Amor e uma Dose de Esperança
5 Rio de lágrimas e sangue...
Notas iniciais
Quando amanheceu, todos se surpreenderam com os poucos raios de sol que chegavam ao chão, isto era suficiente para tornar o dia realmente especial.
Entretanto, havia um problema que causaria mais problemas e... Bem, havia muito próximo ao castelo um rio, que estava cada vez mais cheio por conta das chuvas constantes e, por isso, ameaçava boa parte das plantações e até o piso térreo do castelo. Era necessário fazer uma barreira para, no mínimo, atenuar os possíveis efeitos nocivos.
Porém, o rei logo foi avisado que os camponeses que trabalhavam no castelo não seriam suficientes para realizar a obra.
Foi então que ele teve uma ideia que, para ele, era genial.
_Temos tantos presos inúteis somente apodrecendo naquelas celas imundas. Escolha os mais habilitados e os coloque para trabalhar. Agora.
Então, os Guardiões foram até as masmorras e arrancaram de lá alguns dos presos, entre eles estava Pedro.
O Rei, sabendo as pessoas que estariam trabalhando tão próximo ao castelo, mandou que fechassem todas as portas e não permitiu que ninguém mais saísse.
Lorena correu até alguma janela com vista para o rio e ficou a observar.
Porém nada corria muito bem, Pedro era péssimo obedecendo e logo começou a discutir com um dos Guardiões, que logo lhe deu um forte soco que o derrubou no chão.
Lorena arregalou os olhos e se desesperou. Precisava fazer algo, rápido, antes que o machucassem.
Enquanto ela corria até a saída do castelo, o Guardião ria e dava chutes no Pedro que não podia se defender.
A Rainha foi prontamente barrada na porta por dois Guardiões.
O ladrão sangrou um tanto antes de voltar a trabalhar.
Ela gritava dizendo que precisava sair. Ele não gritou para não demonstrar dor.
E então os poucos raios de sol deram lugar a névoa gelada da noite, a barragem estava quase concluída e o silêncio ganhava o espaço do barulho.
A Rainha não havia jantado e deitada na cama esperava que Luís entrasse num sono mais profundo. Pouco depois, saiu a passos cuidadosos e pegou uma pequena tigela com água e também um pano.
O vento cortante a lembrou que ela deveria aceitar que ele ia morrer. Porém ela preferia esquecer.
Lorena estava quase derrubando a água da vasilha de tanto que sua mão tremia e precisou coloca-la no chão para abrir o cadeado, pois a chave emperrou um pouco.
Pedro estava deitado de costas para o portão.
_Você pode olhar para mim?-perguntou em tom baixo.
Ele virou um pouco para responder:
_Eu não entendo por que você insiste em voltar aqui.
_Olha para mim. Por favor.
E então ele se sentou e a encarou. Um hematoma enorme tomava conta do seu olho esquerdo e ela estremeceu quando viu.
_É isso que quer ver?
_Não! Eu só... Só quero ajudar.
_Por que tanto quer ajudar? Qual o seu problema comigo?-ele quase gritou.
Ela tentou respirar e sentou no chão frio.
_Eu... Já vi essa cena. Quando eu tinha a idade da Liz eu tentei fugir com o jardineiro-falou rapidamente-e então eles descobriram e ele morreu na minha frente e eu não pude fazer nada.
Ele não respondeu.
_Eu só queria que isso não aconteça de novo. Eu só queria que algo tão... Bonito não terminasse de maneira tão brutal!
_Você realmente o amava?
_Eu... Não sei, na época eu estava completamente apaixonada.
Não se aguentou e logo começou a chorar novamente.
Ele se aproximou dela e a beijou, afogando-se em suas lágrimas.
Então, Lorena molhou o pano e limpou o sangue seco do rosto de Pedro, primeiramente. Depois, tirou sua camisa e pôs-se a limpar suas costas em silêncio.
Assim que terminou, ela o beijou. E dessa vez, não sentia culpa alguma. Não havia pecado algum.
Os dois se embalaram numa harmonia perfeita. Calor e completude.
Os dois amantes descobriram seu amor aquela noite. Proibido e verdadeiro.
Seus corações sincronizados numa única batida e suas mãos unidas no mesmo desejo.
Ela sorria por tê-lo. Ainda que fosse por um instante, ainda que fosse ter um fim.
Quando se despediram, não disseram “adeus” (não que isto fosse fazer alguma diferença) e ela trancou o cadeado sofridamente.
Enquanto voltava para o castelo se deu conta do que estava prestes a ocorrer. Alguém que ela amava erroneamente iria morrer novamente, porém dessa vez seria muito pior.
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