Amor e uma Dose de Esperança

1 O Velho Reino e uma Louca Paixão


Notas iniciais
Oláaaa! Espero que façam boa leitura!

Obrigadaa!

Uma velha história de um lugar ainda mais antigo e hostil. Foi uma grande gentileza do tempo ter apagado do mapa aquele reino, porém esta história não precisa ser esquecida.

Ficava ao norte, com uma longínqua distância de outros reinos. O sol não aparecia por lá, normalmente as nuvens o cobriam. Suas proporções eram razoáveis e do ano em que denota esta história, estava tão próximo do auge quanto da decadência.

O rei, chamado Luís, não passava de um velho com um coração congelado, porém todos o adoravam, pois ele foi o primeiro a conseguir êxito em acordos e tratados com outros reinos, trazendo assim alguma migalha de melhora para a população, que era muito bem dividida numa hierarquia.

Hierarquia... Sim, isto descreve em muito aquele lugar. Havia a realeza, que possuíam e podiam tudo, eram os famosos "corações de ferro", não havia em toda a história alguém da realeza que havia sido gentil com alguém sem algum interesse maior. A segunda classe, dos camponeses, estava extremamente distante da família real, podia ser considerado um camponês quem possuísse uma terra (claro que pequena) e pudesse conseguir seu próprio alimento. E por fim, os ladrões, aqueles que não possuíam nem terra, nem comida e tiveram que rouba-la, obrigatoriamente eram presos e algumas vezes, mortos.

Aquele sistema horrível perdurou durante muito tempo, os camponeses faziam a economia funcionar e pagavam impostos altíssimos à realeza, que os retribuíam com as leis mais rígidas que se pode imaginar...

A história começa quando Elizabeth, filha do rei, conhece um ladrão durante um passeio a cavalo. Ela vivia cheia de escoltas, mas conseguiu adentrar o suficiente na floresta para ser perdida de vista, possuía apenas treze anos e muitas historias românticas em sua cabeça e todas elas começaram a fazer sentido quando viu, próximo a margem do rio, um moço loiro, forte e de bonitas feições. Ela se aproximou e ele a olhou fixamente, tentando imaginar o que a princesa estaria fazendo ali, sozinha. "Eu acho que me apaixonei por você", foi tudo o que ela conseguiu dizer e então a cabeça dele fervilhou de ideias e ele abriu um singelo sorriso para dizer: "Nunca duvidei de que o amor surgisse num único instante".

A pequena Liz não deu a mínima atenção aos pensamentos que diziam que aquilo era errado e que ela devia sair dali o mais rápido o possível. Simplesmente permaneceu ali, tendo a certeza de que aquele era o momento em que ela havia encontrado o homem da sua vida. E como ela teria alguma dúvida disso se ainda ontem havia lido um bonito conto em que a moça casou-se com um homem que sequer conhecia, mas, ainda assim, foi feliz para sempre.

Ela se aproximou e os dois embalaram-se num beijo, ela suspirava de paixão e ele ria da própria sorte.

Quando voltou para casa, Elizabeth quis contar a sua mãe o que aconteceu, quis dizer que havia encontrado seu futuro marido... Não esperava ela que seu casamento já estava quase que arrumado, faltava mais uns poucos acordos e logo ela seria mulher de um príncipe (com nada de encantado) do reino mais próximo deste. Elizabeth era realmente boba, nunca prestava atenção nas coisas e vivia sonhando com o amor... Talvez tenha herdado isto de sua mãe.

A rainha, chamada Lorena, havia se casado aos 14 anos. Era quase igual a filha, exceto por uma pequena e crucial diferença: Elizabeth dizia amar, porém amor só tinha a ela mesma, ao contrário de Lorena que nunca falou de amor, mas amava mais do que lhe era permitido.

O ladrão que Elizabeth conheceu, na verdade, não tinha tanta sorte. Ele, que todos chamavam de Pedro, imaginava que podia se casar com a princesa. Ora, era realmente um tolo ou um... Desesperado. Vivia de seus furtos muito bem feitos e não possuía sequer um pedacinho de terra para dormir, seus pais já a muito haviam desaparecido e ele aprendeu bem como roubar, após tanto tempo e nunca havia sido pego.

Nos sonhos utópicos de dois humanos, havia uma chance de felicidade. Elizabeth suspirava alto ao imaginar-se casada com Pedro, e este sorria ao pensar em comer nos fartos banquetes da família real.

Naquele dia em que se encontraram já haviam feito juras de amor e combinaram de voltar ali para outras vezes para poderem se ver. Elizabeth começou a andar de cavalo com maior frequência, Pedro foi ao rio todos os dias... E então quando se encontravam, ele se sentava no chão apoiando-se em uma árvore e ela ao seu lado escorada em seu peito. Ela contava seu cotidiano monótono e ele fingia gostar, trocavam meia dúzia de beijos nesse tempo e depois faziam uma despedida chorosa.

Porém, os guardiões da princesa começaram a notar os sumiços e o comportamento estranho dela e decidem que vão descobrir o que está acontecendo.

Não demoraram no caminho até o rio e quando lá, viram os dois amantes tão próximos e cúmplices, que arregalaram os olhos e logo deram ordem de prisão ao pobre ladrão. Liz gritava desesperadamente enquanto Pedro tentava se libertar dos guardiões que o cercavam. Foram todos ao castelo, menos o ladrão que foi direto para a cela, ali o guardião mais próximo do rei tentava explicar tamanha confusão: "Oh grande rei, perdoe-nos por não termos sido capazes de evitar este horror. Hoje vimos próximo ao rio a princesa Elizabeth beijando um ladrão. Ele foi devidamente preso, oh grande rei". O rei somente observava a cena enquanto Liz gritava algo como: "Por favor, vocês precisam entender, eu o amo! Ele me ama também! Vocês não podem machuca-lo! Eu o amo!". Quando enfim Luis falou foi com uma voz grossa e claramente irritada: "Elizabeth, cale a boca!" ela se calou tão imediatamente que quase engasgou. "Eu não mereço ser perturbado com algo do tipo. Guardiões inúteis, vocês pagarão o preço dessa distração." Eles estremeceram, apesar de imaginar que isso fosse acontecer. O rei voltou-se para a filha, que ainda chorava compulsivamente... "Elizabeth, já não me bastasse ter que suportar uma garota como herdeira, ainda tenho que lidar com um romance sujo. Saiba que farei o possível para adiar seu casamento com o príncipe John." Liz se arrastou para perto de seu pai lhe suplicando misericórdia, voltou a dizer "Pai, eu o amo tanto, por favor, não faça isso comigo..." o rei mandou que a levassem para o quarto. Enquanto tudo acontecia Lorena assistia a cena quase que paralisada.

Ao cair da tarde, a bela rainha ainda pertubava-se com a cena que havia visto. Lorena tinha cabelos que passavam em pouco sua cintura, eram castanhos assim como seus olhos, que eram grandes e vivos. Ela batia na porta de sua filha que não saia do quarto para nada. "Liz, você precisa comer, não vai adiantar de nada se trancar neste quarto, não vai demorar a seu pai querer derrubar esta porta... E eu preciso falar com você". Ela somente gritou de dentro do quarto: "Não quero conversar! Eu quero poder me casar com ele! E se meu pai quiser derrubar esta porta que derrube! Não vou comer nada até que o libertem!" disse tudo entrecortado pelas lágrimas e suspiros de lamentação.

Quando a noite chegou, Lorena se deitou e não conseguiu dormir. Uma aflição e agonia cresciam dentro dela e a sufocava pouco a pouco, histórias do passado pareciam tão presentes que isso a assustou. Ela nunca havia esquecido aquele dia em sua adolescência.

"Era um moço bonito que trabalhava no jardim de seu castelo, que começou a trocar olhares demais com a princesa Lorena. As coisas começaram a piorar quando trocaram seu primeiro beijo e logo trocaram seus corações em juras de amor. A princesa sabia que não devia estar fazendo aquilo, mas ele a fazia tão bem... Então eles planejaram fugir e o fariam daqui a dois dias se o romance deles não tivesse sido descoberto. O pai de Lorena ficou furioso e o mandou matar o jardineiro no dia seguinte, alegando que havia roubado o castelo afinal ninguém poderia saber dessa história. Ele realmente morreu no dia seguinte."

Ela levantou-se da cama, prendeu os cabelos em um coque embaraçado e saiu em busca de algumas respostas.

Notas finais
Agradeço imensuravelmente a algum comentário (por pior que seja)!

Abraços de urso a todos!