Amor e uma Dose de Esperança
6 Por aqueles três dias.
Notas iniciais
Este dia não estava nada animador, as nuvens apagavam o sol e o vento gelava a alma de qualquer um.
Luís acorda e vê Lorena ao seu lado. Estranha ela ainda estar dormindo, pois normalmente ela é a primeira a levantar.
_Lorena?-diz com uma voz rouca e irritada.
Ela acorda e imediatamente sente dificuldade para respirar, sua garganta e cabeça doem fortemente.
_Não me sinto nada bem-responde finalmente.
_Vou chamar uma criada para te ajudar.
E então saiu do quarto deixando Lorena perdida em dores.
"Culpa do vento frio" ela imaginou.
Uma criada realmente a ajudou a levantar e a trocar de roupa, mas a Rainha ainda tinha problemas para manter o equilíbrio. Bem, ela tinha muitos problemas mesmo.
Logo a tarde foi ao quarto da filha ver como ela estava.
O porta estava aberta e Liz parecia distraída.
_Filha, olá.
_Mãe, você está bem?-perguntou preocupada.
_Sim, eu vou melhorar logo. E você, como vai?
_Estou um pouco chateada ainda.
_Só um pouco?
Liz sorriu um pouco.
_Ah mamãe! Ele era um sonho, mas preciso aceitar que a realidade é o melhor para mim.
Lorena somente assentiu.
_Papai remarcou a execução.
_O quê!?-ela quase gritou.
_Calma mãe. Ele não te contou?
A Rainha tentou manter o controle e disfarçou seu desespero.
_Não, ele deve ter esquecido... Perdoe meu susto, é que achei que você ainda não estava preparada para isso e fiquei preocupada. Seu pai sempre toma as decisões sem antes ver as consequências.
_Pois é... Obrigada por se preocupar mamãe, mas vou suportar isso-Liz disse com tranquilidade.
_Para quando ele marcou?
_Daqui a três dias, se não estou enganada.
***
Elizabeth era realmente volúvel, ultimamente só pensava no seu casamento com o príncipe John e em como ela seria uma ótima rainha quando chegasse a hora. A menina que havia jurado amor eterno a um pobre ladrão... Não o amou sequer por uma semana, talvez.
Pedro foi avisado de sua execução.
Lorena adoeceu cada vez mais. Sua respiração estava sempre problemática, sentia dores pelo corpo e queimava em febre.
Chovia muito por aqueles dias. Por aqueles três dias.
Infelizmente, os males que a Rainha sentia não permitiu que ela saísse para ver Pedro, que logo ouviu comentários sobre a doença da Rainha.
Nas duas noites seguintes os dois não se encontraram.
***
Enquanto Luís dormia pesadamente, Lorena lutava para conseguir sair do castelo. Precisava vê-lo antes da sua morte no dia seguinte. E mesmo com uma forte febre e com a chuva impiedosa o encontrou.
Pedro a abraçou apertadamente. Deu-lhe um beijo na testa e falava baixo.
_Você não vai melhorar se ficar saindo na chuva no meio da noite, meu amor.
_Eu precisava vir-ela respondeu fechando os olhos-Precisava ficar aqui com você.
Pedro somente continuou abraçando-a para dizer:
_Vai ficar tudo bem... Tudo bem.
_Nós podemos fugir! Nós devemos fugir...
_Lorena, não vamos conseguir. Vai ter muitos Guardiões e...
_Luís quer que sua execução seja pública, então você vai precisar ficar um tempo na masmorra até que chegue a hora... E é possível fugir de lá!-ela falava com entusiasmo.
E realmente havia uma maneira quase simples de fugir da masmorra. Explicando melhor: em execuções públicas era tradicional que o condenado tivesse que passar pela população que foi ali para assistir o espetáculo. Por isso, a masmorra ficava bastante afastada do castelo e permitia uma fuga mais efetiva.
Pedro sabia de tudo isso.
_Eu realmente poderia tentar escapar, mas vai ser muito arriscado para você.
_Eu não me importo com os riscos. Vai dar certo, tenho certeza!
E então terminaram de construir o plano. A masmorra só possuía uma saída (obviamente protegida), por isso Lorena (que estaria vestindo uma roupa comum) causaria um alvoroço com as pessoas próximas dali para distrair os Guardiões. Nesse momento, ela correria, abriria a masmorra e eles sairiam o mais rápido o possível. Era mesmo um plano subjetivo e muito perfeito para dar certo, mas ainda assim eles tentariam.
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