Amor e uma Dose de Esperança
3 O que realmente importa?
Notas iniciais
Na manhã seguinte, Luís estava mal-humorado (como sempre) e Lorena continuava aflita. A situação não melhorou quando Luís falou.
_Eu organizei a execução daquele ladrão para amanhã. Será pública e no período da tarde.
Ele a olhou esperando uma resposta que não veio.
_Não vai dizer nada!? Parece morta.
_Claro! Amanhã... Claro. Eu só... Estou cansada. Desculpa.
Ele saiu do quarto com a cara fechada.
Lorena sabia que devia aceitar isso. Não havia como ser uma heroína, apesar de ter pensando em ajudar o ladrão e sua filha a fugirem, caso se amassem de verdade, o que não aconteceu.
Ela foi ver Liz que ainda estava chorosa e não cansava de suplicar:
_Mamãe, por favor, eu preciso da sua ajuda... Ele não pode morrer.
Lorena a observava, somente.
_Se ele não for solto logo, eu juro que me mato! Eu vou morrer! É isso que vocês querem!? Que eu morra!
Até que finalmente, ela a respondeu:
_Sinto muito, querida. Eu realmente sinto muito.
Liz a olhou atônita.
_É só isso? Sente muito? Não! Você não sente! Você não o ama como eu!- e desabou num choro sem fim.
Lorena saiu do quarto, pensando em como ele era bom conquistando corações.
***
Naquela noite, a rainha abandonou seu quarto novamente para se aventurar na escuridão da noite em busca de... Nem ela sabia.
Fez o mesmo caminho e entrou pela mesma portinhola. Sempre a passos longos e silenciosos, seus cabelos soltos voavam com o forte vento, até entrar novamente no túnel clareado apenas pela tocha.
Ele estava sentado no chão, olhando para a parede, estático. Ela pensou em abrir o cadeado, mas preferiu ficar do lado de fora da cela. Tinha medo do que podia acontecer entre um conquistador interesseiro e uma garota sozinha.
_Por que está aqui?-Pedro perguntou.
_Você sabe que... Sua execução é amanhã?
Ele a olhou por um tempo e então respondeu:
_Claro que sei, mas estou tranquilo. Algo me diz que não vou morrer amanhã.
E então sorriu. E ela sorriu também e uma lágrima escorreu por sua face.
Agora Lorena havia sentado também, estava nervosa, seu coração batia a fortes pancadas e seus pensamentos sempre bagunçados.
Ele voltou a falar:
–Então... Por que veio? Quis se despedir?
Ela somente fez que não com a cabeça e manteve o olhar fixo.
Foi Pedro quem falou de novo:
_Sobre a nossa primeira conversa... Desculpe por ter dito aquilo.
_Não foi nada além da verdade.
_Mas foi uma verdade cruel dita a uma dama. Esse tipo de atrocidade ladrões não cometem.
Ela riu.
_Se você amasse a Liz eu juro que ajudaria vocês dois a fugirem.
_Seria bonito da sua parte, mas esqueça essa possibilidade.
Pedro a encarava. Ela era bonita segundo ele, mesmo chorando.
_Você não esta com frio?-ela perguntou notando as poucas roupas dele.
_Tenho problemas maiores do que o frio. Você está?
_Um pouco.
_Quem diria que um dia a rainha se importaria com um ladrão com frio.
Ela esboçou um sorriso.
_Não quer entrar? Talvez aqui esteja mais quente.
_Isso é um convite?-ela respondeu rindo.
_Aqui não é muito aconchegante, mas estou tentando ser educado.
_Você disse que não seria educado.
_Não quero magoar você.
Ela levantou do chão e abriu o cadeado, entrou na cela e ajoelhou próximo a ele.
_Eu não devia estar aqui...-ela sussurra.
_Eu sei-respondeu ele enquanto limpava as lágrimas do rosto dela-Ninguém nunca antes chorou por mim.
_E quem disse que estou chorando por você?-ela disse com um sorriso que logo se fechou.
Lorena num sobressalto levanta e sai da cela rapidamente.
_Eu preciso ir... Não devia estar aqui-diz enquanto tranca o cadeado.
_Então, adeus!
Ela parou por um bom tempo até responder num tom baixo:
_Adeus.
Lorena deitou em sua cama e se negou a acreditar que se importava com um ladrão. Pedro negou a acreditar que se importava com alguém da realeza. Porém, quando os dois se olhavam nada mais fazia diferença.
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