazer, mas foi legal… Eu acho! — ela disse, com uma expressão exagerada de entusiasmo, antes de dar alguns passos para longe da linha de jogo, claramente com medo de ser atingida pela bola.
Ela se aproximou de Jasper, enlaçando o pescoço dele com os braços e o beijando. Edward e eu trocamos um olhar divertido, um sorriso escapando de nossos lábios.
— O que você tá fazendo aqui? — Jasper perguntou, com um sorriso apaixonado.
— Vim te buscar para o almoço, é claro — Alice respondeu. — Vocês querem se juntar a nós?
— Eu já tenho planos, então... Não, mas obrigado — Edward disse.
Por algum motivo idiota, eu não queria parecer a única sem vida social ali, então fingi que também tinha planos. A verdade? Eu iria comer comida de microondas sozinha em casa.
Enquanto arrumava minhas coisas, Alice veio pulando até mim, claramente animada com o que quer que tivesse em mente.
— Então... — ela começou, pausando, como se estivesse esperando algo de mim. Olhei para ela, esperando o resto da frase. Ou a pergunta. Não sabia. Ela suspirou, impaciente. — Você falou com... — ela lançou um olhar furtivo em direção a Edward, balançando a cabeça em sua direção.
— Sobre o quê?
Alice resmungou.
— Você sabe sobre o quê! Qual foi? Vocês dois estão finalmente solteiros ao mesmo tempo. Aproveita, garota!
Eu ri, mas não havia humor no som.
— Ali, ele provavelmente vai voltar para a Irina. Ele sempre volta. Eu não ficaria surpresa se os planos dele para hoje fossem com ela, de qualquer forma. Esse navio nunca vai zarpar. Só... Desista, ok?
Ela franziu a testa, um olhar insatisfeito surgindo no seu rosto, e passou por mim em direção a Edward. Ela falou alto o suficiente para que todos ouvissem.
— Tem certeza de que não pode cancelar seus planos para hoje? Estou morrendo de saudade de vocês. O jantar de ontem mal foi o suficiente.
Edward sorriu suavemente, os olhos parecendo genuinamente tristes por não poder se juntar aos amigos.
— Desculpa, Ali. Eu prometi à minha mãe que almoçaria com ela e meu pai. Se eu cancelar, ela vai me matar.
Alice olhou para mim, um sorrisinho irritante curvando seus lábios vermelhos.
— Oh... Então você vai almoçar com a Esme e o Carlisle? — ela disse, dando ênfase nos nomes dos pais de Edward, nada sutil. Ele olhou para ela como se estivesse um pouco assustado, e eu não pude culpá-lo, sério. — Que legal! Diga a eles que eu mandei oi.
— Hm… Tudo bem, farei isso. É melhor eu ir agora, não quero deixá-los esperando — ele se virou, dirigindo-se a Jasper e a mim. — Vejo vocês mais tarde.
Todos nos despedimos, e Alice, como de costume, não perdeu a chance de esfregar na minha cara que Edward não estava saindo com a Irina. Tanto faz. Isso não significava que eles não voltariam a ficar juntos. Mas, ah, como seria bom se não voltassem.
Eu conheci Edward no ensino médio, quando seus pais se mudaram para Seattle depois que o pai dele, Carlisle, foi nomeado chefe de cirurgia cardiotorácica no hospital local. Ele foi colocado na mesma turma de biologia avançada que eu, e a primeira vez que o vi, fiquei completamente deslumbrada. E como não ficaria? Ele sempre teve um charme natural, um magnetismo inegável. Mas não fui a única a perceber isso, e não fiquei surpresa quando descobri que ele estava namorando Lauren Mallory, a capitã das líderes de torcida.
O que realmente me surpreendeu, no entanto, foi encontrá-lo no clube onde eu costumava ir com minha mãe. Foi ali que começamos a nos conectar, unidos pela nossa paixão pelo tênis, e desde então nos tornamos melhores amigos. Quando ele e Lauren terminaram, eu estava com Tyler Crowley. E, quando terminamos, Edward já tinha começado a namorar Tanya Denali. O relacionamento deles durou dois anos. Ela era uma pessoa incrível, e, de verdade, eu a considerava uma amiga também. Mas depois de um tempo, ela foi para a faculdade no Alasca e o relacionamento deles esfriou. Sem trocadilhos, eu juro. Soube que ela está noiva de uma garota chamada Senna, e fiquei genuinamente feliz por ela.
Durante esse período, eu também saí com alguns caras, e estava namorando Mike Newton quando Edward veio me contar que Tanya estava se mudando. Mike e Edward sempre se odiaram, e isso me estressava. Uma noite, Mike me disse que eu precisaria escolher entre ele e Edward, e ele soube minha resposta antes mesmo de eu abrir a boca. Era claro que meu melhor amigo sempre teria a prioridade. Na época, Edward estava com Jessica Stanley, uma estudante de enfermagem que ele conheceu em uma festa.
A moral da história é que Edward e eu nunca estivemos solteiros ao mesmo tempo desde que nos conhecemos. Eu tinha certeza de que seríamos incríveis juntos — nunca brigávamos, tínhamos tantos interesses em comum, e a atração entre nós era óbvia. Mas parecia que estávamos presos em um eterno “a pessoa certa na hora errada”.
Se nós dois estávamos finalmente solteiros, isso poderia significar... Alguma coisa? Eu não queria me iludir. Ele ainda poderia voltar para a Irina. Ele estava determinado a fazer as coisas darem certo entre eles, e não via razão para isso ter mudado de repente. Seria muito mais fácil se ele simplesmente falasse comigo, droga! Talvez eu devesse tocar no assunto de uma vez, tirar o band-aid e ver o que aconteceria.
E foi isso que decidi fazer.
No nosso último dia de folga antes de voarmos para Nova York para o US Open, o convidei para jantar e assistir um filme. Era algo que costumávamos fazer antes de ele começar a namorar Irina. Ela era... Legal, acho. Não tínhamos muita coisa em comum, então nunca passamos muito tempo juntas. Eu realmente nunca tive nada contra ela, até que o relacionamento com Edward se tornou um caos. Não é que eu a odiasse ou achasse que ela era uma má pessoa — só não achava que ela era boa para ele.
Edward chegou pontualmente às 19h e ficou esperando por mim dentro do carro. Quando me aproximei, ele saiu para abrir a porta, como o cavalheiro que sempre foi. Ele me disse que eu estava linda, e senti meu rosto esquentar. Nenhuma novidade nisso. Em um silêncio confortável, seguimos até o restaurante.
Quando chegamos, a recepcionista sorriu e disse:
— Sua mesa está pronta, Sr. e Sra. Cullen.
Edward não se apressou em corrigir o erro, então eu também fiquei em silêncio, tentando ignorar o aperto bobo que senti no peito.
Ela nos guiou até nossa mesa. Era aconchegante, meio isolada dos outros, num cantinho com aquela meia-luz romântica. Edward me deixou escolher o lugar no sofá, enquanto ele se sentava de frente para mim, na cadeira.
Pedimos nossos aperitivos e uma garrafa de vinho, e então ele entrelaçou as mãos sobre a mesa, me observando com um olhar curioso.
— Então, sobre o que você queria conversar? — foi direto ao ponto.
Eu engoli em seco e tentei soar casual.
— Ah... Nada demais — olhei para o meu prato vazio como se fosse a coisa mais interessante no recinto. — Não temos passado muito tempo juntos fora da quadra, e senti falta do meu melhor amigo... Só isso.
Olhei para Edward e ele me ofereceu um sorriso. Aquele sorriso. Grande, encantador e absolutamente irresistível. Se sorrisos fossem crimes, Edward Cullen seria um fora-da-lei procurado.
— Eu também senti sua falta, Bells — ele disse, tão suave que por um momento me deixou sem palavras. Tentei me lembrar de que não estávamos em um filme e que, oficialmente, aquilo não era um encontro. Só dois amigos colocando a conversa em dia.
Conversamos casualmente, enquanto degustávamos nossos vinhos e aperitivos. Mas, quando os pratos principais chegaram, não consegui mais segurar.
— Alice me contou que você e a Irina terminaram — disse, mordendo meu ravióli de ricota e espinafre para evitar soltar um “de novo” no final da frase.
Edward parou de comer, o garfo a meio caminho da boca. Colocou os talheres de volta no prato, inclinou-se para trás na cadeira e acenou com a cabeça, confirmando.
— Sim, terminamos.
— Sinto muito por isso — menti da forma mais convincente possível, tentando ser a boa amiga de sempre. Ele me encarou por um instante, talvez lendo minha expressão, mas apenas agradeceu e voltou a comer. Mas eu precisava saber mais. — O que aconteceu?
— O mesmo de sempre — ele respondeu, com um tom despreocupado. — Desentendimentos, brigas por coisas pequenas, falta de comunicação...
— Entendo — disse, tomando um gole do vinho. — Tenho certeza de que vocês dois vão dar um jeito. Ela estava tão animada com o noivado.
Irina realmente parecia estar nas nuvens com aquele anel. Mostrou a todos com o maior sorriso do mundo enquanto dizia que mal podia esperar para se tornar a nova Sra. Cullen. Foi naquele momento que percebi que, no fim, Edward e eu nunca seríamos mais do que amigos. E que eu teria que me contentar com o que minha imaginação me oferecia.
Edward soltou uma risadinha quase inaudível.
— Não, dessa vez não.
Havia algo na certeza dele que chamou minha atenção. Eu larguei os talheres e olhei diretamente para ele.
— O que te faz ter tanta certeza?
Ele suspirou, um pouco mais pesado agora.
— Ela vai se mudar — ele franziu o cenho por um momento. — Na verdade, a essa altura, já deve ter ido.
Engoli em seco.
— Ah. Para onde? Nova York? — brinquei, forçando uma risada. Irina Peters era uma modelo em ascensão, então fazia sentido que ela deixasse Seattle por uma cidade maior. — Vocês vão sobreviver a um voo de seis horas.
Voltei a comer, e ele demorou tanto para dizer qualquer coisa depois disso que comecei a achar que a conversa havia morrido. Mantive meus olhos fixos no meu prato, sentindo meu coração apertado. Droga. Eu realmente acreditei, só por um momento, que eles tinham terminado de vez.
— Da última vez que conversamos sobre isso, você disse que achava que Irina e eu não éramos certos um para o outro — ele disse, quebrando o silêncio. Fiz o possível para manter minha boca cheia, para evitar ter que responder. — E agora… Tá torcendo para que voltemos? Por quê?
Levantei o olhar para ele, tentando decifrar o que parecia ser uma confusão genuína em seu rosto. Dei de ombros, como se fosse a coisa mais simples do mundo.
— Só tentando ser uma boa amiga. Você claramente a ama, ou não teria pedido ela em casamento, então… Estou sendo solidária.
Ele balançou a cabeça, suspirando profundamente, e voltou a comer. Entre uma garfada e outra, ele disse algo que fez meu coração disparar.
— Eu nunca a amei.
Droga, coração, não se empolgue tanto, pensei.
— Pensei que amava, mas, honestamente, agora apenas acho que eu estava... Confortável, de alguma forma, naquela bagunça — ele continuou.
— É? — perguntei, sem conseguir esconder a esperança na minha voz. Ele inclinou a cabeça, parecendo observar minha reação. — E o que fez você perceber isso?
— Ela vai para a França. Conseguiu um contrato com uma agência grande e aceitou sem sequer falar comigo. Nós estávamos noivos, pelo amor de Deus! Eu não a impediria, mas... Não custava ter um pouco de consideração.
Concordei silenciosamente. Edward estava irritado, seu tom se elevando ligeiramente. Ele se controlou, respirando fundo para evitar olhares dos clientes ao redor.
— Ela só me avisou que estava se mudando, sem mais nem menos, e que eu poderia ir visitá-la. Tanto faz. Foi quando percebi que, não, eu não quero visitá-la. Na verdade, a ideia de ter um oceano entre nós é como... Respirar pela primeira vez em anos. Eu disse isso a ela e, quer saber o que ela disse? — ele parou, soltando uma risada quase maníaca, então continuou com uma imitação barata da voz de Irina: — “Finalmente!”
Eu franzi a testa.
— Hã... Por que ela diria isso?
— Ela me disse que sempre soube que... Que eu... Não importa. Nós terminamos e, dessa vez, é para valer.
Eu queria saber o que mais Irina disse. O que é essa coisa que ela sempre soube sobre ele? Mas não queria pressioná-lo. Edward não parecia querer que eu soubesse e, por mais que isso me incomodasse, tentei respeitar essa decisão.
— E por que não me contou antes?
Ele deu de ombros, parecendo envergonhado.
— Você me falou para não voltar com ela… — ele parou de falar, olhando para baixo. Bingo! Ele estava realmente envergonhado. — E com o US Open chegando, achei que seria melhor focar nisso.
— Justo. Só para constar, eu nunca diria “eu te avisei”.
Edward riu e, de repente, segurou minha mão sobre a mesa, apertando-a.
— Eu sei. Você é minha pessoa favorita, sabia?
Quis suspirar, e talvez chorar um pouco. Dizer que ele também era minha pessoa favorita, que eu estava apaixonada por ele desde o dia em que nos conhecemos e que eu morria de inveja de todas as garotas com quem ele namorou. Mas, em vez disso, coloquei um sorriso presunçoso nos lábios.
— Claro que sou, olhe para mim.
— Eu estou olhando — disse, me encarando intensamente, de um jeito que me deixou tontinha.
Eu podia sentir meu corpo esquentando sob o escrutínio de seus olhos verdes. Precisava me recompor rapidamente, ou explodiria ali mesmo, diante dele. Peguei minha taça de vinho e tomei um longo gole, ainda olhando-o. Edward limpou a garganta e soltou minha mãe, me fazendo imediatamente sentir falta de seu toque.
— E você? Algum babaca que eu precise colocar para correr? — ele brincou, me fazendo revirar os olhos.
— Não. Nada de babacas, nem de caras legais. Não saio com ninguém há séculos — tentei soar indiferente, mas não tenho certeza se consegui.
Edward pareceu surpreso e ligeiramente interessado na minha resposta.
— É mesmo? E por quê?
Dei de ombros, sem saber o que eu poderia dizer. A verdade era que, desde o fracasso do meu último relacionamento — em grande parte porque meu coração pertencia a outra pessoa —, não encontrei ninguém que realmente despertasse meu interesse. Saí com alguns caras, sim, mas foram encontros casuais que não significaram nada e não me fizeram sentir nada.
Nenhum deles sequer arranhou a superfície de mim, mesmo com a liberdade de fazê-lo. Enquanto Edward podia simplesmente mergulhar fundo na minha alma sem nem tentar.
— Ah, vamos lá, Bella — ele insistiu, sorrindo com aquele brilho provocador nos olhos. E, antes que dissesse qualquer coisa, eu já sabia que ele soltaria algo capaz de fazer meu rosto queimar de vergonha. — Você é incrivelmente gostosa, é impossível não ter uma fila de caras correndo atrás de você.
— O quê!?
É claro, já fazia anos que eu sabia que a atração que eu sentia por ele era mútua. Ele, no entanto, nunca tinha dito ou feito nada que confirmasse isso. Ouvir, assim tão diretamente, que ele me achava gostosa foi... Inesperado. E eu adorei.
— Estou falando sério — ele disse, e eu podia ouvir a diversão em sua voz. — Obviamente, há mais em você do que isso. Você é linda, por dentro e por fora. E você também é inteligente, engraçada, gentil…
Eu sentia meu rosto ficando cada vez mais quente a cada elogio.
— Ai. Meu. Deus. O que deu em você hoje?
Sua risada se transformou em um sorriso largo e ele continuou me encarando. Depois de um tempo, ele balançou a cabeça.
— Não tem nada de errado em elogiar minha melhor amiga. Agora, vamos escolher a sobremesa e ir para o cinema, antes que percamos o filme.
…
Tive dificuldade para dormir depois que Edward me deixou em casa, e ele demorou um pouco mais do que o normal ao se inclinar para me dar um beijo na bochecha. Nem o banho frio que tomei conseguiu apagar o fogo que corria em minhas veias. Cada vez que fechava os olhos, eu o via. Minha mente e minhas mãos vagaram por horas, até que consegui relaxar o suficiente para dormir.
Na manhã seguinte, acordei cedo para pegar meu voo. Alice, que viera alguns dias antes para me ajudar a fazer as malas, deixou tudo organizado. Peguei um Uber para o aeroporto, não querendo deixar meu carro no estacionamento por tanto tempo. Cheguei no horário previsto, e lá estavam Jasper, Alice e Edward me esperando. Fizemos o check-in e aguardamos o embarque.
Assim que nos acomodamos no avião, coloquei meus fones de ouvido e a máscara de dormir, e adormeci. Horas depois, fui acordada pelo impacto de alguém se jogando ao meu lado. Tirei a máscara, já pronta para reclamar, mas dei de cara com o sorriso de Edward.
— Ficou acordada até tarde ontem, Swan? Se bem me lembro, te deixei em casa por volta das dez.
Lembranças do motivo pelo qual dormi tarde ontem à noite inundaram minha mente, e senti minhas bochechas esquentarem. Olhei pela janela, tentando disfarçar.
— Já chegamos? — perguntei, notando que ainda estávamos no ar, longe do pouso. — Por que você me acordou? Ainda estamos voando.
— Jasper pediu para te acordar. Eu estava prestes a te dar um beijo de amor verdadeiro, Bela Adormecida.
Eu sabia que ele estava brincando. Eu sabia! Ainda assim, meu coração acelerou.
Olhei para Edward e ele piscou para mim antes de se ajeitar no assento.
— Ele quer saber se você recebeu um e-mail da organização do evento. Vai ter uma festa mais tarde e precisam da confirmação de presença agora — Edward continuou, aparentemente alheio aos efeitos de suas palavras em mim.
— Sim... Não. Eu estarei dormindo bem bela no meu quarto. Mas obrigada por estragar o sonho incrível que eu estava tendo.
— É bom para os patrocínios, Bells — Edward disse, e foi tudo o que precisei para revirar os olhos e pegar meu celular para verificar meu e-mail. Certamente, havia um convite ali.
— Pronto, confirmado. Posso dormir agora?
Edward fez que sim com a cabeça, mas sorriu com uma expressão travessa enquanto mordia o lábio inferior.
— Você ainda não me explicou por que tá tão cansada, bonitinha.
— Estava ansiosa com a viagem e não dormi direito, tá? Falando nisso, o que aconteceu com a senhorinha que estava sentada aqui?
— Ah, joguei ela do avião — ele respondeu, casualmente, com um sorriso. Levantei a sobrancelha. — Eu a subornei para poder sentar com minha namorada, é claro.
— Sua o quê!?
Edward riu.
— A velha é fã de romance, quem diria? A conclusão de que você é minha namorada foi todinha dela, eu juro.
— E você não a corrigiu?
— Por que faria isso? Consegui o que queria.
Coloquei a máscara de volta, reclinando-me no assento e dando play na música.
— Tudo bem. Agora, cale a boca e deixe sua namorada dormir, sim? Me acorde quando chegarmos.
— Claro, querido — disse Edward em meu ouvido antes de me dar um beijo na bochecha.
Dormi como um bebê.
…
Chegamos em Nova York bem na hora do almoço, o que foi ótimo, já que eu estava morrendo de fome. Decidimos comer no hotel para economizar, considerando que, se tudo desse certo e Edward e eu avançássemos até o fim do torneio, ficaríamos ali por duas semanas. Antes de subirmos para os quartos, Jasper nos lembrou da festa que teríamos mais tarde.
— Vocês dois, tentem vestir algo decente, tá bom? — ele disse. Alice me avisou que passaria no meu quarto mais tarde para me ajudar a escolher uma roupa.
— Não acho que trouxe nada que sirva para uma festa dessas, Ali — comentei.
— Ah, trouxe sim — ela respondeu, piscando um olho para mim antes de desaparecer com Jasper no quarto 301.
— Ela me assusta às vezes — murmurou Edward, olhando para a porta fechada.
— Nem me fale.
Caminhamos lado a lado até nossos quartos, que ficavam um em frente ao outro.
— Vejo você mais tarde, Swan — ele disse antes de entrar.
Embora tivesse descansado no voo, não era a mesma coisa que dormir numa cama de verdade. Decidi tomar um banho rápido, colocar o pijama e descansar o máximo possível antes da festa.
Acordei com batidas firmes na porta. Nem precisei abrir para saber que era Alice. Ela entrou, foi direto até minha mala e a colocou sobre a cama sem dizer uma palavra, sem sequer olhar para mim. Em seguida, começou a tirar tudo de dentro.
— Ei, ei, calma aí!
— Aqui! É isso que você vai usar — disse ela, me entregando um vestido azul que eu nunca tinha visto na vida. — Depois, vou te maquiar e arrumar seu cabelo. Onde tá sua outra mala? Ah! Achei.
Ela puxou minha outra mala, abriu-a e tirou um par de saltos pretos brilhantes que eu tinha certeza de que tinha deixado no fundo do armário.
— Bella vai ficar um babado — disse para ela mesma. Ao se virar, pareceu surpresa ao me ver parada há apenas alguns centímetros de distância. — O que você tá fazendo aí parada? Vamos nos atrasar!
Alice estava estonteante, vestindo um vestido de veludo bordô com mangas 3/4 e um decote quadrado que realçava suas curvas, além de saltos altíssimos.
— Como... Como você sabia que íamos precisar de roupas assim? — perguntei, impressionada e confusa. Ela me lançou um sorriso.
— Eu trouxe para você usar na cerimônia final, quando você e Edward ganharem essa coisa, mas podemos comprar outro, com certeza. Agora, vai logo se trocar!
Quando me olhei no espelho alguns minutos depois, mal pude acreditar no que vi. Estava incrível. O vestido que Alice escolheu para mim tinha um espartilho embutido que realçava meu busto e ajustava minha cintura. As alças de cetim caíam delicadamente dos meus ombros, enquanto a saia drapeada formava uma fenda alta que revelava a coxa esquerda. E a cor — um azul índigo, como a parte mais profunda do oceano.
Engoli em seco, nervosa. Não era o tipo de roupa que eu usaria normalmente, especialmente para um evento de trabalho. Mesmo me sentindo uma deusa, tive vontade de trocá-lo por algo mais... Eu mesma.
Antes que pudesse desistir de usá-lo, Alice abriu a porta do banheiro.
— Por que está demorando tanto? — perguntou, mas logo parou, os olhos arregalados ao me ver. Ela abriu um sorriso e assobiou. — Uau, caramba!
— Não posso usar isso, Ali — disse, me virando para ela. Ela riu e balançou a cabeça.
— Ah, você pode, sim, e vai. Esse vestido foi feito para você, Bella.
— Você não acha que é um pouco... Demais? — perguntei, ainda indecisa.
Alice caminhou até mim, examinando o visual com aprovação.
— Você tá deslumbrante. Sabia que esse vestido ficaria incrível em você quando o comprei, e não estava errada... Como sempre. Vamos, deixe-me fazer seu cabelo e maquiagem para nos encontrarmos com os rapazes.
Os rapazes. Meu coração disparou ao imaginar a reação de Edward ao me ver com esse vestido. Será que ele iria gostar? Eu esperava que sim.
— Depois você tem que me dizer quanto foi, para eu te pagar de volta — disse, enquanto Alice me puxava para uma cadeira. Ela revirou os olhos, pegando uma escova para desembaraçar meu cabelo.
— Não seja absurda, Bella. É um presente.
— Não é meu aniversário, nem Natal...
Alice me cortou com um olhar impaciente.
— Eu sou sua melhor amiga. Não preciso de um motivo para te dar um presente. Agora, vamos ver o que vamos fazer com seu cabelo.
Ela prendeu meu cabelo num coque alto e fez uma maquiagem leve e natural, exceto nos olhos, onde optou por um esfumado. Quando terminou, sorriu, claramente satisfeita.
— Caramba, sou realmente incrível em tudo que faço! — exclamou, admirando seu trabalho.
A última coisa que fiz foi calçar os saltos altos antes de sairmos do quarto. Alice mandou uma mensagem para Jasper, que avisou que ele e Edward já estavam nos esperando no bar do hotel. E, juro, tudo pareceu em câmera lenta quando vi Edward se virando na nossa direção. Ele estava conversando com Jasper, mas, ao nos notar, simplesmente parou. Jasper também se virou para nos olhar. Vi o olhar de Edward percorrer meu corpo — do rosto para os ombros, descendo até a curva dos meus seios e, depois, para a fenda na minha coxa. Ele engoliu seco. Seus olhos foram até meus pés e, então, percorreram o caminho de volta até os meus.
Quando percebeu que eu o observava, Edward limpou a garganta e, inacreditavelmente, corou. Ele e Jasper se levantaram quando Alice e eu nos aproximamos.
— Uau — Jasper disse primeiro, seus olhos grudados em Alice. — Você está incrível... — ele então olhou para mim e sorriu. — E você também, Bells.
— Tudo graças à sua esposa — disse, sentindo-me um pouco tímida.
Jasper e Alice logo mergulharam em sua pequena bolha de romance, trocando olhares e risadas cúmplices. Eles eram adoráveis juntos. Edward ainda estava quieto.
Olhei para ele e sorri.
— Oi.
— Oi — ele disse ao mesmo tempo, e rimos. — Você está…
Ele não terminou a frase, mas seus olhos deslizaram pelo meu corpo mais uma vez, um pouco mais rápido agora.
— O quê? — perguntei, sentindo meu coração bater com força quase dolorosa no peito.
Não lembrava da última vez que fiquei tão nervosa — não por causa de um cara, pelo menos. Mas, claro, Edward não era qualquer cara. Ele umedeceu os lábios, e seus olhos voltaram aos meus.
— Perfeita. Você tá perfeita — disse.
Senti uma alegria indescritível correr pelo meu corpo, e o sorriso que brotou no meu rosto não me deixou esconder isso. Edward sorriu em resposta, e por um momento, estávamos presos em nossa própria bolha. Ela estourou quando Jasper limpou a garganta de maneira exagerada.
Edward e eu nos viramos para ele, confusos, e Alice lançou um olhar fulminante em direção ao marido.
— Vamos — disse Jasper com um tom seco, e lançou para Edward um olhar que parecia um aviso.
Não entendi exatamente o que havia acontecido ali, mas decidi deixar para perguntar a Edward depois. Estava ficando tarde, e tínhamos que ir.
A festa aconteceu no salão de festas do The Ritz-Carlton. O ambiente era de um luxo clássico, com lustres de cristal refletindo a luz de forma suave, e arranjos florais exuberantes que traziam toques de cor ao espaço sofisticado. Mas o que realmente capturou minha atenção foi a vista do Central Park pelas janelas.
Agradeci mentalmente a Alice por este vestido, porque todos pareciam ter se vestido para impressionar naquela noite. Seguimos direto ao que viemos fazer: garantir alguns novos patrocínios. Conversamos primeiro com uma representante de uma marca esportiva. Ela escutou atentamente enquanto Edward falou, mas tive a impressão de que seu interesse estava longe de ser apenas profissional. Em seguida, encontramos um grupo de empresários asiáticos, investidores em potencial que já patrocinavam alguns tenistas. Eles pareceram interessados e nos fizeram diversas perguntas sobre o planejamento da temporada e os resultados do último ano.
Jasper nos apresentou a um homem chamado James Laurent, e, logo de cara, reconheci-o como o CEO de uma grande marca de equipamentos e roupas esportivas... Embora eu não conseguisse lembrar qual exatamente. Ele parecia bastante interessado em Edward e em mim. Ou, para ser sincera, estava interessado em mim, e isso ficou evidente bem rápido. Logo, senti o braço de Edward envolver minha cintura, puxando-me para mais perto. Quando olhei para ele, percebi que ele estava olhando feio para o cara. Isso me fez querer rir, mas eu me segurei. Certamente, isso fez James parar de tentar flertar comigo e se concentrar somente no tênis.
Quando já estava exausta de tentar vender meu peixe para todas aquelas pessoas de nariz empinado, Jasper nos deixou livres para aproveitarmos a festa enquanto ele e Alice foram para a pista de dança. Ela estava visivelmente entediada, e ele decidiu animá-la um pouco.
— Um old fashioned, por favor — Edward pediu ao barman. — E um aperol spritz para minha linda parceira aqui.
Ele se virou para mim com um sorriso, e eu franzi a testa.
— O quê?
— Como você sabia o que eu ia pedir? — perguntei.
— Pfff — ele soltou uma risada zombeteira. — Por favor, você sempre pede a mesma coisa. Eu te conheço.
Fiz uma careta, mas no fundo adorava que Edward me conhecesse tão bem.
O barman trouxe nossos drinks, e bebemos em silêncio, observando a festa. Edward colocou o copo vazio no balcão e se inclinou em minha direção.
— Quer dançar?
— Hm… Pensei ter ouvido você dizer que me conhece? — disse, num tom de brincadeira.
Edward sorriu e deu de ombros.
— Você não precisa dançar bem. Eu posso te guiar.
Demorei um pouco para responder, estudando seu rosto e me lembrando da última vez que dançamos juntos: no nosso baile de formatura. Ele estava com Tanya, claro, e eu estava com Mike, mas, mesmo assim, Edward insistiu em dançar comigo. Tanya não se importou, disse que achava fofo o quanto éramos próximos, mas Mike ficou tão bravo que foi embora e me deixou sozinha lá, sendo escoltada pelo meu melhor amigo e sua namorada. Pensando bem, eu deveria ter terminado com aquele babaca naquela noite.
— Então…? — Edward me encorajou, sorrindo. Seus olhos estavam brilhando, cheios de expectativa. Suspirei e acenei, cedendo.
Terminei meu drink em um gole, e ele pegou minha mão, me puxando para a pista de dança. Um remix de uma música pop tocava, e as pessoas estavam quase pulando ao ritmo. Olhei em volta e vi Jasper e Alice dando um show em meio à multidão.
— Coloque suas mãos ao redor do meu pescoço — Edward disse, e fiz o que ele mandou. Estávamos tão próximos que eu poderia simplesmente inclinar a cabeça e…
Senti suas mãos firmes na minha cintura, seu corpo inteiro contra o meu. Ele começou a se mover no ritmo da música.
Edward era um ótimo dançarino. Na verdade, ele era bom em tudo. Ele foi o melhor aluno da nossa turma e capitão do time de natação, jogava tênis desde os cinco anos, tocava piano desde os três, era habilidoso na cozinha, falava cinco idiomas e foi aceito em todas as universidades para as quais se candidatou, apesar de ter optado por não entrar em nenhuma e focar na carreira como tenista.
— No que está pensando? — ele perguntou, inclinando-se para perto do meu ouvido para ser ouvido acima da música.
— Em você, na verdade — respondi, surpreendendo-o. — Estava pensando em como é irritante que você seja tão bom em tudo.
Ele riu alto, jogando a cabeça para trás antes de me encarar com um sorriso fácil.
— Não é verdade! Lembra quando tentei aprender mandarim?
— Ah, claro — resmunguei, revirando os olhos. — Porque desistir de aprender uma sexta língua muda o fato de que você já sabe cinco.
— Uma é minha língua materna — explicou ele, dando de ombros. — Meu pai me ensinou italiano porque é a segunda língua dele. Depois disso, aprender espanhol e português foi bem mais fácil por causa das semelhanças entre as línguas. E francês… bom, ele tem muito em comum com todas elas.
— Ah, Cullen, não me irrite! — retruquei, fingindo irritação.
De repente, ele me virou, pressionando seu corpo contra minhas costas, e senti um arrepio percorrer minha espinha.
— Por quê? — ele sussurrou em meu ouvido. — O que vai fazer se eu te irritar, Swan?
Minha mente parecia um borrão. As mãos dele repousaram firmemente em minha barriga, seu rosto estava tão perto do meu pescoço. Ele conseguia ver o quanto eu estava arrepiada?
— Eu… Eu não… — tentei responder, mas falhei.
— Você o quê?
Meu coração batia forte e eu mal conseguia respirar.
— Eu gosto do seu cabelo assim — ele disse, desistindo de esperar pela minha resposta.
— Huh — foi tudo o que consegui responder.
Edward riu baixinho, e o calor de sua respiração na minha pele me fez fechar os olhos e encostar a cabeça em seu peito.
— Gosto de ver seu pescoço. Você tem um pescoço lindo.
Meu coração quase parou quando senti seus lábios na minha pele. O que estava acontecendo com o Edward? Não que eu estivesse reclamando, eu tinha sonhado com isso — ser a garota em seus braços, ouvindo seus elogios — minha vida inteira. Mas foi tão repentino que meu cérebro parecia ter travado. Fiquei imóvel em seus braços, sentindo a umidade e o calor de seus lábios, implorando a Deus para que isso não fosse mais um sonho extremamente vívido.
— Jasper Hale, o que você pensa que está fazendo!? — ouvi a voz de Alice gritar em algum lugar.
Quando finalmente consegui focar, Edward já estava afastado, em um canto do salão, com a cabeça baixa. Jasper estava a poucos passos dele, gesticulando, quase gritando.
O que diabos estava acontecendo?
— O quê...? — perguntei ao ar, confusa. Senti uma mão no meu braço e me virei para ver Alice me olhando com uma expressão apologética.
— Honestamente, eu não sei. Mas Jasper vai dormir no sofá hoje... E não vai ter sexo tão cedo. Sinto muito, Bells. Eu vi você e Edward... — ela me deu um sorrisinho, e meu rosto imediatamente ferveu. — Então... Finalmente, né?
— Estávamos apenas dançando, Alice.
Ela riu pelo nariz.
— Sim, claro. Ele estava quase deixando um chupão no seu pescoço, fofa. Eu sei exatamente que tipo de dança ele quer com você, e é feita na horizontal.
— Alice!
— O quê? Eu falo a verdade, nada além da verdade.
De repente, vi Edward sair do salão. Ele simplesmente se virou e foi em direção à porta, passando por todas as pessoas sem olhar para ninguém, antes de desaparecer. Pensei em segui-lo, mas então Jasper estava ao meu lado, e minha atenção mudou.
— Sobre o que vocês dois estavam falando?
— Nada.
— Jasper... — Alice resmungou, claramente tão irritada com ele quanto eu me sentia.
— Eu já disse: nada — Jasper insistiu. — Vocês querem ficar ou preferem ir para o hotel?
Pelo olhar de Alice, soube que ela estava amando a festa, mas, depois de ver meu semblante, ela cedeu e decidiu que deveríamos ir. O caminho até o hotel foi silencioso. Quando chegamos, a primeira coisa que fiz foi bater na porta de Edward, mas ele não respondeu. Eu sequer sabia se ele estava realmente lá.
Mandei uma mensagem perguntando se estava tudo bem, mas ele também não respondeu. As horas passaram, e senti o peso do dia me consumindo. Adormeci sem nem perceber.
…
— Onde diabos você estava ontem? — foi a primeira coisa que disse na manhã seguinte ao encontrar Edward na quadra do USTA Billie Jean King National Tennis Center, onde o torneio teria início no dia seguinte.
— Bom dia para você também — ele brincou, mas não demonstrei humor. Cruzei os braços, esperando uma explicação. Ele soltou um suspiro. — Fui ao Central Park.
— Por quê?
— Eu precisava pensar.
— Você se importa de ser um pouco menos evasivo?
Ele me encarou por um momento, mas logo sua atenção se deslocou para o outro lado da quadra.
— Jasper está aqui — ele respondeu com um tom final.
Isso não me satisfez, mas não pude insistir mais. Nosso tempo estava apertado. Começamos nossa sessão de treinamento com alguns alongamentos para preparar os músculos. Depois de concluirmos essa parte, fizemos um treino leve, só para garantir que não estávamos enferrujados, já que não treinávamos há dois dias. O torneio começaria em menos de 24 horas e precisaríamos estar afiados. Mas, honestamente, mal consegui manter o foco. Jasper continuava lançando olhares para Edward sempre que eu fazia algo errado, e ele parecia culpado toda vez.
Meio-dia em ponto, finalizamos o treino e Jasper nos informou que alguns representantes demonstraram interesse em nos patrocinar durante o US Open e, se ganhássemos, também em torneios futuros. Nem eu nem Edward parecemos tão animados quanto deveríamos, o que fez Jasper suspirar antes de ir para o restaurante.
— O que Jasper disse a você ontem? — perguntei a Edward enquanto guardávamos nossas coisas.
— Nada...
— Ah, corta essa, Cullen. Eu até aceito essa merda vinda do Jasper, mas não de você!
Ele pensou por um momento, mas logo baixou a cabeça, como se estivesse procurando as palavras certas para me dar uma resposta. Quando falou, sua voz estava mais baixa.
— Ele só disse... O que eu precisava ouvir, ok? E ele tem razão. Mas não é algo com o que você precise se preocupar.
— E o prêmio de resposta mais vaga de todas vai para… — eu disse com falso entusiasmo antes de revirar os olhos.
— É o que eu posso te dar agora.
— Droga, Edward. Só fale comigo!
— Eu estou falando. Olha... Nós deveríamos focar no torneio, ok? Trabalhamos duro para chegar até aqui e não podemos jogar tudo fora agora. Por favor, apenas deixe isso pra lá.
Ele se virou e começou a se afastar, e a frustração dentro de mim explodiu. O inferno que eu iria deixar isso para lá. Eu sempre deixei as coisas acontecerem, aceitando o que a vida me dava e tentando fazer o meu melhor. Mas estava cansada.
Sem pensar, o segurei pelo braço, pronta para dizer a ele... Algo. Mas quando vi seus olhos, vi que ele parecia derrotado, e isso me fez hesitar. Fechei os olhos, sentindo minha frustração diminuir um pouco.
— Tudo bem — disse entredentes, soltando-o. Ele não disse mais nada antes de se afastar.
O restante do dia se desenrolou em uma névoa frenética. Após o almoço, aproveitei uma pausa para passear pelo Central Park com Alice. Em seguida, fomos a um brunch com um novo patrocinador. Depois, claro, tivemos a sessão de fotos. Edward parecia visivelmente desconfortável, o que era um pouco absurdo, considerando que já passamos por isso tantas vezes antes. Quando terminamos, tivemos um jantar com outro patrocinador.
À noite, tivemos uma brecha para fazer o que tivéssemos vontade, e eu escolhi ficar no meu quarto. Em vez de sair, peguei as avaliações de Jasper sobre nossas últimas sessões de treino e tentei identificar onde poderia melhorar.
O dia seguinte começou cedo, e a rotina logo se tornou um turbilhão. Conhecemos nossos rivais, e Jasper não parou de divagar sobre seus pontos fortes e fracos. Ele detalhou como podíamos neutralizar as duplas e o que precisávamos fazer para manter o controle de cada jogo.
Nosso primeiro jogo foi às 10h da manhã, e o calor já tomava a quadra. A tensão era palpável enquanto nos preparávamos para enfrentar a primeira dupla. A partida foi acirrada, mas com o ritmo firme e alguns saques certeiros, conseguimos fechar o primeiro set por 6-3. No segundo set, conseguimos manter a vantagem e vencemos por 7-5. Vitória conquistada, seguimos para a próxima rodada.
Continuamos assim o dia todo, enfrentando adversários de diferentes níveis. Alguns jogos exigiram nossa total concentração, enquanto outros passaram tão rápido que eu mal conseguia processar o que havia acontecido. No geral, estávamos indo muito bem. Antes que eu percebesse, uma semana havia se passado e estávamos firmes no torneio.
Tivemos uma pausa de dois dias até o próximo jogo para descansar e recarregar as energias, e sem nada para me distrair, minha mente decidiu focar no fato de que Edward e eu quase não estávamos mais nos falando. Eu sabia que algo o estava incomodando, mas ele se recusava a me dizer o motivo. Ainda assim, eu tinha certeza que tinha a ver comigo. Toda vez que eu tentava tocar no assunto, ele cortava a conversa, dizendo que precisávamos manter o foco no jogo. Fora o tênis, não discutimos mais nada durante aqueles dias, e até as conversas sobre os jogos eram superficiais.
Eu estava odiando cada segundo daquilo.
Enquanto Edward passava o dia com Alice e Jasper, resolvi ficar no hotel. Fiz uma visita ao spa na tentativa de aliviar minha mente. Apesar de sair de lá me sentindo fisicamente leve como uma pena, a tensão mental continuou. O estresse começou a me preocupar, temendo que pudesse impactar meu desempenho nos jogos, o que só serviu para me deixar com raiva. Edward e eu éramos amigos desde o ensino médio, por Deus! Ele deveria saber que pode falar comigo sobre qualquer coisa.
Minha raiva foi uma energia bem-vinda na segunda-feira de manhã, quando entramos na quadra para o primeiro jogo do dia. Joguei com uma intensidade que beirava o sobrenatural, comandando o jogo com facilidade. Cada movimento meu parecia meticulosamente calculado. Quando o jogo terminou, o placar era um banho de sangue.
— Isso foi... — Edward começou, mas sua voz falhou antes que pudesse terminar.
Virei-me para ele, captando o movimento hesitante de seus lábios e uma expressão que oscilava entre admiração e horror. Ele nunca terminou a frase, e eu estava muito agitada para me importar. Tudo o que eu queria naquele momento era tomar banho e me preparar para o próximo jogo. Ao longo da semana, nossos jogos continuaram a ser um espetáculo. Ganhamos partida após partida, movendo-nos pela chave do torneio com facilidade.
No terceiro dia, enfrentamos uma dupla brasileira conhecida por sua técnica defensiva. A partida foi longa e exaustiva, mas conseguimos vencê-los com uma combinação de agressividade e paciência. Finalmente, chegamos à semifinal. A dupla adversária era habilidosa e determinada, mas nossa capacidade de adaptação e leitura rápida do jogo nos deu a vantagem necessária. E, assim, garantimos a vitória.
— Excelente trabalho, pessoal! — Jasper exclamou, um sorriso orgulhoso iluminando seu rosto. — Estou realmente muito orgulhoso de vocês dois.
Agradeci com um aceno, enquanto Edward revirou os olhos antes de se afastar em direção aos vestiários. Lancei um olhar inquisitivo para Jasper, desafiando-o silenciosamente a negar que algo estava acontecendo. Ele, no entanto, respondeu apenas com um sorriso amarelo enquanto coçava a cabeça.
Desde o momento em que acordei na manhã da grande final até o instante em que meus pés tocaram a quadra, podia ouvir meus batimentos cardíacos pulsando nos ouvidos. A ansiedade estava tomando conta de mim. Do outro lado da rede estavam Alec e Jane Volturi, gêmeos idênticos, os favoritos absolutos do torneio e campeões das três edições anteriores.
Alec era o estrategista, conhecido por antecipar os movimentos dos oponentes com precisão. Jane, por sua vez, era insana. Seu estilo agressivo de jogo parecia uma ameaça, e os boatos eram de que ela “mirava para matar”.
Na quadra, eram conhecidos como As Sombras de Siena, um apelido que refletia o fato de que, como sombras, pareciam estar em todo lugar ao mesmo tempo. A fama deles não era apenas fruto de suas próprias habilidades, eles tinham história. Os Volturi eram filhos de Marcus e Didyme, duas lendas do tênis internacional. Juntos, eles foram uma das duplas mistas mais icônicas da história do esporte.
Não iríamos enfrentar apenas Alec e Jane, mas toda a reputação que os acompanhava. Edward e eu sabíamos que, além de Jasper, Alice e nossos patrocinadores, provavelmente mais ninguém estava torcendo por nós. Se perdêssemos, seria exatamente o que todos esperavam. Mas se ganhássemos…
Um sorriso cruzou meus lábios.
Se ganhássemos, seria uma reviravolta monumental. Seria a quebra de uma hegemonia de três anos. Seria a vitória dos azarões contra os favoritos, um feito que entraria para a história do torneio e para a nossa história.
Não seria fácil, mas também não era impossível. Mas se quiséssemos realmente vencer, Edward e eu precisaríamos nos conectar em um nível completamente diferente. Estávamos jogando bem, é claro, ou não teríamos chegado na final. Mas isso não bastaria. Até então, tínhamos jogado como dois indivíduos talentosos dividindo a mesma quadra. Agora, precisávamos nos tornar um só.
Como se pudesse ouvir meus pensamentos, Edward se levantou da cadeira e caminhou até o meu lado. Por um instante, ficamos em silêncio, nossos olhares fixos um no outro. Parecia que ele queria me dizer algo, mas, em vez disso, abaixou a cabeça, pressionando os lábios suavemente contra a minha testa. Fechei os olhos, permitindo-me um momento para absorver o calor e o conforto daquele gesto.
Edward recuou, ainda mantendo o olhar fixo no meu.
— Vamos acabar com isso — disse ele, em um tom baixo e firme. Ele então pegou minha mão, entrelaçando nossos dedos, e juntos caminhamos para nossas posições na quadra.
O jogo começou com uma intensidade de tirar o fôlego, e logo percebi por que tantos consideravam jogar contra os gêmeos como enfrentar uma parede impenetrável. Eles não nos davam o menor espaço para sermos agressivos, o que nos forçou a adotar uma estratégia mais defensiva. Os primeiros sets foram difíceis, mas Edward e eu encontramos algo naquela quadra. A cada jogada, cada saque, cada troca de olhares, nossa sintonia se intensificava. Ele estava onde eu precisava que ele estivesse, antes mesmo de eu perceber que precisava dele lá. E eu sabia seus próximos movimentos com a mesma facilidade com que sabia os meus.
Éramos bons individualmente, mas juntos éramos os melhores.
O placar se aproximava perigosamente do empate no set decisivo, e a torcida inteira estava de pé, dividida entre a admiração pelos gêmeos e a crescente empolgação com a nossa performance. Eu podia sentir os gritos deles em cada célula do meu corpo, e isso me fez me sentir mais viva do que nunca. A pressão não era uma ameaça, ela era combustível.
No último rally, que pareceu durar uma eternidade, Jane disparou um smash certeiro em minha direção. Pensei: É isso, vamos perder. Mas, então, ouvi Edward gritar o meu nome e, no último segundo, reagi instintivamente, devolvendo a bola com um lob perfeito. Alec correu para alcançá-la, mas Edward já estava lá, saltando e finalizando o ponto com um golpe que ecoou por toda a quadra.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Alec e Jane soltaram as raquetes, deixando-as cair no chão, sem reação. Então, uma explosão de aplausos e gritos tomou conta da quadra. Senti os braços de Edward ao meu redor, me erguendo no ar com uma facilidade ridícula. A única coisa que pude fazer foi abraçá-lo de volta e rir histericamente enquanto ele nos girava no meio da quadra, sob os flashes das câmeras que clicavam freneticamente ao nosso redor.
Quando Edward finalmente me colocou no chão, ainda me abraçando, ele enterrou o rosto na curva do meu pescoço.
— Finalmente acabou — ele disse, e eu pude ouvir o sorriso em sua voz.
Eu não entendi. Pensei que ele estivesse feliz pela vitória... Mas ele estava feliz por o torneio finalmente ter chegado ao fim? Edward sempre foi competitivo e amava tênis, isso não fazia sentido algum.
Mas antes que eu pudesse questioná-lo sobre isso, Jasper se aproximou para nos parabenizar, seguido por Alice, que, com um sorriso largo, disse o quanto estava orgulhosa e que talvez tênis não fosse tão ruim assim. Jane e Alec também vieram nos cumprimentar, mas era claro que eles estavam furiosos.
A hora seguinte foi uma verdadeira névoa de entrevistas, flashes de câmeras e cumprimentos efusivos. Várias pessoas se aproximaram para nos falar sobre patrocínios para a temporada europeia. A cada nova proposta, o sorriso de Jasper aumentava.
E então, precisávamos nos preparar para a cerimônia de premiação. Foi emocionante. Ganhamos nossos troféus, que eu mal podia esperar para mostrar aos meus pais, e fizemos um pequeno discurso de agradecimento. Agradecemos a Jasper, aos nossos pais, aos patrocinadores e, por fim, Edward me olhou nos olhos e disse, com uma sinceridade que me deixou tonta, que não estaria onde estava se não fosse por mim, e o quanto se sentia sortudo por ter uma parceira e amiga tão incrível. E tudo o que pude fazer foi encará-lo e sorrir como uma boba.
Quando finalmente voltamos para o hotel, tudo o que eu queria era um longo banho quente para relaxar meus músculos e dormir até o dia seguinte. A adrenalina do jogo tinha passado, e eu estava exausta. Mas, claro, o dia ainda não havia terminado.
Assim que coloquei meu troféu na mesa de cabeceira, admirando-o como se fosse o amor da minha vida, ouvi meu celular tocar. Pegando-o, vi uma mensagem de Alice perguntando se ela poderia vir ao meu quarto para me entregar algo. Poucos minutos depois, ouvi batidas suaves na porta. Quando abri, Alice estava ali, com aquele sorriso travesso de quem sabia que ia me fazer perder a paciência. Ela segurava uma capa protetora de roupas, com um brilho nos olhos.
— Ai, Alice... — comecei, já sabendo onde aquilo ia dar. Eu realmente não acreditava que ela havia gasto mais dinheiro com roupas para mim.
— Nem começa — ela respondeu, entrando no meu quarto. Colocou a capa sobre a cama e se virou para mim. — Isso é um presente de James. Quer dizer, fui eu quem escolhi, mas o dinheiro veio todinho dele. Ele disse que você deveria ter uma roupa bonita para a festa de comemoração.
Eu torci o nariz, contrariada. James... Eu realmente não queria aceitar nada daquele cara, mas, considerando que ele era um dos nossos patrocinadores agora, que ele estava promovendo a festa e que, provavelmente, ele só não queria nos ver lá com jeans rasgados e camisetas de bandas dos anos 1980, não parecia haver muito o que discutir.
Suspirei, decidindo não fazer um grande caso sobre isso, e me aproximei dela.
— Vai, abre! — Alice me incitou com entusiasmo.
Com um suspiro, peguei a capa e abri o zíper, sentindo o ar desaparecer de meus pulmões quando vi o que estava dentro.
— Alice, você não pode realmente esperar que eu vá usar isso... — protestei, ainda em choque.
— Ah, vamos lá! Ele é lindo! Pelo menos, experimenta! — ela insistiu, seus olhos brilhando de empolgação.
Bem, o vestido era realmente incrível. Era longo, vermelho vibrante, com detalhes de renda na cintura e um decote profundo.
Depois do banho, o vesti. E, maldita seja, Alice Hale, ela nunca erra. Mesmo com aquele decote ousado, o vestido não parecia vulgar, e eu me senti elegante, e, tudo bem, eu admito, um pouco sexy. Para completar o look, coloquei meus saltos altos e algumas joias discretas, enquanto Alice fazia uma trança francesa frouxa em meu cabelo. Quando eu estava pronta, Alice foi para seu quarto se arrumar.
Sentei-me em uma cadeira perto da janela, olhando para a cidade enquanto vasculhava meu celular. Eu evitei ler sobre o torneio nas últimas duas semanas, sabendo que os comentários poderiam me afetar. Mas, ao finalmente fazê-lo, percebi que a maioria dos comentários sobre Edward e eu eram surpreendentemente favoráveis. Algumas pessoas estavam nos shippando, isso me fez rir.
Uma batida na porta me tirou dos meus pensamentos, e rapidamente bloqueei o celular para ver quem era. Pelo olho mágico, vi Edward caminhando de um lado para o outro no corredor.
— Ei... — falei, abrindo a porta. Meu Deus, ele estava incrível.
Um terno simples, que eu sabia que era novo, e seu rosto… Era tudo o que ele precisava para parecer um galã de filmes de Hollywood.
Quando ele me viu, seu queixo caiu imediatamente.
— É isso que você vai usar na festa? — ele perguntou, a voz cheia de surpresa e, talvez, um toque de desejo. Assenti. — Posso entrar?
Eu me afastei para que ele pudesse passar. Assim que ele entrou no quarto, sem hesitar, ele me empurrou suavemente contra a porta e a fechou com um movimento rápido. Fiquei ali, sem nem conseguir reagir, enquanto ele me beijava.
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Percebi que eu não o havia beijado de volta e quis gritar comigo mesma.
— Você não precisa se desculpar…
Ele olhou para mim com um leve sorriso, mas logo sua expressão se tornou séria.
— Não é sobre o beijo. É sobre as últimas duas semanas. Eu fui um idiota, Bella. Você não merecia isso, mas eu não sabia o que fazer. Não podia falar com você…
— Edward, você sempre pode falar comigo — o interrompi.
— Não sobre isso... Não podia. Jasper me fez prometer.
Eu franzi a testa.
— Jasper...? — repeti, confusa.
— Vem cá — ele me pediu, pegando minha mão e me guiando até a cama.
Eu me sentei, mas ele continuou em pé, andando de um lado para o outro. Ele estava claramente ansioso, o que me deixou ansiosa. Ótimo.
— Ele percebeu como eu estava olhando para você naquela noite em que jantamos todos juntos — ele disse, me pegando de surpresa.
Oh.
Oh.
— Conversamos sobre isso, e eu disse a ele que queria te convidar para um encontro. Não um encontro amigável, mas um de verdade. Pensei que ele fosse ficar feliz, ou pelo menos me apoiar. Mas, em vez disso, ele ficou puto.
Eu não sabia o que dizer. Edward queria sair comigo? Por que ele não me convidou, então? E por que Jasper ficaria bravo com isso? Todas as perguntas devem ter ficado claras no meu rosto, porque Edward as respondeu antes mesmo que eu pudesse encontrar as palavras.
— Ele disse que se eu fosse atrás de você, perderíamos o foco no torneio. Eu tentei explicar que somos profissionais, que sabemos separar nossa vida pessoal da profissional. Mas ele não quis ouvir. Ele me fez prometer que esperaria até o fim do US Open.
Eu não consegui evitar o alívio que senti ao finalmente entender o que havia acontecido nas últimas semanas.
— Então, eu pensei: tudo bem, posso esperar duas semanas... Certo? — ele riu de si mesmo, sem humor. — Errado. Porque toda vez que te via, eu queria te beijar. Era tudo o que eu conseguia pensar. E isso começou a me deixar cada vez mais irritado com Jasper… Até, tipo, dez minutos atrás.
— O que aconteceu dez minutos atrás?
Ele parou de andar e olhou para mim, com uma expressão mais suave.
— Estávamos conversando, e eu estava irritado, claro. Começamos uma discussão, e enquanto ele falava, eu percebi que, claro, Jasper queria que ganhássemos o torneio. Mas o motivo real dele me fazer prometer que não iria atrás de você era porque ele estava preocupado com você.
Meus olhos se arregalaram.
— O quê? Por que Jasper ficaria preocupado comigo? — perguntei, sem entender.
Edward suspirou, se agachando à minha frente, e pegando minhas mãos nas dele.
— Porque… Acabei de sair de um relacionamento complicado de quatro anos. Ele achou que eu estava apressando as coisas, que não estava pensando direito. Jasper estava com medo de eu acabar te machucando.
Eu fiquei em silêncio por um momento, tentando processar as palavras de Edward. Fazia sentido. Muito sentido, na verdade. Não era algo que eu tinha considerado antes, mas agora, com isso na minha mente, as coisas pareciam um pouco mais claras. Talvez Jasper estivesse certo. Era estranho, sim, que Edward de repente tivesse decidido que queria ficar comigo. Senti uma leve pontada em meu peito.
Edward pareceu perceber minha hesitação. Ele se inclinou um pouco mais perto de mim, olhando nos meus olhos.
— Mas eu não vou te machucar, Bella — ele disse suavemente, com uma sinceridade tão forte que fez minha respiração ficar presa na garganta. — Eu pensei muito sobre isso. E não estou indo com pressa... Na verdade, acho que demorei demais.
Eu olhei para ele, minha voz saindo mais baixa do que eu esperava.
— É? — não pude esconder minha insegurança, e para ser honesta, não me importei. Nunca foi um problema para mim ser vulnerável com Edward, porque eu sabia que ele nunca usaria isso contra mim.
— É — ele respondeu. — Mas eu entendo que Jasper tenha pensado o contrário.
Eu não sabia mais o que pensar. Ele estava me dizendo que não iria me machucar, mas ao mesmo tempo justificava o medo de Jasper.
— Faz sentido Jasper pensar assim porque ele não sabe de uma coisa que eu sei — ele continuou.
— O quê? — perguntei, minha voz soando hesitante.
Por um momento, Edward não disse nada. Ele apenas me encarou como se estivesse estudando cada detalhezinho do meu rosto.
— Que eu te amo, Bella — ele disse, finalmente, com uma simplicidade tão avassaladora que, por um instante, pensei ter ouvido errado.
Mas, não. As palavras ficaram no ar, densas, impossíveis de serem ignoradas ou mal interpretadas. Edward Anthony Cullen me ama, era tudo o que eu conseguia pensar.
— Eu te amo desde que éramos adolescentes. Só não percebi até a Irina jogar isso na minha cara. E, de repente, tudo fez sentido. Todas as vezes que eu queria estar perto de você, que procurava desculpas para te tocar. Todas as crises ridículas de ciúmes que tive de cada um dos seus namorados. E cada relacionamento meu que fracassou porque, sem perceber, eu estava comparando minhas namoradas com você. Eu vivia pensando: o senso de humor da Bella é melhor, a Bella é mais simpática, a Bella nunca diria algo tão idiota — ele disse a ultima parte com uma voz infantil exagerada que me arrancou uma risada inesperada. O sorriso dele se abriu, brilhante e caloroso. — O sorriso da Bella é tão mais bonito.
Minha risada morreu em meus lábios enquanto eu era tomada por uma onda de emoções. Edward suspirou.
— Mas, mesmo assim, nunca me ocorreu que o que eu sentia por você não era só amizade. Talvez porque eu nunca senti nada assim por mais ninguém e não sabia como nomear, ou talvez porque estava com medo de admitir para mim mesmo — ele continuou, sua voz cheia de arrependimento. — Tudo o que sei agora é que foi uma idiotice perder tanto tempo procurando algo que sempre esteve bem aqui. E essa é a pior parte, porque depois que percebi o que realmente sinto por você... Também percebi que você me ama, não é?
Minhas palavras ficaram presas na garganta, um nó doloroso se formando enquanto meus olhos ardiam com lágrimas que eu não conseguia conter. Mordi o lábio inferior, tentando manter o controle, mas minha visão já estava turva.
— Sim... — consegui dizer, a voz quebrando. — Eu te amo. Desde o primeiro dia em que nos conhecemos.
Edward se sentou ao meu lado na cama e me puxou gentilmente para um abraço. Suas mãos me envolveram com uma ternura que fez meu coração doer ainda mais.
— Sinto muito, Bella — ele murmurou, a voz carregada de culpa. — Nunca vou me perdoar por ser tão burro, por não enxergar o que estava bem na minha frente o tempo todo.
As palavras dele vibraram no fundo do meu peito, um misto de dor pelo tempo que desperdiçamos e alívio por finalmente estarmos na mesma página. Respirei fundo, decidindo me agarrar ao que tínhamos agora, em vez de lamentar o passado.
Olhei para Edward. Ele parecia tão vulnerável, tão cheio de arrependimento, que partiu meu coração. Toquei seu rosto com a ponta dos dedos, tentando transmitir o que as palavras não eram capazes de expressar. Eu não queria mais falar. Só queria mostrar a ele o quanto o amava e o quanto o passado já não importava. Tudo o que importava era o agora.
Mas, como se o universo tivesse outro plano, meu celular começou a tocar. A tela acendeu, exibindo a foto de Alice. Eu gemi, frustrada.
— Atenda — Edward disse, tentando segurar o riso diante da minha expressão de desapontamento.
— Eu não quero.
Ele se inclinou e me deu um beijo rápido nos lábios, o suficiente para fazer o mundo parar por aquele breve instante.
— Atenda, ou ela virá aqui.
Bufei, mas sabia que ele estava certo. Contra minha vontade, deslizei o dedo pela tela para atender.
— Você e o Edward vão para a festa? — a voz ligeiramente distorcida de Alice veio do outro lado da linha, com a urgência típica dela.
— Droga! — exclamei, afastando o celular do ouvido para olhar o horário. Arregalei os olhos e sussurrei para Edward: — Estamos atrasados para a festa.
— Você quer ir? — perguntou. Sua expressão deixava claro que ele queria que eu dissesse que não.
— Acho que não temos escolha... — murmurei, resignada. Antes que eu pudesse responder Alice, Edward tomou o celular da minha mão com um movimento rápido.
— Diga ao seu marido que o torneio acabou, e eu cansei de esperar — ele disse, antes de encerrar a ligação.
Fiquei boquiaberta, olhando para ele com os olhos arregalados.
— Você acabou de desligar na cara da Alice?
— Ela vai superar — ele respondeu com um dar de ombros despretensioso.
O celular começou a tocar novamente, e Edward não perdeu tempo em colocá-lo no modo “Não Perturbe”. Para garantir, fez o mesmo com o dele.
Ele se voltou para mim, aquele sorriso de canto que sempre me fazia perder o chão se espalhando lentamente pelo rosto.
— Agora, onde estávamos? Tive a impressão de que você estava prestes a fazer algo importante.
Quando nossos lábios se encontraram novamente, foi puro êxtase. Era céu e inferno ao mesmo tempo, uma mistura de sensações que incendiava cada fibra do meu ser. Era o tipo de beijo que eu só tinha ouvido falar, aquele que faz o resto do mundo desaparecer, apagando da memória qualquer outro beijo que já tivesse experimentado. Era como um sonho, só que muito melhor, porque era real.
Ri contra os lábios de Edward, e ele fez o mesmo, um som que parecia ecoar diretamente no meu coração. Como era possível ficar tão feliz fazendo a coisa errada? Por um momento, tudo o que deveria me preocupar — inclusive o patrocínio que provavelmente perderíamos — se tornou insignificante. Nada fazia sentido perto da felicidade de estar com ele. Trabalhamos duro, vencemos, e merecíamos comemorar da forma que achávamos mais apropriada.
As coisas saíram do controle em um piscar de olhos. Havia amor, desejo e anos de sentimentos reprimidos transbordando, nos arrastando como uma correnteza impossível de resistir. O que Edward disse sobre termos demorado demais era verdade, e não havia nada nesse mundo que pudesse nos fazer desacelerar agora.
Meu vestido se tornou uma pilha de tecido vermelho no carpete, enquanto as roupas de Edward desapareceram, como se nunca tivessem existido. Quando ele puxou sua carteira e tirou uma camisinha, não resisti à provocação.
— Você trouxe camisinhas para o meu quarto? Seu pervertido presunçoso!
— Seu pervertido presunçoso, amor — ele disse, conectando nossos corpos da maneira mais íntima e incrível que se possa imaginar.
Quando terminou, eu sabia de uma coisa: queria de novo. E de novo. E de novo. Naquele instante, percebi que nunca me cansaria de Edward.
— Droga, você é realmente bom em tudo o que faz — eu disse mais tarde, quando finalmente consegui voltar para a Terra. Edward rolou para o lado, se apoiando no cotovelo.
— Bem, de nada — ele disse com um sorriso travesso.
Eu ri da resposta dele.
— Não, falando sério, eu gosto de te agradar — continuou, entrelaçando nossos dedos. — Agora, além de te dar meias no Natal e comprar sorvete de cereja quando você tá triste, eu também posso simplesmente te dar meu...
— Não ouse terminar essa frase, Edward Cullen — falei, interrompendo-o.
— O quê? Eu pensei que você tivesse gostado — ele respondeu com a expressão mais inocente possível, e eu não resisti a beijá-lo. Logo nos distraímos novamente, e ele decidiu me mostrar que também era muito, muito bom com a língua.
Algum tempo depois, Edward se levantou para ir ao banheiro, e logo pude ouvir o som da água correndo.
— Venha tomar um banho comigo — ele disse, voltando para o quarto e estendendo a mão para me puxar da cama. Fui feliz.
Entramos na banheira, que mal era grande o suficiente para os dois. Quando nos acomodamos, a água subiu perigosamente, quase transbordando, mas não derramou. Sentamos de frente um para o outro, e eu recostei minha cabeça na borda da banheira, relaxando no calor da água com aroma de lavanda.
— Hum... Isso é bom — falei, enquanto sentia Edward massagear meu pé.
Ele tirou meu pé da água, e eu gemi quando o ar frio o tocou. Edward riu, mas não parou a massagem.
— Ainda não acredito que você fez isso — ele comentou. Eu abri os olhos para ver o que ele estava falando sobre.
Ah, claro. Minha tatuagem — um pequeno esquilo em blackwork subindo pelo meu tornozelo. Edward me perturba com isso desde o dia em que a fiz, toda vez que a vê ou se lembra de sua existência.
— Tantos animais no mundo... — ele continuou.
— Gosto de esquilos — eu disse, fechando os olhos novamente. — Eles são pequenininhos e bochechudos, absolutamente adoráveis.
— Esquilos são psicopatas!
— Ah, é, claro. Eu vi um vídeo de um esquilo colocando, tipo, duas dúzias de nozes na boca. Só um psicopata faria isso — tentei soar séria, mas logo comecei a rir, não conseguindo me segurar.
— Continue rindo. Esses trombadinhas atacam as pessoas. Um dia pode ser você, ou alguém que você ama…
Abri meus olhos, me sentando mais ereta para poder olhá-lo.
— Tipo, você? — perguntei, vendo-o estremecer com a possibilidade. — Edward, eu não acredito que você ainda tem medo de esquilos. Eles são, tipo, menores que os seus pés! Você poderia facilmente pisar neles… Não que você deva fazer isso!
— Eu não tenho medo de esquilos — disse, carrancudo.
Me movi pela banheira, finalmente derramando um bocado de água no chão — opa. Sentei no colo de Edward, uma perna de cada lado do seu corpo, abraçando-o.
— Não se preocupe, eu vou te proteger dos esquilos malvados — falei, e ele estreitou os olhos para mim.
Edward abriu a boca, provavelmente para tentar me convencer de novo que ele não tem medo de esquilos, mas eu o interrompi com um beijo.
— Você é boa em me distrair, Swan — ele disse, separando nossos lábios por um brevíssimo momento. A tensão em sua voz me fez rir. — Boa demais.
E então, ele me beijou de novo. Ficamos assim, trocando beijos, nos tocando, nos descobrindo de uma forma que nunca havíamos feito antes, até que a água da banheira ficou fria demais, nos obrigando a sair.
Edward se deitou na cama, usando apenas a cueca, enquanto eu coloquei a camiseta larga que havia levado para Nova York, com o único intuito de usá-la para dormir. Me deitei ao seu lado, apoiando a cabeça em seu peito, e ele me envolveu com os braços.
— Espero não acordar amanhã e perceber que tudo isso foi apenas um sonho muito bom e muito vívido — murmurei, a voz baixa.
Edward riu suavemente, beijando o topo da minha cabeça.
— Bem, eu poderia manter você acordada com todo prazer.
— Muito tentador, mas estou realmente cansada — respondi, fechando os olhos enquanto me aconchegava mais ao corpo dele.
— Nesse caso, devo informar que acho difícil seu subconsciente conseguir me fazer tão perfeito. Quero dizer, olhe para esse rosto — ele disse, fazendo uma pausa dramática. Eu rolei os olhos, mas estava rindo junto.
Edward sempre foi bom em me fazer rir.
— Tenho uma mente muito criativa e detalhista, para sua informação.
Ele estreitou os olhos para mim e, por um instante, percebi para onde seus pensamentos haviam ido. Meu rosto aqueceu enquanto a risada dele preenchia o quarto.
— Bella, Bella... Que safada. Eu não conhecia esse seu lado — ele disse, a voz carregada de malícia divertida. — E eu estou gostando!
— Eu não disse nada de mais!
Os lábios de Edward encontraram os meus novamente, mas de uma maneira nova para nós. Tão suaves e gentis, quase como uma carícia. Ele se afastou o suficiente para me olhar nos olhos.
— Tenho algo pra te perguntar — disse, com a voz baixa, enquanto seus lábios roçavam os meus, fazendo cócegas com cada palavra.
— O que é? — perguntei, rindo baixinho.
Ele deslizou seus lábios pelos meus, sem realmente beijar, apenas me provocando com a proximidade, o calor de sua respiração misturando-se à minha.
— Você quer ser minha namorada?
— Você vai finalmente me beijar se eu disser que sim? — desafiei, os olhos brilhando de expectativa.
Ele fingiu estar ponderando por um momento, depois sorriu travesso.
— Sim, acho que eu poderia fazer isso.
— Bem, então minha resposta é sim — disse, sem nem pensar. Eu estava esperando minha vida inteira para responder àquela pergunta.
— Você gosta tanto dos meus beijos assim? — ele perguntou, sua voz cheia de provocação.
— Não mais do que eu gosto do seu…
E então, ele me beijou de verdade, e eu me entreguei a ele mais uma vez antes de cair no melhor sono da minha vida.
…
— Acho bom que você e Edward tenham tido a noite mais insana de sexo sujo da sua vida — Alice sibilou enquanto se aproximava da mesa. Olhei ao redor, horrorizada, temendo que alguém tivesse ouvido, mas o restaurante estava praticamente vazio naquela hora da manhã. E as poucas pessoas presentes pareciam apenas parcialmente acordadas.
Além disso, felizmente, Jasper não estava com ela, e Edward tinha ido buscar um café gelado para mim.
— Ai, por favor, não seja puritana — Alice revirou os olhos diante da minha reação. — Aposto que você não teve vergonha de uivar para os céus ontem à noite.
— Eu não uivei para os céus! — protestei.
— Ah... Por quê? — Alice parecia preocupada de repente, sentando-se ao meu lado. — Edward é... Tipo, ruim naquilo?
— O quê? Não!
— Então, vocês não dançaram o tango do diabo? — ela parecia completamente confusa agora.
— Olha, eu sei que você não vai deixar isso passar, então vou te contar isso: nós conversamos, e agora estamos namorando — disse, então completei entredentes: — E o Edward não é ruim!
— Só isso? De jeito nenhum! Quero os detalhes sujos!
E, claro, foi nesse momento que Edward decidiu se juntar a nós.
— Café gelado para a minha namorada quente — ele disse, colocando o copo na mesa diante de mim e se inclinando para me dar um beijo na bochecha. Depois, virou-se para Alice e apontou para mim. — Ela é uma leoa na cama, tô todo dolorido.
Alice soltou um guincho, e eu só queria que um buraco se abrisse no chão e me engolisse.
— Por que você me odeia? — perguntei, olhando para ele. Edward piscou um olho para mim enquanto ria.
— Poxa, meu amor, achei que tinha deixado bem claro ontem à noite o quanto te amo — ele disse, todo pervertido.
Com isso, Alice realmente gritou. E todo mundo — e eu quero dizer todo mundo — no restaurante virou-se para nos olhar.
— Vocês são tão fofos!
— Por que minha esposa tá gritando a essa hora da manhã? — Jasper apareceu, caminhando até a mesa. Ele olhou para as poucas pessoas mais próximas e fez cara feia para todas que estavam olhando para Alice como se ela fosse doida.
— Edward e Bella estão finalmente — ela cantou a palavra. —… Namorando! Não é incrível?
Edward segurou minha mão e apertou com carinho. Esperei que Jasper ficasse bravo, desapontado ou preocupado, mas, surpreendentemente, ele parecia genuinamente feliz.
— Que notícia boa! — ele disse, com um sorriso.
Eu estreitei os olhos, confusa.
— Mas eu pensei que...
Jasper riu, entendendo o que eu queria dizer.
— É, me desculpe por isso — ele e Edward trocaram um olhar. — Olha, eu sei que fui um pouco... Extremo, mas isso é porque eu me importo com vocês. Qualquer um que os conhece sabe que vocês sempre estiveram apaixonados, e que era questão de tempo para ficarem juntos.
Isso trouxe algumas lágrimas aos meus olhos e eu me levantei para abraçar Jasper. Quando nos separamos, Alice estava nos olhando com uma expressão curiosa.
— O que diabos tá acontecendo?
— Eu te conto tudo no avião, prometo — Jasper disse. — Estão prontos?
Edward e eu concordamos.
— Espera! — falei enquanto já estávamos saindo do hotel. — Hum... E o nosso patrocínio com aquele tal de James? Ele não ficou bravo porque não fomos à festa, né?
— Ah, é, ele ficou furioso! Tirou o patrocínio, chamou vocês de ingratos e disse que fará o que for necessário para garantir que vocês nunca mais consigam outro patrocínio na vida — Jasper disse, com uma calma enervante.
Edward e eu nos olhamos, os olhos arregalados em absoluto pânico.
— Por que diabos você está tão calmo!? — Edward perguntou, expressando exatamente o que eu estava pensando.
— Cara, vocês acabaram de dar uma surra naquelas duas aberrações italianas. Tem muita gente por aí querendo patrocinar vocês. E, convenhamos, não adianta chorar pelo leite derramado, né? Só espero que a noite tenha valido a pena para vocês.
O sorriso no rosto do meu namorado não era nada menos que obsceno.
— Ah se valeu! — disse, me fazendo corar novamente.
…
Embora o ar estivesse gélido naquele dezembro, eu me sentia aquecida de uma forma que nada tinha a ver com o cobertor sobre meus ombros ou a xícara de gemada entre minhas mãos. O calor vinha do homem sentado comigo no tapete felpudo em frente à lareira, seus braços envolvendo meu corpo.
— Isso é bom — murmurei, aconchegando-me ainda mais nele.
O silêncio no cômodo era pontuado apenas pelo estalo rítmico da lenha no fogo e uma melodia natalina distante, vinda da cozinha, onde Esme preparava o peixe que meu pai pescou mais cedo, enquanto minha mãe tentava ajudar do jeito desajeitado que lhe era tão característico. Renée Swan jamais foi uma dona de casa habilidosa, mas o desejo de ser útil e, provavelmente, de dar à Edward e eu alguma privacidade, falou mais alto.
Nossos pais, por sua vez, estavam no quintal, grelhando vegetais e conversando. Suas risadas ecoavam ocasionalmente até nós. Eu também queria ajudar, mas minha mãe tinha sido firme em dispensar qualquer tentativa.
— É o primeiro Natal de vocês como um casal. Aproveitem — ela disse mais cedo, praticamente nos empurrando porta afora.
Seguimos o conselho. Passamos a tarde explorando as decorações natalinas da cidade, tomando chocolate quente e rindo enquanto caminhávamos entre as vitrines iluminadas. Ao voltar para a casa dos Cullen, decidimos que o melhor presente que podíamos dar a nós mesmos era o luxo de simplesmente estar. Sem treinos, sem torneios, sem compromissos — apenas nós dois.
— Sim, é muito bom — Edward respondeu à minha fala, inclinando-se para beijar minha têmpora, o calor de seus lábios espalhando-se pelo meu corpo.
Deixei minha xícara com o resto de gemada no chão, meus olhos se fechando involuntariamente. Minha intenção era relaxar um pouco e, certamente, o fiz. Acordei algum tempo depois com o som alto de algo caindo no chão da cozinha e se quebrando. O ângulo desconfortável no qual adormeci fez meu pescoço doer. Edward me observava com um sorriso travesso.
— Eu dormi? — perguntei, incrédula. — Por que você não me acordou?
Ele deu de ombros.
— Você fica tão fofa dormindo. Não tive coragem.
Revirei os olhos, mas não pude evitar o sorriso que escapou. Deus, eu estava tão perdidamente apaixonada por ele, e era tão bom não ter que esconder mais isso. Puxei-o para mais perto, beijando-o. Planejei um beijo suave, casto, mas... bom, claro que não foi isso que aconteceu.
Quando Edward se afastou gentilmente, um sorriso pintado em seus lábios, deixei escapar um gemido frustrado.
— Talvez devêssemos ver se precisam de ajuda agora? — ele sugeriu, apontando na direção da cozinha.
Pude ouvir minha mãe se desculpando freneticamente enquanto Esme, com sua paciência habitual, tentava tranquilizá-la. Levantei-me, acompanhada por Edward, e fui até a cozinha. A cena que encontrei parecia saída de um episódio de desenho animado: comida espalhada pelo chão, pelo balcão, e até no teto.
— O que aconteceu? — perguntei, atônita.
— Ah, vejo que o furacão Renée passou por aqui — brincou meu pai ao entrar pela porta dos fundos, equilibrando uma travessa repleta de milho, cenourinhas, aspargos, batatas e outros vegetais recém-saídos da grelha. Minha mãe lançou-lhe um olhar exasperado, mas ele apenas riu antes de beijar-lhe a bochecha. — Brincadeira, querida.
Ainda assim, minha mãe suspirou, visivelmente constrangida.
— Não tem graça. Olha quanta comida desperdicei...
Esme, mais uma vez, tentou tranquilizá-la, mas sem sucesso. Vendo sua frustração, caminhei até ela e disse:
— Vamos, mãe, vou te ajudar a arrumar isso.
Enquanto nós duas limpávamos a cozinha, Edward colocou um avental e se juntou à sua mãe para terminar o jantar. No final da noite, o pequeno desastre culinário já havia sido esquecido.
Meus pais ficaram no quarto de hóspedes dos Cullen, enquanto eu e Edward ocupamos o quarto dele. Embora eu conhecesse aquele espaço tão bem quanto a palma da minha mão, havia algo curioso em estar ali naquela noite.
Quando Edward tirou minhas roupas e me deitou na cama, soltei uma risada baixa, sem conseguir evitar.
— O que foi? — ele perguntou, suas sobrancelhas franzidas enquanto beijava o espaço entre meus seios.
Balancei a cabeça, tentando conter o riso.
— Só estava pensando... o que nós, com 15 anos, diríamos se nos víssemos agora?
Os olhos de Edward se arregalaram antes de ele soltar uma risadinha pelo nariz.
— Acho que o Edward de 15 anos ficaria muito satisfeito, talvez até convencido, ao descobrir que sua futura namorada é a mulher mais linda que ele já viu.
Minha pele ficou quente com o elogio, e eu o beijei antes de jogar minha cabeça de volta no travesseiro.
— A Bella de 15 anos provavelmente desmaiaria.
O riso dele encheu o quarto, caloroso e contagiante. Eu o observei, sem conseguir desviar o olhar, um sorriso inevitável crescendo em meu rosto. Quando ele finalmente parou, perguntou por que eu estava olhando para ele daquele jeito.
Balancei minha cabeça, mas não havia nada casual no que eu disse a ele em seguida.
— Eu te amo tanto.
Não era a primeira vez que eu dizia isso a ele, e certamente não era a última também. Mas, toda vez, Edward apenas sorria para mim de um jeito que me dizia que não havia mais nada que ele gostaria de ouvir. Era o tipo de sorriso que iluminava o mundo inteiro. Bem, pelo menos o meu mundo.
— Eu também te amo, minha linda, linda Bella.
E eu sabia que meu sorriso era um reflexo perfeito do dele.
Passamos a maior parte da noite nos mostrando o quanto nos amávamos. Na manhã seguinte, ainda de pijama e de mãos dadas, descemos as escadas para trocar presentes com nossos pais na sala de estar.
Mamãe e papai me presentearam com uma raquete de tênis edição limitada que eu vinha desejando há meses. Era o tipo de coisa que eu jamais teria coragem de comprar, não com aquele preço e a sensação de que era um luxo frívolo. Quando expressei isso, meu pai sorriu.
— Você merece, Bells.
— Sim, você e Edward foram incríveis este ano. E sabemos que o próximo será ainda melhor. Esse presente é a nossa forma de dizer o quanto estamos orgulhosos — minha mãe completou, e meu pai assentiu em concordância. Eu os abracei.
Depois de todos os seus presentes serem entregues, chegou a vez de Carlisle, Esme e, então, Edward. Ele foi o último a distribuir os seus. Primeiro, entregou aos pais, depois aos meus, e só então se virou para mim. Achei curioso. Antes, mesmo quando ainda éramos apenas amigos, Edward sempre me dava meu presente primeiro. Mesmo quando não passávamos a manhã de Natal juntos, ele ia até minha casa no dia anterior e me entregava, me fazendo prometer que abriria o presente logo de manhã, antes de qualquer outro.
E, mesmo sabendo exatamente o que seria — Edward me presentear com meias havia se tornado uma tradição nossa, uma espécie de piada interna —, eu sempre sentia a mesma felicidade ao abrir o embrulho. Havia algo mágico em como ele conseguia encontrar meias tão únicas, sempre diferentes de todas as anteriores.
— Este é um dos seus presentes — ele disse, entregando-me uma caixa embrulhada em azul-celeste. Franzi a testa.
— Um dos? — perguntei, confusa.
— Sim — ele respondeu, com um pequeno sorriso dançando em seus lábios. — Abre logo.
Ao abrir a caixa, encontrei um monte de meias felpudas de cano longo. Elas eram perfeitas para o inverno, quentinhas e macias, mas também ideais para nossas longas viagens de avião durante as temporadas de competição. Passei os dedos pelas texturas suaves e admirei as estampas de bichinhos, cada par mais adorável que o outro.
— Gostou? — ele perguntou, seus olhos brilhando com ansiedade, como os de uma criança à espera de aprovação. Era claro que ele já sabia a resposta.
— Adorei! — respondi com um sorriso, inclinando-me para lhe dar um beijo rápido.
— Ótimo. E esse é o segundo presente. O primeiro que comprei para você foi... Isso.
Ele então retirou algo do bolso do pijama. Não estava na pilha de presentes sob a árvore, e percebi que ele devia ter escondido enquanto eu estava no banheiro. Quando vi a caixinha azul da Tiffany, meu coração disparou. Certamente aquilo só poderia significar uma coisa.
Edward abriu a caixa, revelando um anel de diamante marquesa.
— Jesus Cristo — ouvi meu pai murmurar, enquanto Esme e minha mãe engasgaram em uníssono. Carlisle parecia estranhamente calmo, o que me fez suspeitar que ele sabia disso o tempo todo.
— Edward... — comecei, mas ele me silenciou com um beijo suave.
— Já disse antes, Bella, eu demorei demais, e não quero perder mais um segundo sequer. Sei que quero você pra sempree isso nunca vai mudar.
Suas palavras perfuraram minhas dúvidas. Ele estava certo. Havíamos esperado, explorado outros caminhos e, no final, sabíamos onde pertencíamos.
Na periferia da minha visão, vi meu pai completamente imóvel, como se tivesse parado de respirar. Ele abriu a boca para dizer algo, mas minha mãe o cutucou discretamente e tudo o que ele fez foi suspirar.
— Não estou dizendo que precisamos nos casar amanhã — Edward continuou, sorrindo. — Mas eu precisava fazer isso agora. Chamá-la de “minha namorada” simplesmente não faz justiça ao que sinto por você. Podemos pular direto para “minha noiva”, pelo menos?
— Gosto de como isso soa — falei. Ele tinha razão, Edward era muito mais do que apenas meu namorado no meu coração, parecia certo dar esse passo.
Ele tirou o anel da caixinha e segurou minha mão.
— Isabella Swan, você me daria a extraordinária honra de ser minha parceira, não apenas nas quadras, mas na vida?
— Sim! — exclamei, quase gritando. Ele deslizou o anel no meu dedo, e tudo ao nosso redor se dissolveu em gritinhos de felicidade e abraços.
— Eu sabia que esse dia chegaria! — Esme sussurrou no meu ouvido, emocionada. — Bem-vinda à família, Bella.
Mais tarde, fizemos uma postagem nas redes sociais para compartilhar a notícia. Alice foi a primeira a comentar, e logo meu celular tocou. Sua voz, animada e estridente, reverberava no meu ouvido com tanta intensidade que parecia que ela estava ao meu lado. Ela começou a falar sem parar sobre os planos para o casamento, ignorando completamente minhas tentativas de explicar que Edward e eu não tínhamos pressa para oficializar nada. Mas, à medida que Alice continuava descrevendo detalhes de vestidos, flores e convidados, mais eu me pegava sonhando com o dia em que me tornaria oficialmente uma Cullen.
O casamento aconteceu um ano depois, no Seattle Tennis Club. O local era perfeito. Foi ali que nossa amizade floresceu, em meio a partidas de tênis e conversas despretensiosas. Além disso, o clube oferecia uma vista deslumbrante para o mar, onde as ondas se quebravam suavemente contra a costa. O pôr do sol pintava o céu de tons dourados e rosados, criando um cenário quase mágico para o dia mais importante de nossas vidas até então.
— Eu os declaro parceiros na vida — anunciou o ministro, respeitando nosso pedido de adaptar os votos tradicionais. — Pode beijar a noiva.
A cerimônia foi pequena, só com nossos parentes e amigos mais próximos, e foi absolutamente perfeita. Casar com Edward foi como vencer o torneio mais desafiador de todos. Cada etapa até ali havia exigido esperança, paciência e dedicação. Mas o prêmio, o amor que compartilhamos, tornou tudo infinitamente mais gratificante.
No início de janeiro, mais de um ano após nosso casamento, estávamos competindo no Australian Open. Durante as últimas semanas, o enjoo constante havia se tornado meu companheiro inseparável. Achei que fosse culpa do calor, combinado com a pressão do torneio, afetando minha saúde. Então, quando procurei um médico e ele entrou no consultório com um sorriso, me parabenizando pela gravidez, fiquei genuinamente surpresa. Mas talvez não devesse ter ficado. Afinal, Edward e eu não estávamos exatamente tentando evitar que isso acontecesse.
A notícia da gravidez certamente alteraria nossos planos e o calendário de competições, mas naquele momento, nada disso importava. Quando contei a Edward, sua primeira reação foi gritar para todo o restaurante em que estávamos que teríamos um bebê, antes de se ajoelhar ao meu lado e falar com minha barriga enquanto pessoas que nem conhecíamos nos parabenizavam. Até Jasper, que eu imaginei que ficaria frustrado com as implicações profissionais, nos ofereceu nada além de genuína felicidade e apoio. Alice, claro, ficou em êxtase por estarmos grávidas ao mesmo tempo.
Edward e eu terminamos o torneio em segundo lugar, mas voltamos para casa sentindo que havíamos conquistado o maior prêmio de todos.
Nossos pais ficaram radiantes ao saber que logo seriam avós. Sete meses e meio depois, Emmett chegou ao mundo. Ele era uma miniatura perfeita de mim, com os meus olhos e cabelos castanhos. Dois anos depois, nossa família se expandiu ainda mais com a chegada de Cassandra. Ela era o equilíbrio perfeito entre nós dois, com os cabelos de Edward e meus olhos. Em adorou se tornar a irmão mais velho e, às vezes, até brigava conosco para ser aquele a colocar sua irmãzinha para dormir.
Após nossa aposentadoria, Edward decidiu se tornar treinador, com o objetivo de fazer pelos jovens atletas o que Jasper fez por nós, enquanto eu escolhi me juntar a Esme em seu trabalho filantrópico. A Cullen Foundation foi criada com o intuito de ajudar crianças em situação de vulnerabilidade por meio do esporte, e eu amava fazer parte disso. Além de poder ajudar os outros, o trabalho me dava uma agenda mais flexível para estar com meus filhos. Foi aí que Edward e eu decidimos que 35 anos não era tarde demais para adicionar mais um membro à nossa família. E então, Noah chegou. Ele era uma verdadeira fofura, com bochechas enormes e rosadas, cabelo cor de cobre e grandes olhos verdes que pareciam refletir o mundo ao seu redor com uma curiosidade infinita.
Meu aniversário de 40 anos chegou mais rápido do que eu poderia esperar, e fiquei agradavelmente surpresa ao perceber que o temido sentimento de “estou ficando velha” não me atingiu. Claro, eu estava mesmo envelhecendo, mas não via isso como algo ruim. Eu vivi, tive uma carreira de sucesso, amei e construí uma família linda com o amor da minha vida. O que mais uma mulher poderia querer?
Enquanto as velas tremeluziam sobre o bolo, e minha família e amigos cantavam parabéns, tudo o que eu conseguia sentir era uma imensa gratidão pela vida que eu tinha. Quando Cassie me disse para fazer um pedido, soube imediatamente o que desejava. Assoprei as velas, pensando: “Que eu ainda me sinta assim daqui a 10 anos”.
Olhei ao redor, para as pessoas que preenchiam o meu quintal: meus filhos; Alice, Jasper e a filha deles, Rosalie; meus pais e sogros; e todos os amigos que fiz ao longo do caminho. Meus olhos encontraram Edward, que me observava com aquele sorriso que sempre me fazia sentir como se o mundo fosse só nosso. Ele caminhou em minha direção e me envolveu em seus braços.
— Então, como você se sente agora que também tem 40 anos? — perguntou, sua voz suave e cheia de cumplicidade, relembrando uma conversa que tivemos três meses antes, durante seu aniversário.
— Você estava certo — respondi, sorrindo. — Não me sinto diferente.
Edward me puxou para um beijo, e os aplausos ao nosso redor explodiram calorosamente. Nem todos, porém, pareciam tão impressionados com nossa demonstração pública de afeto.
— Posso comer bolo agora? — Emmett perguntou, exibindo aquela expressão de desgosto típica de um pré-adolescente ao ver os pais se beijando. Ao lado dele, Cassie cruzou os braços, lançando-lhe um olhar indignado.
Ele ergueu uma sobrancelha, desafiando-a silenciosamente a reclamar do comportamento dele. Cassie revirou os olhos com a impaciência de quem já está acostumada. Noah, alheio à interação de seus irmãos mais velhos, tinha algo bem mais urgente em mente.
— Bolo! — ele gritou, empolgadíssimo.
Eu não consegui conter a risada.
— Claro que pode, Esquilo — respondi, ainda sorrindo, cortando o primeiro pedaço para Em e logo mais dois em seguida para Cassie e Noah.
Emmett me agradeceu com entusiasmo e, sem perder tempo, pediu mais um pedaço, que ele alegremente entregou à Rose. Eles eram inseparáveis desde que nasceram, com apenas um mês de diferença entre seus aniversários — Rose sendo mais velha. Alice não conseguia calar a boca sobre como, definitivamente, acabaríamos todos unidos em família algum dia. Enquanto isso, eu tentava lembrá-la de que eles tinham apenas 12 anos. Mas, lá no fundo, não era difícil imaginar esse futuro.
— Não acredito que você deu esse apelido horroroso ao nosso filho — Edward murmurou, enquanto eu terminava de cortar as fatias de bolo e as distribuía em pratos de papel para os convidados. Eu o olhei, divertida.
— Bem, não é minha culpa que o garoto goste de subir em árvores.
— Ele também gosta de videogames, beisebol e carros — Edward rebateu, arqueando uma sobrancelha.
Eu dei de ombros.
— Eu gosto de chamá-lo de Esquilo. Esquilos são fofos, ele é fofo… simplesmente funciona.
Edward estreitou os olhos para mim.
— Fofos? Bella, esquilos são…
— Psicopatas. É, eu sei.
— E você está bem em chamar nosso filho de psicopata?
— Você tem ideia de quão louco você parece quando fala assim? — perguntei, virando-me para olhá-lo de frente. Edward fez uma careta adorável.
Eu ri enquanto o puxava para mais perto para roubar um beijo.
A festa seguiu animada, mas, mais tarde naquela noite, quando todos já tinham ido embora e estávamos apenas nós cinco na cozinha, compartilhando as últimas fatias de bolo e rindo das piadas de Edward — algumas tão terríveis que nos faziam gargalhar ainda mais —, um pensamento cruzou minha mente. Era quase impossível acreditar que, em algum momento da minha vida, eu realmente achei que Edward e eu nunca seríamos mais do que apenas melhores amigos.
Felizmente, eu estava errada. No fim das contas, fui eu quem tive a sorte de tê-lo pra sempre.
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